Kiss Me If You Can (Novel) - Capítulo 16
Capítulo 16
Ele piscou e se sentou. A razão pela qual conseguiu dormir bem até aquele momento foi, provavelmente, por causa da desculpa do resfriado. Graças a isso, ele se sentiu muito descansado. “Ainda bem que o ciclo de calor não chegou.” Ele soltou um breve suspiro de alívio que escapou involuntariamente e logo se levantou da cama.
—Hã?
—Uh.
Quando abriu a porta e saiu no corredor, Josh se deparou com Isaac, que caminhava por ali. Isaac se apressou e perguntou com alegria:
—Como está seu resfriado? Você está bem?
Josh assentiu com a cabeça
—O que aconteceu com você ontem? Mark estava muito bravo.
—…
—Bem… nada, está tudo bem.
Isaac também respondeu brevemente. Josh não perguntou mais, porque não queria falar do dia anterior. Isaac abriu a boca enquanto continuavam caminhando juntos pelo longo corredor:
—… O que aconteceu com C?
—O que aconteceu?
—Bem… — O tom de Isaac denotava ciúmes.
Josh percebeu o que ele queria dizer, mas fingiu não saber. Isaac hesitou e então abriu a boca novamente:
—C não saiu do quarto desde ontem. Então… Se você souber de algo…
—Não, eu não sei.
Isaac estava curioso sobre uma coisa: “Por que você liberou tantos feromônios?” Isaac nunca obteria uma resposta a menos que se decidisse a perguntar diretamente. É claro, Josh não queria contar, mesmo que ele perguntasse. A conversa foi interrompida, e os dois chegaram à sala de vigilância.
—Então, eu vou voltar a patrulhar…
—Oh, Josh.
—Diga?
Isaac o chamou como se tivesse tomado uma decisão, mas hesitou novamente. Josh esperou por um tempo, mas Isaac não deu mais sinais de que queria falar.
—Se quiser me contar mais tarde, pode. Eu vou indo! — Josh, falando com naturalidade, virou-se.
Atrás dele, um telefone tocou, e Isaac atendeu.
[Visitantes?… C. deu permissão? Sim, eu vou guiá-la…]
Josh saiu diretamente da mansão. Sob a forte luz do sol, tirou seus óculos escuros do bolso. Tudo estava quieto, exceto pelo vento ocasional que fazia as folhas farfalharem. De alguma forma, ele se sentiu estranho em um mundo incrivelmente silencioso.
O que acontecera no dia anterior parecia uma fantasia. O fato de ter feito aquilo com Chase, que Seth o pegou como um ômega, até mesmo o que acabara de acontecer.
“Certamente eu não estive tendo um sonho ridículo até agora, certo?”
Enquanto duvidava, um carro atravessou o jardim. “Uh?”
De repente, ele parou de caminhar. Era um carro familiar para ele. Ele piscou, confuso, e o carro que passou diante dele parou no portão principal da mansão. Então, a porta do carro se abriu, e alguém saiu do banco do motorista. Quando ele virou a cabeça, o rosto da mulher parecia tão surpreso quanto o de Josh.
Emma. Inconscientemente, quando repetiu seu nome em sua boca, o portão principal se abriu de repente. Assim que ele fez uma pausa e virou a cabeça, Isaac, que logo apareceu, falou com ela:
—Olá, recebi sua ligação. Por favor, entre.
—Obrigada. — Emma esboçou um sorriso profissional habilidoso.
Isaac, que se virou primeiro, a conduziu para dentro. Emma, que o seguia, virou a cabeça. Seu rosto, em contato visual com Josh, tinha um sorriso como uma máscara. O significado era claro. “Falo com você mais tarde.” Quando Emma voltou a cabeça para Isaac, estava mostrando uma expressão gentil, como uma mentira.
…
Chase estava de mau humor desde a manhã. Exatamente desde que abriu os olhos. Não, considerando o desastre antes de dormir na noite anterior, ele não sentiu nenhuma mudança repentina no humor devido à mudança do dia. Havia muitas razões. Falta de sono, ódio de si mesmo, neuroticismo. E uma queixa de desejo. Ele cerrou os dentes.
“Não consigo suportar minha raiva depois de pensar relutantemente no fator mais importante.”
Seus olhos estavam vermelhos e irritados, mas ele não conseguia voltar a dormir. Depois de ficar sentado por um tempo, Chase se levantou de um salto e foi para o banheiro. O armário estava cheio de diferentes tipos de medicamentos. Depois de escolher alguns, pegou um punhado de comprimidos na palma da mão e os despejou diretamente na boca. Bastou engolir dois copos d’água da torneira para tomar toda a medicação.
— Ah, ah, ah…— Chase olhou para frente, respirando com dificuldade e pesadamente.
Havia um rosto pálido, brilhando com água, lábios entreabertos, cabelos loiros emaranhados e olhos cansados. Sem perceber, ele ergueu a mão com força tentando socá-lo, mas acertou o espelho quase o quebrando como consequência. Foi o toque repentino do telefone que o deteve no momento da crise. Depois de um tempo, a secretária eletrônica ativou-se, e a voz de um homem saiu:
[Senhor Miller, você está acordado?] — Era a voz calma e profissional de um dos guarda-costas.
Infelizmente, não era a voz do homem que o manteve acordado na noite passada. Ele continuou:
[Senhor, a secretária de Pittman…]
Por um momento, Chase ficou em silêncio. O guarda-costas o chamou do outro lado, com um silêncio no meio:
[Senhor Miller, você ainda está dormindo? Devo mandá-la embora?]
Se não houvesse resposta, ele desligaria. Logo quando a ligação estava prestes a ser cortada, Chase pegou o telefone da parede:
[Deixe-a entrar.] A linha caiu imediatamente, seguida de silêncio. Chase esfregou os olhos cansados com um suspiro.
…
—Olá, Sr. Miller. Prazer em conhecê-lo. Emma Bailey. A secretária do Sr. Pittman. — Chase olhou para o rosto deslumbrante que acabara de se apresentar habilmente com uma voz suave.
Era uma mulher bonita que poderia aparecer na televisão imediatamente, com uma figura esbelta e pronúncia perfeita. O nível de secretariado de Keith Pittman parecia se exibir diante de seus olhos. No entanto, ele não respondeu muito. O rosto inexpressivo de Emma, ignorando o roteiro, manteve suas palavras calmas e preparadas com suavidade e cuidado.
—Obrigada por comparecer à festa que terminou extraordinariamente… o que surgiu no meio do caminho… **
((** Refere-se ao acontecimento do cão de guarda que apareceu))
—Surgiu no meio do caminho? Do que diabos você está falando?
Emma parou diante da primeira palavra que ele disse. Mas continuou suas palavras com um sorriso profissional pouco depois.
—Estou aqui porque preciso pedir que você revise qualquer inconveniente. Ouvi dizer que teve um pequeno problema antes de sair. É comum que os convidados tenham problemas em festas. — Emma acrescentou de propósito, de maneira significativa.
Chase não respondeu muito. Com o rosto seco e perplexo, Emma pensou que ele ainda estava meio adormecido. Não era que ele não estivesse, mas os olhos de Chase estavam vermelhos e seu rosto estava cheio de fadiga, como se tivesse sido forçado a acordar.
“Será que ele me entende? Eu estaria encrencada se dissesse algo mais depois.” Enquanto se preocupava, Emma continuou falando.
—Você começa a filmar na próxima semana? Vim dizer que seria bom se você seguisse o cronograma. Antes disso, gostaria que você terminasse todos os preparativos para começar a trabalhar. — Ela acrescentou sem perder o sorriso. — Posso informá-lo que não há problemas? Dessa forma, as filmagens ocorrerão sem atrasos, conforme planejado.
Chase ergueu a cabeça e olhou para seu rosto. Emma quis recuar, mas, em vez disso, sorriu diretamente para suas costas, fingindo estar bem.
—Todos estão ansiosos pela obra do Sr. Miller.
De repente, Chase jogou fora o roteiro que segurava. O som pesado de um grosso caderno ecoou contra a parede. Emma hesitou e logo fixou os olhos em Chase. Ele abriu a boca com um ar claro de irritação.
—Apenas diga a ele para me deixar em paz, porque ele sabe… Eu vou esquecer o que aconteceu na festa.
—Obrigada. — Diante do comentário inesperado, Emma cumprimentou com um sorriso cordial.
De qualquer forma, foi uma sorte que o oponente exigente dissesse que deixaria passar primeiro. Ela veio até aqui preocupada com o que fazer se ele encontrasse falhas novamente e atrasasse ainda mais, como na fase do contrato.
“Se terminarmos o relatório assim, tudo estará resolvido.” Emma rapidamente concluiu suas palavras antes que ele mudasse de ideia.
—Se precisar de algo, não hesite em me avisar. Então, vou indo agora.
A maneira como falou pareceu um pouco rápida, mas ela conseguiu terminar bem. Emma virou-se até o fim com um breve sorriso, assim como fez ao chegar. Apenas conseguia ouvir o som de seus saltos altos, graças aos seus passos.
—Acabou? — perguntou Seth, que passava pelo corredor quando a encontrou. Emma ouviu sua voz e percebeu que ele era o homem a quem pediu autorização na sala de monitoramento.
—Sim, graças a você. Obrigada.
—De nada. — disse Seth com um sorriso. —Vou te levar até a porta principal.
—Ah, tudo bem. Eu consigo ir sozinha. Obrigada.
Ele não podia mais fazer barulho quando foi rejeitado brevemente, Seth sorriu sem jeito e se afastou. Emma acenou levemente, substituindo a despedida, e se afastou sem hesitar. Deixando para trás o homem musculoso e bonito que estava longe de seu ideal.
—Emma. — Ela fechou a porta da mansão e saiu, e outro homem, longe de seu gosto, a esperava. Infelizmente, era um parente de sangue. Assim que viu o rosto de Josh, ela falou:
—Josh, o que aconteceu? Este é o seu trabalho? Desta vez você é o guarda-costas de Chase Miller?
—Foi o que aconteceu. Desculpe por não ter te contado, mas…
—Você tem sigilo profissional, então não me importo. Mas é absurdo. Nunca pensei que veria Josh aqui. — Ela ergueu as mãos por um momento e depois as baixou.
Josh a agarrou pelo braço sem arrastá-la muito.
—Vamos conversar um minuto. A propósito, tenho algo para te dizer. Emma resmungou e foi obrigada a segui-lo. Josh a levou para a parte isolada dos fundos da mansão.
—O que foi? O que aconteceu?
Só quando os dois ficaram frente a frente é que Emma perguntou sobre o assunto. Mas Josh não parecia ter pressa. Ela ficou surpresa ao ver seu irmão usando o sorriso cativante, aquele costumava encantar as mulheres.
—Só queria saber como você está. Tudo bem? A mãe, você também…
—Todo mundo está bem, incluindo o Pete. Você pode parar de sorrir? Porque estou com medo.
—Hahaha.
—Estou falando sério, Josh. — Emma disse de novo, mas Josh não acreditou nela, como sempre fazia.
Josh continuou suas palavras sem sorrir.
—Fui à festa ontem e você não estava lá. Não sabia que nos encontraríamos tão cedo.
—O mordomo é responsável pela festa na casa. Então eu sequer sabia da situação, mas o Sr. Pittman até entrou em contato comigo e me deu instruções no fim de semana. Fico feliz que eu não tinha compromisso. — Em vez disso, Emma acrescentou: —Ele vai me dar uma gratificação generosa. — Ela perguntou de novo, jogando seus longos cabelos loiros para trás dos ombros. —O que aconteceu na festa ontem? Houve um alvoroço, então ele me pediu para vir ver se era algo sério. Josh, você sabe de algo?
—Não sei. — Josh disse apenas meia verdade. —Eu estava lá fora porque estava patrulhando. Mais tarde, vi que o incidente já tinha acontecido.
—Você é realmente inútil.
—O quê?
Emma, que inconscientemente expressou sua real intenção, tossiu rapidamente e se afastou.
—Tem algo de especial, afinal?
—Eu só queria ver meu irmão depois de tanto tempo.
Josh estava prestes a concordar —Sim, claro—, quando de repente se lembrou. — Como você tem estado esses dias? Está saindo com alguém?
—Por quê? Se você vai me apresentar algum amigo louco de novo, eu te aviso, pare agora mesmo. Não vou deixar passar. — Sua rápida reação de revide já havia sido vista muitas vezes. O interesse de Josh estava em outro lugar, embora não tivesse nenhum homem para apresentar a ela.
—Eu não faria isso, só perguntei por curiosidade. Você… bem, quero dizer, Pittman não é do seu tipo, né?
—O quê? Quem? O Sr. Pittman? Você não está falando do meu chefe, está? Josh, você não enlouqueceu, né? — Com o rosto de Emma tremendo, a resposta foi tão boa quanto ele já esperava. Ela continuou seu discurso, mostrando claros sinais desgosto. —Você se importa de não se meter nos amores alheios? Eu vou encontrar o homem do meu gosto. Josh apareceu e fez algo certo? Você sempre se intromete!
—Você sempre escolhe aqueles em quem não pode confiar.
—Eu disse que não gosto de atletas! Vou conhecer o homem que me interessa sozinha. Você não está prestando atenção! — Emma abriu os olhos e encarou Josh. Essa também era uma reação que ele já tinha visto muitas vezes. Josh estava convencido.
—Ele trabalha no mesmo departamento?
Emma hesitou e fechou a boca quando ele perguntou de repente. Quando ele viu sua reação, que não conseguiu esconder sua expressão, ele não precisou se intrometer mais. Ela mudou de estratégia e o encarou.
—Nem tente se aproximar de meu escritório.
—De jeito nenhum, não posso me aproximar sem meu cliente. — Josh sorriu maliciosamente. —Mas quando o Sr. Miller for visitá-la, não terei escolha a não ser ir. Porque faz parte do meu trabalho.
—Se você fizer isso, vou colocar feijão nos ovos mexidos do Pete todos os dias!
—É você que o Pete vai culpar, não eu.
—Você é um malvado…! — Emma quis estrangulá-lo na hora, mas não teve escolha a não ser aguentar. Ela só apertou e soltou as mãos no ar várias vezes, conseguiu se acalmar e abriu a boca.
—Josh, por favor, não estrague tudo desta vez. Estou indo muito bem.
—Sério? — Josh perguntou desconfiado. Ele sempre estava pronto para derrubar seu oponente. Seria assim até Emma virar uma avó de 80 anos.
Ela continuou com um suspiro. —Eu estive em alguns encontros com ele… Estamos nos vendo com muito cuidado, então Josh deveria levar isso em conta agora. Eu te apresento quando for a hora. Já não sou uma criança.
“É por isso que estou mais preocupado.” Mas Josh se conteve por enquanto. Isso porque seria difícil se sua irmã não conseguisse falar quando precisasse de ajuda. Ele reprimiu sua curiosidade e ansiedade e fingiu tranquilidade.
—Sim, entendo. Ainda assim, se tiver um problema, tem que me consultar.
—Sim, vou fazer isso. — Emma assentiu suavemente.
Josh, tentando acariciar seu cabelo como um hábito, verificou seu penteado elegante e abaixou a mão para abraçar seu ombro. Emma também se afastou depois de abraçá-lo.
—Então vou indo. É fim de semana, então Pete e a mamãe provavelmente vão jantar juntos.
—Sim, tenha cuidado.
Josh inclinou levemente a cabeça e deu um beijo na bochecha de Emma, depois se afastou. Emma voltou por onde tinha vindo. Josh, que a observou por um tempo, hesitou antes de se virar.
Ele podia sentir um olhar estranho. Olhou ao redor rapidamente, mas não havia ninguém lá. Quando levantou os olhos, olhando para cima, não conseguiu ver nada suspeito, exceto a varanda. Josh olhou para cima e tentou verificar a varanda, mas parou assim que lembrou que era um espaço conectado ao quarto de Chase. Franziu a testa e examinou cuidadosamente por sinais de pessoas, mas tudo o que sentia era o vento soprando e o som ocasional das folhas.
Depois de um momento de nervosismo, ele relaxou a guarda e começou a patrulhar. Outras vezes, outras ocasiões, ele começava pelo jardim da frente da mansão, mas não havia motivo para fazer isso hoje. Mudou seus passos, pensando se deveria começar por este lado. Pensou que gostaria de terminar sua patrulha e ouvir a voz de Pete.
Cerca de uma hora depois, o gerente chegou.
…
—O que você está fazendo a esta hora? — perguntou Mark, que estava sentado na sala revisando a agenda de Chase, surpreso com a visita repentina do gerente.
O gerente cumprimentou brevemente e então abordou o assunto com indiferença. —Ele estará filmando em breve, há muito o que fazer. No futuro, todos teremos que ficar bem atentos. Como está o Chase hoje? Como ele está se sentindo? — Ele olhou ao redor e fixou os olhos em Mark.
Em vez de incentivá-lo a sentar-se, Mark pegou um refrigerante da geladeira, colocou-o sobre a mesa e disse:
—A secretária do Sr. Pittman o visitou de manhã.
—A secretária do Sr. Pittman? O que aconteceu? — O gerente olhou para ele, surpreso.
Isaac, que estava em seu lugar, respondeu por ele.
—Deve ter acontecido um pequeno acidente na festa de ontem, e ouvi dizer que foi por isso que ela veio, para inspecionar. Tenho certeza de que ela estava preocupada que o Sr. Miller pudesse estar pressionando por causa do contrato. Não aconteceu nada, e ela logo voltou.
—Fico feliz em ouvir isso — disse o gerente. —Ele tem uma agenda apertada a partir de hoje. Prefiro ficar aliviado de que o RUT não tenha chegado.
—Agenda? — perguntou Josh casualmente, que estava na sala. O gerente assentiu.
—As filmagens começam na próxima semana. Acho que estão na agenda dele. Você sabe que há uma entrevista marcada para daqui a três horas hoje, certo?
—Eu vi.
Mark perguntou, olhando para o papel que segurava com uma careta no rosto.
—Então, para quais programas adicionais precisamos nos preparar no futuro? Acho que o cronograma para as filmagens já está quase fechado. —Ele falou com um tom um pouco sarcástico, mas o gerente ignorou.
—Vai ser arquivado e entregue pela Laura… Então, não aconteceu nada na festa? O Sr. Miller fez algo estranho ou louco? A Laura não disse muita coisa.
Enquanto abria a tampa do refrigerante que Mark tinha pegado, ele perguntou baixinho. Em uma atmosfera onde não se imaginava nenhum incidente ou acidente, Josh fingiu não saber.
Mark perguntou sarcasticamente:
—Algo estranho ou louco?
—Seja lá o que for.
O gerente, que já tinha esvaziado metade do refrigerante de uma vez, franziu a testa. De alguma forma, todos ficaram inquietos e incomodados com seu repentino silêncio, depois de ter falado tanto até então. Então, o gerente suspirou, esfregou as sobrancelhas e abriu a boca.
—Bem, quero dizer… não faz muito tempo que o RUT dele terminou, certo? Mas depois desse período, o Sr. Miller fica ainda mais irritado do que o normal.
—Como pode ser pior do que o normal? — Seth perguntou, sinceramente surpreso.
Era assim que o Chase sempre era. O gerente sorriu sem jeito e então:
— Hmm —, pareceu preocupado novamente.
“Por que ele está demorando tanto?”
Todos estavam curiosos, mas só podiam esperar. O gerente abriu a boca com dificuldade, como se finalmente tivesse tomado uma decisão.
—Isso será necessário para a segurança, então vou contar. De qualquer forma, é algo que vocês precisam saber quando as gravações começarem… Claro, como no contrato, qualquer vazamento de privacidade ou segredos do cliente que eu descobrir durante o trabalho resultará em uma enorme compensação financeira.
Todos ficaram curiosos com o que vinha depois daquele aviso desagradável, claro, todos já estavam tentando imaginar o que era. Era óbvio que o sigilo do cliente deveria ser garantido. Claro, Mark sempre dizia que os maus profissionais que não mantinham isso estavam arruinando o trabalho deles.
—Não há ninguém tão indiscreto na nossa equipe — Mark exalou, com o rosto rígido.
O gerente sorriu brevemente, mas não pareceu acreditar de verdade. De qualquer forma, com um ar de vigilância implacável, ele finalmente confessou:
—Há um remédio que ele está tomando…
—Medicamentos? O quê? Ah, desculpe — Isaac se surpreendeu com o que tinha dito e logo se desculpou.
Com todos os olhos voltados para ele, o gerente falou com cuidado:
—Ele é uma pessoa agressiva. Além disso, tem insônia e é sensível… Não consegue viver sem tomar remédios todos os dias. Além disso, quando está estressado, ele abusa deles.
Todos se entreolharam ao ouvir aquelas confissões tão inesperadas. Isaac soltou um suspiro contido e passou a mão pelo cabelo.
—O quê… isso realmente faz?
—Nunca ouvi falar de um Alfa dominante viciado em drogas — Seth comentou, como se fosse inacreditável.
De repente, Josh lembrou que Chase tinha pego o remédio do frigobar do carro e colocado na boca no dia em que foi para a festa do Pittman.
—Ele toma drogas mesmo quando não está no RUT? — Quando Josh perguntou, o gerente assentiu.
—Sim, quando acha algo insuportável, ele sempre coloca na boca. Mas, quando o RUT chega, ele toma três vezes mais do que o normal. Bebe álcool e consome todo tipo de droga junto até ficar fora de si, então… Acho que, depois do RUT, a maioria dorme profundamente, mas, no caso do Miller, ele dorme sob o efeito das drogas — acrescentou, como se entendesse a reação assustada dos guarda-costas.
—Ele teria morrido se não fosse um Alfa dominante — todos concordaram em pensamento.
Isaac abriu a geladeira e olhou dentro, mas, quando voltou ao seu lugar, percebeu que suas mãos estavam vazias e soltou um breve palavrão. Ele não era o único constrangido. Seth virou a cabeça com um olhar perplexo, e Mark abriu a boca:
—Então, com o que precisamos tomar cuidado?
Quando perguntou diretamente, o gerente foi ao ponto:
—O Sr. Miller vai tomar mais remédio do que o habitual quando começar a trabalhar, então certifiquem-se de que ele não fique sem ou pare de tomar aleatoriamente. Antes que acabe, a Laura vai providenciar mais com antecedência. Eu vou organizar a lista e os tipos de remédios separadamente. A Laura vai cuidar dos medicamentos sempre, e… o Sr. Miller não consegue viver sem drogas. — O gerente, depois de dizer tudo isso, riu de um jeito estranho.
—Nunca vi um RUT que exigisse tanta medicação. Bem, o remédio não faz efeito sozinho, então ele tem que tomar muito… Não acho que seja fácil tomar tanta medicação assim. Pensei que eles ficavam loucos por sexo, mas tomar remédios como ele faz poderia causar um ataque cardíaco repentino… não é possível.
Houve silêncio. Mark e os outros se entreolharam. Seth franziu a testa, Isaac suspirou, e Josh ficou sombrio. Mark, virando a cabeça novamente, perguntou:
—Há mais segredos?
—Não — O gerente respondeu sem hesitar, mas Mark franziu a testa com a resposta dele
—Tudo o que você esconder vai interferir na segurança.
—Não, realmente.
—…
—Nenhum — Ele sorriu com confiança. Claro, não havia confiança nenhuma ali.
—Bem, então vou ver o Sr. Miller. Mais uma vez, o que acabei de dizer é um segredo de segurança. Tenho certeza de que todos lembram dos termos do contrato. — Depois disso, o gerente virou-se e subiu as escadas.
Os que ficaram só olharam para suas costas por um tempo, sem dizer nada. O mais perturbado entre eles era Josh. Sua mente estava ainda mais confusa do que qualquer um deles ali.
—Vai dar muito trabalho quando o filme começar — Isaac foi o primeiro a falar.
No meio do silêncio, Mark comentou:
—Estou preocupado com os fãs vindo ao set e se aproximando dele… Espero que o C nos ouça bem.
Depois do incidente em que ele abandonou Henry, um contrato adicional foi feito, mas ninguém sabia até onde ele iria. Eles apenas se entreolharam e, finalmente, se dispersaram para seus próprios afazeres, preparando-se para sair.
…
Toc-toc.
Mas não houve resposta de dentro. Como sempre, o gerente abriu a porta após um breve momento. A brisa fresca soprou forte por um instante e parou subitamente. Quando limpou a mente e olhou para cima, a porta da varanda estava escancarada. Sentado em uma cadeira na mesa de chá, o gerente avistou Chase olhando para o jardim e se aproximou sem hesitar.
—Como foi a festa ontem, Sr. Miller? Aconteceu algo incômodo?
Falou com afeto, mas Chase nem mesmo sequer se mexeu.
“O que ele está olhando?” O gerente inclinou a cabeça por curiosidade. Tudo o que conseguia ver era o jardim escondido pelas folhas. A parte de trás da mansão não tinha muito paisagismo. O gerente inclinou a cabeça, mas logo deu de ombros. “Quando esse homem fez algo compreensível?”
—Como eu disse antes, vim entregar o livro. Espero que você leia várias vezes. Este é o único livro que tem o Dr. Flame como personagem principal. É um papel importante em toda a série, mas como não é o protagonista, há apenas uma quantidade limitada de informação que pode ser obtida de outros livros. Você não precisa ler mais nada, isso será suficiente. — Falou por um bom tempo, mas Chase continuou sem responder. Nem sequer tentou olhar para o gerente.
Não era de hoje ou de ontem que ele era ignorado assim, mas era inevitável que o gerente perdesse a paciência cada vez mais. Ele suspirou brevemente antes de continuar com suas palavras:
—O trailer está pronto, vou tirar uma foto do interior e enviar para você. Por favor, me avise se precisar de mais alguma coisa, e você sabe o horário da programação de hoje, certo? A segurança está se preparando agora, então prepare-se para ir…
—…
Foi quando Chase murmurou algo. O gerente hesitou e escutou. Mas ele não disse mais nada. O gerente, hesitante, perguntou com cautela:
—Desculpe, Sr. Miller?
Chase, apesar da espera paciente, não respondeu. O gerente, ao mesmo tempo envergonhado e desanimado, decidiu desistir. Então Chase abriu a boca:
—… Guarda-costas.
—Oh, sim. Guarda-costas? — Falou com o gerente, que repetiu com urgência.
—Entre os guardas, o beta.
—Ah, sim. O capitão da equipe? Ou o Josh?
—…
Chase ficou em silêncio novamente. De repente, o gerente sentiu que tinha muitos problemas. “Embora não possa ser.”
—Se você não gosta do guarda-costas, podemos trocar temporariamente…
—Não é isso — disse Chase, que imediatamente interrompeu o comentário do gerente. Ainda olhando para um canto do jardim. —Não é isso…
—…
—Não, obrigado — em seguida, calou-se. Não havia sinais de que fosse falar mais. O gerente esperou um pouco e então mudou de assunto.
—Então, nos preparamos para a entrevista? Vou separar as roupas e os itens que você precisa vestir enquanto toma banho. Vamos preparar o figurino e os acessórios lá, então vamos manter as coisas simples aqui. — Depois disso, o gerente rapidamente saiu do quarto e foi para o camarim.
Chase, que nem sequer tinha se mexido até então, cerrou os dentes e praguejou. Seu olhar continuou fixo no local onde Josh estava com Emma. Chase não sabia o que a secretária de Pittman e seu guarda-costas estavam fazendo. O que realmente o enfureceu foi o fato de que ele tinha ejaculado nas mãos habilidosas daquele homem promíscuo.
—… Merda — esfregou as pálpebras com irritação.
“No final das contas, não sou diferente de Grayson e outros Alfas dominantes.” Estava enojado consigo mesmo. Queria correr e estrangular Josh imediatamente, mas também sabia que era inútil. Na mesma situação, Chase enfrentaria o mesmo resultado novamente. Não mudava quem ele era.
O que fez ele finalmente, depois de tudo, ir ao banheiro, pegar um punhado de remédios do armário e levá-los à boca. Só depois que uma tontura familiar chegou e ele fechou os olhos, a raiva diminuiu um pouco.
“Queria que todos os promíscuos morressem.” Além da consciência nebulosa, ele pensou. Claro, Josh e ele mesmo estavam entre eles.
· ⋆ · ─ ✦ ─ · ⋆ ·
Continua
☾ Tradução, revisão e Raws: Belladonna