Kiss Me If You Can (Novel) - Capítulo 47
Side Story 1 – Capítulo 8
A atmosfera no hospital estava calma. Josh permanecia de pé junto a outros guarda-costas no corredor, onde vigiavam para que ninguém além do pessoal autorizado entrasse ou saísse. Chase estava no quarto do hospital, com seus chefes de filmagem, Laura e o líder da equipe de segurança. Todos os outros receberam ordens para ficar no corredor.
Chase não chegou a abrir os olhos enquanto era levado ao hospital. Estava completamente inconsciente, e até sua respiração era fraca, fazendo Josh sentir como se ele tivesse morrido. É claro, só de pensar nisso, um calafrio percorreu suas costas. Josh se preparou para fazer massagem cardíaca a qualquer momento e até trouxera um desfibrilador portátil. Enquanto viajava com ele no carro, muitos pensamentos passavam por sua cabeça. Mas o que mais ficou gravado em sua mente foi a imagem do sangue vermelho cobrindo todo o corpo de Chase.
Josh apoiou a cabeça de Chase em sua coxa para evitar que ele se sufocasse caso vomitasse sangue novamente. Ele segurou suavemente e gentilmente sua cabeça com uma mão para que não se mexesse. Felizmente, ele não vomitou mais sangue enquanto estava inconsciente. Agora, o problema era que não abria os olhos em momento algum.
Eles chegaram ao hospital, e Chase foi imediatamente levado para a emergência. Ele continuava sem reagir, mesmo cercado por médicos que faziam todos os tipos de exames. Josh se amaldiçoou internamente enquanto imaginava cenários sombrios, mas seus pensamentos continuavam. A imagem do rosto de Chase coberto de sangue ainda aparecia diante dele. O mesmo acontecia com o sangue vermelho que tingira todo seu corpo.
“Meu Deus, talvez todo o sangue do corpo dele tenha escorrido.”
—Whoo!
Josh levou uma mão à testa após soltar um suspiro e só então percebeu que estava tremendo. “Tudo bem, os médicos vão resolver isso, está tudo bem.” Repetiu as mesmas palavras em sua mente, como um mantra, tentando se acalmar, encorajando-se continuamente. “Está tudo bem porque estamos no hospital. Você vai ficar bem, Chase, logo vai recuperar a consciência.”
“Logo.”
—Josh.
Mark estava olhando para ele quando ergueu os olhos, surpreso com a voz que o chamava. A testa franzida de Mark demonstrava preocupação, e então ele perguntou a Josh, que piscou confuso:
—Você está cansado? Ficou muito assustado?
—O quê? Ah… Não, só um pouco—. Tentou negar, mas gaguejou.
Mark franziu a testa como se não tivesse percebido e disse:
—Não acredito que você tenha reagido assim. Acho que o que aconteceu com o C foi realmente chocante. Laura me contou que algumas pessoas choraram no set. Talvez precisem de tratamento para trauma.
Não é comum as pessoas verem alguém desmaiar depois de vomitar sangue na vida real – elas estão acostumadas a isso só acontecer em filmes. Além disso, o trauma era compreensível, já que ele havia caído sem aviso.
Mas o caso de Josh era diferente. Ele foi soldado antes de se tornar guarda-costas e testemunhou muitas coisas horríveis e desagradáveis. Embora sentisse compaixão pelas pessoas, para Josh era impossível se surpreender ou entrar em pânico caso uma torrente de sangue aparecesse em sua frente. Em qualquer situação, ele estava acostumado a manter a cabeça fria. Mesmo que não se esforçasse para ficar calmo, seu treinamento o ensinara a eliminar emoções e agir rapidamente.
—A propósito…
Josh olhou novamente para suas mãos. À primeira vista, pareciam normais, mas, ao focar, ele notou que tremiam. Quando percebeu, um calafrio percorreu sua coluna.
—Ele ainda está inconsciente?
Em vez de responder, Mark olhou novamente para a porta do quarto do hospital e assentiu.
—Sim, provavelmente. Se algo chegar a acontecer, já saberíamos.
Como ele disse, não havia nenhum barulho do outro lado da porta. Pelo menos, se Chase tivesse acordado, Laura teria chamado os médicos. No entanto, o silêncio significava que ele ainda estava inconsciente.
