Kiss Me If You Can (Novel) - Capítulo 52
Side Story 1 – Capítulo 13
Quando a porta se fechou atrás dele, os feromônios que se espalhavam por todo o quarto cobriram completamente o corpo de Josh.
— … cof cof cof
Teve um acesso de tosse repentino, sufocando. Depois de tossir algumas vezes, Josh finalmente recuperou o fôlego. Mesmo assim, os feromônios que já havia inalado foram suficientes para causar estragos em sua mente. Os feromônios, que o perturbavam desde que entrara na mansão, pareciam tê-lo levado ao limite. Josh fechou os olhos sem ter outra opção, já que não conseguia respirar fundo nem parar de respirar.
“Tomei o remédio?”
Josh lembrou que havia tomado sua medicação assim que entrara na mansão. No entanto, o feromônio do alfa extremo era mais forte do que ele esperava. Além disso, a marca forçou Josh a ficar ainda mais sensível aos feromônios de Chase. Mesmo se tomasse todo o remédio, haveria um limite para quanto tempo ele aguentaria. Naquele momento, Josh se sentiu encurralado.
Para tentar recuperar a consciência turva, olhou lentamente ao redor do quarto, forçando-se a organizar os pensamentos. Assim como o resto da mansão, o quarto de Chase era extremamente simples. Olhando para o ambiente onde só havia uma mesa de chá e uma cama, Josh pensou que devia ser porque era uma residência temporária. “O gosto dele é diferente, mas obviamente ninguém se preocuparia com decoração numa situação como esta.”
— Ótimo, muito bom.
Obrigou-se a aguentar o fato de que seus joelhos estavam ficando fracos lentamente. A cama coberta por um lençol fino estava vazia.
“Ele definitivamente está aqui.”
Josh, que cobriu o nariz e a boca com o antebraço, respirou o mais superficialmente possível e correu os olhos pelo quarto. Estava fazendo um esforço considerável para permanecer ali. “Não faz sentido Chase não estar aqui quando o cheiro dos feromônios dele é tão forte.”
“Onde ele está? Onde diabos ele está?”
Como seus movimentos estavam lentos por estar tentando respirar o mínimo possível, foi um esforço enorme vasculhar o quarto. Contendo a irritação e apressou-se a buscá-lo. Deu a volta na cama e verificou atrás da parede, mas estava vazio. Por mais que procurasse, não conseguia encontrá-lo em lugar nenhum.
“Não me diga que…”
Incapaz de suportar a imaginação sombria, Josh gritou:
— Chase!
Sua voz ecoou fracamente no quarto vazio. Josh piscou levemente, envergonhado pelo silêncio profundo. Seu nervosismo multiplicou-se, e finalmente ele tirou o braço que cobria seu nariz e boca e gritou:
— Onde você está, Chase? Me responda!
Nesse momento, um som fraco veio do outro lado do quarto. Josh virou-se por reflexo e dirigiu-se ao banheiro privativo. Caminhou até lá sem hesitar.
“Ah, ahh…”
Sua sanidade havia desaparecido e sua visão estava embaçada. “Se não o encontrar no banheiro, talvez eu não consiga aguentar mais.” Josh forçou-se a pensar no que fazer nesse caso.
“Se ele não estiver aqui também…”
Clink.
Ao abrir a porta do banheiro, Josh sentiu um suor frio percorrer lentamente suas costas. Por um momento, percebeu que havia perdido a consciência, e piscou com força algumas vezes para recuperar a sanidade.
“Sinto seus feromônios.”
Um feromônio ácido, pesado, angustiante, doloroso.
Sua mente havia chegado ao limite, a ponto de ter dificuldade para pensar nas palavras que sairiam de sua boca. O banheiro, tão grande quanto o quarto, estava cheio de um cheiro. Um feromônio várias vezes mais forte que o do quarto atingiu-o imediatamente.
E, com um olhar delirante, ele o viu.
— …Chase.
Josh murmurou tão baixo quanto um gemido. A cada passo que dava, suas pernas pesavam como se tivesse uma carga enorme amarrada em seus tornozelos. Entre o desejo de sentar e esfregar o corpo no chão e a ânsia de ver o rosto de Chase, Josh movia-se como uma máquina.
Chase estava caído no chão do banheiro. Era difícil dizer se ele havia desmaiado enquanto tentava se lavar ou se estava fazendo outra coisa. A única coisa que Josh pensou foi que seu corpo nu estava muito mais magro do que antes, questionando-se se ele havia lavado a tintura depois das filmagens, já que longos cabelos loiros cobriam seu rosto fino. Também lhe pareceu que ele poderia estar com frio, deitado sobre os azulejos gelados.
