Salt Society (Novel) - — Capítulo 97
↫─Capítulo 97
Diante daquelas palavras, Jo Yeon-oh endireitou o corpo lentamente.
Como Gi-hyeon estava sentado no sofá, ele naturalmente teve que olhar para cima enquanto Yeon-oh se agigantava sobre ele. Gi-hyeon reflexivamente pressionou os lábios com força. As pontas de seus dedos tremeram de leve. Ele não queria dizer algo tão cruel. Sabia que era uma tática covarde e desprezível, mas não tinha outra escolha. Por mais desesperado que Jo Yeon-oh parecesse, Gi-hyeon estava igualmente desesperado. A vulnerabilidade física pura do baque pós-orgasmo que consumia seu corpo tornava aquela situação inteiramente insuportável.
No entanto, nada daquele turbilhão interno transpareceu no rosto de Gi-hyeon. Grato por sua expressão naturalmente estoica, ele se concentrou inteiramente em desacelerar sua respiração. Observando de cima a luta silenciosa de Gi-hyeon, Yeon-oh levou a mão à boca, chupou o sêmen remanescente de seu dedo indicador com um estalo suave e ergueu delicadamente o queixo de Gi-hyeon.
— Ah, é mesmo? Dê o seu melhor. Na verdade, estou ansioso pra ver.
E então, ele ofereceu um sorriso assustadoramente provocativo. Franzindo a testa, Gi-hyeon afastou o rosto, escapando do aperto de Yeon-oh. Se Yeon-oh tivesse explodido de raiva, isso teria criado uma abertura para Gi-hyeon tentar persuadi-lo, mas vê-lo sorrir daquela forma pareceu profundamente errado. Um pavor agudo e gelado escorregou pela espinha de Gi-hyeon.
Mas talvez fosse apenas sua imaginação, porque Jo Yeon-oh simplesmente estreitou os olhos e beliscou a bochecha de Gi-hyeon de brincadeira.
— Você é fofo, mas é um pé no saco, sabia?
Era uma frase que Gi-hyeon já ouvira dele incontáveis vezes. Yeon-oh frequentemente a usava para zombar dele. No entanto, precedê-la com a palavra “fofo” era uma adição inteiramente nova, e isso fez o estômago de Gi-hyeon revirar com uma náusea repentina. Vendo a expressão contorcida de Gi-hyeon, Yeon-oh soltou uma gargalhada antes de pegar a calça descartada. Segurando o tornozelo de Gi-hyeon delicadamente no ar, ele tentou vesti-lo.
— Seu bastardo louco, eu posso colocar minha própria calça, por que você está—
— Jovem Mestre, eu farei tudo por você. Só fique parado.
— Certo, meu criado, isso é tudo muito bom, mas para onde foi a minha cueca? Você vai só colocar a calça? Você perdeu a porra do juízo?
— Eu tenho que sair um pouco, então fica sem cueca. Eu vou te chupar de novo quando voltar, e tirar tudo de novo dá trabalho.
A maneira como ele ria sozinho era intensamente irritante. Erguendo a perna, Gi-hyeon chutou a coxa de Yeon-oh com força algumas vezes, apenas para Yeon-oh zombar:
— Ah, isso é fraco para caralho. So Gi-hyeon está perdendo o jeito? — Irritado, Gi-hyeon atirou uma almofada do sofá nele. Yeon-oh a pegou sem esforço e a jogou de volta no sofá. Então, localizando as chaves do carro, ele se dirigiu à porta da frente.
— Eu volto logo, Jovem Mestre. Vê se fica sem cueca. Entendido?
Gi-hyeon o encarou com uma expressão perplexa, perguntando-se por que o homem estava de um humor tão impossivelmente bom, mas Yeon-oh nem sequer olhou para trás enquanto passava pela porta. Ao som da porta da frente se fechando, Gi-hyeon desabou de volta contra o sofá, completamente desprovido de energia.
— …
Um suspiro pesado escapou de seus lábios. O fato de que ser íntimo de Jo Yeon-oh parecia tão natural era profundamente perturbador. Parecia exatamente como… estar completamente nu na frente de um homem perfeitamente vestido em um terno de três peças sob medida. A coisa pela qual ele um dia ansiara desesperadamente, mas de que acabara desistindo porque parecia impossivelmente fora de alcance, agora estava espalhada sem esforço ao seu redor. Isso fazia com que todos os anos que ele passara se angustiando e se esforçando parecessem totalmente inúteis, pisoteados na lama. Gi-hyeon soltou um suspiro profundo, tentando se livrar do peso avassalador daquelas emoções simplesmente se levantando, mas não era tão fácil assim.
Gi-hyeon estava consumido pelo ressentimento. Não em relação a Jo Yeon-oh, mas em relação a si mesmo. Em relação ao homem que havia passado tanto tempo irremediavelmente confuso sobre o que deveria realmente priorizar. Mas sabendo que não havia nada que pudesse fazer para mudar o passado, Gi-hyeon ignorou a umidade desconfortável entre as pernas e se dirigiu ao banheiro.
“Será que finalmente estarei livre desta situação assim que o bebê nascer?” Talvez ele estivesse apenas se sentindo sufocado porque se encontrava preso nesse limbo agonizante. Como os comprimentos de onda de seus feromônios só se estabilizavam quando Yeon-oh estava presente, ele não podia bani-lo de casa de forma imprudente. Ele havia tentado sugerir isso uma vez, mas Yeon-oh meramente disparou um olhar que dizia claramente “para de falar merda” e nem se dignou a responder. “Por que eu tinha que me manifestar justo como recessivo…” Se ao menos ele tivesse se manifestado como um dominante, não precisaria da ajuda de Yeon-oh e poderia ter fornecido um ambiente perfeitamente saudável para a criança por conta própria.
Com um suspiro pesado, ele tirou as roupas e ligou o chuveiro. Ele esperava desesperadamente que Yeon-oh não entrasse de fininho no romper da alvorada para apalpar sua bunda novamente naquela noite. …Talvez eu deva mandar uma mensagem dando um aviso sério antes de dormir. Perdido nesses pensamentos, ele terminou o banho e desabou na cama.
No entanto, ele adormeceu quase instantaneamente, deixando de enviar a mensagem. Quando ele acordou sobressaltado — como um homem assustado por um alarme barulhento —, já era manhã.
Tentando espantar o sono da mente, Gi-hyeon olhou ao redor. Parecia que ele fora o único que havia dormido na cama a noite toda. Yeon-oh ocasionalmente entrava de fininho de madrugada, preparava silenciosamente uma refeição como um fantasma e saía, mas esta era a primeira vez que ele simplesmente não voltava para casa. Perguntando-se o que estava acontecendo, Gi-hyeon pegou o celular.
— Mas o que… por que está tão quente?
O celular, tendo ficado conectado ao carregador a noite toda, não deveria estar gerando tanto calor; estava fervendo ao toque. Ele estava justamente inspecionando o adaptador e a porta de carregamento para ver se estavam quebrados quando o aparelho começou a tocar. Com o cabelo espetado em um ninho bagunçado de quem acabou de acordar, Gi-hyeon sentou-se perfeitamente imóvel, encarando a tela de chamada recebida.
— Pai…?
O nome piscando na tela era inteiramente inesperado.
Era surpreendente que o homem — que raramente se dava ao trabalho de atender às ligações de Gi-hyeon durante os feriados importantes — estivesse iniciando o contato. Ainda meio dormindo, Gi-hyeon vasculhou mentalmente para descobrir se era Chuseok, seu próprio aniversário, ou talvez o aniversário de seu pai, mas não era nenhum desses.
Ele tentou se lembrar de quaisquer outras datas significativas que pudesse ter perdido. Ele se perguntou brevemente se era o aniversário da morte de sua mãe, mas seu pai nunca reconhecia o memorial. Gi-hyeon simplesmente montava uma pequena mesa com as comidas memoriais enviadas por Yeong-won — a antiga amiga de sua mãe — e realizava as reverências sozinho com Jo Yeon-oh.
Perguntando-se se seu pai tinha um motivo específico para estar chateado este ano, Gi-hyeon hesitou em atender. O toque parou abruptamente. Pensando que havia demorado demais, Gi-hyeon tentou retornar a ligação imediatamente. Ele com certeza teria retornado, se não tivesse visto o fluxo interminável de notificações de mensagens e chamadas perdidas inundando a tela no momento em que a chamada terminou.
— O que… é isso…
Gi-hyeon piscou em descrença atordoada. A pré-visualização das mensagens de Beom-hee exibidas na tela era inteiramente impossível de processar.
[‘Controvérsia sobre Filho Ilegítimo de Chaebol de Terceira Geração’? Grupo H Permanece em Silêncio… “Nenhuma Razão para Fazer uma Declaração Oficial” Controvérsia sobre Filho Ilegítimo de ‘Chaebol de Terceira Geração do Grupo H’]
[So Gi-hyeon por que você não está atendendo o celular] 09:31
Havia incontáveis mensagens de Beom-hee, mas a mais gritante e óbvia era, sem dúvida, a manchete da reportagem. O filho ilegítimo de um chaebol de terceira geração do Grupo H? Instintivamente, Gi-hyeon pressionou a palma aberta contra o baixo-ventre.
Ele saiu do aplicativo de mensagens e imediatamente abriu um site de buscas. No momento em que pesquisou as notícias, as principais manchetes do dia desceram pela tela numa rolagem infinita. Arrastando o polegar pela página, seu coração começou a bater tão violentamente que ele teve que respirar fundo e trêmulo. Todas as manchetes diziam o mesmo.