Então, Josh soltou um suspiro profundo. O tempo passava e passava, sem nenhum sinal de boas notícias. A porta do quarto do hospital permanecia fechada, mergulhada em um silêncio absoluto.
…
A consciência de Chase voltou mais de meio dia depois. Enquanto isso, os guarda-costas dormiam ou descansavam num hotel próximo ao hospital, onde Laura havia reservado quartos para eles. Mas Josh, que foi obrigado a sair do hospital devido à troca de turno, adormeceu rapidamente, só para ser acordado por uma chamada de madrugada. Levantou-se às pressas e dirigiu-se novamente ao hospital.
—Josh.
Laura cumprimentou Josh com o rosto marcado pelo cansaço, como se tivesse sido acordada durante o sono.
—Desculpe chamá-lo a esta hora. O Sr. Miller acordou… Eu disse que você estava de folga, mas ele não me ouviu. Acho que o Sr. Miller depende muito de você.
—Ah, sim. Eu irei agora.
—Está bem.
Envergonhado, Josh respondeu de maneira simples. Mas o que mais importava agora era ver Chase.
Felizmente, Laura parecia ter chegado a uma conclusão ao adivinhar porque Chase procurava por Josh. Era uma grande oportunidade para conversarem a sós na clínica de Steward. Desde então, ela evitava ficar perto deles sem hesitar quando passavam tempo sozinhos ou quando Chase chamava Josh. De qualquer forma, esse mal-entendido era bem-vindo, então Josh não precisou explicar nada.
Às pressas, Laura, que o levou até o quarto do hospital, parou na porta e disse:
—Entrei em contato com Steward, já que só há alguns médicos que podem discutir esses sintomas com ele… Ele disse que viria examiná-lo o mais rápido possível. Mas o Sr. Miller insistiu que queria ver Josh primeiro.
Josh franziu a testa e então levantou a mão sem dizer uma palavra. Depois de bater na porta duas vezes seguidas, Laura apenas o observou em silêncio até que ele a abrisse. Pouco antes da porta se fechar, ela sussurrou suavemente, entrando no quarto:
—Vou me preparar para ir à clínica.
—A esta hora? — Josh surpreendeu-se e perguntou. Já era mais de meia-noite, e embora fosse bom ter um médico conhecido aqui, ele sentiu-se relutante novamente.
Laura respondeu despreocupadamente:
—Steward costuma ficar acordado a noite toda no laboratório. Além do Sr. Miller, ele frequentemente examina outros casos de emergência.
Referia-se a outros alfas extremos.
Josh foi obrigado a assentir e fechar a porta. Antes de se virar, um cheiro doce o saudou. Ao girar a cabeça lentamente, sentindo o aroma dos feromônios que o envolviam docemente, ele encontrou imediatamente uma silhueta magra recostada na cama.
A luz da lua que entrava pela grande janela revelava o rosto pálido de Chase. O coração de Josh afundou por um momento. A imagem dele, todo coberto de sangue, encheu seu campo de visão, se sobrepondo á o que ele estava vendo.
“Alguma vez eu tive tanto medo?”
Josh ficou parado, incapaz de se mover. Naquele momento, sentiu-se mais nervoso do que quando teve que atravessar uma área perigosa cheia de minas. Pela primeira vez, conheceu o medo de perder alguém. Ao mesmo tempo, percebeu o quanto Chase significava para ele.
Josh estava distraído por todos os sentimentos desconhecidos que fervilhavam dentro dele quando Chase, de repente, moveu-se.
—Ah…
As pálpebras frágeis de Chase levantaram-se lentamente, e os olhos ocultos sob elas revelaram-se alguns segundos depois. Seus olhos roxos estavam mais escuros, quase prestes a tornarem-se negros. Josh apenas o observou piscar várias vezes, franzindo a testa para tentar focar a visão.
—Joshua.
Uma voz mais grave do que o habitual saiu de seus lábios secos. O som rouco fez o coração de Josh entorpecer ainda mais. Naquele momento, Josh, que tossiu de surpresa, caminhou lentamente em direção à cama. Chase apenas observou Josh enquanto ele se aproximava.
Josh, que finalmente parou de andar, olhou para o frágil Chase. Não havia sangue – apenas um rosto pálido diante dele. Ele engoliu em seco, sentindo a garganta apertada. Levantou a mão trêmula e tocou suavemente a face de Chase antes de falar baixinho:
—Chase…
—O que você fez com Laura?
“Você está bem?” Estava prestes a perguntar, mas imediatamente suas palavras foram bloqueadas. Josh percebeu tardiamente que os olhos de Chase, que falava com a voz trêmula, estavam injetados de sangue.
—… O que você quer dizer?
— Vocês dois estavam juntos, eu vi tudo, então não tentem mentir para mim.
Assim que terminou de falar, Chase começou a tossir. Surpreso, Josh olhou ao redor apressadamente. Chase se surpreendeu de repente ao vê-lo tentando se mover em busca de água. Josh, que virou a cabeça por reflexo, encontrou Chase, que tossia com força, mas estava agarrando seu pulso com uma força incrível. Lançou uma série de tosses como se estivesse prestes a vomitar sangue novamente, mas sua mão o segurava com tanta força que seu pulso estava dormente, e mesmo com a situação, seu aperto não enfraqueceu em nada.
— Eu ia te trazer água.
Disse Josh, mas Chase não pôde responder por causa da tosse. Sua reação era totalmente compreensível, já que ele podia estar ansioso. Segurava seu pulso com tanta força que Josh até sentia a mão dormente, pois o sangue não circulava normalmente.
Finalmente, Josh virou-se novamente e sentou-se ao lado da cama. Só depois que Chase confirmou que Josh não iria deixá-lo, afrouxou o aperto. Isso não significava que estava deixando Josh ir, mas os olhos violeta que o olhavam como se fossem matá-lo também se suavizaram um pouco. Quando Josh viu isso, sorriu amargamente.
— Isso machuca.
Baixando levemente a cabeça, Josh beijou seus lábios. Seu aroma era uma leve mistura de remédio com um doce perfume de feromônios. Josh sentiu pena dele e perguntou com os lábios ainda colados aos de Chase:
— Você está bem? Por que fez isso de repente? — Depois acrescentou de propósito, em tom brincalhão: — Não acho que tenha vomitado sangue porque ficou com ciúmes ao ver a Laura e eu juntos. Né?
—…
Chase não disse nada. No entanto, apertou novamente o pulso que ainda segurava de Josh.
Josh, sem perceber que franzira a testa, disse: — Foi uma brincadeira – e afastou os lábios dos de Chase.
— Eu não posso evitar o contato com as pessoas… especialmente se forem meus colegas de trabalho. Se você ficar com ciúmes de todos e cuspir sangue toda vez que eu falar com alguém, logo vai acabar morto.
Josh levantou o pulso e beijou o dorso da mão de Chase, que o segurava com força para evitar que ele fosse embora. Com os lábios juntos, limitou-se a olhá-lo, e Josh acrescentou com malícia:
— Se você morrer, não poderá mais evitar que eu fale com outras pessoas, entendeu? Pode até ser que o Pete arrume um novo papai ou mamãe.
Depois de ver Chase, que arregalou os olhos imediatamente, apressou-se em se corrigir:
— Foi uma piada, então não fique tão bravo.
Chase continuava olhando para Josh com o rosto pálido e os olhos incrivelmente abertos. Josh sentia que, se continuasse nesse estado, ele vomitaria sangue e desmaiaria novamente.
“Ainda assim, não faz sentido ficar assim por ciúmes.”
— Você me ouviu? Você precisa ver um médico.
Josh apressou-se em mudar suas palavras e perguntou seriamente:
— Se você não quer me ver falando com mais ninguém, precisa se recuperar rápido. Precisa saber a causa do que aconteceu com você.
—… não é nada.
Chase ainda falava com a voz fraca. No entanto, sua voz estava tão rouca que era difícil de ouvir, e seu rosto estava mais pálido do que antes. Josh realmente achava que, desse jeito, algo sério ia acontecer nesse ritmo.
— Você não sabe a causa, então se consulte com o médico. É a única maneira de descobrir.
Josh também era relutante em lidar com ele, mas como Laura havia dito, ele era o único que podia avaliar o estado de Chase agora. Chase também permaneceu em silêncio, sabendo que não podia continuar com sua teimosia. Josh o consolou bagunçando o cabelo despenteado de sua testa. Olhando por um momento para sua testa reta, beijou-a impulsivamente.
— Você vai ficar bem. Vamos verificar isso.
Diante do consolo de Josh, Chase colocou a mão atrás de seu pescoço sem dizer uma palavra e o puxou para si. Só quando seus lábios se encontraram, Josh percebeu que Chase estava nervoso.
— Estarei ao seu lado, Chase.
Josh, que beijou seus lábios com um estalo, encostou sua testa na dele.
— Nunca vou embora. Então não se preocupe.
No entanto, a expressão de Chase não mudou em nada. “Se eu sair assim do quarto do hospital, Chase voltará a se sentir mal.” Num estado de nervosismo, imaginação e ansiedade frenética por Josh, toda vez que ele estiver fora de sua vista.
Josh, que continuava olhando para ele, abriu a boca:
— Chase, você quer que eu te marque?
Chase arregalou os olhos com essas palavras. Naquele momento, Josh se sentiu envergonhado e encantado ao mesmo tempo, já que seus olhos grandes se abriram tanto e ele não soube que expressão fazer por um instante. Continuou falando em voz baixa:
— Se eu deixar uma marca em você, não poderei marcar mais ninguém pelo resto da minha vida. Até que um de nós morra. — Após alguns segundos, Josh acrescentou maliciosamente: — Como você se sentiria? Seria um alívio?
Chase, que não havia respondido até então, abriu a boca.
—…mas mesmo assim, isso vai funcionar?
Josh sorriu amargamente diante do olhar de incredulidade de Chase.
— Originalmente eu ia fazer isso depois do casamento… mas agora parece que não posso evitar fazer antes. Você ainda pode cobrir com maquiagem. Haverá muitas formas de esconder a marca. Atores Alfa ou Ômega escondem suas marcas enquanto filmam, não é? Mesmo que a gente marque a data do casamento agora, não poderá ser tão cedo… acho que será depois das filmagens, ou assim espero. O trabalho vem primeiro.
Chase perguntou com uma expressão de entusiasmo:
— Mas tudo bem fazer isso agora?
Josh encolheu os ombros.
— Não quero que você vomite sangue toda vez que eu falar com alguém.
Chase não falou por um tempo. Apenas olhou para Josh sem piscar. No entanto, Josh pôde ver claramente que seus olhos violeta escureciam lentamente. Chase abriu a boca, mas não conseguiu emitir nenhum som. Só depois de abrir os lábios mais algumas vezes, ele falou:
—… Eu te amo, Joshua.
Depois de dizer isso com uma voz entrecortada e rouca, Chase se calou.
Mas aquilo já era o suficiente. Josh inclinou a cabeça para poder unir seus lábios.
— Eu também te amo, Chase Miller.
O coração de Josh estava batendo tão rápido que ele quis se deitar sobre Chase imediatamente, mas Chase segurou seu punho de forma apressada. Em vez disso, Josh afastou os lábios e sorriu suavemente.
— Depois de nos encontrarmos com Steward, vamos fazer a marca assim que voltarmos.
“O que aconteceria se eu deixasse uma marca na orelha de Chase?” Por um momento, as reações dos membros da equipe e outros membros do staff vieram à minha mente, “Mas darei a eles o tempo necessário para processar isso.” Josh se sentiu envergonhado por logo ter que fazer uma declaração pública sobre o relacionamento deles.
“Vamos conversar com Laura e Mark primeiro. Eles precisam saber.”
Assim que Josh se levantou da cama, Chase apertou seu pulso novamente. Mas dessa vez, ao contrário de antes, Chase parecia mais calmo.
Quando Chase afrouxou o aperto, eles ouviram uma batida na porta. Laura, que estava esperando por Steward, anunciou que estava tudo pronto.
Josh se inclinou e beijou seus lábios mais uma vez. Então Chase se virou e observou em silêncio enquanto Josh saía do quarto do hospital. Josh, que olhou para trás uma última vez, sorriu. Chase também sorriu amplamente, mas ainda tinha uma expressão de confusão. Sentindo um amor que transbordava sem controle, Josh se apressou em sair do quarto do hospital.
“Acho que, se tivesse ficado um pouco mais ali dentro, teria acabado transando com Chase na cama do hospital.”
· ⋆ · ─ ✦ ─ · ⋆ ·
Continua
☾ Tradução, revisão e Raws: Belladonna