Kiss Me If You Can (Novel) - Capítulo 55
Side Story 1 – Capítulo 16
Há cerca de duas semanas desde que voltei da mansão. Todos os exames de Chase deram resultados positivos, e Josh entrou em contato com seus amigos, embora tardiamente. Talvez não estivessem muito preocupados, mas Ed e Tommy gritaram e disseram repetidamente: “Você está bem?” Era necessária muita paciência da parte de Josh para não os xingar antes de responder às suas perguntas em detalhes. De qualquer forma, Josh terminou de explicar de forma geral e desligou o telefone após uma promessa não planejada de vê-los numa próxima vez.
Sua volta à equipe de segurança ainda estava incerta. Mark, que entrou em contato com ele depois de muito tempo, disse que o período havia sido estendido novamente porque Chase precisava comparecer a vários eventos para o lançamento do filme.
—Estão dizendo que você provavelmente voltará no próximo mês.
Mark não esqueceu de incentivá-lo e desligou. Antes de retornar ao trabalho, ele também precisava decidir qual seria o horário em relação à apresentação de Chase com sua família.
Josh foi o primeiro a marcar uma data para que ele e sua mãe pudessem se reunir.
…
No dia em que Chase decidiu visitá-los, sua mãe acordou cedo e começou a se movimentar rapidamente. Apesar de ter chamado uma empresa de limpeza para arrumar a casa no dia anterior, pela manhã ela correu freneticamente pela casa novamente, aspirando e tirando o pó.
Acordado pelo barulho dos passos de sua mãe e pelo som da máquina ligada, Josh bocejou ao descer as escadas e parou. Sua mãe andava pela cozinha, tirando ingredientes da geladeira e colocando-os sobre a mesa.
—Mãe, você não precisa fazer tudo isso.
Chase havia dito repetidamente no dia anterior que não comia muito, mas sua mãe parecia ter uma opinião diferente.
—Mas pelo menos temos que estar preparados. Infelizmente, estou muito ocupada. Querido, você pode pegar a tapeçaria na garagem? Pendure-a na parede ali. Você pintou a porta dos fundos? Josh, eu te falei… lembra? Aliás, corte a grama e regue. Incapaz de se opor às ordens de sua mãe, Josh se moveu freneticamente pela casa, fazendo exatamente como ela mandou. Verifiquei se a tinta que havia pintado no dia anterior estava completamente seca, cortei a grama e a reguei, peguei a tapeçaria que minha mãe guardara e a limpei do pó.
Depois de tirá-la, pendurei-a na parede. Não me esqueci de brincar com Pete, que acabara de acordar.
—O que eu vou vestir? Eu deveria ter ido às compras ontem. É a primeira vez que nos encontramos, o que eu faço agora? Josh, eu separei minhas roupas do armário, dá uma olhada. Qual conjunto ficaria bom?
—Você fica bonita com qualquer coisa que vestir.
Josh falou do fundo do coração, mas não adiantou.
—Josh, sobe.
Por uma ordem firme, Josh foi obrigado a subir ao segundo andar, para o quarto de sua mãe. Havia três conjuntos de roupas sobre a cama. Peguei um, pensando que ela costumava gostar de azul, e um vestido amarelo ao lado parecia bom.
“Este lado é mais brilhante?”
Pensei por um tempo, mas foi impossível decidir. Pensou em pedir para Emma escolher, coçou a cabeça e, por fim, desistiu e enviou uma mensagem, uma por uma, com fotos das roupas. Após alguns minutos de nervosismo, a resposta esperada não demorou a chegar.
[Verde.]
Uma única palavra foi o fim da mensagem de Emma. Josh franziu a testa e olhou para o conjunto de duas peças que havia deixado de lado. Quando desci com as roupas, minha mãe, que estava organizando freneticamente a sala, levantou a cabeça e seus olhos brilharam.
—Oh, era exatamente o que eu estava pensando. Devo usar isso hoje. Obrigada, Josh.
A mãe deu um beijo feliz em sua bochecha, pegou as roupas e voltou para o quarto. Josh apertou sua mão vazia com estranheza. Encolheu os ombros depois de se espreguiçar.
—Espere um pouco, Pete.
Josh ligou a televisão, pedindo a Pete que se desculpasse por brincar com o controle remoto. Estava pensando em assistir a uma perseguição na estrada, mas mudou de canal e se deparou com uma reportagem inesperada.
[Chase Miller agrediu os paparazzi novamente]
Josh pausou diante das palavras do apresentador, que fluíam rapidamente de sua boca. O apresentador continuou conversando com o convidado na tela, que havia parado.
[Com o filme de Chase Miller prestes a estrear, esse escândalo não será bom. Isso afetará o sucesso de bilheteria?]
[Depende da gravidade. A crítica respondeu muito bem. A propósito, os paparazzi estão obcecados por ele? Chase Miller… você acha que ele está deixando para trás todas as outras estrelas do cinema? O que há com ele?]
