Introducing My Manager (Novel) - ⋆⋅☆⋅⋆ Capítulo 15
No carro a caminho do encontro com Sua, Jihyun manteve a boca fechada e não disse nada. Mais precisamente, desde que Sua publicou a matéria, ele mantinha uma postura sutilmente contida. Com o rosto abatido e mergulhado em pensamentos, era totalmente diferente de quando fazia greve depois de brigar com Eunho.
— Jihyun, chegamos. Desce.
Eunho estacionou no subsolo da empresa, abriu a porta traseira e desceu também. Como a agência de Sua era uma daquelas cujo nome todo mundo conhece, o prédio era muito maior que o da NB Entertainment.
Ao descer e olhar em volta, Jihyun colocou a máscara e murmurou como que para si mesmo:
— Pelo menos não precisa se preocupar em ser processada.
De fato, com uma empresa desse porte, as questões legais seriam resolvidas sem sequelas. Não sabia como a agência veria a matéria de Sua, mas era muito melhor ter poder do que não ter.
Os dois pegaram crachás na entrada e subiram ao 13º andar. Como o rosto de Jihyun era seu documento, não foi preciso nenhum procedimento. O funcionário entregou os crachás como se os esperasse e ainda os acompanhou pessoalmente até a sala de reunião combinada.
Lá estavam Sua e também seu empresário. Eunho, que abriu a porta com naturalidade, deixou Jihyun entrar primeiro e entrou em seguida. Sua, que estava de pé, cumprimentou educadamente:
— Olá, sunbae-nim.
Enquanto Jihyun cumprimentava Sua, Eunho fez um cumprimento com os olhos para o empresário dela. O homem grande e de rosto dócil cumprimentou com agilidade e saiu da sala dizendo que eles conversassem à vontade. Eunho pretendia sair com ele, mas Sua apontou para o lugar em frente e disse:
— Sentem-se à vontade, os dois.
— Ah, eu…
Para que um empresário se meter numa conversa entre atores? Era preciso vigiar para que Jihyun não falasse besteira, mas numa situação dessas ele provavelmente se comportaria. Mas era só o que Eunho pensava já que Jihyun, já sentado, puxou a cadeira ao lado para ele.
— Kwak Eunho, senta você também. Pra que esperar lá fora?
— É verdade. Nosso empresário saiu para resolver algo. Sente-se à vontade.
Sem alternativa, Eunho sentou ao lado de Jihyun. Quando Sua também sentou à frente, uma tensão inexplicável pairou entre os três.
O primeiro a falar foi Jihyun.
— O motivo de eu ter pedido para nos vermos…
— É por causa da matéria, né?
Antes que ele terminasse, Sua tomou a fala. Foi interrompido de repente, mas Jihyun assentiu sem demonstrar desagrado. Sua também parecia apenas nervosa demais, sem má intenção.
— Na verdade… Eu fico com peso na consciência de receber um agradecimento seu.
Era uma fala que parecia decorada, preparada de antemão. Jihyun devia ter pensado o mesmo, porque a observava com estranheza. Sua deu um sorriso desajeitado e continuou devagar:
— Não foi exatamente para ajudar o senhor. É verdade também que o sunbaenim Park Taesu me incomodou muito…
Não era exatamente modéstia, e não era exatamente recusa; ela até demonstrava constrangimento. Se fosse Jihyun e Eunho, tudo bem, mas ela não precisava disso. Como se fosse embaraçoso que os dois tivessem vindo até ali.
— …Eu só não queria ser alguém que se calaria.
Era a frase que estava na entrevista de Jihyun. Até hoje não se sabia se era obra da repórter ou da empresa.
Isso não foi ele quem disse. No instante em que Eunho pensou isso, a mesma frase saiu da boca de Jihyun:
— Isso não fui eu quem disse.
Era um tom sereno, e ele não parecia constrangido. O mesmo valia para a frase seguinte:
— Foi a repórter que escreveu, então não pense que se inspirou nas minhas palavras. Eu não sei dizer coisas grandiosas assim.
— Ah.
Sua soltou uma exclamação curta. Os outros talvez não soubessem, mas Eunho sabia que aquilo era, à sua maneira, uma confissão de Jihyun. Ficar calado pesaria em sua consciência, então ele falou de propósito com voz dura.
— Que importa quem disse?
Felizmente, Sua aliviou o clima com tom despreocupado. Ela também devia imaginar que a entrevista tinha certa adaptação. Afinal, ela também rodava naquele meio havia anos.
— Quando o sunbae-nim Park Taesu mandou o senhor empresário fazer um recado na mesa, o único que se manifestou foi o senhor. E o caso da cerveja também… Sinceramente, foi até um alívio.
Sua disse aquilo com hesitação e ainda acrescentou que todos ali pensavam o mesmo, buscando a concordância de Eunho. Quando Eunho assentiu sem pensar, ela sorriu, mais aliviada.
— E eu não detonei sem pensar. Já pensei em como lidar com as consequências.
— Posso perguntar como pretende lidar?
— Sim? Ah…
Quando Eunho abriu a boca, Sua hesitou. Provavelmente não esperava que ele entrasse na conversa. Depois de piscar olhando para ele, cobriu a boca com o punho e pigarreou.
— Tem amigas que vão me ajudar. Normalmente esse tipo de pessoa não faz isso com uma só.
— Há mais pessoas prejudicadas além da senhorita?
— Bom, não posso dar detalhes… Mas acho que em breve vai começar a estourar em sequência. Quando as matérias saírem, deem uma olhada.
Pelo visto Park Taesu tinha muitas dívidas por aí. Como Sua disse, esse tipo de sujeito nunca faz aquilo com uma pessoa só.
— Então não precisam se preocupar com a matéria. Foi para dizer isso que pedi para nos encontrarmos.
Sua, que até então falava com cautela, afirmou aquela última parte com bastante firmeza. Como ele já percebeu pelas mensagens trocadas com Park Taesu, apesar do temperamento dócil, ela era uma pessoa com fibra.
— …Ela disse tudo o que eu ia dizer.
Jihyun soltou uma risadinha e baixou os olhos. Era um rosto pensativo, e Eunho, por algum motivo, achou que ele parecia um pouco abatido. Como quando viu a matéria de Sua pela primeira vez, uma expressão de algum modo perturbada.
“ O que deu nele?”
Por que essa cara, se ele não fez nada de errado? Ele já fora ríspido, mas nunca demonstrou receio assim, exceto quando Eunho ficava bravo. Ele tentava esconder, mas para Eunho era evidente que seu humor tinha caído.
— Se precisar de algo depois, é só falar.
Só depois de um bom tempo Jihyun abriu a boca devagar. Ainda não conseguia erguer o olhar, mas sua voz não era muito diferente do normal. A voz suave e envolvente soava, à primeira vista, gentilíssima.
— Se for algo que eu possa fazer, eu faço.
— …
Curiosamente, assim que ouviu aquilo Eunho teve mais uma certeza: aquele sujeito estava com alguma ideia fixa. Claro, a frase seguinte era mais parecida com o Jihyun que ele conhecia.
— Se eu não retribuir, tem alguém que vai ficar remoendo isso.
Por mais vago que fosse, era óbvio a quem ele se referia. Ao homem sentado ao lado dele, olhando-o fixamente. De fato, se deixasse passar ele ficaria incomodado, mas não era preciso que Jihyun cuidasse disso.
— Ah, então, por acaso…
Mas houve mais uma surpresa. Assim que Jihyun terminou de falar, Sua tomou coragem. Ele não esperava que ela dissesse logo o que queria, mas ela devia ter algo a dizer.
— Não é bem uma retribuição, mas…
— Fale.
Jihyun acenou com a cabeça. Como ele era incapaz de fazer promessas vazias, dizer que faria o que pudesse não era mentira.
Enquanto Eunho também se concentrava em Sua, ela disse com um sorriso constrangido:
— Posso conversar a sós com o senhor empresário um instante?
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Eunho pensou em mudar de sala com Sua, mas, inesperadamente, quem saiu foi Jihyun. Assim que ouviu Sua, ele franziu os olhos e se levantou com um pequeno suspiro. Sua se ofereceu para sair, desconcertada, mas Jihyun apenas olhou de relance para Eunho e disse:
— É mais confortável pra mim sair.
Como ele saiu junto com a frase, os dois ficaram na sala num clima constrangedor. Se ele saísse, onde ele ficaria? Eunho, que se levantou para segui-lo, acabou sentando de novo porque Sua ficou aflita.
— …Desculpa. Não era minha intenção colocá-lo numa situação difícil.
— Não, está tudo bem. Não se preocupe.
Que era mais confortável para ele sair devia ser verdade. Na prática, para Eunho também era muito mais confortável conversar sentado na sala. Ele se preocupou um pouco com Jihyun, mas provavelmente ele estaria no máximo no banheiro, lavando as mãos.
— Mas o que a senhorita queria dizer…
— Ah.
Só depois de Eunho tomar a iniciativa Sua voltou a si. A firmeza de antes tinha sumido, de fato, como Jihyun disse, ela tinha um lado tímido.
— Não é grande coisa…
Mesmo tendo começado, Sua ficou um bom tempo sem dizer nada. Apenas girou aqueles olhos grandes e baixou a cabeça com as bochechas levemente coradas. Então, tomando alguma decisão, ela encarou Eunho com um rosto resoluto.
— Só… Eu queria dizer que sempre fui grata ao senhor.
— A mim?
— Sim, ao senhor.
Engolindo em seco, Sua respirou fundo. Eunho continuava a encará-la com o rosto impassível. Como boa atriz, ela ajeitou logo a expressão e sorriu, piscando os olhos.
— Sabe, quando eu gravei aquele filme com o sunbae-nim, o senhor cuidou muito de mim.
— …
Aquilo era novidade para ele. Quando foi mesmo? Parecia a mesma coisa de quando o Jihyun da TV disse que eles já tinham se cruzado umas cinco vezes antes de ficarem na mesma sala.
— Eu não te dei nada além de bolsa térmica, dei?
Ele perguntou, e Sua se assustou e agitou as mãos.
— Como assim? Não é verdade!
Balançando a cabeça, Sua contou nos dedos, um a um:
— O senhor me deu um monte de coisas. Refrigerante, biscoito e uma vez até curativo e pomada…
— …Eu?
— Sim!
Ah, déjà-vu. Se Jihyun estivesse ali, dava para imaginar com que olhos ele o encararia. Estalaria a língua dizendo “você é mesmo um cara estranho”.
— C-claro… Não foi só pra mim que o senhor deu.
Sua acrescentou depressa, sem graça. O jeito como baixou os olhos parecia querer dizer que não tinha entendido mal a gentileza dele.
— …Na verdade, mais do que as coisas, o que ficou foram as palavras que o senhor me disse.
E então ela começou a contar conversas triviais, enterradas na memória de Eunho. Dizer “bom trabalho” depois de uma gravação, puxar assunto dizendo que era só fazer como sempre quando ela estava nervosa, ou consolá-la dizendo que a cena era difícil mesmo quando ela errava e ficava desanimada.
— O meio artístico não é um lugar onde basta se esforçar pra dar certo, né. Naquela época eu estava meio esgotada sem perceber, e as palavras do senhor foram estranhamente reconfortantes.
Segundo Sua, a que mais ficou foi: “Da próxima vez vou vê-la como par do ator Ji.” Porque, para ela, Jihyun era um ator tão grandioso que apenas supor que ela pudesse ser seu par já a deixava feliz.
— Naquela época eu falava muito do senhor pra Boyeong. O que ele me deu hoje, como foi… e me admirava dizendo que o empresário de um grande ator cuida das pessoas de outro jeito. Pensando agora é engraçado. Não era diferente por ser empresário de um grande ator, era o senhor que era diferente.
Diante daquela fala solta como brincadeira, Eunho não conseguiu responder nada. Talvez Boyeong o tratasse com tanta familiaridade desde o primeiro encontro porque ouvira as histórias de Sua.
— Por isso eu aguentei aquela fase… Sempre fui grata ao senhor.
— …Se eu ajudei, que bom.
— Ajudou demais.
Toda a gentileza que Eunho demonstrara era, no fim, por Jihyun. Torcer por Sua para que a gravação de Jihyun não fosse atrapalhada tinha se tornado uma grande esperança para ela. Isso era constrangedor e, ao mesmo tempo, o fazia se sentir culpado.
— Sabe uma coisa? Normalmente quando alguém diz “pode me chamar de forma informal”, a pessoa diz para fazer o mesmo. Mas o senhor não fez isso, então eu pensei sozinha: “Nossa, esse homem realmente não tem interesse em mim.”
— Não, não é bem…
Ele não pretendia ser tão frio, ele só descobriu tarde demais que aquilo era uma forma de dizer que queria se aproximar. Eunho também não era bom em convivência social e não tinha talento nenhum para esse tipo de troca.
— Eu também não falei em sentido ruim.
Talvez ele tenha demonstrado desconcerto sem querer, porque Sua soltou uma risadinha fina. Sua, que estava tão nervosa que nem conseguia falar direito, agora tinha um rosto tranquilo.
— E de lá pra cá já se passaram anos…
Sua soltou um som de riso e baixou os olhos, arrastando o final da frase. O modo como ela ficou calada parecia indicar que hesitava se dizia aquilo ou não. Claro, ela escolheu dizer em vez de engolir.
— Depois, quando soube que o sunbae-nim Jihyun ia participar do “AME”, eu me peguei esperando aquela data. Pensando se o senhor não apareceria.
Como ela disse, já se passaram anos. E ela lembrou dele apenas por ouvir falar de Jihyun. Era tempo suficiente para um empresário já ter sido trocado, e ainda assim ela não esqueceu um sujeito chamado Kwak Eunho.
— E, assistindo ao programa, eu pensei:
O olhar erguido devagar refletiu Eunho. Sua tinha um sorriso leve, como se recordasse aquele momento.
— Ah, ele continua carinhoso.
— …
— Mas… Aquele carinho não era só para mim.
A expressão que ela mostrava não lhe era estranha. Um pouco de vazio, ou de resignação, e um fim de emoção que em certo sentido parecia até aliviado.
— Eu gosto do senhor.
Sinceramente, ele previu o bastante. Quando Sua disse que queria conversar a sós. Não, quando disse que a matéria não foi para ajudar Jihyun. E antes disso, quando sentiu o clima estranho na sala do diretor.
— Antes… Acho que gostei desde a primeira bolsa térmica.
Como ela tinha um rosto realmente tímido ao dizer aquilo, Eunho não conseguia dizer nada. Não era a primeira vez que recebia uma declaração, mas nessas horas ele nunca sabia o que dizer. Como seria bom ter um pouco mais de lábia, infelizmente ele não tinha um temperamento afável.
— Não entenda errado. Não é para lhe dar um fardo…
— Sim, eu sei.
Eunho respondeu com secura e coçou a nuca. Como ela disse, talvez ficar constrangido fosse ainda mais indelicado. Deveria agradecer? Enquanto ele hesitava, Sua falou primeiro:
— É que… É natural não querer causar problema para quem se gosta, né. Ainda mais sendo alguém que foi tão importante para a minha carreira.
Ele não lembrava de ter feito nada tão grandioso. Quem diria que gentilezas soltas se tornariam um sentimento tão grande. Não, aliás, ele mesmo não nutre sentimentos por Jihyun por um motivo desses?
— Por isso publiquei a matéria. Queria ajudar.
Terminando de falar, Sua abriu um sorriso. Piscando os olhos, ela parecia brincar para que Eunho não ficasse constrangido.
Então Eunho apenas agradeceu com calma:
— Obrigado por nos ajudar. O Jihyun também é muito grato.
— Ah… Eu me surpreendi. Não imaginava que o sunbae-nim viria pessoalmente.
Dizendo que na verdade ficou nervosa, Sua soltou um suspiro de alívio. Claramente, dessa vez não era brincadeira, era sinceridade. Por mais que tivessem contracenado, ele era um sunbae muito acima dela, então era natural se assustar com uma convocação repentina.
— Sabendo que era por causa da matéria, eu perdi o sono achando que ia levar bronca.
— …Ele não é do tipo que arruma briga à toa.
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Faby&Othello