Late Bloomers (Novel) - ⋆。˚ ◉ Capítulo 82
Capítulo 82
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— Cahaya, hoje…… Que dia é hoje?
Cahaya apertou o botão do último andar sem responder. Quando se virou, viu que Seowoon inconscientemente tinha se encolhido num canto, parecendo menor.
— Me escuta primeiro. Por que eu escolheria sumir sem dizer nada de novo? A gente pode pelo menos começar pelo dia de hoje?
Seowoon expressou sua frustração em vez de se intimidar com a postura fria de Cahaya.
— Seowoon-ah.
Ele nunca tinha ouvido seu nome soar tão gelado saindo da boca de Cahaya.
— Eu estou puto pra caralho agora.
Mesmo de olhos fechados, Seowoon conseguiria dizer pela voz de Cahaya o quanto ele estava bravo, mas ele não podia simplesmente recuar. Aquilo não era inteiramente culpa dele.
— Você disse que a gente ia direto para Seul se usasse o Portal! Mas não foi isso que aconteceu comigo?!
Seowoon torceu para que alguém entrasse no elevador e quebrasse a tensão, mas, com a guilda ficando menor em número de membros, as chances eram mínimas. Cahaya rapidamente venceu a distância entre eles, seus olhos examinando com intensidade os olhos, o nariz e os lábios de Seowoon.
Se não fosse pela iluminação quente do elevador, aquilo poderia ser confundido com uma sala de interrogatório.
Cahaya parecia estar escrutinando a expressão de Seowoon, tentando determinar se ele estava dizendo a verdade ou mentindo. Se encontrasse qualquer engano, parecia que não hesitaria em prendê-lo sem piedade.
Seowoon travou o olhar no de Cahaya, seus olhos roxos cheios de determinação.
Enquanto os números do elevador mudavam sem parar, o olhar de Cahaya parecia absorver cada célula do ser de Seowoon. Era um olhar penetrante que teria feito qualquer um confessar a verdade se estivesse mentindo.
De repente, a frieza na expressão de Cahaya se dissipou.
Da cabeça aos pés, Seowoon estava vestido exatamente como quando usou o Portal em Naraka. Os lábios de Cahaya se curvaram naquele sorriso de canto familiar.
— É, mas eu ainda vou te prender.
Ignorando os protestos de Seowoon, Cahaya se inclinou e envolveu a cintura dele com os braços. Apesar do grito de “Ei!” de Seowoon, Cahaya o jogou por cima do ombro.
— Seu desgraçado maluco! Eu realmente não tenho culpa! Eu não vou para o porão!
Cahaya deu uma gargalhada.
— Cha Seowoon, você odiava mesmo a minha antiga casa, né?
Seowoon, que vinha se debatendo, deu um soco na cintura de Cahaya. Esse cara tinha mesmo o dom de deixar as pessoas sem palavras.
Como eles já tinham chegado ao último andar, Seowoon parou de resistir e elevou a voz para Cahaya.
— Que dia é hoje?
— Faz três dias que a gente usou o Portal.
“Não pode ser…….”
Seowoon, que estava sacolejando no ombro de Cahaya, socou suas costas de novo, dizendo: — Ei, me põe no chão, agora! — Mas, por mais que gritasse, Cahaya não se mexeu e foi direto para o seu quarto.
Parecia que a fechadura tinha sido consertada, já que não havia vestígio do estrago que Cahaya tinha causado antes. Ele abriu a porta da frente com reconhecimento digital e chutou os sapatos de qualquer jeito.
Entrando no quarto sem hesitar, Cahaya colocou Seowoon na cama. Seowoon olhou de relance para a porta da frente, considerando se deveria quebrar a fechadura de novo. No entanto, Cahaya apenas ficou ali, olhando para Seowoon deitado na cama.
Seowoon, que tinha sido virado de cabeça para baixo e carregado até ali, ajeitou o cabelo bagunçado com a mão. Enquanto tentava tirar os sapatos para deixá-los na entrada, Cahaya se antecipou, pegou-os e jogou-os para trás. Eles pousaram certinho no corredor, como se aquele cara tivesse um par de olhos na nuca.
— Eu estive pensando. Mesmo que eu coloque grilhões em você, você poderia simplesmente quebrá-los com o seu cosmos, né?
A expressão de Cahaya permaneceu séria, dando a entender que a prisão não era brincadeira.
— Isso é muito injusto. Você caiu direto do Portal no Colégio Seongsang?
Tendo atravessado do Colégio Seongsang para Naraka, Cahaya deveria voltar para lá dessa vez. Mas seus lábios permaneceram bem selados.
Seowoon se sentiu injustiçado não só por ser falsamente acusado, mas também por ter que se explicar. Agora ele entendia como Namgung Jun devia ter se sentido se também tivesse sido falsamente acusado.
— Então, assim que eu entrei no Portal…
Sem saber como começar, Seowoon foi até o frigobar, sentindo o olhar de Cahaya seguindo-o. Embora tivesse um histórico de sumir sem avisar, era mesmo necessário que aquele cara fosse tão persistente?
Por outro lado, ele se lembrou de como o tempo parecia insuportavelmente lento quando Cahaya tinha sumido. Uma hora tinha parecido um dia inteiro.
Seowoon pegou uma garrafa de água do frigobar, que só tinha água e cervejas, e tomou um gole. Ele jogou uma garrafa fechada para Cahaya também.
— Eu nem sei o que eu vi. Mas eu estava de pé numa colina que parecia colorida com giz de cera…… e tinha uma lua enorme.
Seowoon ergueu as duas mãos para formar um círculo grande acima da cabeça. Cahaya inclinou a cabeça, o que fez Seowoon baixar os braços de repente.
— Resumindo… Não parecia a Terra.
— Não parecia a Terra?
Ele esperava ser dispensado com sarcasmo se tentasse explicar, então a resposta de Cahaya na verdade o surpreendeu. Seowoon assentiu confirmando.
— E você estava lá também. Então eu achei que tinha vindo para algum lugar estranho com você, mas…
— Mas?
— Você tinha um ferimento no pescoço.
Seowoon omitiu a parte de Cahaya beijar seu olho.
— Parecia que o seu pescoço tinha sido cortado e depois costurado de volta.
Seowoon checou o pescoço de Cahaya de novo, mas estava perfeitamente limpo agora.
— Tinha um Portal lá também? Foi assim que você conseguiu voltar para cá de novo?
Cahaya cutucou o cerne da questão. O que foi mesmo que o Mensageiro disse?
》O “Ju” de “Cha Seowoon” está confundindo o Portal. Puft! Ele te cuspiu para fora!《 [capítulo 81]
Seowoon não conseguia entender direito o significado do seu “ju”. Mas, como não podia falar do Mensageiro, ele não insistiu mais.
— Não tinha Portal nem nada. Depois que eu perdi a consciência lá, eu me vi no elevador do escritório da guilda.
Três dias tinham se passado desde que ele deveria ter chegado. Algo fugaz cruzou a mente de Seowoon naquele momento.
“Diferença de tempo…”
De fato, tinha havido uma diferença de tempo quando ele se aventurou em outra dimensão dentro do túnel. Será que o “ju” que o Mensageiro mencionou também poderia se referir ao tempo?
— Cha Seowoon.
Seowoon apagou seus pensamentos e ergueu os olhos.
— Eu fiz tudo o que consegui pensar pra te encontrar nesses últimos dias.
Cahaya ainda segurava a garrafa de água fechada.
— Mas você não estava em lugar nenhum — Cahaya murmurou. — Eu achei que estava ficando louco.
Cahaya franziu a testa. Aquela já era a terceira vez que Seowoon sumia sem dizer nada a ele.
As duas primeiras tinham sido intencionais da parte de Seowoon, mas dessa vez realmente não era culpa dele.
Seowoon não queria insistir teimosamente que não tinha culpa e que, portanto, não precisava se desculpar. Ele sabia muito bem como era enlouquecedor ter alguém desaparecido sem deixar rastro. Ainda mais depois de usar o Portal e então sumir imediatamente.
Como o quarto era pequeno, Seowoon só precisou dar alguns passos para ficar diante de Cahaya.
— Ei, você ficou preocupado?
Ele perguntou, de repente puxando Cahaya para um abraço e dando tapinhas nas costas dele. Cahaya apoiou a testa no ombro de Seowoon sem dizer nada, respondendo com um aperto forte.
A lembrança de Cahaya beijando seus olhos passou pela mente de Seowoon, fazendo-o sentir um calor repentino subindo pelo corpo.
— Não consigo respirar.
No entanto, Seowoon não o afastou. Cahaya devia ter ficado realmente ansioso. Dessa vez, Seowoon deu tapinhas nas costas dele com mais delicadeza.
A ideia de estar com Cahaya num planeta desconhecido era sinceramente assustadora para Seowoon também. O motivo pelo qual ele não conseguia descartar aquilo como um sonho era a realidade crua da diferença de três dias.
— Talvez seja melhor eu levar minério wu ao atravessar o Portal de agora em diante.
Cahaya não disse se concordava ou não.
— Não volta para Naraka. Fica aqui.
— Idiota, e o que eu vou dizer para a Ohsung?
Seowoon segurou Cahaya pelos ombros e o afastou com delicadeza. Ao olhar de perto, ele notou que os olhos de Cahaya estavam vermelhos e sua pele mais áspera que o normal. Parecia que aquele cara não tinha dormido nada, procurando-o incansavelmente.
— Quando foi a última vez que você comeu alguma coisa?
Cahaya pareceu ponderar, tentando lembrar da última refeição, mas o silêncio se estendeu. Estava claro que ele também não tinha comido direito, assim como não tinha dormido.
— Seu bobo. Fica aqui, eu vou pegar comida para a gente.
Apesar do tamanho, Cahaya não parecia nada diferente de quando estava na forma de criança, esperando com a boca aberta como um filhote de passarinho.
Seowoon colocou a mochila sobre a escrivaninha sem preocupação, já que não tinha usado minério wu para atravessar. Enquanto se preparava para sair só com Matahari, Cahaya o seguiu de perto.
Vendo que Cahaya não ia recuar, Seowoon foi com ele até a área de refeições do segundo andar. Eles entraram no elevador, com seus reflexos visíveis nas portas cor de cobre.
Parados lado a lado com suas espadas, Seowoon achou a cena estranhamente desconhecida.
— Você algum dia imaginou que isso aconteceria?
— Imaginar o quê?
— Eu nunca poderia ter imaginado um mundo assim lá no ensino médio. Se as coisas fossem normais, eu provavelmente estaria na biblioteca da faculdade a esta hora. Não, já passou da época de provas finais, então eu estaria por aí me divertindo.
Seowoon começou uma conversa casual para aliviar o clima, mas parece que teve o efeito contrário.
Num mundo sem Mansaengjongs ou mutantes, ele teria aproveitado uma vida universitária despreocupada, enquanto Cahaya estaria fazendo malabarismos com bicos. Naquela vida comum, Cahaya não teria um lugar no mundo de Seowoon, porque Seowoon o tinha afastado.
Ainda assim, Seowoon esperava que Cahaya estivesse sorrindo. As portas do elevador não eram claras como um espelho, então Seowoon virou a cabeça para olhar para ele. Cahaya, virado para a frente, finalmente abriu a boca depois de um longo silêncio.
— Omurice.
— Hã?
— Eu quero comer isso.
As portas do elevador se abriram lentamente.
Cahaya abriu a boca bem grande de brincadeira, dizendo “Ah”. Isso quebrou a tensão, e Seowoon não conseguiu evitar de rir.
— Eu te dou na boca se você vestir a jardineira.
Seowoon cutucou as costas de Cahaya enquanto saíam do elevador.
Seowoon de repente sentiu arrependimento. Agora ele se sentia dolorosamente vazio por ter afastado Cahaya. Se não fosse por isso, será que eles poderiam ter construído memórias mais alegres juntos……. Mas, ao contrário, será que seu coração teria doído ainda mais?
Os passos de Cahaya em direção à área de refeições eram lentos. Seowoon teve que continuar dando tapinhas nas costas dele e, de repente, um pensamento estranho cruzou sua mente.
Ele costumava sentir um frio na barriga até com um toque físico tão pequeno. Era por isso que mantinha distância de propósito. Mas agora, de alguma forma, ele não sentia hesitação nenhuma. O toque nas costas de Cahaya ainda o emocionava, mas ele não queria evitá-lo como antes.
Enquanto a mão de Seowoon vacilava ao percorrer as costas de Cahaya, Cahaya de repente passou o braço em volta dos ombros dele.
Puxado para o abraço de Cahaya, Seowoon se sentiu como se estivesse aprisionado não num quarto ou porão, mas dentro dos braços de Cahaya.
· ⋆ · ─ ✦ ─ · ⋆ · Continua
☪ Tradução, revisão e Raws: Belladonna & Othello