O convidado escolheu deliberadamente palavras provocativas enquanto falava alto. Continuaram listando um a um o quão brutal havia sido o tratamento de Chase Miller com os paparazzi e seguiram com a conversa sem respostas, incluindo até que ponto as estrelas revelariam sua vida pessoal e se apenas olhariam feio para os paparazzi. Quanto ao olhar de Josh, não havia motivo para ficar nervoso. Se Pete não estivesse brincando com um carrinho de brinquedo a seus pés, ele teria soltado um palavrão.
“Parem de falar besteira e mostrem a gravação.”
Josh, que mal conseguia conter a raiva com o punho cerrado, se endireitou rapidamente quando finalmente apareceu na tela o que ele esperava.
O início do incidente era completamente desconhecido. A única coisa que se via na tela era um paparazzi apontando uma câmera para Chase, e ele a arrancando, seguido por uma discussão. Até que a câmera que ele tomou se quebrou em pedaços, Chase socou o paparazzi, derrubou-o com um chute e depois o estrangulou.
“Caramba.”
Josh, hipnotizado pela tela, levantou Pete apressadamente em seus braços. O despreocupado Pete rolou o carrinho sobre o ombro de Josh e imitou o som do motor com a boca. Josh acariciou suavemente as costas da criança e pensou, com a mente em branco: “Que diabos foi isso?…”
—Que diabos está acontecendo aqui?
Antes que eu percebesse, minha mãe gritou. Frustrado, Josh tentou rapidamente mudar de canal, mas já era tarde demais. Sua mãe olhou para a tela com uma expressão de choque e continuou:
—Oh, meu Deus!
Enquanto isso, a mesma cena continuava na TV. Josh não passava de um suor frio, incapaz de fazer qualquer coisa. Finalmente, a tela mudou e o apresentador reapareceu.
[Fazia muito tempo que Chase Miller não ficava tão furioso. Doze semanas de tranquilidade, certo? Até que aquele paparazzi cruzou seu caminho.]
O convidado comentou:
[Nunca vi um paparazzi com uma câmera tão grande.]
O convidado parecia compreensivo com a perspectiva do paparazzi, mas o apresentador não.
[A exposição da privacidade não é parte da vida de uma estrela com a qual eles têm que conviver? Acho que Chase Miller exagerou. Só espero que isso não afete seu trabalho.]
Josh logo entendeu por que ele era tão negativo em relação a Chase.
[Embora eu realmente ame o trabalho…]
Isso significava que ele também era fã do Dr. Flame, o papel de Chase. O convidado também falou, como se tivesse percebido algo:
[As habilidades de atuação de Chase Miller… o que mais posso dizer? Também estou ansioso para vê-lo.]
“Ele trabalhou duro nesse filme.”
Mas o apresentador continuou sendo negativo. Então, ele encerrou o assunto com uma expressão infeliz:
[Sua atuação e sua personalidade não são necessariamente proporcionais.]
Sorriu como se estivesse brincando, mas logo passou para o próximo assunto. Qualquer um saberia que ele não estava brincando—a menos que fosse um idiota.
Sua mãe, que até então estava olhando para a tela, balançou a cabeça e disse:
—Por mais que os paparazzi incomodem, isso é assustador. Por que você não mudou de canal para que Pete não visse?
Josh respondeu pela metade:
—Estou segurando ele assim.
Na hora certa, Pete subiu nos braços de Josh e passou o carrinho de brinquedo pelas suas costas. Sua mãe encolheu os ombros ao ver Pete entretido fazendo barulho de motor.
—Bem, tudo bem. De qualquer forma, a mentalidade dos famosos é diferente da nossa.
Sua mãe balançou a cabeça e se surpreendeu ao ver o relógio na parede.
—Já está na hora? Vamos, se prepare. Josh, o que você está fazendo? Vá lavar o rosto e trocar de roupa. Não importa se ele só veio para cumprimentar. Tome um banho e lave o Pete também.
Mamãe esqueceu de comprar suas roupas novas ontem, mas não se esqueceu das roupas novas de Pete. Quando Josh foi para seu quarto, as roupas de Pete estavam arrumadas na cama, já que sua mãe as havia preparado horas antes.
“…Tenho certeza de que tudo vai ficar bem, não preciso me estressar.”
Despiu Pete e entrou no banheiro com ele, sentindo-se desconfortável por dentro. “Minha mãe não está familiarizada com famosos ou celebridades, então é improvável que ela o reconheça.” Consolando-se, Josh banhou Pete rapidamente e depois o vestiu.
“Falta apenas uma hora para Chase chegar.”
…
—Ei, por que você está tão inquieto? Está tudo bem.
Sua mãe, que estava servindo os pratos que havia preparado antes, franziu a testa e questionou Josh. Ele apenas sorriu sem jeito e não teve mais nada a dizer. O tempo passava. A hora de Chase aparecer também se aproximava.
De repente, ouvi o som de um carro se aproximando. Quando olhei pela janela da sala, vi um carro familiar parando em frente à casa, reduzindo a velocidade. Era Emma.
—Nossa, o que aconteceu aqui?
Os olhos de Emma se arregalaram assim que ela entrou na sala. Ela havia pedido uma licença especial hoje para sair mais cedo do trabalho e conhecer o noivo de Josh. Vestida de forma estranhamente elegante, ela se aproximou de Josh e sussurrou:
—É Chanel.
Josh, que achava que não precisava dar tanta importância, lembrou-se tarde demais que o conjunto de duas peças que escolhera para sua mãe também tinha o mesmo logotipo. Além disso, ela estava com o cabelo loiro até os ombros.
Ela declarou com confiança:
—Toda mulher deveria ter pelo menos um Chanel. Para situações como essa.
—Que horas são? A que horas ele vem?
Sem entender muito bem as perguntas, Josh voltou a si de repente.
—Ah, certo, primeiras impressões são importantes.
Pouco depois, cruzou os braços e falou consigo mesmo, num tom desafiador:
—Vou dar uma boa olhada nas belezas que tenho em casa hoje.
Emma, que sempre ouvira de Josh que era “abóbora” ou “feia”, parecia extremamente confiante desta vez. Um dia, ela havia ficado realmente brava com Josh por causa das brincadeiras, mas ele foi o primeiro e o último a dizer: “Ninguém acha as pessoas do próprio sangue bonitas.”
Era verdade, mas Emma guardara aquilo no fundo da mente. Ela sabia que ainda não podia dizer que seu irmão era bonito, já que ainda não entendia a situação. Por isso se sentia tão exausta quando pensava nesse tipo de coisa.
“Agora que paro pra pensar…”
—Como estão as coisas na empresa, Emma?
Diante da pergunta de Josh, Emma se desarmou brevemente e virou-se para reclamar:
—Tem um cara novo que é um completo desastre. Continua errando mesmo depois que eu ensino, e ainda zomba do que peço pra ele fazer… Ele tá tentando me irritar ou o quê? Ele é bom em tudo, então, por mais que eu me irrite, ninguém concorda comigo. Pensei que ele poderia errar por ser humano, mas por que só faz errado quando eu peço?
Josh, olhando fixamente para a irmã irritada, abriu a boca:
—Como ele é?
—Parece um gorila.
Josh lamentou internamente a avaliação dura resumida em uma palavra. “Ela realmente não percebe…”
—Emma, acho que…
Exatamente quando Josh ia falar, outro barulho de motor veio de fora. Desta vez, eram vários, não apenas um.
—Já chegou?
Perguntou minha mãe, animada, saindo da sala depois de arrumar suas roupas. Josh olhou pela janela. A fila de sedãs pretos alinhados deixava óbvio. Emma piscou, surpresa:
—O quê? Josh, quantos noivos você tem? Por que tem tantos carros?
—Um.
Josh respondeu rapidamente, envergonhado. Emma ainda não conseguia desviar os olhos dos carros e perguntou:
—Por que tanta gente? Ele tem muita família?
—Não, não é isso.
Não consegui dizer mais nada para evitar o assunto. “É porque Chase está prestes a sair do carro.”
—Hmm, ali.
Josh, tossindo sem motivo, estava prestes a quebrar o silêncio quando sua mãe mudou de assunto de repente:
—Esses carros me lembram a reportagem que vi antes. Que tipo de ator atropelaria um cara na rua? Até na TV me deu medo.
Josh sentiu-se envergonhado, mas Emma respondeu com amargura, como se já soubesse:
—Ah, Chase Miller? É um lixo.
—Emma! — Josh gritou sem pensar.
Sua mãe e Emma viraram-se para ele ao mesmo tempo. Josh piscou, fingindo não entender, sem saber o que dizer no momento.
—Não, o Pete está ouvindo.
Usando uma desculpa fraca, sua mãe concordou, completamente alheia aos seus pensamentos.
—Sim, Emma. Tem que tomar cuidado com o que fala perto do Pete.
E então acrescentou algo que Josh não queria ouvir:
—E se o Pete crescer violento como aquele ator?
—Bom, Chase Miller xinga toda vez que abre a boca.
Vendo Emma concordar com a cabeça, Josh não teve mais o que dizer.
“Agora só me resta deixar nas mãos do destino.” Justo quando pensava isso, a campainha tocou.
—Ah, chegou.
Disse Emma, afastando-se rapidamente da janela. Sua mãe a seguiu, e Josh, que ficara parado por um momento, também se moveu. A campainha tocou mais uma vez. Emma e sua mãe respiraram fundo e se viraram.
—Bem-vindo!
Sua mãe, abrindo a porta com um sorriso afetuoso, dirigiu-se a um homem forte de óculos escuros:
—Prazer em conhecê-lo, sou Jacqueline. Estava ansiosa para te conhecer.
Ela estendeu a mão, mas o homem não a pegou. Josh o reconheceu: era o chefe da segurança de Chase. Ele hesitou ao ver Josh atrás da mãe, mas logo falou com um rosto frio e sem emoção:
—Esta é a casa do Sr. Bailey?
—… Sim, é.
Sua mãe, retirando a mão com uma expressão tímida, achou estranho.
Josh olhou para trás do segurança, esperando que Chase aparecesse. Vários outros homens surgiram, e logo a frente da casa estava cheia de homens de terno preto.
—Que azar. — Emma murmurou para si mesma, ao lado de Josh. — Já vi muito disso. Quando o CEO da nossa empresa se move, é sempre assim.
Josh engoliu seco sem perceber. Ao ouvir o som, Emma olhou para ele imediatamente:
—Com quem diabos você está saindo, Josh?
Quando ela perguntou, desconfiada, ele finalmente apareceu.
—Hã?
Emma soltou um grunhido estranho ao ver o homem sair do sedã. Era uma palavra curta, mas carregava vergonha, dúvida, ansiedade, nervosismo e todo tipo de sentimento ruim.
Todos os seus sentimentos se misturaram naquela única exclamação. Depois de lançar um olhar desesperado a Josh, ela voltou a encarar a porta.
“De jeito nenhum!”
O homem se dirigiu à casa com um enorme buquê de flores nas mãos. Um loiro deslumbrante, que combinava perfeitamente com as rosas coloridas, usava óculos escuros e tinha uma marca visível em uma das orelhas.
Emma alternava entre Josh e ele com um olhar de incredulidade. Sua mãe também piscou, confusa, e apenas observou sua aproximação. Subindo os degraus da entrada e deixando para trás os homens de terno, ele logo parou diante deles na varanda.
—Oi, prazer em conhecê-las.
Tirando os óculos escuros, ele sorriu alegremente e entregou o buquê à mãe de Josh. Seus olhos roxos brilhavam intensamente.
—Sou Chase Miller.
Naquele momento, Emma e sua mãe sequer lembraram de respirar.
…
O bairro residencial estava tranquilo. Nada mudava muito, nem mesmo a situação em que cerca de dez homens de terno preto permaneciam firmes em frente a uma única casa sob a luz do sol fraco. Em uma tarde em que até o ar parecia vagar calmamente, minutos depois todos estavam sentados ao redor da mesa.
—…
—…
Houve um silêncio que não era diferente do habitual. No entanto, parecia incomum pela presença de um estranho entre eles. O silêncio pacífico que sempre se sentia agora era insuportável.
O plano de sua mãe era simples: cumprimentariam brevemente, comeriam, tomariam chá e conversariam um pouco antes dele ir embora. Depois, o resto da família compartilharia uma avaliação sobre o noivo de Josh. Era só isso.
Ela tentou cumprimentar Chase primeiro para que as coisas seguissem como planejado. Mas, mesmo sorrindo alegremente, não conseguia parar de pensar em uma cena que se repetia em sua mente:
“Na notícia sobre Chase… no paparazzi que foi espancado até quase morrer.”
“—Ele é um lixo.” Emma lembrou do que dissera à mãe, e sua mãe também se recordou das palavras dela. Até Josh pensava o mesmo naquele momento.
Sua mãe lutou para parar de pensar nisso e aliviar a situação de alguma forma. Cumprimentou Chase com um sorriso forçado e o guiou para dentro da casa, até a mesa onde a comida estava preparada. E agora, todos sentados ali, estavam em um silêncio mortal.
O único indiferente era Chase. Pegou a salada de batatas da tigela que a mãe de Josh lhe passou e a entregou a Josh, que estava ao seu lado. Josh repetiu silenciosamente o gesto e passou para Emma. Depois, alguns outros pratos circularam pela mesa antes de voltarem ao seu lugar.
Por um tempo, só se ouvia o barulho dos talheres entre eles, e ninguém falava. Até Pete, que normalmente era barulhento e chamava atenção, ficou quieto ao lado de Josh, apenas olhando. A diferença era que ele observava de soslaio, mas não tirava os olhos de Chase nem por um segundo.
—Hmmm.
Como se finalmente tivesse se decidido, sua mãe abriu a boca após uma breve tosse.
—Bem, ouvi dizer que você é ator, certo?
—Sim.
Chase respondeu com um tom suave.
—Atuo desde criança. Não sei se conhece…
Quando Chase mencionou o nome do produto, os olhos da mãe de Josh se arregalaram.
—Aquele comercial de chocolate!
—Isso.
Chase confirmou com a cabeça.
—Era eu.
A mãe de Josh gaguejou rapidamente, com um olhar confuso.
—Oh, mas… aquilo era uma garota.
Chase sorriu para a mãe de Josh, que tentava sobrepor o rosto do homem bonito à sua frente com o da encantadora garota do comercial.
—Já me vesti de mulher algumas vezes. Tem uma cena assim nesse filme também.
—Você filmou outro comercial de chocolate?
—Hahahaha!
Chase riu alto com a pergunta da mãe de Josh. Era a primeira vez que eles viam uma risada daquelas em seu rosto. Sua mãe, Emma e até Josh o encararam, surpresos. Chase continuou, ainda sorrindo:
—Não, não é isso. Mas tem uma cena em que meu personagem se veste de mulher. Só que são cenas em que eu fico quase sempre sentado por causa da minha altura…
Falou baixinho e acrescentou:
—Se não se importarem, gostariam de assistir ao filme juntos no pré-lançamento?
—Como? Com certeza os ingressos já estão esgotados.
Quando Josh perguntou, confuso, Chase virou-se, olhou para ele e respondeu:
—Tenho um cinema em casa. Seria ótimo se Pete viesse com a gente.
Josh lembrou-se tarde demais e então concordou. Além da casa principal de Chase, a mansão tinha vários outros prédios, um dos quais era uma sala de cinema. Ele nunca a viu sendo usada, mas costumava entrar para inspecionar o equipamento de última geração, as telas enormes, e sempre se admirava quando estava lá.
—Faz tanto tempo que não vou ao cinema. Como se consegue ingresso hoje em dia? Dá para comprar na internet? — perguntou sua mãe, curiosa.
Josh ia prometer que levaria sua mãe ao cinema na próxima vez, mas Chase falou primeiro:
—Temos uma bilheteria como a de qualquer cinema, então venham aproveitar.
—Você tem uma coisa dessas em casa? Nossa.
Emma, que tinha comentado sem querer, rapidamente se calou. Chase sorriu e acenou com a cabeça.
—Fiz o mais parecido possível com um cinema de verdade. Dá para comprar ingresso na bilheteria e tem tudo que um cinema tem, então não será muito diferente. Talvez até coloque alguém na cabine pra criar um clima mais teatral.
Josh, que imaginara aquele dia, de repente se viu encarando os olhos de Chase.
Até ele, que achava já ter visto o suficiente daquele rosto, ficou hipnotizado pelo sorriso de Chase. Sem falar em sua mãe, até Pete parou com o garfo no ar, prestes a espetar a panqueca que segurava, e ficou olhando para Chase.
Emma foi a única que não caiu no charme.
…
Após uma refeição cordial, a mãe de Josh o chamou e disse para ele mostrar a casa para Chase. Enquanto isso, ela iria fazer café e preparar um lanche. Com a desculpa de ajudar a mãe, Emma se esquivou. Diferente da primeira vez que viu Chase, a mãe de Josh agora estava cantarolando.
—Os biscoitos já devem ter esfriado, coloque-os em um prato.
Emma, que levava os biscoitos recém-assados em uma bandeja seguindo as instruções da mãe, fingiu não ouvir.
—Ele é famoso pelo mau humor, mas não sei por que está sendo tão gentil hoje.
Murmurou para si mesma, mas é claro que falou alto o suficiente para a mãe escutar. Sua mãe, percebendo suas intenções, respondeu como se não soubesse.
—Tudo depende da outra pessoa. Seu pai, na verdade, não era tão bom assim.
—Não pode ser! Mentira!
Emma deu um pulo, e sua mãe, ao contrário, arregalou os olhos e ficou séria.
—Te digo que só descobri muito depois de me casar com ele. Ele tinha sido tão bom comigo que achei que era assim com todo mundo.
Emma ficou pasma e fez uma careta.
—Eu ouvi que você também viu. Aquele homem quase matou um paparazzi na porrada! Droga!
Emma, acusando Chase com severidade e reforçando os fatos passados, estava muito exaltada. Logo sua mãe sorriu e lhe dirigiu um olhar suave.
—Deve haver um motivo. Os paparazzi também causam muitos problemas. Por que não se limitam a fotografar as pessoas só em eventos? Existe uma coisa chamada privacidade.
—Mãe!
Emma gritou novamente, perplexa, mas sua mãe logo mudou de assunto como se tivesse perdido o interesse.
—Se estiver pronta, vamos lá embaixo. Está na hora do Josh descer. Esqueci de dizer para ele mostrar o álbum, mas com certeza ele fez isso sozinho, né?
Emma apenas soltou um suspiro exasperado ao ver sua mãe olhando para as escadas e murmurando sozinha.
…
Entrando pela porta do quarto no final do corredor, Josh disse:
—Este é o quarto do Pete.
Chase entrou cuidadosamente pela porta escancarada. Pete, que até então estava nos ombros de Josh, começou a agitar seu corpinho como de costume, sentindo-se seguro ao entrar em seu próprio espaço.
—Senta aqui.
Josh ofereceu a Chase uma cadeira ao lado da cama e começou a vasculhar uma gaveta no quarto de Pete. Logo tirou um álbum de fotos.
—Esta é uma foto do Pete recém-nascido. Ainda no hospital.
Explicou uma por uma, entregando as fotos. Quando segurou Pete pela primeira vez, quando foram ao parque juntos, quando Pete começou a engatinhar – todas as memórias estavam ali. Chase ouviu Josh explicar cada foto e observou atentamente, quase sem respirar, como se temesse perder uma única palavra.
—Jason.
Pete, sentado nos ombros de Josh e também olhando as fotos, de repente apontou para uma. Era uma foto dele, menor do que agora, segurando seu amado bichinho de pelúcia. Josh fez uma pausa e respondeu:
—Sim.
—É o Jason.
Pete ficou em silêncio por um tempo, sem levantar os olhos. A simples maneira como o menino olhava para a foto fez o coração de Chase pesar. Josh encolheu os ombros, como se soubesse o que Chase estava sentindo.
—Não é sua culpa.
Pouco depois, entregou o álbum. Pete hesitou, mas não reclamou. Josh continuou:
—Podemos comprar um bichinho de pelúcia novo da próxima vez. Ah, esqueci… devíamos pegar um de tigre desta vez?
Josh puxou o corpinho de Pete para perto, deu um beijo em sua bochecha e perguntou. Pete respondeu, ainda com os olhos fixos no álbum:
—Não. Eu gosto de cachorros.
—…
—Pete gosta de cachorros.
O menino enfatizou mais uma vez, mas nem Josh nem Chase conseguiram responder.
—Hmmm.
Josh tossiu levemente após alguns segundos de silêncio.
—Pete, preciso falar com você sobre algo. É muito importante.
—Hã?
Pete logo direcionou sua atenção para o rosto de Josh. Ele o levantou e o colocou no chão. Chase tinha uma vaga ideia do que Josh ia dizer, mas não se apressou a julgar. Em vez de falar, ficou quieto, esperando as palavras de Josh.
Josh olhou nos olhos de Pete e começou:
—Pete, você já conheceu esse cara antes, né? Lembra?
Enquanto Josh falava com cuidado, Pete virou a cabeça. O olhar nervoso de Chase encontrou o do menino. Chase percebeu que sua expressão havia congelado por um instante, mas já era tarde. Pete se assustou e, de repente, pulou nos braços de Josh.
—Tá tudo bem — Josh disse rapidamente, antes que Chase pensasse algo errado. — É porque ele gosta de você.
Josh repetiu o que dissera no dia em que conheceu Pete. Mesmo naquela época, Pete ficara grudado em Josh, evitando Chase. “Claro que Josh conhece Pete melhor do que ninguém, mas… Será que ele realmente gosta de mim?” Chase perdeu a confiança naquele momento enquanto pensava.
Vendo a decepção estampada no rosto de Chase, Josh voltou sua atenção para o menino.
—Pete, você o conheceu antes. Não lembra? Ele salvou sua vida.
Josh decidiu jogar sua última carta.
—No dia que eu perdi o Jason.
Pete reagiu pela primeira vez. Ele ergueu a cabeça nos braços de Josh e piscou.
—Sim. — Josh assentiu. —É ele, Pete. O herói que salvou sua vida.
Chase ficou envergonhado com o termo “herói” e tossiu sem motivo. O menino olhou para Chase novamente, confuso. Depois de piscar algumas vezes, voltou os olhos para Josh e, de repente, falou:
—Você tá mentindo.
—Não tô mentindo.
—Tá sim. O cabelo dele é diferente.
Só então Josh percebeu por que Pete estava tão tímido. Chase havia tingido o cabelo de preto durante as filmagens, mas agora estava loiro de novo. O menino ficou confuso e não o reconheceu.
Por um momento, Chase e Josh ficaram sem palavras. Não sabiam como convencer Pete. Não tinham ideia do que dizer diante daquela observação inesperada. Agora precisavam derrubar a barreira e começar de novo.
—… Eu devia ter continuado tingindo o cabelo.
—Não. Eu gosto do seu cabelo loiro.
Josh negou imediatamente. Chase sorriu amargamente, mas seus olhos voltaram para Pete. Josh refletiu sobre como resolver a situação. “Não acho que consiga convencê-lo de que Chase é o herói daquele dia, mas claramente Pete sente algo por ele.” Josh sabia disso melhor do que ninguém. Afinal, essa reação era uma prova. Pete agira da mesma forma quando conhecera Chase no parque de diversões.
“É isso.”
Josh, depois de pensar um pouco, afastou Pete de seus braços. Segurando o menino, que tentava abraçá-lo de novo, ele perguntou, olhando em seus olhos:
—Pete, seja sincero comigo. Você gosta do Chase, né?
—…?
—Aquele cara ali.
Josh fez um pequeno gesto com o queixo, e Pete virou a cabeça. Seus olhos se encontraram novamente, e, de repente, Pete começou a se debater.
—Ugh, ughh!
—Tá bom, tá bom.
Dessa vez, ficou claro. Josh abraçou Pete e disse a Chase:
—É porque você é bonito.
—Hã?
Josh completou, sério, para Chase, que estava atônito:
—Ele sempre faz isso quando conhece alguém de quem gosta. Já aconteceu várias vezes, pode acreditar.
Josh, reforçando o ponto, perguntou novamente a Pete:
—Tô certo, Pete? Fala a verdade.
—…
—Ughhh.
O menino virou o rosto e olhou para Chase. Por algum motivo, seu rostinho estava corado.
—…Bonito.
Depois de um longo silêncio, Pete murmurou e enterrou o rosto no ombro de Josh. Josh olhou para Chase com uma expressão de “Viu só?” Chase ainda perguntou, meio desconfiado:
—Isso significa que ele gosta de mim?
Josh, em vez de responder, direcionou a pergunta a Pete:
—Pete, você tem que responder.
—…
—…
Só quando Josh chamou seu nome novamente é que Pete reagiu. Mas nem Josh nem Chase conseguiram ver direito. Logo, porém, viram uma cabecinha pequena acenando. Só então Chase soltou um suspiro aliviado. Josh sorriu para Chase como se dissesse “Viu?” e acariciou a cabeça redonda do menino. Chase apenas os observou, sem dizer nada.
Vendo o olhar amargo e cansado de Chase, Josh levantou os olhos, pensativo.
—Chase…
Justo quando ia tocar no assunto, ouviu-se um barulho na porta, que se abriu. Emma olhou rapidamente pelo quarto e fixou os olhos em Josh.
—O que vocês tão fazendo? Desce, é hora do chá.
Josh se levantou com Pete no colo, e Chase também se ergueu. Na sala, sua mãe os viu descendo as escadas e exclamou:
—Meu Deus!