— Chase.
Josh alcançou-o com dificuldade e colocou a mão em seu ombro. O osso saliente era claramente perceptível sob sua palma. A parte de seu cérebro que havia sido atordoada pelos feromônios despertou. Josh apertou a mão e sacudiu o ombro de Chase com força.
— Chase, acorde! Chase!
“O Rut dele chegou.”
Lembrando das palavras de Grayson, Chase levantou lentamente as pálpebras. Os olhos que surgiam sob os cílios loiros eram dourados. Josh ficou imóvel diante daquele olhar deslumbrante. Quando ficou um pouco mais rígido, Chase abriu a boca:
— Josh.
Sua voz rouca mal soou. Chase ergueu-se lentamente, lambendo os lábios secos.
— Josh.
Chase, que pronunciou seu nome novamente, moveu-se para se aproximar de Josh, apoiando-se em um joelho. Levantou lentamente seus dedos finos e tocou a bochecha de seu ômega. O leve tremor parou no ar assim que sentiu sua temperatura quente, e o sorriso em seu rosto alargou-se. Finalmente, ele sussurrou:
— Você veio me matar.
Josh arregalou os olhos. O rosto sorridente de Chase apareceu diante de seu olhar perplexo. Chase sorriu e abraçou Josh com uma expressão de felicidade que ele nunca havia visto antes.
“—Por favor, me mate.”
Lembrando novamente seus desejos desesperados, Chase enterrou o rosto no ombro de Josh. Então suspirou, um grande suspiro de alívio. “Isso é realmente o fim de tudo, finalmente acabou”, disse em um murmúrio.
“Isso é real? Ou ele está drogado com feromônios e dizendo bobagens?” Josh agarrou seu braço, tentando pensar com a mente ainda confusa.
— Chase.
Josh precisou de uma paciência mortal para tentar ajudar Chase e reprimir seu desejo de subir nele. Josh pensou que realmente faria isso se continuasse tão perto de Chase.
— Chase, levante-se — Josh cerrou os dentes e cuspiu as palavras. — Vamos sair, precisamos conversar.
Tentou levantar Chase sozinho, mas lhe faltavam forças. “Já era difícil manter a sanidade, mas é impossível tentar levantar um corpo maior que o meu e fazê-lo andar.” Finalmente, Josh arrastou-o pelo braço, forçou-o a se levantar e o fez rolar pelo chão do banheiro.
— Meu Deus!
Josh parou de se mover ao olhar para o corpo de Chase, lutando para conter os xingamentos. Feridas antigas e recentes misturavam-se com hematomas que cobriam grande parte de seu corpo. “Ele não estava medicado? O que diabos é isso?”
— Chase.
Josh chamou-o pelo nome novamente e tentando perguntar o que estava acontecendo, mas Chase piscou. Até então, seus olhos, que estavam desfocados, tornaram-se roxos novamente e depois dourados outra vez. Mas Josh pôde ver que ele havia recuperado um pouco da consciência. Josh ajoelhou-se imediatamente diante dele e deu leves tapinhas em sua face.
— Chase, você está acordado? Chase.
— … Joshua?
Chase piscou com os olhos bem arregalados e pronunciou seu nome. Seu olhar perdido estabilizou-se por um momento. Abriu a boca novamente, mas demorou alguns segundos para emitir um som.
— Joshua, é você?
— Sim, sou eu.
Josh conteve seus sentimentos e forçou um sorriso. — O que diabos é isso? Você não se lembra que eu estou apaixonado pelo seu rosto bonito?
Claro que era uma piada. Apesar dos cabelos despenteados e das bochechas magras, a mera presença de Chase era mais do que suficiente para tirar o fôlego de Josh. Mas agora era diferente – talvez porque seu olhar perdido, seus longos cílios trêmulos e lábios finos o fizessem parecer terrivelmente miserável. Era como um cantor de ópera cantando sob a chuva para um palco vazio.
Quando Josh mordeu os lábios com uma expressão de pena, Chase disse suavemente: — Desta vez, eu me descuidei.
Com uma voz que deixou Josh ainda mais nervoso do que antes.
—Então, vai me abandonar agora? — Chase perguntou com a voz trêmula
—Você é estúpido, é claro que estou brincando.
Josh o segurou deliberadamente e abraçou seu ombro. Hesitou quando um corpo magro chegou aos seus braços. “O que está acontecendo?”
—O que aconteceu com seu corpo? Chase, quem fez isso?
Perguntou Josh com toda a calma que conseguiu reunir. “Assim que eu encontrar a pessoa culpada por deixar o corpo do Chase nesse estado, não terei piedade.” Chase olhou fixamente para o rosto de Josh com uma expressão gentil e abriu a boca.
—Fui eu.
—O quê?
—Fui eu, eu fiz isso.
Josh ficou mudo de vergonha naquele momento. “Os pensamentos assassinos que tinham invadido minha cabeça desapareceram em um segundo.”
—O quê? Por quê?
—…
—Por que você fez isso? Hein? Chase?
Ele não podia evitar continuar perguntando, embora tomasse cuidado para não o pressionar. Josh queria saber, do fundo do seu coração. “Por que você se machuca tanto?”
—Porque… — Chase murmurou como um gemido. — Não posso tomar remédios, e você não estava aqui.
—…
—Se eu perder a cabeça, se eu enlouquecer… Posso acabar estuprando alguém, e eu não quero, mas já não consigo mais tomar remédios.
—Então… — Josh engoliu em seco e voltou a perguntar. — Foi por isso que você fez isso com você mesmo? Foi por isso que feriu seu corpo?
—…
—Por que você não queria perder a cabeça?
Chase encostou a cabeça nele e assentiu. Josh ficou sem palavras mais uma vez. “Ele aguentou sozinho e chegou até esse ponto… E se eu não tivesse vindo?”
O rosto de Chase, que se aproximava dele enquanto alucinava, voltou ao normal.
“Quando foi a última vez que o vi tão feliz?”
Josh teve uma lembrança borrada do momento em que pediu Chase em casamento. Então, não conseguiu mais se segurar.
—Chase, lembra do que eu disse?
Josh respirou fundo e depois soltou o ar lentamente pela boca. Ainda o abraçando, Josh continuou:
—Enquanto eu cuidar de você, você não pode morrer, certo?
—…
—Eu não vim te matar. Chase, você entende isso?
Chase continuava em silêncio. Seus feromônios e o silêncio do quarto sufocaram Josh rapidamente. Chase, ainda em silêncio, apoiado no corpo de Josh, finalmente confessou:
—Não quero enlouquecer.
Então suplicou, com um soluço: —Oh, por favor… Joshua, eu não quero enlouquecer.
Chase vinha sofrendo, era visível pelo medo em sua expressão. Os pensamentos de Josh se embaralharam. Os medos de Chase, seus temores, o ódio por si mesmo e todos os seus sentimentos caíram sobre eles, transformados num turbilhão de feromônios. “Louco, doce…”
Josh não conseguiu resistir à doçura e soltou uma linguagem carregada.
—…Oh, meu Deus, por que não me ligou antes?
“Você ligou.”
Josh pensou por um momento. “Se ao menos as coisas tivessem sido diferentes, eu poderia ter apoiado o Chase antes. Incentivado ele, abraçado, beijado… Quem dera eu pudesse ter feito isso.”
Mais uma vez, Josh deixou Chase quando ele mais precisava. Pela primeira vez, Josh sentiu ódio de si mesmo misturado com vergonha. “Se eu não tivesse me expressado como ômega, talvez pudesse ter ficado ao lado do Chase esse tempo todo.”
Após um breve arrependimento, Josh balançou a cabeça imediatamente. “Não, não é assim.”
—Chase.
Josh o chamou pelo nome.
—Chase, olhe nos meus olhos.
Forçou Chase a se afastar dele. O olhar úmido de Chase se voltou para ele enquanto Josh segurava seu ombro e olhava seu rosto. Era sempre um rosto lindo, que tirava Josh do eixo. Josh o olhou assim e pensou que era como os marinheiros ao ouvirem o canto das sereias.
—Chase.
Josh falou com uma voz decidida para manter a razão.
—Se não fosse por você, nós não teríamos dormido juntos.
Josh continuou, enfatizando cada palavra:
—Se você não tivesse perdido a consciência por causa do seu RUT, nós não teríamos dormido juntos, Pete não existiria neste mundo, e não teríamos nos reencontrado e nos amado tanto quanto nos amamos agora.
—…
—E se eu não fosse ômega, não teria sido arrastado pelas seus feromônios. E você não teria me marcado. — Josh fez uma pausa de alguns segundos e continuou: — Então, passaríamos e viveríamos nossas vidas inteiras sem nos conhecermos. Não haveria ninguém que te beijasse e dissesse que te ama tantas vezes. Teria sido bom?
—…
—Tudo isso aconteceu porque você é um alfa e eu sou um ômega.
Josh, ao terminar de falar, olhou diretamente nos olhos de Chase e declarou:
—Não me arrependo de nada.
—…
Ainda assim, Chase permaneceu em silêncio. Josh percebeu que era hora de tomar uma decisão. A escolha que restava era extremamente simples. “Vai fazer isso ou não?”
Josh acariciou a orelha de Chase em silêncio. Suas orelhas lisas, sem nenhum defeito, eram infinitamente suaves e perfeitas.
“O que vai acontecer com a gente?”
Josh se perguntou se já havia sentido tanto medo como naquele momento. Quando decidiu dar à luz Pete, ele entrou sozinho na sala de cirurgia, quando Chase entrou na frente do cachorro para salvar Pete.
“Quando ele vomitou sangue na minha frente…”
Cada momento que estava com Chase. Josh já não conseguia imaginar uma vida sem ele. Naquele instante, Josh deu um grande abraço em Chase.
—Chase.
Depois de várias respirações profundas, Josh abriu a boca. Seus ouvidos se encheram com o som da respiração pesada de Chase. Continuou, acreditando que Chase estaria ouvindo sua voz.
—Vou marcar sua orelha.
Josh sentiu um leve movimento de Chase após dizer essas palavras, então inspirou fundo e fechou os olhos.
—Steward disse que, se algo der errado, você ou eu podemos enlouquecer.
Sentiu um leve tremor. Não era necessário confirmar o quanto Chase estava com medo. Josh acrescentou, soltando um leve suspiro:
—Ainda assim, eu quero te marcar.
—…
—Eu prefiro ter uma vida assim com você, do que ficar sozinho o resto da minha vida e morrer sem você.
Ao dizer isso, Josh fechou os olhos. Abrindo lentamente as pálpebras, sussurrou:
—Eu te amo, Chase.
Os tremores de Chase cessaram. Segurando seu corpo rígido, Josh continuou confessando:
—Nunca amei ninguém tanto quanto amo você. Não me importa se é Alfa ou Beta.
Josh fez seu último monólogo. Passou pela sua mente que poderia ser sua última confissão.
—Eu te amo.
Até então, Chase não respondia. Apenas enterrava o rosto no ombro de Josh, rígido. Josh não sabia o quão grande era seu medo e sua angústia. Só esperava que ele respondesse. Após um longo tempo, Chase perguntou:
—…Mesmo se eu ficar velho, você vai continuar comigo?
Chase levantou o rosto. Seu rosto tinha ficado pálido com o passar do tempo. Josh abriu a boca para Chase, que o olhava enquanto seus ombros subiam e desciam com a respiração agitada.
—Quando você ficar velho…
Para Chase, parecia que Josh tinha lhe dito uma vez que ninguém o amaria se sua aparência mudasse com a idade. Olhando para seus olhos trêmulos, Josh sorriu brevemente como se tivesse imaginado algo.
—Você será um vovô muito bonito.
Então, beijou suavemente Chase e sussurrou junto aos seus lábios:
—Eu ainda estarei ansioso para beijar você.
Chase piscou rapidamente. As lágrimas que enchiam seus olhos logo escorreram por suas bochechas. Pouco depois, ele abraçou Josh.
“Ah, ahh.”
A respiração pesada que saía de suas bocas se misturava suavemente. De repente, as palavras do doutor vieram à mente de Josh:
“Não me importo.”
Josh pensou com todo o coração.
“Não me importo nem um pouco.”
Ele envolveu o pescoço de Chase com a mão e o puxou. Depois segurou sua cabeça.
As respirações ainda estavam agitadas. Chase não o deteve nem o afastou. Pelo contrário, se agarrou à sua cintura e o puxou para mais perto. Como se quisesse fazer aquilo logo, Josh inclinou a cabeça e disse, tocando a orelha de Chase com os lábios:
—Agora você não será capaz sentir o cheiro de outro Ômega até eu morra.
“Será que existe desejo, emoção ou excitação tão intensos assim?” Josh pensou, logo sussurrou com uma sensação vertiginosa de prazer, a ponto de doer.
—Até que a morte nos separe, Chase.
Então, mordeu a orelha de Chase com força.
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Continua
☾ Tradução, revisão e Raws: Belladonna