Late Bloomers (Novel) - ⋆。˚ ◉ Capítulo 92
Capítulo 92
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Os diálogos entre colchetes [ ] são falados em indonésio
— Você…… não estava dormindo?
Cahaya falou com rigidez, quase como um boneco de madeira.
Seowoon não respondeu, seus olhos apenas o encarando com raiva.
Por algum motivo, Cahaya evitou seu olhar e moveu os olhos da mesa onde estava o malangso até onde a criança estava deitada.
O movimento excruciantemente lento do olhar de Cahaya permitiu que Seowoon tomasse fôlego, mas, de repente, Cahaya pegou a criança e a jogou por cima do ombro.
— Que diabos você está fazendo agora?
— Eu não vou matar ele.
O tom de Cahaya era incomumente rígido.
— Quem falou alguma coisa sobre isso?
Cahaya lhe deu as costas, e Seowoon soltou um suspiro frustrado de incredulidade.
Cahaya saiu do quarto sem dar mais nenhuma resposta. Seowoon quis detê-lo, mas suas pernas não cooperaram.
Cahaya estava claramente tentando evitá-lo, mas o que ele diria se o alcançasse?
Quando Seowoon tentou detê-lo, Cahaya já tinha aberto a pesada porta de ferro, deixando um buraco na maçaneta destruída.
Seowoon sentiu como se seu coração tivesse sido perfurado por aquele silêncio.
“Talvez eu devesse ter simplesmente fingido não saber até o fim? Talvez eu devesse ter feito vista grossa, já que poderia ser mesmo um erro do Cahaya?”
A ideia de tamanha covardia se infiltrou em sua mente como um buraco na maçaneta. Seowoon tentou bloquear aquela fresta com uma toalha.
Mas não era do feitio de Cahaya adiar uma resposta. Se aquele cara o tinha beijado por causa de alguma mudança de sentimento e agora queria fingir que nunca tinha acontecido, Seowoon não teria o que dizer.
Assim que esse pensamento cruzou sua mente, Seowoon se sentiu completamente miserável.
Olhando para trás, ele deveria simplesmente ter socado Cahaya e chamado ele de desgraçado maluco por beijá-lo do nada. Essa teria sido a reação normal de um amigo. Mas, como tinha sentimentos por Cahaya, ele nem conseguiu se forçar a agir de forma tão direta.
Ele tinha mantido tudo enterrado no coração por causa dos sentimentos conflitantes de esperança e decepção que não paravam de se chocar.
No fim, quando a cortina foi levantada, o que ele encontrou? A decepção que ele já esperava desde o começo.
Quando estava prestes a jogar os dois malangso da mesa no lixo, ele hesitou. As balas não tinham culpa. Ele as desembrulhou e enfiou as duas na boca.
“Eu gosto de você”
“Eu gosto de você”
A escrita nas embalagens rasgadas permaneceu em sua mão.
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“Droga, você me beijou na minha casa, não beijou?! Eu não estava dormindo naquela hora!”
“Eu não estava dormindo naquela hora!” [capítulo 91]
A imagem de Seowoon, gritando com as veias saltando do pescoço, não parava de girar na mente de Cahaya.
Ele carregou o mutante humano, aparentemente sem peso algum, até seu quarto. Era só na porta ao lado, graças ao projeto astuto do Centro de Controle de conectar os quartos deles.
Cahaya jogou o mutante humano na cama e se encostou na parede. Embora o isolamento acústico fosse ruim, não era tão ruim a ponto de o desabafo furioso de Seowoon ser ouvido com clareza através das paredes.
O quarto ao lado permanecia em silêncio. Ou talvez Seowoon simplesmente não estivesse dizendo nada.
Cahaya se recostou na parede e encarou o teto sem expressão.
Por que Seowoon tinha fingido dormir naquela noite? Ou ele acordou por causa do beijo? E, mesmo assim, continuou agindo como se nada tivesse acontecido? Talvez Seowoon tenha perdido a chance de perguntar sobre aquilo quando estava sob o veneno do mutante água-viva?
Tum, tum, tum.
Cahaya batia a cabeça repetidamente contra a parede, como o ponteiro dos segundos de um relógio.
Talvez Seowoon tivesse sacado tudo. Talvez ele tivesse pressentido os sentimentos de Cahaya e, em vez de deixar a questão passar, tivesse decidido trazê-la à tona de novo.
Mesmo que Seowoon pudesse ter enxergado através da desculpa ridícula de Cahaya sobre Uhm Jigeon, talvez ele tivesse descoberto a verdade e o estivesse pressionando a confessar.
“Para de me enrolar e seja sincero! Você me beijou duas vezes porque gosta de mim, não foi?!”
Embora Seowoon nunca tenha dito isso de fato, parecia que Cahaya interpretou daquele jeito.
Talvez Seowoon o estivesse testando, trazendo à tona aquele beijo da madrugada mesmo tendo fingido não saber esse tempo todo. Talvez fosse intenção dele empurrar Cahaya a uma confissão, que provavelmente seria rejeitada depois.
Se Cahaya tivesse caído numa pergunta capciosa dessas e confessado, Seowoon poderia ter desaparecido de novo.
Mas, por outro lado, o gentil Seowoon poderia ter delicadamente desencorajado Cahaya de nutrir sentimentos tão baixos por um amigo.
Cahaya soltou um longo suspiro. Seu olhar caiu naturalmente no chão. Havia uma mancha vermelho-escura no carpete, como se alguém tivesse derramado vinho.
Cahaya não tinha visto o rosto de Seowoon antes de sair do quarto. Ele geralmente era confiante com seus sorrisos, mas controlar as expressões para manter os verdadeiros sentimentos escondidos estava longe de ser fácil. Ele se sentia patético e se odiava por ter fugido do quarto de Seowoon.
Eu gosto de você, Cha Seowoon.
Por isso eu te beijei sem você saber.
Eu sou mesmo um lixo.
Mesmo que ele tentasse ser sério e despejasse seus verdadeiros sentimentos, era improvável que não enfrentasse uma rejeição. Como ele sequer conseguiria se forçar a dizer uma coisa dessas?
Naquele momento, um toque alto ecoou do celular de Cahaya. Ele caminhou até a mesa com um olhar afiado. Sua postura estava tensa o bastante para quebrar o pescoço de quem estivesse ligando, se preciso.
Ao checar a identificação da chamada, ele afastou a hostilidade e apertou o botão de atender.
[Alô, Tio.]
– [Eu acabei de chegar.]
[Eu vou até o saguão.]
– [Não precisa. Eu sei o número do seu quarto, então eu vou até aí. E o Seowoon?]
[Eu achei que a gente fosse se encontrar amanhã.]
– [Por que você não disse que chegaria hoje?]
[Só não tive chance de mencionar.]
– [Beleza, então vamos nos encontrar primeiro.]
Cahaya voltou o olhar para a parede. O quarto de Seowoon permanecia sinistramente silencioso.
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Quando Cahaya chegou a Sulawesi aos cinco anos, os primeiros a descobri-lo não foram outros senão as crianças locais.
As crianças da região montanhosa do Sulawesi Central costumavam brincar de esconde-esconde nas cavernas, tentando escapar dos olhos vigilantes dos adultos. Aquelas cavernas também eram lugares onde os corpos dos aldeões falecidos eram depositados.
Os caixões tinham apodrecido com o tempo, revelando restos ósseos, e havia também bonecos que lembravam os falecidos espalhados por ali.
Para um forasteiro, poderia parecer um lugar sinistro, mas, para as tribos locais que nasceram e cresceram ali, era considerado um sítio sagrado.
Eles acreditavam que, quando a vida neste mundo terminava, a morte traria outra existência na vida após a morte. A morte era simplesmente uma extensão de outra vida. Assim, as crianças não tinham motivo para temer os restos ósseos nas cavernas.
Em vez disso, o motivo pelo qual as crianças foram tomadas de medo foi uma criança que apareceu das paredes negras da caverna.
A criança, coberta de uma gosma pegajosa, observou uma a uma as crianças ao redor. Seus olhos estavam cheios de veneno, como os de uma fera se preparando para atacar. Ele parecia em alerta máximo, como se tivesse acabado de ser atacado por alguém.
Crec.
Quando a criança deu um passo à frente, o crânio à sua frente se espatifou. Ao mesmo tempo, as crianças locais que tinham ficado paralisadas começaram a gritar e fugir da caverna.
Nazma Nizam, o zelador da caverna, vinha tentando passar o tempo cuidando da fogueira quando se assustou com os gritos. Ele perguntou às crianças em pânico que saíam correndo da caverna o que tinha acontecido. As crianças, pálidas de susto, disseram que havia algo estranho dentro da caverna.
Nizam acalmou as cinco crianças e então pegou uma lanterna. O sol já tinha nascido, mas as partes internas da caverna ainda estavam mal iluminadas. Apesar de ser considerada um lugar sagrado, era um sítio cheio de restos humanos.
Achando que as crianças deviam ter imaginado coisas, Nizam riu com desdém e se preparou para entrar na caverna.
Splash, splash.
De repente, o som de passos molhados ecoou pela caverna. Um arrepio percorreu a espinha de Nizam. Todas as cinco crianças tinham saído da caverna, então quem ainda estava lá dentro?
Nizam apertou a lanterna com mais força e olhou com atenção.
Splash.
A criança, coberta de um fluido negro, emergiu da caverna e ficou de pé lá fora. Apesar do corpo pequeno, não havia nada de reconfortante no olhar anti naturalmente feroz da criança.
A criança enxugou os olhos com as costas da mão e ergueu os olhos para o sol. Então murmurou palavras incompreensíveis.
Thay?
A criança, encharcada de fluido negro, desabou no chão.
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Nizam abraçou Cahaya, dando tapinhas nas costas dele depois de tanto tempo. A criança pequena que ele um dia conheceu tinha crescido tanto que agora era um pouco constrangedor dar tapinhas nele. Cahaya deu tapinhas nas costas dele em retribuição, e Nizam se sobressaltou ao notar uma criança adormecida na cama.
Quando Nizam expressou sua confusão, Cahaya respondeu com naturalidade:
[Aquele é o mutante humano.]
Nizam ficou surpreso, mas inclinou a cabeça diante da atitude despreocupada de Cahaya.
[Ele representa alguma ameaça para nós? Já que é um mutante e tudo mais.]
[Provavelmente não vai ser prejudicial sozinho.]
[E os pais da criança?]
Cahaya balançou a cabeça.
[Tem uma grande chance de ele ter atravessado como eu.]
Nizam ficou em silêncio. A menção a “como eu” o fez lembrar do próprio passado.
Embora tivesse acolhido a criança que emergiu da caverna, a criança tinha permanecido muda desde que pronunciou a palavra “Thay”.
Nizam tinha trabalhado na Coreia antes de voltar à sua terra natal para se tornar zelador de cemitério. Tendo economizado uma quantia razoável de dinheiro, ele se concentrou em acumular mérito espiritual. Era sua forma de honrar os ancestrais, e ele nunca tinha afrouxado um instante em seus deveres.
E, sendo assim, era impossível que a criança tivesse sido deixada para trás por algum visitante de passagem. A criança tinha literalmente aparecido do nada na caverna.
A criança aprendeu a língua local com Nizam. Levou apenas seis meses para dominar o indonésio. Embora a criança nunca falasse sobre suas origens, deixou claro que não tinha para onde ir. Talvez tivesse aprendido a língua por desespero de sobreviver naquela terra desconhecida.
A criança também tinha dificuldade de se enturmar com as crianças locais. Mesmo depois de aprender a língua, passava a maior parte do tempo sozinha, muitas vezes acompanhada apenas por um filhote que Nizam tinha comprado para ela no mercado.
Preocupado com o isolamento da criança em relação ao mundo, Nizam fez várias tentativas de fazê-la se juntar ao grupo local. No entanto, as outras crianças ficaram assustadas com a falta de reação da criança a qualquer coisa que fizessem. Nizam aconselhou a criança a sorrir e, a partir de então, ela passou a fazer um esforço consciente para sorrir. Ainda assim, isso só parecia piorar as coisas, já que seu sorriso constante era percebido como estranho, afastando-a ainda mais dos outros.
Além disso, a criança às vezes falava numa língua estrangeira, como se estivesse possuída por outra pessoa. Esse comportamento dividia os moradores em dois grupos: os que sentiam pena dela e os que desconfiavam dela.
“Ah, este não é o ponto certo. O Portal está ferrando com o meu cosmos, tsc.”
Um dia, enquanto vigiava os cemitérios das cavernas com a criança, Nizam mal pôde acreditar nos próprios ouvidos ao ouvir aquilo.
Não só a criança falou de forma grosseira, como também usou o coreano.
· ⋆ · ─ ✦ ─ · ⋆ · Continua
☪ Tradução, revisão e Raws: Belladonna & Othello