Late Bloomers (Novel) - ⋆。˚ ◉ Capítulo 89
Capítulo 89
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O hotel em que chegaram acabou sendo maior do que o esperado, contando até com uma piscina externa.
Embora alegasse não aceitar nenhum outro hóspede durante todo o mês de julho para acomodar os Mansaengjongs e os funcionários do Centro de Controle, aquilo era essencialmente uma forma de isolar potenciais ameaças. Isso ficava evidente pelo fato de os funcionários do Ministério das Relações Exteriores ficarem num hotel a dezenas de quilômetros de distância.
Havia quartos mais que suficientes, então cada pessoa teve o seu. O Centro de Controle tinha designado os quartos estrategicamente, garantindo que os Mansaengjongs do andar de cima do avião e os membros da Aliança fossem mantidos bem afastados uns dos outros.
Até os horários da piscina e do café da manhã foram divididos em dois turnos para minimizar as chances de os dois grupos se encontrarem. Os membros da Tacheon foram ao restaurante jantar, enquanto Seowoon simplesmente escolheu ficar no quarto. Ele ainda não se sentia pronto para encarar Cahaya.
Ele pediu serviço de quarto, que incluía um prato chamado “bakso”, com caldo vermelho e almôndegas, e “satay”, um tipo de espetinho de carne.
O espetinho de carne tinha um gosto familiar, e o bakso quase não tinha temperos fortes, ao contrário do macarrão de arroz. Graças a isso, Seowoon conseguiu terminar a tigela inteira sem nenhum problema.
O quarto de Seowoon tinha um terraço que oferecia uma vista clara da piscina do primeiro andar. Ele olhou lá para baixo, para alguns membros da Aliança que curtiam coquetéis e brincavam na piscina.
Segundo o Mensageiro, o mutante humano apareceria no dia 15. Até lá, não deveria haver nenhum problema grave, então relaxar daquele jeito não era má ideia.
Seowoon pressionou os lábios com as pontas dos dedos. A sensação de ardência estava menor que antes, mas a sensação de Cahaya sugando e mordendo seus lábios permanecia vívida.
Se não fosse por aquele incidente, ele poderia estar por aí se divertindo com Cahaya agora… Em vez disso, estava trancado no quarto, sem vontade de sair. Se visse o rosto de Cahaya, ele sabia que o confrontaria, exigindo saber por que ele tinha feito aquilo não uma, mas duas vezes.
— Aaah! Sai! Sai daqui!
Um grito repentino irrompeu lá de baixo. Olhando para baixo, Seowoon viu a água da piscina se agitando violentamente, como se um terremoto tivesse acontecido. Apesar do vento calmo, a água da piscina estava um caos. Era claramente obra de Uhm Jigeon.
Seowoon olhou ao redor, mas não conseguiu avistar Uhm Jigeon em lugar nenhum. Ainda assim, sentiu uma sensação de satisfação. Vê-los se divertindo como se fossem donos do lugar de alguma forma o tinha irritado.
Ele e Cahaya deveriam encontrar o Tio no dia seguinte, mas talvez devessem vê-lo separadamente……
Seowoon olhou por um instante para a água agora calma da piscina, depois balançou a cabeça. Voltando para dentro, deixou o ar-condicionado esfriar o suor que rapidamente tinha se formado na sua pele.
Se Cahaya o tivesse beijado por simples inveja de um encontro às cegas, Seowoon poderia socá-lo, ficar emburrado por algumas noites e pronto. Mas se Cahaya o tivesse beijado porque de fato tinha sentimentos por ele….
De alguma forma, ele se sentiu desanimado. Começou a pensar que nunca poderiam ser sentimentos sérios.
Ao contrário dos sentimentos profundos e antigos que Seowoon nutria havia anos, o beijo de Cahaya provavelmente vinha de um impulso passageiro. Era o único jeito de Seowoon ousar sonhar com um beijo desses. Ele tinha se torturado até com o menor dos toques, com medo de estragar a relação deles. Mas agora sentia-se um tolo por isso.
Toc, toc.
Alguém bateu à porta enquanto Seowoon ainda segurava um espetinho. Como não havia pedidos adicionais de serviço de quarto, não podia ser um funcionário do hotel. Seowoon largou o espetinho e caminhou até a porta.
Ele abriu a porta, mas não encontrou ninguém ali. Embora fosse um hotel bem caro, as luzes do corredor eram bastante fracas. Ele perguntou se algum fantasma indonésio poderia aparecer ali.
— Aqui embaixo.
