Salt Society (Novel) - — Capítulo 72
↫─Capítulo 72
— …Você está inventando isso, seu merda.
Como uma necessidade médica poderia ser equivalente a uma proposta sexual descarada?
Ele tinha certeza absoluta de que Yeon-oh estava explorando sua ignorância sobre a dinâmica dos Ômegas para manipulá-lo. Gi-hyeon sabia melhor do que ninguém que Yeon-oh nunca perdia uma única oportunidade de zombar dele ou aterrorizá-lo. Isso tinha que ser mais um jogo sádico.
Ele simplesmente não conseguia compreender a lógica biológica que conectava um pedido de feromônios a uma exigência de sexo. Ele queria desesperadamente confirmar essa informação com Beom-hee, mas ela estava, sem dúvida, profundamente adormecida em Seul, completamente alheia à realidade catastrófica que se desenrolava naquele hospital rural.
Os olhos de Yeon-oh se estreitaram em fendas escuras enquanto ele encarava Gi-hyeon, soltando uma risada oca e zombeteira.
— Eu já brinquei, nem que seja uma única vez, sobre algo assim com você?
— …
— Eu já te perguntei o que você usa como material pra bater punheta, ou qual mão você usa para se masturbar? Eu já brinquei sobre isso, ou dei risadinhas com você?
Yeon-oh estava destacando a ausência absoluta de qualquer conversa sexual ou piadas explícitas em toda a história deles. E ele estava certo. Apesar de Yeon-oh possuir uma boca mais suja do que um esfregão usado, ele nunca tinha falado com Gi-hyeon de maneira sexualmente explícita. Nem uma única vez.
Porque aquele era um território estritamente proibido com So Gi-hyeon, seu namorado de sete anos.
Piscando seus olhos arregalados e vazios, Gi-hyeon murmurou sua resposta.
— …Então eu peço pra Beom-hee… Vou pedir esse favor pra Beom-hee.
Os lábios de Yeon-oh se curvaram para cima em um sorriso de escárnio frio e assimétrico, embora o sorriso não chegasse aos olhos.
— Faça isso, se você quiser ver Lee Beom-hee virar uma vadia cheia de diploma e desempregada pelo resto da vida.
A ameaça tirou Gi-hyeon instantaneamente de seu pânico atordoado. Processando a situação, ele percebeu o quão absolutamente absurda era a proposta.
Mesmo que ele genuinamente precisasse dos feromônios de um Alfa agora, por que diabos tinham que ser os de Jo Yeon-oh? Ele tinha escolhido essa vida miserável e de exílio especificamente para romper permanentemente os laços com o homem com quem tinha terminado. Não havia absolutamente nenhuma razão para implorar pateticamente por migalhas agora.
— Quer eu os consiga com Lee Beom-hee ou com algum outro bastardo, por que diabos você se importa? Qual é exatamente a nossa relação, afinal?
— …
A boca que vinha cuspindo incessantemente merdas irritantes finalmente se fechou. Gi-hyeon observou as veias latejarem violentamente pela testa de Yeon-oh e pelo pescoço corado. Supondo que o bastardo estivesse apenas se preparando para despejar mais uma leva de bobagens desequilibradas, Gi-hyeon esperou. Mas Yeon-oh permaneceu inteiramente em silêncio, seu olhar travado intensamente em Gi-hyeon.
O silêncio se estendeu, o olhar inabalável e obsessivo rapidamente desgastando Gi-hyeon.
— Pare de se preocupar comigo.
As palavras rasparam dolorosamente contra a garganta de Gi-hyeon, traindo sua relutância em dizê-las. Ele não conseguia compreender por que se sentia tão sujo. Era culpa por esconder a verdade do pai biológico da criança, ou havia algo mais sombrio apodrecendo por baixo? Ele tinha fugido para o interior especificamente para proteger seu próprio corpo, mas de repente sentiu-se sobrecarregado por um arrependimento amargo por ter que suportar este circo caótico.
Encontrar o oficial subalterno, somado às inconsistências gritantes no discurso de Jo Yeon-shin, complicou severamente sua enxaqueca. Com uma montanha de problemas exigindo sua atenção, seu corpo grávido estava priorizando impiedosamente sua própria sobrevivência em detrimento do estado mental de Gi-hyeon. Era uma realidade exaustiva, de arrancar suspiros.
Enquanto Gi-hyeon navegava por esse labirinto interno, Yeon-oh simplesmente continuou a encará-lo em silêncio total. Descruzando os braços, ele agarrou a estrutura de metal da cama de hospital de Gi-hyeon. As veias no dorso de sua mão saltaram grotescamente.
Assim que Gi-hyeon abriu a boca para dizer a ele para parar antes que quebrasse a estrutura de aço completamente, Yeon-oh falou.
— …Não.
— O quê?
— Eu disse não. Para de discutir e aceita meus feromônios.
Gi-hyeon franziu a testa instintivamente diante da ordem. O olhar de Yeon-oh travou no vinco profundo que se formava entre as sobrancelhas de Gi-hyeon. Uma faísca repentina e perigosa brilhou em seus olhos, e ele agarrou agressivamente o pulso de Gi-hyeon.
