Kaleidoscope of Death (Novel) - ₊ Capítulo 50.1
𓂃˖˳·₊˚.𔓎 Capítulo 50.1: Três Anos Atrás ⋆⁺₊
Ko Shinobu recusou outra conversa com eles desde a última; ele sentou na sala de aula e se recusou a se mover de qualquer jeito. Não havia nada que os quatro pudessem fazer; eles só poderiam voltar no dia seguinte para evitar chamar a atenção de outros NPCs. Quando aquele momento chegasse, eles buscariam uma chance de ter uma conversa adequada com ele. Afinal, parecia estar guardando as pistas mais importantes.
— Vamos encerrar por aqui hoje. Vamos voltar cedo para os nossos quartos e descansar um pouco. — Ruan Nanzhu confessou com um bocejo: — Eu também estou bastante exausts.
— Está bem. — Li Dongyuan nunca objeta às sugestões de Ruan Nanzhu desde que entraram no mundo da porta. O que quer que Ruan Nanzhu dissesse, ele fazia sem hesitar; em certo sentido, era bastante atencioso e cavalheiresco de sua parte.
Os quatro comeram algo simples antes de voltar ao prédio escolar, mas, ao chegarem à entrada, viram a novata andando em círculos com o rosto em pânico.
— O que aconteceu? — Lin Qiushi perguntou a ela.
A mulher gaguejou, sua voz assolada por grande preocupação:
— É que… eu tenho um amigo… que não voltou.
— Para onde vocês dois estavam indo? — indagou Ruan Nanzhu.
— Para o antigo prédio escolar. — A mulher disse. — Eu fui ao banheiro antes de voltar e vi que ele tinha sumido. Eu procurei pelo prédio inteiro, mas ainda assim não consegui encontrá-lo. Eu fiquei com mais medo quanto mais tempo eu esperava, então eu voltei depois disso.
— Ele sumiu no antigo prédio escolar? — Li Dongyuan inclinou a cabeça e olhou pela janela para o céu escurecendo: — Não adianta ter pressa. É impossível procurar por ele agora que já escureceu. Eu sugeriria que você descansasse pela noite; nós a acompanharemos para dar uma olhada amanhã.
Embora a mulher parecesse muito assustada, ela assentiu. Parecia que ela também não estava a fim de voltar ao sinistro antigo prédio escolar numa hora daquelas.
E assim, o grupo de pessoas voltou aos seus próprios quartos para descansar.
Quanto mais experiência ganhavam dentro do mundo da porta, mais entendiam o que um desaparecimento indicava. Quando alguém sumia num mundo crivado de armadilhas mortais, a chance de sobrevivência era de zero a nenhuma. Pelo visto, o amigo daquela mulher muito provavelmente já era um caso perdido.
Enquanto todos estavam deitados na cama, analisaram as pistas que haviam obtido naquele dia.
Ruan Nanzhu então mencionou uma pista vital:
— Eles não vão fazer seus exames finais em breve?
Lin Qiushi respondeu:
— Isso mesmo. Por quê?
Ruan Nanzhu:
— A estação atual certamente não é o inverno; a temperatura é moderada, se não quente. Dito isso, eles não estão fazendo as provas finais do semestre que os alunos geralmente fazem antes das férias de inverno.
Lin Qiushi de repente entendeu o que Ruan Nanzhu estava sugerindo:
— Você quer dizer que os vestibulares deles são em breve?
— Correto. — Ruan Nanzhu declarou: — Eu calculo que este seja um momento crucial no tempo. Assim que a temporada de exames finais terminar, ele não será mais um estudante desta escola.
As engrenagens na mente de Xia Rubei se encaixaram naquele exato momento:
— Então o exame final é na verdade o vestibular; isso não significa que este é o nosso prazo? E se… e se a gente ainda não conseguir encontrar a chave até lá?
Ruan Nanzhu sorriu:
— Há dois resultados possíveis para tal situação: O primeiro é que o tempo fluirá para trás e nós viveremos esses últimos dias de novo. O segundo é que essas entidades sobrenaturais desencadearão um massacre e deixarão para trás apenas uma alma afortunada. A porta então se abrirá sozinha.
Qualquer das situações era terrível, de todo modo.
Xia Rubei não ousou falar mais, e se encolheu numa bola.
— Mengmeng, por quantas portas você já passou? — Li Dongyuan perguntou de repente: — Você parece terrivelmente experiente.
— Sr. Meng, ninguém nunca lhe ensinou que você jamais deve perguntar a outra pessoa sobre a carta na manga dela? — Ruan Nanzhu nem se importou em ser educado: — Além do mais, por mais experiente que eu seja, eu não seria capaz de me comparar ao Líder do Cervo Branco.
Li Dongyuan ergueu uma sobrancelha:
— Isso pode não ser necessariamente assim.
Eles foram dormir depois de sua discussão.
Enquanto contemplava aturdido o beliche acima dele, sua mente vagando para outro lugar, Lin Qiushi foi lentamente adormecendo.
Ele teve uma noite sem sonhos, uma que foi bastante pacífica também. Lin Qiushi recebeu com prazer a manhã do segundo dia.
Os quatro acordaram na hora certa, às sete da manhã. Depois de se lavarem, prepararam-se para acompanhar a mulher do dia anterior a verificar a situação no antigo prédio escolar.
— Meu nome é Luo Xiaoyu. — A novata se apresentou timidamente. Ela obviamente tivera uma noite sem dormir. Olheiras enormes pendiam sob seus olhos, e medo e alarme a envolviam. — Você quer dizer que ele está morto…?
— Mais ou menos — respondeu Li Dongyuan. — Se ele ainda estivesse vivo, não teria passado a noite no antigo prédio escolar.
Suas palavras tinham fundo de verdade; Luo Xianyu abraçou os braços enquanto suor frio encharcava seu corpo inteiro.
Eles chegaram ao antigo prédio escolar e viram que seus portões metálicos destrancados ainda estavam escancarados. Luo Xiaoyu disse que eles os haviam destrancado quando visitaram aquele lugar mais cedo. Quando saiu no dia anterior, ela usara uma pedra para impedir que se fechassem com estalo, com medo de que seu amigo ficasse trancado lá dentro. Ela não esperava que estivesse intocada desde o dia anterior, mas pelo menos agora tinham certeza de que seu amigo não havia deixado o prédio escolar.
— Em que andar vocês dois perderam contato naquela hora? — Ruan Nanzhu perguntou.
— No quarto. — Luo Xiaoyu se lembrava muito claramente. — No fim do quarto andar havia uma sala de aula; parecia ser a Turma 2 dos Segundos Anos…
Ao ouvir “Turma 2”, Lin Qiushi e Ruan Nanzhu trocaram olhares ao mesmo tempo.
— Vamos subir e dar uma olhada — propôs Li Dongyuan.
Os cinco subiram ao quarto andar. Enquanto caminhava, Lin Qiushi escutava atentamente seus arredores, com medo de ouvir o mesmo som de batidas de antes, porque isso significaria que Satchan estava por perto. Mas, felizmente, o som nunca apareceu mesmo depois de eles chegarem ao quarto andar.
No fim da sala de aula havia uma placa com o nome da turma com as palavras “Turma Dois” escritas em grandes caracteres kanji. Eles passaram pela janela da sala de aula e viram o que havia lá dentro.
A sala de aula não era enorme de forma alguma. Podia-se ver tudo de fora num único olhar — mesas e cadeiras ficavam na sala de aula vazia, mas o amigo que Luo Xiaoyu mencionou não estava lá.
— Não está aqui. — Li Dongyuan disse. — Talvez ele tenha ido a outro lugar. Por que vocês se separaram de novo?
Por entre os lábios trêmulos, Luo Xiaoyu gaguejou aflita:
— Eu fui ao banheiro naquele momento, e quando voltei, ele tinha sumido. Eu nem vi ele depois disso…
— A gente deveria ir a outros andares dar uma olhada? — Lin Qiushi sugeriu.
— Não faz mal fazer isso. — Ruan Nanzhu assentiu.
Enquanto os cinco se dirigiam à direção das escadas, um estrondo ensurdecedor ecoou atrás deles. Soava como se algo tivesse caído lá de cima e se chocado pesadamente contra o chão.
Todos se sobressaltaram com aquele som. Algumas pessoas começaram a buscar a fonte do som e, muito rapidamente, notaram — veio da Turma 2 vazia de antes.
Dentro da sala de aula que antes continha apenas mesas e cadeiras, havia agora um cadáver ensanguentado. Aquele cadáver parecia ter caído do teto, lançando as mesas e cadeiras arrumadamente dispostas num caos primordial.
Ao ver aquilo, Luo Xiaoyu não conseguiu se conter e gritou alto. Xia Rubei estava ligeiramente melhor que ela, pois ficou quieta, apenas dando alguns passos cambaleantes para trás, com uma mão trêmula sobre a boca.
— Vamos entrar e dar uma olhada. — Ruan Nanzhu disse, antes de pescar um grampo para arrombar a fechadura.
Lin Qiushi ficou ao lado enquanto observava o outro, acostumado ao jeito como ele trabalhava. Foi Xia Rubei quem ficou tanto curiosa quanto assustada, agachando-se de longe com o queixo apoiado nos joelhos enquanto observava, parecendo um tanto fofa.
Em pouco tempo, um clique furtivo soou, e a fechadura simples da escola caiu no chão com um tinido. Ruan Nanzhu entrou primeiro e foi recebido por uma bagunça espalhada no chão.
Tendo seguido o outro para dentro da sala de aula, Lin Qiushi logo notou que algo estava estranho:
— Estas coisas…
Ruan Nanzhu:
— Interessante.
Havia alguns livros onde o cadáver havia caído. De longe, aqueles livros pareciam materiais didáticos. Era extremamente estranho ver aqueles livros cercando bagunçadamente o cadáver que havia despencado.
Li Dongyuan também era alguém com coragem. Ele caminhou destemidamente até o lado do cadáver e pegou um dos livros:
— São materiais didáticos.
Lin Qiushi e Ruan Nanzhu viram o objeto na mão de Li Dongyuan conforme se aproximavam do outro.
Sem dúvida, eram materiais didáticos; cada um daqueles livros era um livro escolar. Se não tudo, praticamente todas as páginas daqueles livros estavam maculadas com rabiscos caóticos de tinta vermelha, desfiguradas com maldições odiosas e ilegíveis como “Morra. Morra. Morra.”
Ruan Nanzhu se abaixou para pegar aleatoriamente outro livro semelhante ao anterior. Resumindo a história, cada página estava cheia de maldições. Ruan Nanzhu ponderou sobre aquilo por um tempo e, depois de fechar o livro, folheou até outra página. De pé bem ao lado dele, Lin Qiushi podia ver claramente a palavra escrita em sua primeira página: Sachiko — pensar que aqueles livros pertenciam a Sachiko!!
O cadáver no centro da sala de aula também havia perdido uma perna; parecia que Sachiko estava por trás daquilo. Só que eles não sabiam que métodos Sachiko havia usado dessa vez para fazer aquela pessoa ler em voz alta a canção que jamais deveria ser cantada.
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Nie Chenghe veio ao antigo prédio escolar com Luo Xiaoyu.
Quando Luo Xiaoyu foi ao banheiro, ele simplesmente ficou de pé ao lado da sala de aula, esperando quieto e paciente. O prédio inteiro estava sinistramente silencioso. No corredor vazio, até o mais leve dos sussurros resultaria em alguns ecos.
Nie Chenghe olhou para o corredor sem fim e se sentiu um pouco assustado. Ele pescou o celular para jogar alguns joguinhos a fim de se acalmar, quando sua expressão de repente congelou no lugar por causa de vozes estranhas que ele ouviu. Aquelas vozes vinham da sala de aula, lembrando pequenas conversas particulares entre estudantes e fazendo seus pelos se arrepiarem.
Não havia uma única alma no prédio escolar, então como poderia haver conversas? As vozes ficaram cada vez mais altas até que finalmente se transformaram numa cacofonia ensurdecedora de ruídos dissonantes.
Nie Chenghe caminhou com passos lentos em direção à janela. Ele passou pela vidraça da janela e finalmente chegou à fonte das vozes — a sala de aula diante dele.
Para sua surpresa, o que originalmente deveria ser uma sala de aula vazia estava de repente cheia de estudantes. Inúmeros estudantes estavam de pé e sentados por ali, conversando e discutindo algo com entusiasmo.
Aquela visão era assustadora demais. Nie Chenghe não pôde deixar de dar alguns passos para trás. Justo quando estava prestes a ir embora, os estudantes na sala de aula começaram a cantar uma canção estranha: O nome de Satchan é na verdade Sachiko. Mas ela se chama de Satchan desde pequena. Oh, que engraçado! Satchan adora bananas. Mas ela só pode comer metade de suas bananas favoritas. Oh, que pena! Satchan partiu para um lugar distante. E ela logo vai se esquecer de mim. Oh, que solidão, Satchan!…
Nie Chenghe nunca havia ouvido tal canção antes. Aquela canção o fazia sentir cada vez mais frio, como se estivesse vivenciando um inverno rigoroso. Ele quis se virar para correr, mas, de repente, seu corpo congelou no lugar.
— O nome de Satchan é na verdade Sachiko. Mas ela se chama de Satchan desde pequena. Oh, que engraçado! Satchan adora bananas. Mas ela só pode comer metade de suas bananas favoritas. Oh, que pena! Satchan partiu para um lugar distante. E ela logo vai se esquecer de mim. Oh, que solidão, Satchan!… — A canção se repetia, e as pessoas na sala de aula notaram a presença de Nie Chenghe.
Eles se viraram e encararam Nie Chenghe através da janela. Agora com plena visão de seus rostos, Nie Chenghe percebeu que aqueles estudantes não tinham olhos; apenas os dois grandes buracos negros como breu repousando em seus crânios o encaravam de volta. Aquelas cavernas escancaradas, somadas a seus semblantes fantasmagoricamente pálidos, provavam que aqueles estudantes não eram humanos vivos.
Nie Chenghe cambaleou alguns passos para trás em puro susto. Seu queixo caiu, enquanto testemunhava os estudantes entoarem a linha final da canção:
— Minha perna se foi, então você não me dá a sua? Minha perna se foi, então você não me dá a sua…?
A linha final se repetia sem parar. Aquelas linhas não eram mais a letra de uma canção infantil, mas a maldição desgraçada de um Demônio. Os olhos de Nie Chenghe começaram a ficar vidrados; seus lábios se separaram ligeiramente e, como se enfeitiçado, ele proferiu baixinho: Minha perna se foi, então você não me dá a sua?
No instante em que essas palavras escaparam de sua boca, a sala de aula inteira ficou em silêncio.
Aqueles rostos de um branco pálido todos se abriram em sorrisos estranhos e sinistros.
Só então Nie Chenghe percebeu o que havia feito. A gravidade de sua situação atual o atingiu, e ele girou para correr, mas os sons estrondosos de batidas vindos de trás dele o detiveram, e ele se virou freneticamente para ver a sombra de uma pessoa de pé no corredor. Conforme a figura se aproximava gradualmente dele, sua voz cantarolada prosseguiu ecoando pelo corredor: Minha perna se foi, então você não me dá a sua…?
Nie Chenghe sentiu uma dor aguda disparar por sua perna enquanto a escuridão o engolia.
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╋━ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna, Othello&Yuki