Introducing My Manager (Novel) - ⋆⋅☆⋅⋆ Capítulo 14
A resposta desejável a isso seria: “Me arrependo de ter expressado a raiva daquele jeito. Reconheço o erro e serei uma pessoa mais madura.” Se Eunho pensou nisso na hora, Jihyun também deveria saber, então não havia com que se preocupar.
É, era o que ele achava.
— Não, não me arrependo.
— Sim, imaginei que… Como?
A repórter, que ia concordar sem pensar, ergueu a cabeça de repente. Eunho também, com atraso, virou-se para Jihyun com olhar de “esse cara enlouqueceu?”. Mesmo com os olhares dos dois sobre ele, Jihyun não piscou e acrescentou com calma:
— Porque, se eu voltasse atrás, faria de novo.
— …
O olhar da repórter foi para Eunho. Diante daquele olhar que perguntava “posso mesmo escrever isso?”, Eunho não conseguiu responder nada e cerrou os lábios.
O diretor Byun mandou não falar besteira. Pelo visto, já era tarde.
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Um dia depois de o escândalo da cerveja de Jihyun estourar nas redes. Enquanto todas as comunidades fervilhavam, a NB Entertainment divulgou um comunicado. Era um texto neutro dizendo que a empresa respeitava a opinião de seu ator e que não tomaria nenhuma ação até que ele se pronunciasse. Como havia também um trecho dizendo que agiriam com rigor contra difamações e boatos infundados, alguns posts nas comunidades foram discretamente apagados.
Era um comunicado razoável e adequado, mas insuficiente para apaziguar a polêmica. Porque não explicava nada da situação daquele dia e não incluía a posição de Jihyun. Alguns criticaram a empresa por falta de esforço, outros seguiam perguntando o que afinal tinha acontecido.
Nesse meio-tempo, o Hot Star News publicou a entrevista exclusiva de Jihyun. 「Jihyun não pretende se justificar… “Se voltasse atrás, faria de novo.”」 A matéria com título sensacionalista alcançou um número enorme de acessos assim que foi publicada e se espalhou por toda parte.
Eunho, que ficou tenso ao ler o título, se tranquilizou depois de passar os olhos pelo conteúdo. A entrevista de Jihyun estava lá integralmente, mas passou pela mão de um profissional e se transformou num texto razoavelmente aceitável.
A relação com Park Taesu, o clima daquele dia, o que Park Taesu disse e o motivo pelo qual Jihyun agiu daquela forma. Entre tudo isso, a parte que fez Eunho estalar a língua de admiração foi esta:
「P. Você se arrepende do que fez naquele momento?
R. Não me arrependo. Violência não é só usar os punhos, acho que palavras também são violência. Como eu também acabei praticando violência, sobre isso não vou me justificar. Mas, como não quero ser alguém que se cala, se voltasse atrás faria de novo.」
Não dava para não pensar que era obra de um mestre. Quando ouviu a resposta de Jihyun, ele viu tudo preto, mas fosse habilidade da NB Entertainment ou da repórter, virou um texto plausível. Ele podia parecer um pouco explosivo, mas parecia ter convicções firmes, então em certa medida foi um sucesso.
Já a entrevista de Eunho foi publicada exatamente como ele falou, sem mudar uma palavra. Uma resposta sem escrúpulos, com um pouco de mentira e adaptação, dizendo que Jihyun normalmente não era explosivo. Que, ao contrário de Park Taesu, que estava bêbado, Jihyun não bebera uma gota, e que gostaria que se concentrasse na causa, não no resultado, uma fala abertamente parcial.
— E… O senhor Park Taesu me mandou fazer recados algumas vezes. Como sou empresário, muita gente me trata com informalidade, e o Jihyun detesta isso. Então, quando o Jihyun o advertiu algumas vezes, a expressão dele foi piorando.
Ele suavizou, mas no fim significava que Park Taesu era um sujeito patético que abusava do poder. Como as pessoas mastigavam cada palavra, certamente entenderiam o subtexto do que Eunho disse. Jihyun não gostava que Eunho se envolvesse, mas para Eunho tanto fazia.
E assim começou a chamada “briga de rua”. Os que diziam “quanta besteira ele deve ter falado para o outro explodir depois de tanto aguentar” e os que diziam “mesmo assim, jogar cerveja é aceitável?” travaram uma batalha sem fim. Xingavam Jihyun uma vez, xingavam Park Taesu outra, e depois de xingar Park Taesu duas vezes, publicavam posts dizendo que Jihyun era igual.
A imprensa se ocupava em reproduzir as reações do público e atiçar o fogo. Alguns entraram em contato querendo entrevistas, mas o diretor Byun cortou todos com firmeza. Quando as matérias derivadas do Hot Star News já chegavam a três dedos, na Wiki do Mar de Jihyun foi criado, dentro de “7. Polêmicas”, o item “7.5. Caso da cerveja”.
Mas dizem que, mesmo se o céu desabar, há sempre uma saída. A briga que parecia não acabar deu sinais de terminar exatamente uma semana depois.
Graças a outra pessoa que abriu a boca, como uma salvação.
— A senhorita Lee Sua publicou uma matéria?
De manhã cedo, Eunho, convocado à sala do diretor junto com Jihyun, ouviu do diretor Byun uma coisa inacreditável. Que o lado de Lee Sua havia divulgado, de repente, uma matéria denunciando Park Taesu. O conteúdo nada tinha a ver com a mesa de bebida e era uma fofoca sensacionalista que não precisava ser detonada justamente naquele momento.
— É, parece que ele importunou muito a Lee Sua.
「O assédio incessante de Park Taesu… Lee Sua: “Senti medo”」
A matéria publicada logo na virada do dia trazia um conteúdo que Eunho não previra. Que, depois daquela noite, Park Taesu enviou mensagens a Lee Sua sem parar. Segundo ela, Park Taesu já demonstrava interesse antes, mas o nível foi aumentando a ponto de ela conceder a entrevista por medo.
— Mas ele também é… Olha isso aqui.
O diretor Byun estalou a língua e estendeu o tablet a Eunho. Eunho inclinou o tablet para que Jihyun, ao lado, visse a tela. Ao rolar, apareceram capturas de mensagens do “sunbaenim Park Taesu”.
[Chegou bem em casa?]
[Hoje eu paguei um miquinho na sua frenteㅠㅠ]
[Não entenda mal o que eu disse]
[No fim das contas você também é mulher, entende né?]
[Eu sei que mulher gosta de homem hehe]
[O J tem muito ciúme de mim]
[Homem se sente ameaçado por homem melhor, é instinto..^^]
[Eu entendo o J hehe]
— ……Não me diga que esse J sou eu?
Jihyun perguntou incrédulo. Pela inicial e pelo contexto devia ser ele, mas não dava para entender quem tinha ciúme de quem. Enquanto Eunho soltava uma risada seca, as capturas também incluíam as respostas de Sua. A maioria era um sorriso desajeitado em consoantes e “sim” e “não”.
— Ela não tinha mesmo o que dizer.
— Hm…
Eunho murmurou concordando. Não era à toa: a conversa era tão unilateral que dava vergonha alheia. Se ele não fosse um sunbae, ela provavelmente teria bloqueado em vez de responder.
Sua, que ao menos respondia por educação no início, traçou um limite claro dizendo que aquele tipo de conversa a incomodava quando Park Taesu começou a criticar J. Era uma manifestação educada, porém firme, mas a resposta de Park Taesu foi lamentável de novo.
[^^Fica tranquila, não vou contar pro J]
[Mas nosso tratamento é formal demaisㅠㅠ]
[Me chame de oppa]
[Se me chamar de sunbae eu brigo]
— Ah…….
O suspiro baixo saiu ao mesmo tempo da boca de Jihyun e de Eunho. O diretor Byun, que espiou a tela, assentiu com o ar de quem entendia. Certamente ele reagiu do mesmo jeito ao ler a matéria.
— Ah, é, tem coisa sobre você aí também, Eunho.
— Sobre mim?
Eunho perguntou com cara azeda e rolou a tela para baixo. Havia uma longa sequência de mensagens de Sua dizendo que não podia chamar um sunbae de oppa e de Park Taesu insistindo sem noção. E, no fim, Sua tocou com cuidado no assunto de Eunho, dizendo que o que ele fez com o empresário tinha sido demais.
[Hm]
[Nisso o oppa errou^^;;]
[Meu empresário faz tudo isso por conta]
[Mas o empresário do J é muito atrevido]
[Foi mal-acostumado ]
— Esse desgraçado é louco…
Jihyun franziu bastante o cenho e mastigou um palavrão. O envolvido, Eunho, não ficou muito bravo, mas Jihyun não parecia ter a mesma opinião. Na verdade, só com aquelas mensagens curtas já dava para saber como Park Taesu tratava o próprio empresário.
— Daí pra baixo é tudo besteira.
[Bom trabalho na cena de beijo hoje~^^]
[Será que o J gosta da nossa Sua?]
[Se fosse o oppa eu não teria errado ]
[Ou não, talvez errasse de propósito..?]
[Brincadeira~ o oppa é profissional, sabe^^]
[Não confia muito em homem ]
[Homem é tudo lobo^^]
[A Sua também é boa de físico ]
[O oppa está animado com o seu futuro^^~]
[Quando estiver difícil, é só me chamar.]
[Tarde da noite também pode..kk]
— Ah, merda. Por que a vergonha é minha?
Eunho concordava. Por que o constrangimento é de quem lê? No meio disso, ele nem teve coragem de rolar a tela e precisou respirar fundo. Sua também aguentou até dizer que iria dormir, e mesmo assim Park Taesu ainda respondeu que “a pele de bebê é diferente mesmo” e desejou bom descanso.