Assustado, Gi-hyeon gritou por reflexo.
— Me solta, ah…
Um gemido sem fôlego escapou de seus lábios. Assim que ele tentou puxar o braço para se soltar, uma sensação estranha se espalhou a partir do ponto de contato. Não, era como se um peso invisível e sufocante se agarrasse a áreas muito além de onde as peles se tocavam.
Urgh…
Ele não conseguiu suprimir o gemido involuntário. Chocado com sua própria voz febril e dolorida, Gi-hyeon tapou a boca com a mão livre. O nó sufocante que estava ancorado em seu peito há dias milagrosamente se desenrolou, acalmando instantaneamente seus nervos em frangalhos.
Era exatamente como ser submerso lentamente numa piscina em que se tivessem dissolvido todas as fragrâncias belas e inebriantes imagináveis. Mais e mais fundo. Ele estava se afogando em um pântano inescapável de estabilidade pura e concentrada.
Observando a rápida descida de Gi-hyeon para um estupor dócil, Yeon-oh declarou, seu rosto uma máscara sem emoção.
— Você não faz ideia. Você não sabe o que eu sou capaz de te dar.
— …
Sucumbindo rapidamente à pacificação avassaladora, Gi-hyeon não pôde fazer nada além de piscar seus olhos embaçados e desfocados. Ele queria desesperadamente exigir respostas. Que diabos é isso? O que você está fazendo comigo? Mas seus lábios apenas se entreabriram inutilmente; nenhum som emergiu.
Mantendo sua expressão assustadoramente vazia, Yeon-oh observava do alto Gi-hyeon, que agora afundava pesadamente no travesseiro, com o desapego frio de um homem examinando um objeto inanimado. Como estava de costas para as luzes do teto, sombras profundas mascaravam o rosto de Yeon-oh. Gi-hyeon não conseguia decifrar se as sombras estavam obscurecendo a emoção nos olhos de Yeon-oh, ou se Yeon-oh estava com uma expressão tão fundamentalmente estranha que Gi-hyeon simplesmente não conseguia ler seus pensamentos.
Paralisado, Gi-hyeon não conseguia mover um único dedo. Sem esperar por uma resposta, Yeon-oh continuou.
— Por que você não consegue entender que não existe absolutamente nada que eu não possa te dar.
Aquela era uma mentira descarada. O que So Gi-hyeon verdadeiramente desejava era a única coisa que Jo Yeon-oh era fundamentalmente incapaz de fornecer. Tendo ousado desejar isso exatamente uma vez, apenas para passar os anos seguintes preso em um silêncio agonizante sem nunca pedir por isso novamente, Gi-hyeon queria desesperadamente gritar uma refutação. No entanto, ele permaneceu inteiramente mudo. Seu corpo, completamente saturado pelos feromônios de Yeon-oh, tinha desencadeado uma resposta massiva do sistema nervoso parassimpático, mergulhando-o forçosamente em um estado semicomatoso de hiper-relaxamento.
— Você absorve tão bem. Hm, Gi-hyeon? Me responda.
— …
Evidentemente aliviado pelo silêncio, Yeon-oh monitorou de perto as pupilas dilatadas e desfocadas de Gi-hyeon. Ele acariciou suavemente a testa lisa de Gi-hyeon, sentindo a temperatura corporal morna sob sua palma.
Para recuperar esse calor simples e mundano, Yeon-oh tinha deliberadamente se lançado em um inferno vivo nos últimos dias. Agora que finalmente o tinha encontrado, se Gi-hyeon acreditava mesmo que Yeon-oh recuaria por causa de algumas palavras duras, então So Gi-hyeon ainda o subestimava muito.
Os olhos de Gi-hyeon permaneceram vidrados. Sob a expressão artificialmente relaxada, Yeon-oh podia ler as correntes sutis de ansiedade profunda. Dada sua intuição aguçada, Gi-hyeon provavelmente percebeu que essa pacificação física avassaladora não era exatamente um fenômeno natural ou benigno.
Gi-hyeon ignorava completamente o fato de que os feromônios de um Alfa poderiam desencadear essa resposta fisiológica específica. Ele não fazia ideia de que esse era o reflexo involuntário mais extremo que um Alfa dominante executava ao reivindicar seu parceiro escolhido. E, como era de esperar, Jo Yeon-oh acolheu de bom grado a ignorância de So Gi-hyeon.
— Pode haver muitos Alfas que podem te dar feromônios.
— …
— Mas os feromônios específicos que seu corpo verdadeiramente deseja são de uma pessoa completamente diferente.
Sua explicação estava clinicamente focada nos feromônios em si. Quando um Alfa dominante de alto nível revestia seu parceiro escolhido com feromônios, essa marca só poderia ser sobrescrita por um Alfa de dominância ainda maior. Era um mecanismo de marcação aterrorizantemente potente, impulsionado puramente por uma obsessão possessiva insaciável em reivindicar o alvo. Embora ligeiramente menos permanente do que uma marca biológica formal, possuía sua própria eficácia devastadora, paralisando rapidamente o corpo de Gi-hyeon em completa submissão.