[Ações do Grupo H Despencam em Meio ao Escândalo de Filho Ilegítimo de Chaebol de Terceira Geração]
[Escritório de Estratégia do Grupo H Declara “Rumores Sem Fundamento, Nada Confirmado”]
[Família Chaebol Envolta em Controvérsia: Mercado de Ações Sacudido por Escândalo de Filho Ilegítimo de Chaebol de Terceira Geração Solteiro]
A maioria dos artigos focava no impacto financeiro sobre as ações do Grupo Haeseong, mas alguns destacavam explicitamente detalhes específicos sobre Jo Yeon-oh. Embora resumissem principalmente os fatos conhecidos sobre o ‘chaebol de terceira geração’ anônimo, a menção explícita à Galeria Naban acabou servindo como um letreiro de neon berrante apontando diretamente para Jo Yeon-oh.
— Que diabos é…
Como se a anemia — que havia melhorado significativamente desde que ele começara a absorver os feromônios de Yeon-oh — tivesse retornado de repente com força total, Gi-hyeon tropeçou ligeiramente antes de desabar na borda da cama, com os olhos fixos na tela brilhante.
Exatamente naquele momento, uma chamada do Gerente Yoo entrou.
— …Alô, Gerente Yoo.
[Ah, Sr. So! Você está em casa?! Você não pode sair de jeito nenhum hoje!]
A voz do Gerente Yoo estava frenética. Gi-hyeon entreabriu os lábios secos e perguntou:
— O que exatamente está acontecendo? A nossa conversa vazou, ou…
O Gerente Yoo engoliu um gemido pesado.
[Não parece ser isso… mas nada é certo ainda. O que sabemos é que a fonte do vazamento é o Diretor Jo Yeon-shin, da Haeseong Chemical.]
Jo Yeon-shin era o Alfa que Gi-hyeon encontrara em Namhae e, mais tarde, na casa de apostas de Yang Jisu. Só então as peças se encaixaram; o primo de Yeon-oh, Jo Yeon-shin, havia visitado intencionalmente o resort de Namhae ao lado de um dos perpetradores do incidente do tornozelo. Gi-hyeon não tinha ideia de como ele sabia que Gi-hyeon estaria lá naquele dia, mas ele inegavelmente havia rastreado a agenda de Jo Yeon-oh para orquestrar o encontro.
Franzindo a testa profundamente, Gi-hyeon perguntou:
— Yeon-oh… O que Yeon-oh está fazendo?
[O Diretor Jo me pediu para lhe dizer para não se preocupar, e para evitar ler quaisquer artigos ou postagens online, se possível. Considerando a sua condição, seria melhor seguir o conselho dele.]
Não era isso que Gi-hyeon queria saber. A única coisa que importava era se Jo Yeon-oh sabia ou não de toda a verdade. No entanto, o Gerente Yoo rapidamente provou que entendia exatamente o que realmente aterrorizava Gi-hyeon.
[Se você está se preocupando com essa questão específica, não precisa. Até mesmo o Diretor Jo acredita que o escândalo estourou simplesmente porque uma foto de vocês dois entrando na clínica de obstetrícia juntos vazou.]
O alívio tomou conta de Gi-hyeon de forma tão poderosa que seus músculos praticamente amoleceram. Ele estivera paralisado de terror de que Jo Yeon-oh tivesse finalmente descoberto a verdadeira identidade do pai biológico do bebê. Enquanto Gi-hyeon soltava uma expiração baixa e trêmula, o Gerente Yoo reiterou seus avisos.
[Por favor, tente evitar sair de casa hoje a todo custo. Se você absolutamente precisar sair por uma emergência inevitável, por favor, entre em contato comigo primeiro. Você provavelmente não conseguirá falar com o Diretor Jo hoje.]
— …Sim, obrigado. Yeon-oh está bem, não está?
[Bem, ele foi convocado para a propriedade principal em Seongbuk-dong… e eu não tive permissão para entrar com ele.]
A voz do Gerente Yoo fraquejou, demonstrando uma rara falta de confiança. Assentindo, Gi-hyeon prometeu ficar longe do celular o máximo possível, conforme solicitado, e encerrou a chamada.
— …
No momento em que a linha foi desconectada, um silêncio sufocante tomou conta da casa. Gi-hyeon amarrou a cara, depois soltou um suspiro pesado. Saber que não havia absolutamente nada que pudesse fazer naquele momento só intensificava o nó enjoativo de ansiedade que se retorcia em suas entranhas.
Por fim, Gi-hyeon colocou o celular no modo silencioso, conectou-o de volta ao carregador e saiu do quarto. Ele precisava comer alguma coisa primeiro.
—
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna