Late Bloomers (Novel) - ⋆。˚ ◉ Capítulo 90
Capítulo 90
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— Cha Seowoon?
Cahaya agarrou o braço de Seowoon enquanto este tapava os ouvidos.
A destruição da Terra? Seowoon não conseguia acreditar no que tinha acabado de ouvir. Mas a condição para que isso acontecesse era que os últimos sobreviventes de cada planeta tinham que se reunir na Terra……?
Será que o Mensageiro estava falando besteira dessa vez? Ele nem tinha conseguido prever com precisão quando o mutante humano apareceria, para começo de conversa.
No entanto, era difícil desconsiderar completamente o Mensageiro, dada a estranha previsão que ele tinha demonstrado até então.
— Vamos conversar.
Seowoon tirou a mão de Cahaya e apontou para o terraço. Cahaya olhou de relance para a própria mão agora vazia antes de seguir Seowoon.
Seowoon começou a falar enquanto ainda observava a criança, que continuava absorta na sua sopa.
— Não acredita em tudo o que eu vou dizer.
— Devo acreditar em metade?
— Isso deve estar bom.
Seowoon assentiu.
— Sabe, o meu instinto está me dizendo que…
Ele respirou fundo e então soltou as palavras em vez do ar.
— A Terra vai ser destruída.
Seowoon olhou ao redor, nervoso, como se tivesse acabado de vazar um grande segredo. Quando olhou para Cahaya, esperando surpresa, a expressão dele estava mais solene que chocada.
— Você não está surpreso?
— Bom, a Terra vai ser destruída um dia, né?
Cahaya disse como se estivesse afirmando o óbvio.
— Não, quer dizer….
“Como eu explico isso?”
Dada a experiência deles de atravessar outra dimensão pelo túnel em Naraka, mencionar outros planetas não era exatamente difícil. O problema estava no que vinha depois.
Dizer a ele que a Terra seria destruída se os últimos sobreviventes de outros planetas se reunissem ali não era fácil. Além disso, o Mensageiro não tinha especificado quantos precisavam se reunir nem como exatamente a Terra chegaria ao fim.
— Então, o que eu quero dizer é……. Mesmo sendo difícil de acreditar…….
Sua boca se fechou de novo.
— Cha Seowoon, eu não vou acreditar no que você disser, então só fala.
Por mais estranho que fosse, a garantia de Cahaya de que não acreditaria nele deixou Seowoon mais à vontade. O aviso sobre a destruição da Terra era chocante a esse ponto.
Seowoon resumiu com calma as palavras do Mensageiro para Cahaya. Enquanto escutava em silêncio, Cahaya mostrou um lampejo de inquietação diante da menção aos últimos sobreviventes de cada planeta.
— Se todos os últimos sobreviventes de cada planeta se reunirem aqui, a Terra vai ser destruída?
— Provavelmente.
Seowoon respondeu baixinho. Cahaya olhou de relance para a criança.
— Aquilo…?
— Ele deve ser o último sobrevivente de outro planeta.
Era o mesmo que dizer que o planeta da criança tinha sido destruído. Seowoon fez uma pausa, pensativo. A criança tinha apontado para ele e dito que o próprio Seowoon o havia mandado para cá.
Ele não podia confiar completamente nas palavras do mutante humano, mas uma memória do planeta Craypas (giz de cera pastel) passou pela mente de Seowoon. Ele se lembrava claramente de estar em outro planeta com Cahaya, um lugar que não podia ser chamado de Terra. Ele só tinha estado lá por alguns minutos, mas, quando voltou, vários dias tinham se passado…….
Ele tinha descartado tudo aquilo como uma alucinação enquanto estava preso no Portal, mas, se a viagem dimensional entre planetas era possível, será que eles também poderiam ter se deslocado para épocas diferentes?
》O ju de “Cha Seowoon” está confundindo o Portal.《 [capítulo 81]
O “ju” que o Mensageiro tinha dito significava na verdade “tempo”?
No entanto, Seowoon ainda não podia mencionar nada incerto para Cahaya. Ele continuou repassando com calma apenas as informações que tinha obtido.
— Eu ouvi que já existem dois últimos sobreviventes de outros planetas na Terra. Um deles é aquele moleque, mas eu não faço ideia de quem é o outro.
Devia chamar aquilo de bênção em meio a tantas outras notícias infelizes? Graças à notícia bombástica, ele conseguiu desviar a atenção dos lábios de Cahaya.
— Ei, aonde você vai?
Seowoon gritou quando Cahaya deixou o terraço de repente. Ele perguntou o que Cahaya estava aprontando, mas então o viu agarrar pelo pescoço a criança, que ainda saboreava sua sopa, e erguê-la.
Seowoon achou que Cahaya fosse intimidar a criança para conseguir informações, mas seu método era bruto demais.
— Você não pode tratar ele desse jeito!
Seowoon gritou, elevando a voz.
Naquele instante, a mão de Cahaya perfurou o peito da criança, direto pelo coração.
— !
O corpo de Seowoon estremeceu diante da ação inesperada, quase desabando enquanto ele se agarrava ao parapeito do terraço. Seu rosto ficou pálido, mas nenhum grito escapou de sua boca escancarada.
“Eu estou sonhando de pé?”
Mutante ou não, Cahaya matou uma pessoa. Ele tinha matado alguém.
“Não, ele é mesmo um mutante? Qualquer um vê que ele parece humano, então ele é humano? O que a gente faz agora? O que a gente faz com isso?”
— Cof!
A criança tossiu, um som sufocado escapando de seus lábios. Um buraco escancarado ficou onde Cahaya puxou a mão, mas não havia nenhum órgão parecido com um coração à vista. Nem mesmo sangue vermelho escorreu. Em vez disso, uma energia roxa rodopiante começou a restaurar a carne e as veias danificadas.
Cahaya perfurou o abdômen da criança dessa vez, ainda segurando sua garganta.
— Cahaya!
Seowoon gritou como se estivesse berrando. Surpreendentemente, a vida da criança não foi ceifada. Parecia que a criança realmente não era humana; nem seu coração nem seu abdômen pareciam ser pontos vitais.
Cahaya rapidamente recolheu seu cosmos branco, e só então a criança conseguiu cerrar os dentes. Segurando o pulso de Cahaya, torcido em volta do seu pescoço, ela começou a absorver o cosmos.
— Uau, isso é mesmo inútil, hein?
Cahaya murmurou enquanto observava seu cosmos ser sugado. A quantidade de energia branca que envolvia seu corpo inteiro excedia em muito o que a criança podia consumir. O cosmos imenso parecia inflar o corpo da criança além do que ele podia suportar, como se o corpo da criança fosse explodir e se despedaçar a qualquer momento.
— Para com isso!
Seowoon mal conseguiu mover as pernas e disparou apressado pelo terraço. Com o impulso do salto, ele empurrou Cahaya para longe e libertou a criança do seu aperto.
Assim que seu corpo inchado voltou ao normal, a criança se pôs de pé e encarou Cahaya com raiva.
— É real, cosmos, mas eu… odeio isso……!
Tum!
Tendo curado completamente os buracos no corpo, a criança desabou sobre o carpete.
— ……Eu não… quero ser… mau, eu não quero…….
A criança repetiu as mesmas palavras como um robô quebrado antes de fechar os olhos como se tivesse adormecido. Preocupado que ela pudesse ter morrido, Seowoon se aproximou, mas a respiração estável da criança o tranquilizou. Tomado de alívio, Seowoon também desabou no chão.
Seu coração batia tão forte que seu peito doía. Ainda assim, a criança não morreu. Ele ficou imensamente aliviado por Cahaya não ter se tornado um assassino.
Cahaya tentou agarrar a criança de novo, mas Seowoon deu um passo à frente e bloqueou seu caminho.
— Eu te falei para não acreditar em mim! E você disse que não ia……! Mas por que você simplesmente foi lá e—
— Você viu também. Aquela coisa é um mutante.
Cahaya o cortou friamente, como se não conseguisse entender qual era o problema.
Por dentro, a criança era diferente de um humano, mas tinha razão, pensamentos, e conseguia falar como uma pessoa. Ainda assim, Cahaya tentou matá-la sem pensar duas vezes. Foi uma sorte a criança ter sobrevivido, mas, se tivesse sangrado até a morte e derramado órgãos internos como um humano…….
A culpa era toda dele. Ele não deveria ter contado tudo a Cahaya. Mas nem ele tinha imaginado que Cahaya simplesmente iria abrir o moleque daquele jeito. Sua pele exposta formigava com a tensão restante.
— ……Cahaya.
Os olhos de Seowoon esquentaram por algum motivo.
— Mesmo que ele seja um mutante…… ele ainda é humano, né?
Desde que se tornou Mansaengjong, ele tinha matado incontáveis mutantes, mas eles eram literalmente só monstros.
Mas dessa vez a palavra “humano” estava colada a um mutante. A criança não tinha se descontrolado como um monstro nem machucado ninguém.
Se Cahaya matasse um mutante humano, ele se tornaria também alguém que tinha matado um humano. Seowoon não queria isso. Parecia que Cahaya cruzaria uma linha da qual não poderia voltar se fizesse aquilo.
— Eu posso estar errado. Talvez não seja sobre destruição nem nada disso. Se você tivesse continuado… Você teria se tornado um assassino.
A voz de Seowoon tremia incontrolavelmente.
Cahaya ainda nutria intenção assassina, mas se viu contido pelo olhar de Seowoon.
— Cahaya, talvez você esteja certo, talvez eu tenha sido enganado pela aparência, não, você estava certo, mas eu te impedi… E se a destruição acontecer por minha causa?
Era certo se livrar daquele moleque? Ele não tinha realmente um corpo humano, afinal. E a destruição da Terra? Por que diabos o Mensageiro lhe diria uma coisa dessas?
O peso absoluto de tudo aquilo fez a respiração de Seowoon sair em arquejos irregulares.
Cahaya abandonou sua intenção assassina em relação à criança e se agachou diante de Seowoon. Ele estalou os dedos com força diante do rosto de Seowoon, como que para tirá-lo daquele estado.
— Cha Seowoon, a Terra não vai ser destruída por sua causa.
— Ugh!
Naquele momento, a criança, que tinha desmaiado, de repente agarrou o próprio rosto e começou a rolar pelo chão.
— Eu… não queria comer! Não queria… comer!
O corpo da criança se contorcia impotente sobre o carpete enquanto ela gritava de agonia. Tudo o que Seowoon pôde fazer foi assistir sem ação, incapaz de fazer qualquer coisa, enquanto a criança soltava uma fúria que fazia os pelos se arrepiarem. A criança agora estava envolta numa mistura de energia roxa e branca.
As energias entrelaçadas pareciam travar uma luta feroz pelo domínio. Nenhum dos lados cedia, ambos lutando por território. Por fim, a energia branca cresceu, engolindo pedaços da roxa. Então, de repente, a energia roxa voltou com força, se debatendo para dominar a branca. As duas energias se enroscaram como um redemoinho, resistindo ferozmente uma à outra. No fim, as energias se fundiram numa só e penetraram no corpo da criança.
A criança ficou deitada no chão, encolhida e encharcada. Ela respirava com a calma controlada de uma criatura que tinha acabado de ser tirada da água, lutando para se adaptar.
Quando a criança ergueu a cabeça, Seowoon congelou ainda mais, e Cahaya franziu a testa.
Um dos olhos da criança agora era roxo, e o outro era próximo do verde. Ela não se parecia mais nem com Seowoon nem com Cahaya, mas com algo inteiramente diferente.
O rosto da criança agora trazia as feições tanto de Seowoon quanto de Cahaya.
》Estamos ferrados.《
Apesar do lamento do Mensageiro, Seowoon foi incapaz de responder.
· ⋆ · ─ ✦ ─ · ⋆ · Fim do Volume 3
☪ Tradução, revisão e Raws: Belladonna & Othello
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