Seowoon olhou para baixo na direção da voz e viu uma figura pequena parada ali. Embora não tivesse particularmente medo de fantasmas, ele se assustou e teve que dar um passo para trás.
Quando confirmou quem estava parado ali, não conseguiu acreditar nos próprios olhos.
A pessoa vestindo uma camiseta longa e folgada, parecendo uma criança, não era outro senão Cahaya. Ele estava igualzinho a quando sofria com o veneno da água-viva.
“Será que ele está tendo sequelas?”
Seowoon não queria encarar Cahaya naquele momento, mas era uma emergência. Ele rapidamente recuperou a compostura, checou o corredor para ver se havia mais alguém por perto e então puxou Cahaya para dentro do quarto às pressas.
— Por que você está assim de novo? Você está machucado?
Apesar do próprio humor pesado, ele não conseguiu evitar de se preocupar. Cahaya, no entanto, respondeu à saraivada de perguntas apenas com um balanço vazio de cabeça.
— Senta um pouco, por enquanto.
Seowoon guiou Cahaya com delicadeza até uma cadeira, apesar do tom brusco. Para acalmá-lo, abriu uma garrafa de água e serviu um pouco num copo.
Embora fosse Cahaya por dentro, ele parecia infinitamente frágil e fraco, talvez por causa da aparência.
— Você comeu?
Cahaya balançou a cabeça de novo.
Seowoon pegou o telefone do hotel e pediu nasi goreng pelo serviço de quarto. Embora ele não falasse indonésio, foi uma sorte que os funcionários falassem inglês bem o bastante para lidar com a comunicação sem problemas.
Cahaya encarou sem expressão os espetinhos de carne que Seowoon tinha deixado. Notando o interesse de Cahaya, Seowoon rapidamente usou os hashis para retirar um pouco dos espetinhos e colocá-los num pratinho.
— Pelo menos se enche com isso por enquanto. É bem bom.
Ao contrário do quanto parecia faminto, Cahaya segurou os hashis sem jeito. Bom, aqueles eram hashis de tamanho adulto, afinal.
Seowoon levou a carne até a boca de Cahaya, notando como ele estava se atrapalhando com os hashis. Cahaya mastigou e engoliu a carne que Seowoon lhe deu sem reclamar.
“Mas o que é isso? Por que eu estou me sentindo inquieto?”
— Cahaya, olha para mim.
Cahaya ergueu seu olhar inocente para Seowoon.
Ocorreu a Seowoon que, desde que Cahaya disse “Aqui embaixo”, ele não tinha respondido a uma única pergunta que Seowoon fez.
Além disso, ele aceitava e comia tudo o que Seowoon oferecia sem demonstrar nenhum sinal de descontentamento.
“O Cahaya já foi assim antes?”
— Ei…, eu posso mesmo te levar num avião?
Cahaya inclinou a cabeça como que questionando o que Seowoon estava dizendo.
Um arrepio percorreu a espinha de Seowoon.
“Isso é mesmo o Cahaya?”
Um sino de alerta soou em sua mente. Se algo estivesse acontecendo que pudesse lhe fazer mal, o Mensageiro certamente apareceria e o informaria, mas ele permanecia em silêncio.
Seria possível que o estado mental de Cahaya tivesse sido afetado pelas sequelas, causando também uma idade mental menor?
Se fosse assim, seria um belo pé no saco. Não, era inútil se ressentir do pequeno Cahaya à sua frente, porque era improvável que fosse intencional.
Toc, toc.
Seowoon se assustou com o som das batidas e se levantou de repente.
— Parece que o serviço de quarto chegou.
Não tinham se passado nem dez minutos desde que ele fez o pedido, então não parecia ser o serviço de quarto, mas ele mentiu por inquietação. Tentando agir com naturalidade, ele foi em direção à porta quando Cahaya envolveu sua cintura com os braços.
— Ei, eu preciso pegar o serviço de quarto.
Enquanto o menininho balançava a cabeça, até o som do cabelo dele roçando na camisa de Seowoon parecia sinistro.
— Cha Seowoon, sou eu.
Naquele momento, uma voz familiar veio de fora da porta. O isolamento acústico ruim do hotel deixava a voz clara como o dia. Seowoon olhou para baixo, para o jovem Cahaya, com um olhar afiado.
— Fo… me….
Aquele não era Cahaya.
O Cahaya de verdade estava do lado de fora da porta.
— Só um instante, eu vou pegar a comida.
Os olhos da criança, que estavam próximos do verde, de repente ficaram completamente pretos.
— Ugh!
A força em volta da sua cintura era imensa. Os dedos da criança se cravaram na pele de Seowoon como se dez buracos estivessem sendo perfurados em seu corpo. Seu cosmos começou a ser sugado pelas pontas dos dedos da criança. A quantidade sugada era tão tremenda que suas pernas vacilaram.
Seowoon rapidamente canalizou seu cosmos para a mão direita e agarrou o pescoço da criança. Conforme concentrava a energia, a aura roxa que envolvia sua mão ficou ainda mais escura que o normal.
— Ugh, sai de cima……!
Com toda a força, ele empurrou com violência a criança que se agarrava a ele como um vampiro.
Com um estrondo alto, a criança se chocou contra a parede. Destroços de cimento da parede rachada caíram pesadamente sobre o corpo da criança caída.
Bam!
Logo depois, veio o som da porta sendo arrombada. Cahaya irrompeu, tendo quebrado a maçaneta de ferro. Ele olhou para Seowoon e então desviou o olhar para a criança estatelada contra a parede.
Seowoon balançou a cabeça em resposta ao olhar interrogativo de Cahaya. Cahaya se agachou diante da criança caída e puxou sua cabeça pelo cabelo.
Depois de observar o rosto, Cahaya inclinou a cabeça de incredulidade e suspirou.
— Eu achei que você tinha virado criança de novo… Cahaya, que diabos é ele?
Seowoon engoliu em seco.
》Confirmado. Devido a um erro “meu”, o mutante humano vai aparecer antes do previsto.《
“O quê?”
Seowoon ergueu a cabeça, surpreso.
“O mutante humano aparecendo mais cedo por causa de um erro do Mensageiro?”
》Aquele mutante humano precisa consumir o cosmos de um Mansaengjong para se fixar na Terra. No entanto, a natureza dele se divide entre “bem e mal” dependendo da natureza do Mansaengjong. Como ele absorveu o cosmos de “Cha Seowoon”, o mutante humano assumiu a natureza de “Cha Seowoon”.《
“Aquela criança é um mutante humano? Mas por que ele parece exatamente o jovem Cahaya?”
Seowoon fez suas perguntas internamente, mas o Mensageiro permaneceu em silêncio.
— O que o seu instinto está dizendo dessa vez?
— …Hã? Instinto?
Cahaya agora estava de pé diante de Seowoon, bloqueando sua visão.
Sempre que Seowoon se comunicava com o Mensageiro ou recebia informações dele, seus olhos frequentemente encaravam o ar. Depois de várias ocorrências desse comportamento, Cahaya começou a suspeitar que havia algo mais acontecendo.
Searchers comuns também mostravam comportamentos parecidos com os de Seowoon, mas eles normalmente dependiam da visão, já que alegavam ver ilusões. No entanto, Cahaya suspeitava que Seowoon dependesse de pistas auditivas.
— Você não acabou de receber um sinal do seu instinto?
— Bom, é algo assim, mas…
Seowoon respondeu com naturalidade.
— Eu ouvi que é o mutante humano.
Seowoon disse “eu ouvi”, o que só confirmou a suspeita de Cahaya.
Ele não sabia o que Seowoon estava escondendo, mas se aproximou da criança de novo para verificar. Cutucou o corpo da criança com o pé, virando-a. Para sua surpresa, a criança parecia ainda menor que antes.
Sentindo que algo estava errado, Seowoon também olhou para a criança e instintivamente deu um passo para trás.
— Mas que…
Seu murmúrio escapou sem que ele percebesse. Cahaya também examinou o rosto da criança de vários ângulos antes de finalmente se virar para Seowoon.
— É o Mini Cha Seowoon?
O mutante humano agora parecia exatamente uma versão mais jovem de Seowoon.
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Cahaya apoiou o queixo na mão e ficou de olho na criança.
Assim que a criança abriu os olhos, começou a procurar algo para comer e já tinha devorado o suficiente para cerca de cinco pessoas. Enquanto isso, Seowoon continuava andando de um lado para o outro no quarto.
— De onde você veio?
A criança piscou os olhos enquanto mastigava pão. Era a quinta vez que Seowoon fazia a pergunta. Cada vez, a criança apenas piscava seus olhos violeta em resposta.
— Onde estão os seus pais?
— Cha Seowoon, isso é um mutante.
— Mesmo assim, ele não pode ter nascido sozinho.
Com um guardanapo, Seowoon rapidamente varreu as migalhas que a criança tinha derrubado na mesa. Cahaya não puxou o cabelo da criança nem a chutou como antes, mas parecia cheio de insatisfação.
— Como eu mato o Mini Cha Seowoon?
Ele murmurou com tanta naturalidade sobre matar a criança bem na frente dela.
“Mas como uma criança de aparência tão inofensiva pode ser um mutante?”
Seowoon de repente se perguntou se tinha ficado focado demais na palavra “mutante”.
— Ei, espera aí. Foi dito que um mutante humano apareceria, mas não foi dito o que o mutante faria.
— Ele pode parecer inofensivo, mas pode ser podre por dentro.
“Cha Seowoon, mesmo eu parecendo ingênuo por fora, você acha que eu sou tão bobo assim por dentro? Você vai poupar um mutante porque foi enganado pela aparência?” [capítulo 68]
Seowoon se lembrou do que Cahaya tinha dito quando seu corpo ficou mais jovem.
— Por favor, não me mate.
A criança, que tinha uma semelhança impressionante com Seowoon na infância, se manifestou. Quando a criança tinha assumido a aparência de Cahaya, falava sem cerimônia, mas agora soava quase respeitosa.
— Eu sou… o último sobrevivente. Você me mandou para cá… para eu continuar vivo.
A criança ergueu o dedo indicador e apontou para Seowoon.
— Eu?
Seowoon apontou para si mesmo.
— Me desculpa. Por comer o seu cosmos. Eu tinha que fazer isso para me fixar aqui.
A criança parecia amuada, as pupilas correndo de um lado para o outro.
Seowoon teve que assistir a uma versão do seu eu mais jovem de uma perspectiva externa, mas aquilo não o deixou desconfortável. Em vez disso, uma onda de pena inexplicável brotou dentro dele. Talvez ele estivesse projetando naquela criança suas próprias experiências de crescer sob a criação sufocante do pai.
— Guri?
Era o único apelido em que ele conseguia pensar, já que chamá-lo de “mutante humano” parecia tão errado.
— O que você quer dizer com “último sobrevivente”?
Seowoon tentou suavizar o tom, mas a criança pareceu fechar a boca como se não pudesse dizer mais. De repente, Cahaya esticou a mão e agarrou a bochecha da criança, puxando para o lado. A criança choramingou de dor, e Cahaya parou.
— Isso é desconfortável pra caralho.
Ele murmurou, dando a entender que o moleque tinha assumido a aparência de Seowoon para não ser morto.
— Talvez… Porque ele comeu o meu cosmos.
Dessa vez, Cahaya beliscou a bochecha da criança com firmeza.
— Então por que você não experimenta o meu em seguida?
— Eu não posso. A energia já está fixada dentro de mim. Dói. Pessoa má.
Seowoon agarrou o pulso de Cahaya e balançou a cabeça, mandando-o parar. Cahaya recuou mais facilmente do que o esperado, mas a irritação em seu rosto não passou.
Cahaya, que normalmente sorria com indiferença, agora parecia inexpressivo, o que fazia Seowoon se sentir mais perturbado por ele do que pelo mutante humano. Seu olhar continuava desviando para o ferimento no lábio inferior de Cahaya.
— Guri, os mutantes normalmente deveriam ser maus, né? Você alguma vez sente vontade de machucar as pessoas? Ou como se tivesse um poder incontrolável fervendo dentro de você?
— Eu… não vou machucar ninguém.
》Mate ele.《
As pálpebras de Seowoon tremeram.
A criança admitiu ter consumido seu cosmos, mas foi com o propósito de se fixar na Terra. Era puramente instinto de sobrevivência, então ele realmente precisava matá-la?
》Mate ele, mate ele, mate ele, mate ele, mate ele.《
O comando se repetia incessantemente como um arquivo de áudio corrompido.
Seowoon tapou os ouvidos com as duas mãos, mas a exigência implacável de matar se enterrava em seu cérebro, alimentando ainda mais sua resistência.
》Ele deveria assumir uma natureza “má”, e não “boa”. Suspiro. Escute com atenção. “Cha Seowoon”.《
》Você tem que matar os últimos sobreviventes de cada planeta. Assim que todos se reunirem na Terra, é aí que começa. Nesse ponto, nem mesmo “Cha Seowoon, o Musaranho-elefante” terá como escapar. Dois já se reuniram.《
“O que exatamente vai começar?”
》A destruição da Terra.《
A boca de Seowoon se escancarou.
· ⋆ · ─ ✦ ─ · ⋆ · Continua
☪ Tradução, revisão e Raws: Belladonna & Othello