No entanto, ao administrar à força uma droga tão avassaladoramente potente em um sistema anteriormente não estimulado, Yeon-oh garantiu que o corpo de Gi-hyeon nunca mais seria satisfeito pelos feromônios de qualquer outro Alfa dominante. Esse era precisamente o objetivo final calculado de Yeon-oh.
Yeon-oh inclinou-se, sussurrando diretamente contra o lóbulo da orelha de Gi-hyeon. O mero pensamento de que sua respiração estava perturbando os pelos finos no pescoço de So Gi-hyeon desencadeou simultaneamente uma onda de náusea violenta e uma dor latejante e pesada em sua virilha.
— Já que você gosta tanto daqui, ficarei feliz em apodrecer neste buraco miserável com você, apesar da minha agenda incrivelmente cheia.
— …
— Nós voltaremos para Seul juntos. Entendido?
Gi-hyeon não ofereceu resposta. Levantando-se, Yeon-oh sinalizou para uma enfermeira que passava. Ele casualmente solicitou que processassem a papelada de alta, afirmando que administraria um banho de feromônios. Acenando em compreensão, a enfermeira rapidamente transmitiu o pedido ao médico do pronto-socorro.
— Você é o cônjuge dele?
O médico se aproximou, parecendo ligeiramente perplexo. Yeon-oh havia se identificado inicialmente apenas como responsável, tornando a declaração repentina de administrar um banho de feromônios profundamente íntimo altamente irregular. Enquanto o médico fazia a pergunta, o olhar de Yeon-oh voltou para Gi-hyeon.
Gi-hyeon encarou de volta, seus olhos lentamente se fechando enquanto o estupor pesado e narcótico o arrastava para baixo. No entanto, tendo conhecido So Gi-hyeon durante a maior parte de sua vida, Yeon-oh decodificou o olhar sem esforço. Aquele olhar estava silenciosa e veementemente amaldiçoando-o para o inferno.
Lendo facilmente a hostilidade, Yeon-oh soltou uma risada suave antes de se voltar para o médico.
— …Nós ainda não registramos formalmente nosso casamento.
Imagino que expressão você está fazendo agora, pensou Yeon-oh. Mesmo derretendo em uma poça, você provavelmente está queimando o resto de sua energia só para ficar irritado comigo.
Mas sua declaração anterior não tinha sido uma piada. Como cada evento que transcorreu hoje parecia uma pegadinha grotesca e doentia, Yeon-oh tinha resolvido parar de brincar completamente até que a criança nascesse.
Você, grávido com o filho de outro bastardo. Era a piada mais absurda e irritante imaginável. Ele estava completamente exausto pelo senso de humor de lixo de So Gi-hyeon, vomitando aquela merda sem sentido como se fosse uma pegadinha hilária.
Dando um sorriso brilhante, Yeon-oh acrescentou um pedido.
— Mais importante, preciso transferir os registros médicos do paciente para o Hospital Haeseong. Como devemos proceder? O médico dele é de lá.
O médico rural ficou visivelmente surpreso ao saber que um paciente grávido que chegava com um sistema de feromônios completamente desestabilizado já tinha um médico responsável no elitizado Hospital Haeseong. Ele assentiu rapidamente e começou a dar instruções para a enfermeira, explicando que eles precisavam apenas do consentimento assinado do paciente.
Com isso, Yeon-oh olhou de volta para Gi-hyeon. Você vai consentir? Eu realmente espero que sim. Porque se Gi-hyeon recusasse, Yeon-oh honestamente não sabia a que extremos horríveis ele seria forçado a recorrer.
Observando os olhos de Gi-hyeon tremerem, lutando uma batalha perdida contra as pálpebras pesadas, Yeon-oh soltou uma risada baixa. Certo. Se você não consentir, terei apenas que me esforçar para fazer você consentir. Como sempre. Mesmo sabendo muito bem que todos os seus esforços desesperados estavam destinados a ser jogados direto na porra da sarjeta.
Virando as costas para o médico que processava a alta, Yeon-oh acariciou suavemente a testa de Gi-hyeon, que agora mal conseguia piscar uma vez a cada dez segundos.
— Minhas mãos estão ásperas, não estão? Sinto muito. Algum bastardo decidiu escapar por um cano de escoamento, então eu tive que esfregar violentamente o chão do banheiro até que os azulejos praticamente se desgastassem. Acabei com dermatite de dona de casa.
— …
— Apenas durma por hoje. Quando você acordar amanhã, você pode me dar um beijinho pra sarar, amor.
A enfermeira, esperando atrás dele para explicar os protocolos de alta, só pegou o final da frase. Ela ofereceu uma risada suave e divertida.
— Vocês dois parecem ter um relacionamento maravilhoso.
Yeon-oh assentiu facilmente.
— Sim. Com certeza estamos nos esforçando para manter um relacionamento muito bom.
Ele exibiu um sorriso perfeito e afável. Atrás dele, os olhos de Gi-hyeon finalmente se fecharam completamente.
Agora, era hora de pegar o So Gi-hyeon adormecido e inspecionar o buraco miserável onde ele estava se escondendo.
↫─☫ Continua….
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna