The Hound Behind The Mask (Novel) - ↫─Capítulo 10
↫─Capítulo 10
O carro estava silencioso.
O sedã alemão deslizava suavemente pelas ruas de Seul antes do amanhecer, onde apenas caminhões de lixo e alguns táxis se moviam.
Dentro do sedã, onde até o ruído do motor era inaudível, Jaeha olhou de relance para o nariz de Jang Taegun, iluminado pela luz do painel, e depois desviou o olhar.
Como o hotel em si ficava do lado de Gangbuk, o trajeto até a mansão de Jang Changsik em Pyeongchang-dong foi curto. Jaeha engoliu um suspiro.
Taegun estava em silêncio desde antes. Ao sair do hotel, ele havia segurado a porta do elevador aberta como se sinalizasse para Jaeha sair primeiro, mas seu olhar não havia encontrado o dele.
Passando por ele para sair, ele limpou a garganta desnecessariamente. Só então Jaeha percebeu que o aroma sutil do feromônio de Taegun permanecia em seu próprio corpo.
Se era sutil o suficiente para se agarrar a ele depois de estarem tão próximos, Alfas e Ômegas sensíveis certamente achariam estranho que um Alfa como Jaeha estivesse andando por aí coberto pelos feromônios de outro Alfa.
Apesar disso, Jaeha gostava.
— ……
Jaeha olhou de relance para ele novamente. A escuridão significava que seu olhar não seria notado. As duas mãos que ele havia colocado silenciosamente sobre as coxas estavam ligeiramente rígidas.
Espiando com um olhar furtivo, Jaeha se perguntou se Taegun também conseguia sentir o cheiro de seus feromônios. Pensando bem, seu cheiro de feromônio havia mudado várias vezes recentemente, mas ele não havia passado por nenhum exame adequado.
Ele simplesmente não tivera tempo. Ele considerou brevemente visitar um médico não relacionado ao médico pessoal da Yooshin ou ao hospital da Fundação para um check-up assim que conseguisse um tempo livre.
Mas o tempo, cruelmente, não esperaria nem por aquele breve momento de pensamento. O sedã já havia chegado ao portão da mansão de Jang Changsik.
— Saia.
— ……
Jang Taegun falou sem olhar para Jaeha. Veias azuis se destacavam nas costas de sua mão, apoiada na alavanca de câmbio.
Acima daqueles padrões de veias, múltiplas cicatrizes de faca estavam gravadas como sulcos profundos em aço endurecido.
Mesmo agora, uma aliança de casamento ainda estava em seu dedo anelar esquerdo. Vendo-a, ele não conseguia expressar o quão aliviado se sentia.
Jaeha moveu os lábios várias vezes. Ele queria agradecer pela carona, mas temia que pronunciar um agradecimento tão simples pudesse deixar um arrependimento persistente.
Ele não podia de forma alguma voltar para casa com aquele sentimento — seu companheiro mais próximo ultimamente — agarrando-se aos seus tornozelos novamente. Então ele prontamente fechou a boca e prendeu o dedo na maçaneta da porta do carro.
Ele então abotoou o botão inferior do paletó e saiu do carro. Ele planejava se limpar e ir direto para o trabalho, então tiraria o paletó de terno de qualquer maneira, mas era um hábito enraizado nele.
Vestido ordenadamente, Jaeha tentou não olhar para trás. Ele fechou a porta do carro nem com muita força nem com muita delicadeza e estava prestes a caminhar direto pelo portão.
Então, o som de uma porta de carro se abrindo veio de trás. Jaeha parou involuntariamente. Ele não queria, mas seu corpo interrompeu seus passos por conta própria.
Thud, thud. Ele ouviu passos se aproximando por trás. Uma sensação repentina de formigamento percorreu a espinha de Jaeha, como se calafrios tivessem surgido todos de uma vez.
Exatamente metade do seu corpo sentiu o frio. Como se aquela pequena porção quisesse se virar em direção a Jang Taegun. Jaeha fechou os olhos com força e depois os abriu.
— Eu simplesmente não consigo entender.
— ……
— Você se casou comigo sem saber que eu sou esse tipo de bastardo? Que tudo ao meu redor é essa porra de bagunça?
— ……
Jaeha inspirou bruscamente. Ele estava pedindo uma razão mais uma vez.
Até seu próprio coração não havia aceitado totalmente ainda, mas todas as noites, como uma doença crônica, ele tinha que remendar os restos desgastados de seus sentimentos persistentes. Jang Taegun também não gostaria de perguntar?
Doía por dentro saber que ele tinha que convencer a ambos sozinho.
— Apenas diga algo, porra. Não fique apenas com a boca fechada.
— …Diretor Jang,
— É, continue falando. Por que diabos você ainda está me chamando de “Diretor”? Por que você está rastejando de volta para aquela maldita casa?
— …… .
Ele virou o corpo de Jaeha para encará-lo. Quando Jaeha abaixou a cabeça, Jang Taegun levantou seu queixo. Quando Jaeha desviou o olhar, Jang Taegun apertou sua mandíbula dolorosamente. Ainda assim, Jaeha não olhava para ele.
Pelo canto do olho, Taegun o viu traçar um círculo em uma bochecha com a ponta da língua. Ele soltou uma risada vazia. O som cortou direto o peito de Jaeha.
— Eu sou mais bandido do que você pensava, Senhor Jaeha? Minha vida é muito mais um esgoto do que você imaginava?
— …Não é isso.
— Então o que?
— …… .
— Então, Jaeha, se não é isso, por que eu tenho que continuar vigiando cada movimento seu como um garoto esperando para ser chamado?
Jaeha mordeu o lábio, depois endureceu sua expressão. Dessa forma, parecia que nunca teria fim.
Seu rosto endureceu como se estivesse exausto, suas sobrancelhas se estreitaram e ele falou em uma voz rígida. Verdadeiramente, ele queria abanar o rabo como um cachorro cumprimentando seu dono, mas Jaeha colocou uma máscara rígida.
Como se aquilo fosse o seu melhor esforço. Ele seria enganado? Ele esperava que sim, mas esse mesmo pensamento parecia dilacerar suas entranhas.
Mas com a máscara colocada, nada transparecia em seu rosto, então Lee Jaeha podia falar casualmente.
— Eu sou um homem de negócios.
— ……
— Eu geralmente faço acordos muito bons, mas… às vezes você pode falhar.
O silêncio caiu entre eles como uma tempestade repentina. Foi pesado e ensurdecedor assim.
Jaeha manteve os lábios cerrados, esperando que sua expressão não rachasse, esperando não se agarrar a ele nem mesmo agora.
Ele sentiu um feromônio pesado. De Jang Taegun, um feromônio que, se visto como uma cor, seria um azul profundo e venenoso.
Mas ele se dissipou antes que pudesse alcançar Jaeha e se tornar uma ameaça. Apenas envolveu todo o corpo de Jang Taegun como uma armadura.
— Então, eu.
— …… .
— Você quer dizer que falhou nos negócios, Diretor.
Não era isso. Não era esse tipo de coisa.
Como você poderia ser a minha falha?
Era o que Jaeha pensava. Mas o silêncio em resposta à sua pergunta tornou-se a própria resposta.
Jang Taegun falou em uma voz contida. Era um tom que Jaeha não tinha ouvido desde que o conhecia.
— Então por que não declarar falência de uma vez? Por que continuar cuidando desse bandido inútil?
— ……
— Negócios? Que porra é essa. Você é a porra do Exército da Salvação.
Até então, o que quer que saísse de sua boca irradiava confiança. O tipo de desenvoltura que só poderia vir de alguém nascido com arrogância, uma casca dura por fora e ossos de aço. Não importa o quanto ele se comparasse a um bandido ou a um malandro, ele estava envolto em uma confiança tão profunda que nem ele mesmo conseguia se menosprezar.
Mas aquelas palavras — as poucas que Jaeha acabara de ouvir — precisavam daquela qualidade. Um arrependimento muito sutil, misturado com uma autodepreciação que apenas alguém que o estudasse de perto poderia detectar.
— Taegun…
Jaeha abriu os lábios trêmulos. Para negar.
Mas ele já havia virado as costas. Ele já havia aberto a porta do motorista, afastando-se do sedã com as lanternas traseiras brilhando. O chamado fraco de Jaeha pareceu não ser ouvido.
Jaeha deu um pequeno passo à frente. Tão sutil que ele mesmo talvez não soubesse que era um passo em direção a Taegun.
Então veio um baque, um som. O sedã rugiu como uma grande besta e desapareceu pelo beco ladeado pelas casas de luxo de Pyeongchang-dong. Deixado para trás, Jaeha olhou para as lanternas traseiras que se distanciavam antes de abaixar a cabeça.
Uma luz azulada de aurora estava rompendo no leste.
Como se a tremenda despedida que Jaeha havia suportado não significasse nada. Embora não sentisse nada além de ressentimento e aversão, Jaeha simplesmente caminhou e entrou pelo portão ainda escuro da mansão.
Era o passo de alguém a quem restava apenas o dever a cumprir.
7. (Fim do Vol. 2)
— Pare de latir, quer fazer o favor?
Taegun estreitou os olhos. Jeonggil, parado silenciosamente atrás dele, olhou de relance para Myeongsoon.
Myeongsoon apertou os olhos grandes e balançou a cabeça levemente. Era um aviso para não provocar o hyung, cujo temperamento era extremamente feroz.
Cada vez que ele batia na gaiola com o pé de cabra que segurava, o que quer que estivesse lá dentro grunhia e gemia.
— Vocês, bastardos, fazendo isso, hein? Acham que vão sair impunes? Você sabe quem eu sou?
— Você deveria ter dito isso antes de se mijar. Ei, Myeongsoon, recite.
— Sim, chefe.
O homem preso na gaiola estava nu, nem sequer usava cueca, sua carne sobressaindo pelas barras finas. Seus dedos segurando as barras também eram rechonchudos e flácidos, uma visão desagradável.
Jang Taegun, que não vinha se sentindo bem ultimamente, sentou-se de pernas cruzadas na cadeira improvisada em frente à gaiola com uma expressão emburrada.
Myeongsoon, que havia se aproximado ao lado dele, recitou o que estava escrito no papel em uma voz arrepiante, como um ceifador chamando o nome dos mortos.
— Park Jangwon postará um pedido de desculpas em sua conta política no dia [data]. Park Jangwon deve então comparecer perante os promotores para admitir as acusações de flexibilização ilegal de regulamentação para facilitar a fusão da Mefudin, uma empresa de reagentes de diagnóstico, pela YSBioBoomer, uma subsidiária da Yooshin Pharmaceuticals. Ele deve se deslocar até a Procuradoria do Distrito Central em seu próprio veículo.
— Qu-quem! Por que eu deveria fazer isso!
Park Jangwon era o nome do homem confinado na gaiola. Sua ocupação era de membro da Assembleia Nacional. Ele era um homem que se dedicava a aprovar projetos de lei apressados, salvando grandes corporações enquanto empurrava pequenas empresas e de médio porte para a falência.
Por volta das 6h da manhã de hoje, ele foi sequestrado por um estranho enquanto saía para uma partida de golfe matinal. O homem que o raptou moveu-se várias vezes, trocando de carro enquanto mantinha Park Jangwon no porta-malas.
Quando chegou a algum armazém abandonado nos arredores da província de Gyeonggi, o exausto Park Jangwon de meia-idade já havia desistido completamente de qualquer pensamento de fuga.
Preso nos porta-malas de vários veículos, ele sentia náuseas constantes e vômito, como se seu sistema vestibular tivesse sido danificado.
Duas horas atrás, jogaram água em Park Jangwon enquanto ele jazia ofegante no chão. Com a geada começando a cair, ele não aguentou ficar com as roupas molhadas e teve que se despir voluntariamente.
Foi quando as fotos nuas foram tiradas, mais uma hora e 48 minutos atrás. Mas o confinamento de Park Jangwon na gaiola foi inteiramente por culpa dele.
O homem que o sequestrou não parecia ser o líder supremo da organização ou mesmo o segundo em comando, apenas algum capanga de baixo nível. Como Park Jangwon ainda não havia compreendido totalmente a situação, gritou com eles a plenos pulmões.
— Quem diabos vocês pensam que são?! Vocês sabem quem eu sou?!
Os homens Corpulentos deram de ombros em uníssono. Significava que não sabiam quem ele era e apenas o haviam trazido. Boquiaberto, Park Jangwon disparou insultos contra eles, e um dos homens, farto do barulho, trancou-o na gaiola.
Isso aconteceu há exatamente 17 minutos, quando Park Jangwon se deparou com Jang Taegun entrando no armazém. Park Jangwon cometeu outro erro.
— Você, seu bastardo…! Você não sabe que eu sou conhecido do Diretor Lee da Yooshin?! Acha que o Diretor Lee vai deixar isso passar?!
Park Jangwon apenas dissera que tinha pena de Lee Jaeha por se casar com um bandido como ele, e que se Lee Jaeha descobrisse sobre seu comportamento descarado, não deixaria um moleque como ele escapar impune.
Isso era verdade. Park Jangwon e a Yooshin tinham uma conexão estreita, e esse elo era profundo, remontando ao falecido ex-presidente da Yooshin, Lee Wonwoong, e não a Lee Jaeha ou Lee Ikhyeong.
Park Jangwon foi um estudante bolsista na fundação que Lee Wonwoong administrava. Não era como algum promotor de distrito sem dinheiro para a mensalidade; era apenas o estratagema inteligente de Lee Wonwoong para patrocinar a família de um político.
Park Jangwon, essa árvore de dinheiro cultivada com os fundos da Yooshin, orgulhava-se de suas contribuições significativas para o conglomerado. Portanto, Jang Taegun, que se casou com o diretor da Yooshin, Lee Jaeha, naturalmente deveria considerá-lo como tal.
Mas sequestrar alguém assim para chantagem? Park Jangwon pensou que Jang Taegun estava cometendo um erro enorme.
Mas aquela ilusão se desfez completamente com as palavras vindas da boca de Jang Taegun, que se sentava de pernas cruzadas, batendo em seu cogarro com uma expressão entediada.
— Você acha mesmo que é o porra do amante do meu marido?
— …O quê?
— Você não sabe que Lee Jaeha tem padrões elevados? Por que está agindo como se fosse uma espécie de tapa-buraco?
— Que porra é essa…
Jang Taegun levantou-se, pisando nos pedaços quebrados dos canos que estivera partindo, depois puxou outro cigarro e o colocou adequadamente entre os lábios.
Quando Junggil, que estava ao lado dele, acendeu o isqueiro para oferecer uma chama, Taegun retrucou irritado.
— Junggil, seu bastardo, não faça essa merda. Eu vou morrer amanhã? Não consigo mover um dedo? Eu mesmo faço, então passe para cá.
— Sim, chefe.
O isqueiro Zippo dourado foi colocado obedientemente na palma estendida de Taegun. Park Jangwon olhou boquiaberto, assistindo a toda a cena. Seu corpo seminu tremia violentamente com o frio.
No canto do armazém, um dos homens corpulentos estendeu a mão em direção ao aquecedor elétrico que havia ligado, zombando de Park Jangwon com uma risada de deboche. Park Jangwon mudou de tática, agora implorando.
— Por favor, deixe-me apenas fazer uma ligação para o Diretor Lee. Parece ter havido algum mal-entendido.
— Ei.
Havia cerca de trinta centímetros de distância entre a gaiola e Jang Taegun. A voz sinistra de Jang Taegun chamou por Park Jangwon. O tom estava carregado de desprezo e desconsideração.
Antes mesmo que Park Jangwon pudesse sentir a súbita onda de raiva, uma dor imensa e excruciante atingiu a região de sua virilha, que estivera projetada para fora através das barras finas de ferro da gaiola.
— Aaargh-!
O som de carne queimando ecoou. Os olhos de Park Jangwon reviraram, e uma espuma se formou em sua boca. Uma ponta de cigarro havia sido jogada através das barras, queimando seus testículos.
Segurando as barras da gaiola, o corpo de Park Jangwon tremeu violentamente. O barulho das barras de metal reverberou alto pelo armazém abandonado.
— Esse bastardo inútil com certeza sabe como provocar alguém que está tentando viver decentemente. Eu te disse para desembuchar tudo sobre o seu envolvimento com a Yooshin, não disse? Você é só um pau murcho balançando por aí, tagarelando sobre procurar o marido de outra pessoa?
— Aaah, uwaaah! Por que, o que, por que você está fazendo isso?!
O grito arrancado de uma garganta que passara a vida inteira se fartando de comida rica era um suplício de se ouvir. Jang Taegun exibia exatamente essa expressão enquanto jogava no chão a ponta do cigarro, que ainda queimava, tirando-a do testículo dele, e cutucou sua orelha.
— Myeongsoon. O que você está fazendo? Recite tudo, só mais uma vez.
— Sim, chefe.
Myeongsoon, que estava parado silenciosamente atrás dele, recitou o próximo plano.
— Park Jangwon, entregará sua carta escrita à mão anunciando sua aposentadoria da política ao seu assessor e retornará para sua cidade natal. Ele poderá se desfazer de suas ações da Yooshin antes de postar um pedido de desculpas em sua conta de rede social.
Jang Taegun sentou-se de volta em sua cadeira e cruzou as pernas. Então, como uma criança, continuou sua agitação, partindo as pontas de seus cigarros.
Depois de esvaziar um maço, ele puxou os cigarros do maço seguinte e os partiu novamente antes de falar. Park Jangwon se encolheu, preocupado que seus testículos queimados pudessem tocar as barras, causando um estrondo alto nas junções da gaiola aberta.
— Ah, essa parte é realmente algo, sabe… Bem, o que se pode fazer? Se o nosso Jangwon-ssi acabar em uma cela em seus anos de crepúsculo, será lamentável. Ele deve ter se divertido muito sugando os impostos suados do povo todo esse tempo, mas o que acontece quando esse buraco é tapado? Eu também não sou muito fã de pessoas que ficam cheias de amargura. O nosso Jangwon-ssi precisa de um buraco para respirar, certo?
Jang Taegun falou com uma expressão desinteressada e depois balançou a cabeça brevemente para si mesmo. Em seguida, ele levantou apenas os cantos da boca em um sorriso que não era bem um sorriso e disse:
— Então, e quanto a nós? Os negócios estão resolvidos?
— Do que… do que você está falando…?
Park Jangwon, que fora arrastado desde o amanhecer até o final da noite, depois encharcado com água fria e queimado na virilha, choramingou em prantos.
Imediatamente, uma sombra caiu sobre o chão elevado. Uma faca deslizou pelas barras e enterrou-se profundamente na coxa de Park Jangwon.
— Aaargh!
A lâmina moveu-se para a frente e para trás através das barras repetidamente. Mesmo com grossas camadas de gordura, a lâmina não escorregaria facilmente do músculo, já que ele era um homem. Jeonggil, sem expressão, segurou as barras e puxou a faca para fora.
A cada vez, o sangue espirrava em sua camisa preta. Ele gostava de camisas pretas porque, mesmo quando a sujeira as manchava, não dava para notar. Taegun acenou com as mãos para Jeonggil, que estava concentrado em sua tarefa.
— Ei, seu bastardo Jeonggil. O Deputado Park está se mijando, sabe? Apenas esfaqueie-o uma vez, só uma vez. Ele é um cachorro? Ele vai entender mesmo com apenas uma facada.
— Minhas desculpas, chefe.
Jang Taegun sacudiu as pernas de suas calças e se levantou. Células de gordura amarela em sua coxa eram visíveis através dos ferimentos sangrentos.
Jeonggil estava coçando a cabeça com as costas de uma faca de peixe. Ele parecia envergonhado, perguntando-se se havia espetado com muita força. Myeongsoon, atrás de Taegun, exibia um olhar de pena.
Parecia que ele havia passado um pouco dos limites tentando se adequar ao humor de Taegun, que não vinha sendo dos melhores ultimamente. Jang Taegun, sem expressão, agora segurava um cigarro intacto entre os lábios e resmungou. Em sua mão estava a próxima agenda de Park Jangwon, entregue por Myeongsoon.
— Deputado Park, não se preocupe muito. Você sairá daí amanhã. É preciso marinar a carne por um dia antes que ela fique macia no dia seguinte, certo? É o mesmo com as pessoas. Mesmo se eu te libertar agora para te ajudar, Deputado Park, o processo ainda não está totalmente definido. Podemos precisar nos encontrar novamente assim.
— Kreeeeh… Huuu…
— No momento em que você sair, você vai me esfaquear pelas costas. Avisará para a polícia e os promotores, empunhando o martelo de ferro do poder estatal para pegar um gângster sem poder como eu. Então teríamos que nos encontrar de novo, certo? Eu não quero ver essa sua cara de merda de novo, Senhor Park.
Park Jangwon já não conseguia ouvir muita coisa àquela altura. Jeonggil estava borrifando pó hemostático sobre sua coxa, enviando ondas de dor excruciante através do ferimento.
Assistindo Park Jangwon gritar, Jang Taegun falou novamente. O cigarro apagado balançava entre seus lábios enquanto ele acenava com a cabeça para cima e para baixo.
— E porra, o que você disse antes? Me pedindo para deixar você fazer uma ligação para o diretor Lee? Quem diabos é você para ligar para um homem casado no meio da noite?
— …Guh, me… me salva… Guh…
— Ah, quem vai te matar?
Taegun entregou o papel que segurava de volta para Myeongsoon e falou com Jeonggil, que estava limpando o sangue de suas mãos com uma garrafa de água de 500 mL em um canto.
— Estou saindo, então não deixe o Deputado Park dormir esta noite. Se ele dormir assim, vai morrer congelado.
— Sim, chefe.
— Bom trabalho.
Jeonggil curvou a cintura, e Taegun saiu do armazém. O cigarro pendurado em seus lábios agora estava preso entre seus dedos indicador e médio, com a haste partida perfeitamente ao meio.
Myeongsoon o seguiu e abriu a porta traseira do sedã. Enquanto a fera se abaixava para entrar no carro, com um pé ainda apoiado no chão, ele perguntou:
— Então do que aquele bastardo estava falando?
— …Bem, parece que recentemente, o Diretor Lee tem rastreado as propinas que a Yooshin disponibilizou para o Deputado Park.
— …… .
A testa de Jang Taegun franziu-se ligeiramente. Sabendo que essa expressão sinalizava perplexidade, Myeongsoon imediatamente abaixou a cabeça, deixando de observar os pensamentos perturbados de seu hyung.
Pouco depois, a bota suja de lama que estivera na linha de visão de Myeongsoon entrou totalmente no sedã. Myeongsoon mordeu o lábio e fechou a porta.
Mesmo depois de dar a volta no porta-malas e entrar no banco do motorista, o carro permaneceu em silêncio. Myeongsoon ligou o motor e ficou imóvel por um momento antes de olhar para o espelho retrovisor e perguntar:
— Vamos para Pyeongchang-dong?
Apenas o silêncio veio do banco de trás. Exatamente quando Myeongsoon estendeu a mão para a alavanca de câmbio, decidindo que deveria seguir em direção a Seul por enquanto.
— Myeongsoon.
— Sim, senhor.
— …… .
Então, silêncio novamente. Nesse silêncio, Myeongsoon lembrou-se de um dia de vários anos atrás.
Era um dia com um céu excepcionalmente claro. Depois de receber a ligação de Jang Changsik, e terem passado a noite inteira cobertos de sangue e sujeira, as duas feras entraram no carro e seguiram para o local de costume.
Era um estacionamento ao ar livre em uma universidade. Eles estacionaram em frente à biblioteca central, confiando nos vidros escuros fumê, e sem falar comeram silenciosamente pão amanhecido de loja de conveniência como refeição.
O sedã era um carro extremamente caro que Jang Changsik lhes dera para usar nos negócios da organização, mas eles tinham que cobrir as despesas do próprio bolso.
O mesmo se aplicava a Jang Taegun, que estava sentado no banco do passageiro ao lado de Myeongsoon. Movendo a bochecha, com manchas de sangue seco ainda visíveis, para comer o pão, Jang Taegun olhava fixamente apenas para a entrada da biblioteca central.
Só quando viu alguém sair e seguir para algum lugar foi que ele finalmente disse a Myeongsoon para ligar o motor.
— …Devemos segui-lo, chefe?
— Isso é nojento. Vá, ande logo. Vamos nos limpar e descansar.
Como se de repente se lembrasse de quem estivera esperando todo esse tempo, Taegun esmurrou o volante que Myeongsoon segurava repetidamente, forçando o carro a começar a se mover.
O sol do meio-dia parecia desconfortavelmente forte para as duas bestas que haviam passado a noite em claro.
Quando alguém entrou no estacionamento passando pela Biblioteca Central, com as chaves do carro em uma mão e os principais livros didáticos na outra, Jang Taegun não olhou na direção da pessoa.
Enquanto o sedã saía direto do estacionamento ao ar livre, o homem por quem eles esperaram tanto tempo estava falando ao telefone, com seus livros didáticos apoiados no teto de seu carro.
Myeongsoon podia ver tudo pelo espelho retrovisor, mas Taegun já havia virado a cabeça em direção à janela. Ela não conseguia dizer se o reflexo dele aparecia naquele espelho lateral.
Hoje, esses dias vieram à mente de Myeongsoon. Porque Taegun, assim como naquela época, não disse nada.
Incapaz de ficar parado por mais tempo, Myeongsoon finalmente mudou as marchas.
O sedã das duas bestas seguiu na direção oposta à daquele deixado no estacionamento naquela época, exatamente como fazia hoje.
* * *
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna