Kiss Me If You Can (Novel) - Capítulo 43
Side Story 1 – Capítulo 4
Nos últimos dias de filmagem, as gravações de Chase diminuíram, e com isso também o trabalho dos seus seguranças. Eles tinham mais dias de folga, e Chase também ficava o dia todo enfiado dentro do seu trailer, sem causar trabalho.
Graças a isso, os seguranças estavam muito mais relaxados. Eles alternavam entre sair ou ficar do lado de fora, e faziam pausas mais longas do que antes. Passaram dias tranquilos, como se estivessem de férias.
Só queriam uma coisa: que aquela paz continuasse até a finalização das filmagens. Depois de terminar o trabalho, já tinham combinado de passar por Miami para descansar e se divertir durante um mês antes de voltar para o leste. Todos estavam tendo ótimos dias à espera do momento de ir embora.
Depois que Josh passou seu turno para outro segurança, os demais membros da equipe se sentaram juntos no prédio para passar o tempo. Após algumas horas de descanso, teriam que sair para outro turno.
No entanto, Isaac, que estava há um tempo olhando pela janela, abriu a boca enquanto todos se acomodavam, aproveitando a paz do ambiente.
— Vocês não acham que o Josh está estranho esses dias?
A mão de Seth parou enquanto ele resolvia uma palavra cruzada no jornal diante do comentário repentino de Isaac, e Mark, que estava totalmente concentrado limpando uma prancha de surfe, levantou o olhar com a testa franzida. Foi Henry quem de repente capturou a atenção de todos. Pegou sua xícara de café com uma mão e, com a outra, lançou grãos moídos para o ar e os pegou com a boca — nesse momento, começou a tossir e imediatamente ficou envergonhado.
— Aghh.
— Henry!
Mark, envergonhado, deu tapinhas apressados nas costas dele, e Henry, que quase se asfixiou com a obstrução das vias respiratórias, conseguiu se recompor. Depois de passar um momento perto de sua morte, sua raiva aflorou. Imediatamente ele olhou para o homem com os olhos vermelhos.
— Por que você diz isso agora? Do nada?
Isaac se desculpou envergonhado ao ver Henry rangendo os dentes, com lágrimas nos olhos.
— Uh, desculpa… Você tá bem? Eu não achei que você fosse ficar tão surpreso… Henry ficou ainda mais irritado, pois sabia que não era para tanto. Quando viu a expressão de Mark, que parecia simpatizar com ele, naquele momento se sentiu patético e ignorou o olhar de Mark. O maior problema era o fato de Isaac ser tão lento.
“Confessei que gosto dele e mesmo assim ele só tem o nome do Josh na boca, e agora ainda não faz ideia do que fez de errado? Que desgraçado.”
O mais irritante era o fato de não conseguir expressar suas palavras com coragem e revelar seus verdadeiros sentimentos. O problema é que ninguém além dele mesmo sabia a gravidade da situação. Como prova, Isaac olhava para Henry com sua habitual cara de bobo, Seth balançava a cabeça olhando para Isaac como se quisesse dizer algo mais, e Mark voltou para seu assento, não sem antes pedir que ele tivesse cuidado.
“Devo ser o homem mais maluco do mundo por gostar desse garoto irritante.” pensou Henry.
Seth abriu a boca quando se cansou da situação. Henry queria espancar Isaac até a morte e beijá-lo imprudentemente, momentos depois caiu em ódio por si mesmo.
— Estranho, por quê?
Mark olhou com curiosidade para Isaac, Henry apertou os dentes e também o encarou. Quando todos os olhos estavam sobre ele, Isaac coçou a cabeça, envergonhado.
— Não, não quero dizer que tem algo de errado com ele… — agora que não estava mais em posição de dizer que não era nada, continuou com dificuldade. — Quero dizer que ele tem estado distante de nós… Não desaparece com frequência? Esse é o problema. Não acho que esteja bravo com a gente, mas… devo dizer que só tô dizendo o que parece, já que não consegui ver direito…
Seth inclinou a cabeça diante das palavras de Isaac.
— Você viu?
Isaac respondeu com segurança. — Vi.
— O que você quer dizer com “viu”? Você ficou seguindo ele? Tarado nojento.
Isaac, que olhou para Henry como se estivesse espantado com a acusação, logo se virou para Seth e Mark. Henry apertou o punho diante do aparente desprezo de Isaac, mas não teve oportunidade de bater em ninguém.
Mark percebeu a tensão, então interveio. — Eu também acho. O Josh foi o único que não estava com a gente no último dia de folga.