—Que cena linda. Né, Emma?
Josh apenas sorriu, envergonhado. Embora não pudesse ver a expressão de Chase. Emma, que apareceu logo depois, respondeu despreocupadamente, passando por Chase e Josh e sentando-se:
—Bom, os três não fazem feio juntos.
—Devia ter tirado uma foto.
Sua mãe falou com pesar. Josh, segurando Pete, seguido por Chase, dirigiu-se à mãe, que os esperava.
—O Pete é tão fofo, né?
Com os olhos no menino, continuou, carinhoso:
—Vocês não têm ideia do que eu sinto por ele. Tão adorável, com um coração tão bonito… O Josh viaja muito a trabalho, então não pode vê-lo sempre, mas ele é tão paciente.
Acariciando Pete, murmurou para si mesma:
—Queria ter visto o Pete crescer.
—…Sim — Chase respondeu, após uma pausa. — Queria ter visto também.
Todos olharam para ele ao ouvir aquilo. Chase só tinha olhos para o menino. Como se quisesse tocá-lo, deu um leve toque na perna de Pete, mas não o pegou no colo. Até Emma sentiu um pouco de pena ao ver. A mãe de Josh se recompondo rapidamente, tomou um gole de café e quebrou o silêncio:
—Como você conheceu o Josh? Ficamos tão surpresos quando ele disse de repente que o pai do Pete viria nos visitar.
—É — Emma concordou, olhando para a mãe. — E eu nunca imaginei que você seria o parceiro dele.
Falou com sarcasmo, mas ninguém ligou. A mãe de Josh sorriu, esperando a resposta de Chase. Foi Josh quem respondeu:
—Já te disse que nos conhecemos quando eu era o segurança dele.
—Espera, por que não deixou ele responder?
—Eu ia dizer a mesma coisa.
Chase o ajudou, e a mãe disse: — Entendi.
“Que conversa mais idiota…”
Emma olhou para os três com uma expressão irritada, mas ficou quieta. A mãe continuou:
—Então, o que aconteceu? Se apaixonou pelo Josh à primeira vista e depois se reencontraram?
Seus olhos brilharam, esperando uma história romântica. Mas Chase negou:
—No começo, eu nem lembrava dele.
Outro silêncio constrangedor.
Josh pensou que Chase tinha sido desnecessariamente honesto. “Talvez seja falta de habilidade social.” De qualquer forma, não dava mais para voltar atrás, então Josh complementou:
—Mas você me reconheceu depois, né? Quer dizer, eu lembro.
Chase pensou um pouco e concordou:
—Foi memorável porque você era bonito demais para um segurança.
—Ah, é claro.
A mãe de Josh sorriu, satisfeita, e continuou:
—O Josh é igual ao pai dele. Nos apaixonamos à primeira vista. Almas gêmeas se reconhecem, né?
Alternou o olhar entre os dois, afetuosa.
—É. Nos reconhecemos, mas o timing não era o certo. Ainda assim, acabamos juntos.
—Final feliz — Emma comentou, sem emoção.
Ainda não gostava da frieza de Chase. “A fraqueza do Josh e do Pete vem da mãe.” Pensou, olhando para eles.
—Teve muito barulho por aí, né? Tipo aquele incidente com os paparazzi.
—Ei.
—Emma.
Mãe e Josh a repreenderam ao mesmo tempo, mas a expressão de Chase não mudou muito. Emma ergueu o queixo, desafiante, mas Chase estava pensando em algo completamente diferente do que ela esperava.
Lembrando do mal-entendido entre Emma e Josh, as palavras dele sumiram. Era compreensível que Josh ficasse frustrado. “Eles realmente se parecem.”
Segundo a mãe, os genes do pai estavam mais fortes em Emma e Pete. Chase ficou impressionado com a semelhança. E o mais incrível era que, mesmo assim, seu coração acelerava só de olhar para Josh.
—Os paparazzi…
Chase finalmente falou, encarando o olhar furioso de Emma. Todos prestaram atenção.
—Aquele cara me perseguia há tempos. Já tinha avisado várias vezes, mas ele ignorou. Era um dia importante para mim, então eu estava sensível. Não aguentei ele apertando o obturador na minha cara. Pedi para ele sair, mas ele provocou até eu bater.
—E eu fiz o que ele queria — concluiu.
A mãe cobriu a boca, surpresa.
—Ah, entendi.
Assentiu, compreensiva.
—Violência é errado, mas às vezes tem circunstâncias. A mídia nunca mostra os dois lados.
Emma não disse mais nada, apenas tomou seu café frio. Depois de mais alguns comentários sobre como a mídia era tendenciosa, o assunto mudou. Algumas conversas aleatórias depois, Josh se levantou para levar Pete, que adormecera.
—Quer vir comigo?
Perguntou a Chase, que se levantou na hora. Josh segurou Pete com um braço e estendeu a mão livre para Chase. A mãe os viu de mãos dadas, subindo as escadas, e suspirou, feliz.
Quando ficaram sozinhas, ela disse, satisfeita:
—Tô tão feliz que o Josh encontrou alguém legal. E o pai do Pete é ótimo. Né?
—Mãe, só você acha. Lá fora, todo mundo diz que ele é um lixo.
Emma foi direta. A mãe arregalou os olhos.
—Que horror, Emma. Um homem tão bom…
Emma teve vontade de listar todas as atrocidades e grosserias públicas de Chase, mas seria cansativo. Cansada só de pensar, resumiu:
—Ter boa aparência não faz dele uma boa pessoa, mãe.
Emma apontou, e a mãe balançou a cabeça:
—Ah, Emma…
—O rosto é o espelho da alma.
…
Colocando Pete com cuidado no berço, Josh esticou as costas depois de se certificar de que ele estava profundamente adormecido. Ao olhar para o lado, viu Chase atravessando o quarto e observando Pete. Mesmo com a criança dormindo, ele não ousava tocar em sua mãozinha. Era óbvio que temia ser rejeitado.
—Chase.
Josh falou suavemente. Chase voltou seu olhar após alguns segundos de silêncio. Josh sugeriu, quando percebeu que ele mal conseguia desviar os olhos de Pete:
—Você gostaria de passar um dia sozinho com o Pete?
—…O quê?
Chase parecia assustado e atordoado. Josh continuou:
—Perdi a chance de falar sobre isso antes, mas é melhor passar tempo juntos para se aproximarem, não é? Assim o Pete vai naturalmente entender que você é seu pai.
—…Achei que ele tivesse lembrado do meu rosto desde a última vez, mas voltamos à estaca zero. Se eu tingir o cabelo de novo…
—Isso não vai acontecer.
Josh foi categórico. Quando Chase calou-se, Josh suavizou o tom e acrescentou:
—De qualquer forma, você não pode tingir o cabelo pelo resto da vida. Na próxima filmagem, talvez precise de outra cor. Nem sabemos se vão pedir para você mudar de novo. Então o Pete precisa se acostumar com isso.
Josh falou com determinação, mas considerando como Pete continuava se escondendo, Chase não conseguia evitar a impaciência.
—…Queria que ele tivesse se lembrado.
Chase olhou para Pete e murmurou.
—Se eu tivesse me lembrado daquele dia desde o início…
Chase poderia ter estado ao lado de Josh desde que ele engravidou de Pete. Poderia ter visto tudo no álbum com seus próprios olhos. Teria corrido para abraçá-lo quando estava sofrendo com a gravidez, quando entrou na sala de cirurgia, quando o bebê chorava de madrugada. Então…
“Se fosse assim, Pete não estaria evitando meu olhar agora.”
A expressão de Chase ao olhar para Pete era devastadora. Josh conseguia entender perfeitamente o que ele pensava sem precisar ouvir as palavras. Por isso, sentiu a culpa inundando seu ser. “Porque fui eu quem roubou essa oportunidade de Chase. Embora tivesse medo da reação dele, também nunca poderia ter imaginado que tudo isso aconteceria.”
—Tá tudo bem, Chase.
Josh quebrou o silêncio.
—Não é tarde para começar. O Pete vai se acostumar com você logo.
Acariciou o rosto de Chase com ternura.
—Você vai ser um bom pai.
Chase não disse nada. Apenas pegou a mão de Josh e beijou sua palma. Mas isso foi o suficiente para Josh. Depois de guiá-lo em silêncio, Josh saiu do quarto e fez uma pergunta que lhe veio à mente:
—Quão grave foi aquilo no outro dia?
—O quê?
Chase piscou como se não entendesse. Josh esclareceu:
—No dia que você brigou com os paparazzi. Pensando agora, você foi processado? Disseram que os machucou bastante.
—Meu advogado está cuidando disso.
“Imagino que sim.”
Josh perguntou novamente após uma pausa:
—Que dia foi?
Não conseguia evitar se perguntar por que Chase estivera tão sensível naquele dia. Chase, olhando para Josh, respondeu:
—É segredo.
Com um piscar de olhos e um sorriso, Chase desceu as escadas primeiro. Josh, deixado para trás, fez uma careta e abriu as mãos, mas Chase não disse mais nada.
Parado no pé da escada, Chase parou de repente e olhou para cima. “Achei que você ia me contar, mas me enganei.” Chase olhou para Josh e perguntou:
—Quando posso passar um tempo com o Pete?
Josh percebeu a tensão de Chase, mesmo que ele fingisse estar bem. Sabendo que não conseguiria mais respostas, Josh desistiu.
—Bem, sua agenda é prioridade. Você não está mais ocupado que o Pete?
Chase insistiu quando Josh descia as escadas:
—O Pete não tem horário?
—O quê?
Vendo o brilho nos olhos roxos de Chase, Josh respondeu brincando:
—Se eu marcar uma data, você não vai adiar?
—Ah, qual é!
Josh riu diante da resposta de Chase, que soltou um suspiro longo.
Chase também sorriu e inclinou a cabeça. Josh fechou os olhos e aceitou seu beijo. Chase encostou-se na parede e Josh encostou-se nele. Naquele cantinho escondido embaixo das escadas, os dois trocaram vários beijos secretos. O som do vento balançando as árvores do lado de fora chegava suavemente pela porta aberta da cozinha.
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Continua
☾ Tradução, revisão e Raws: Belladonna