— Viu só? — refletiu Isaac, como se tivesse ganhado força com a opinião de Mark.
Henry baixou o punho do nada, olhou para Isaac e falou com sarcasmo. — Talvez ele tenha coisas pra fazer. Vocês acham que ele quer ficar aqui entediado sabendo que está na Califórnia? Vai ver ele tá por aí se bronzeando.
Seth levantou os olhos ao ouvir as palavras de Henry. Era uma ideia razoável. “Você é o único que precisa fugir desses caras feios.” Estava prestes a pegar minhas coisas e sair, mas Mark me perguntou seriamente:
— O que você acha que ele tem feito? Sabe de algo sobre o Josh?
— Se eu soubesse, a gente não estaria se perguntando isso. — apontou Seth.
A expressão de Mark ficou mais séria. Contrariando as expectativas de que a equipe de seguranças atual de Chase voltaria logo depois de terminar uma parte das filmagens, o período do contrato foi estendido até “o fim das filmagens” a pedido do ator, mas na realidade não havia muito trabalho a ser feito. As tarefas de vigiá-lo durante as gravações e observar os arredores estavam todas a cargo dos seguranças anteriores, então começaram a passar o tempo no meio do trabalho.
Por isso, na maior parte do tempo, até duas ou três horas por dia, a equipe de segurança de Josh descansava, e às vezes simplesmente tinham o dia todo livre. Em troca, era questionável o fato de estarem recebendo uma quantia tão grande de dinheiro sem serem pressionados a trabalhar. Claro, o salário anual de Chase Miller é maior do que se pode imaginar.
— O Josh costumava visitar o Pete todos os dias que tinha folga…
Isaac sacudiu a cabeça diante do comentário de Seth. —Tô te dizendo, nos dias em que a gente não sai, ele costuma desaparecer.
—De jeito nenhum. — Rompendo um breve silêncio, Mark abriu a boca. —O Josh não quer largar o trabalho, né?
Todo mundo parou de se mover por um momento com essas palavras.
Isaac arfou e Henry soltou o punho, que até alguns instantes atrás estava cerrando com força. Seth também ficou visivelmente atordoado e se sentou com uma expressão vazia no rosto. Mark continuou falando.
—Vocês não acham que o Josh some tanto porque tá procurando outro trabalho? Então, faz sentido que ele não comente nada com a gente.
—Ele veio para cá porque precisava de grana.
Isaac balançou a cabeça envergonhado quando Seth murmurou para si mesmo. —Não, ouvi dizer que a mãe dele tá melhorando.
—Isso mesmo. Espera aí. A doença dela não foi completamente curada, então ele ainda deve estar gastando com tratamento, né? Talvez ele precise de mais dinheiro.
A análise fria de Seth deixou o rosto de Mark ainda mais pálido.
Henry tomou outro gole e assentiu. —Mas o tratamento dela diminuiu ultimamente.
—… Talvez seja porque tá sem dinheiro pra pagar. Mark protestou fracamente.
Seth deu dois tapinhas no ombro dele, como se estivesse tentando confortá-lo.
Isaac se apressou em objetar. —Não acho que seja por isso. Além do mais, o Josh é um cara leal, ele não deixaria a gente de repente.
—Não consigo acreditar que ele vá abandonar a gente.
—Não agora. Talvez daqui a um mês ou dois…— Isaac voltou a pausar quando Henry falou sem rodeios.
Seth abriu a boca quando a sala ficou em silêncio.
—Sem o Josh, a gente vai ter que trabalhar mais. — Também tentou dizer: “Não se preocupa muito, porque acho que não é isso”, mas Mark o interrompeu.
—Vai ser muito difícil sem o Josh, ele ajuda demais. Pensa bem, com a experiência e as habilidades dele, vão aceitar ele em qualquer lugar. Mesmo que as condições sejam ruins, ele será capaz de resistir.
Mark ficou rapidamente triste com essas palavras, como se já tivessem contado a ele que Josh pediria demissão. Nesse caso, Seth achou melhor deixar para lá e começou a se preparar para sair de novo sem dizer nada. Mas dessa vez, Isaac interveio.
—Pode haver outros motivos. Eu acredito no Josh.
—Sério? Por quê?
Quando Henry perguntou sarcasticamente, Isaac respondeu com seriedade.
—Não é como se tivesse acontecido alguma coisa que fizesse Josh querer ir embora. Se houvesse algo ruim ou errado, ele iria contar. Então, eu acho que não. Não acho que haja um problema entre nós, equipe.
—Então o que é?
—É…
O interrogatório persistente de Henry deixou Isaac sem palavras. Então ele abriu a boca depois de alguns segundos pensando cuidadosamente.
—Espera, espera.
Imediatamente Henry o interrompeu. Enquanto Isaac fazia uma pausa, Henry procurou no bolso e tirou algo.
—Beleza, tenho cinco dólares.
Todos se surpreenderam ao vê-lo tirar dinheiro vivo do nada e colocá-lo na mesa. Isaac perguntou, confuso.
—O quê? Você está tentando apostar dinheiro com a gente? Por causa do trabalho do Josh?
—E por que não? Tem algum motivo para não fazer isso?
Quando Henry retrucou, Isaac olhou para Mark como se quisesse que ele ficasse do seu lado. No entanto, a intenção de Isaac ficou clara quando ele tirou 10 dólares da carteira.
—É só por diversão. Não tem nada que a gente possa fazer mesmo.
—Mark, você também.
Mark resmungou, mas era dois contra um. Murmurou soltando um suspiro.
—Tomara que eu esteja errado.
—Claro que você tá errado, Mark.
Henry, que disse:
—Mark apostou 10 dólares, deixa eu anotar no celular—, voltou a olhar para Isaac dessa vez.
—Acho que não vamos contar se a gente acabar descobrindo. Então se quiser saber, pode apostar.
Isaac fez um som de desgosto e falou, lamentando.
—Talvez o Josh não fale nada.
—A boca do Josh é fechada.
Henry assentiu de má vontade enquanto Seth, que até então estava só observando, se compadeceu dele.
—Ele nunca contaria um segredo, nem sob tortura. Então fico tranquilo, aconteça o que acontecer.
Isaac achava isso uma das coisas legais do Josh, mas teve sabedoria o suficiente para não falar isso em voz alta. Houve um breve silêncio, mas logo Henry se virou despreocupadamente.
—É isso então. Não vai apostar? Beleza. E você, Seth?
Isaac achou que Seth, claro, ignoraria uma aposta tão idiota. No entanto, inesperadamente, ele procurou no bolso da calça as notas que tinha sacado no caixa automático algumas horas antes, pegou uma delas e colocou na mesa. Como o placar ficou 3 a 1, Isaac não tinha mais o que dizer. Por um momento, ficou dividido entre a consciência e a curiosidade, mas por fim tirou uma nota amassada do bolso. Acidentalmente deu uma de 20 dólares, e Henry a pegou rapidamente antes que Isaac pudesse trocar.
—Ele não vai trocar de trabalho. O Josh é leal.
Henry franziu a testa quando Isaac falou com firmeza.
—E daí? De novo com isso?
A imaginação pobre de Isaac o limitava. Henry não questionou mais, apenas escreveu “não vai trocar de trabalho” ao lado do nome de Isaac no celular. Isaac abriu a boca assim que ele tentou terminar de escrever o comentário: “aposta”.
—Ele não tá doente, né? Não conseguiria ir ao hospital sozinho.
Ninguém disse nada. Henry escreveu “aposta” sem hesitar. Os 20 dólares de Isaac eram só o capital inicial da aposta. Antes de dar sua opinião, ele perguntou primeiro para Seth.
—E você?
Todos voltaram os olhos para Seth. Ele foi o primeiro a saber que Josh era um ômega. Além disso, sempre percebia as coisas rapidamente, mas era quieto, então costumava notar tudo o que os outros faziam. O problema era que guardava tudo para si mesmo.
Todo mundo esperava que dessa vez Seth dissesse algo que deixasse todos boquiabertos. Isaac se sentia aliviado por ter entrado na aposta, e estava nervoso com o que Josh poderia dizer. Mark também torcia para que as palavras de Seth não fossem a resposta de que Josh trocaria de emprego.
A boca de Seth finalmente se abriu, e ele disse: —Um voto para “num relacionamento”.
—O quê?
—Tá saindo com alguém? Com quem?
—Você não acha que ele vai trocar de emprego?
Gritaram Henry, Isaac e Mark quase ao mesmo tempo. Seth franziu o cenho e continuou:
—É isso que eu acho. Por que você acha que ele usa o trabalho como desculpa para não ficar com a gente? E nem precisa me dar um motivo. Se ele quisesse mudar de emprego, teria falado com você, Mark. Não combina com a personalidade do Josh fazer uma coisa tão importante sem discutir o assunto, né?
Seth, que desviou o olhar de Mark, continuou calmamente.
—O fato do Josh não estar se sentindo mal ou com algum problema é que ultimamente ele tá até mais animado que antes. Além disso, algumas meninas do set parecem ter se apaixonado por ele, e mesmo que esteja saindo com uma delas, não parece algo impossível. Talvez seja um relacionamento mais sério do que a gente imagina.
Seth, que deu de ombros, acrescentou:
—Na verdade, eu vi gente se declarando para o Josh.
—O quê? Declaração?
—E aí? O que aconteceu?
Quando Mark e Henry seguiram com as perguntas, ele respondeu com uma expressão amarga.
—Tanto faz… acho que era um dos secretários da Naomi. Josh negou na hora e acabou com aquilo. É a vida pessoal dele, e tenho certeza de que, se ele tem alguém, os dois se sentem seguros assim. Por isso não te contei até agora.
—Isso é tudo o que você tem? Deve ter mais.
Mark se solidarizou com as palavras de Isaac.
—O Josh merece. Meu Deus, a Rose vai ficar decepcionada.
Todo mundo sabia que Rose, que trabalhava no escritório, estava apaixonada por Josh. Só o fato de Josh ser um Ômega já seria impactante para ela, mas ela poderia até adoecer se descobrisse que ele também tinha um amante. Foi decidido manter esse fato em segredo dentro da equipe, já que isso poderia interferir no trabalho devido à redução de solicitações. Então era possível que outras pessoas, que jamais imaginariam que Josh era um ômega, se apaixonassem por ele.
—Talvez seja um romance passageiro de viagem de negócios.
Quando Seth disse isso, Mark também assentiu. Essa também era uma possibilidade. No entanto, Isaac protestou assim que todos começaram a aceitar a ideia.
—Mas para o Josh, o Pete sempre foi a prioridade, né? Sempre foi assim. Ele parecia não se interessar por mais ninguém. E de repente, pensar que ele está num relacionamento casual? Não faz sentido achar que o Josh faria isso.
—Bom, isso também é verdade.
Mark voltou a concordar com Isaac. Henry se virou para Seth, ignorando os dois.
—Então, você aposta que ‘o Josh está em um relacionamento’?
—Sim.
Seth assentiu. Raramente participava de uma aposta tão boba. No entanto, o motivo de ele ter participado hoje não foi só por se tratar de uma distração qualquer que apareceu quando estava entediado. Todos os seus colegas eram boas pessoas e tinham muitas qualidades, mas tinham algo em comum. Especificamente, eram muito teimosos.
“São só uns idiotas que não abrem os olhos”, e Seth não queria perder a oportunidade de ganhar dinheiro com eles. Não era tão estúpido assim. Henry, um dos membros mais insensatos de todos os tempos, hesitou por um momento. Escreveu em seu lugar:
—Ele tá jogando pelas nossas costas.
“Isso não é verdade.”
Os outros três pensaram a mesma coisa ao mesmo tempo, mas ninguém disse em voz alta. Ninguém estava levando a sério a ideia de realmente ganhar dinheiro com isso. Exceto Seth.
“Por isso que ele perde dinheiro com tanta frequência.”
Olhando para Henry com pena, Seth pensou. Era amargo ver que Henry, que sempre estava na mesa de apostas, era seu colega.
—Aliás, com quem você acha que ele está saindo?
—O parceiro dele?
—Sim.
Henry bufou e ajudou Isaac quando ele perguntou.
—Sim, se você acertar, eu dobro a aposta. Todo mundo de acordo?
—Hã?
Mark e Isaac assentiram. Seth deu o nome mais improvável porque não queria enganar os colegas ali.
—C.
—O quê? O Miller?
—Esse C? Aquele que eu conheço?
—Ei! Dá pra falar sério?
Ao mesmo tempo, ouviu-se um estrondo, e Seth recolheu suas coisas e foi embora. Ao fundo, as vaias ainda eram dirigidas a ele. Na luz proeminente e longa do sol, ele seguiu adiante. De repente, um sorriso bobo surgiu em seu rosto.
“Chase Miller, será que exagerei um pouco?”
Sem saber que aquelas facadas pelas costas tinham acontecido e passado, Josh voltou para seu alojamento no fim da noite. Henry esperou para perguntar o resultado da aposta, mas perdeu o momento, e quando abriu os olhos no dia seguinte, Josh já estava fora do prédio.
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Continua
☾ Tradução, revisão e Raws: Belladonna