— Eu também quase morri de vergonha lendo. Mas você não viu… Tem mais coisa embaixo.
— …Isso não é tudo?
Surpreendentemente, as mensagens que os deixaram horrorizados eram apenas as de um único dia. O desgraçado sem-vergonha, mesmo depois do banho de cerveja, não se emendou e continuou dando em cima de Sua. No dia seguinte, no outro e até no dia em que Jihyun divulgou seu posicionamento, Park Taesu mandou mensagens todos os dias, sem falta.
— Foi doentio até de ler. Tem uma transcrição de áudio embaixo, essa é ainda pior. Dizem que não há árvore que resiste a dez machadadas, mas…
O diretor Byun balançou a cabeça com repulsa. A transcrição que ele mencionou era de fato pior que as mensagens. Estava resumida, mas mesmo com muitas omissões estava cheia de falas que faziam franzir a testa.
— Será que eu envelheci e não entendo mais… Hoje em dia os jovens paqueram desse jeito?
— Que loucura é essa. Bater dez vezes em quem não cede é processo, não paquera.
Jihyun, também de cenho franzido, respondeu friamente. Disse que mais um pouco e viraria perseguição, e perguntou se não havia menção a processo de verdade. Ele parecia querer que ela processasse, mas infelizmente não havia esse conteúdo no texto.
— Acho que o objetivo é só tornar público. Para começar, só com isso é difícil processar.
Depois de ouvir o diretor Byun, Eunho leu a matéria até o fim e desligou a tela do tablet. A matéria terminava dizendo que Lee Sua vinha sofrendo com aquilo e que esperava que Park Taesu tivesse uma postura à altura de uma figura pública. De fato, o objetivo parecia ser apenas tornar público.
— De todo modo, foi bom pra gente. Se a imagem do Park Taesu piorar, aumentam os que ficam do lado do Hyun. Já tem gente dizendo que o ator Ji fez justiça.
— Bom…… é uma boa notícia mesmo.
Eunho respondeu devagar e olhou sem querer para Jihyun. Era claramente uma boa notícia, mas ele continuava com uma sensação incômoda. O que o incomodava era o fato de ela ter publicado justamente naquele momento (e com o único objetivo de expor).
— A Lee Sua devia detestar mesmo o Park Taesu. Lendo a matéria, até eu acharia nojento…
Dessa vez Eunho não conseguiu concordar. Porque, para ser só ódio a Park Taesu, o risco que Sua assumia era grande demais. Lee Sua era uma atriz em ascensão e não havia motivo algum para criar uma polêmica dessas.
Quando ele ia contestar, Jihyun, que estava calado, abriu a boca de repente:
— A Lee Sua não é boba pra publicar uma matéria dessas por esse motivo. Não traz nenhum benefício pra ela.
A voz suave e macia não era alta, mas se cravou nos ouvidos. Não só Eunho, que estava calado, mas o diretor Byun, que ia conferir a matéria de novo, olhou para Jihyun. Jihyun tocou o tablet com o indicador e continuou:
— Se sai uma matéria assim, além do Park Taesu, a imagem da Lee Sua também piora. Ela sabe muito bem que este país é duro com as atrizes…
Mesmo que a pessoa não tivesse feito nada de errado, matérias envolvendo atores homens carregavam certo risco. Especialmente quando o outro demonstra “interesse”. Provavelmente um assunto sujo ficaria colado nela como um rótulo.
— Você acha que não vão dizer que ela devia ter se comportado direito? Mesmo respondendo de forma profissional assim, vai ter gente dizendo que foi ela quem deu abertura.
Dizendo que até dois “ha ha” seriam interpretados como se ela estivesse rindo para ele, Jihyun soltou uma risada de escárnio. De fato, havia muitos idiotas que criaram brechas onde não existiam. Jihyun, que rodou o suficiente no meio artístico, sabia bem o quanto o olhar do público podia ser tacanho.
— Isso não é denúncia, é dar um tiro no próprio pé. As gravações de “Testemunha” já terminaram, ela não vai cruzar mais com ele, bastava ignorar o Park Taesu e trocar de número…
Ao dizer isso Jihyun tinha uma expressão de certa forma sufocada. Parecia irritado, ou talvez com o orgulho um pouco ferido. O jeito como olhou para Eunho e desviou os olhos parecia culpa, mesmo não havendo razão para isso.
— …De todo modo, ela não fez isso só porque detesta o Park Taesu. Vendo aquele dia, ela até parecia tímida.
— Como você sabe que ela é tímida?
— Basta olhar pra ver.
E então Jihyun olhou de novo de relance para Eunho. “Por isso ela não conseguiu nem pegar o número…”, murmurou ele, e Eunho cerrou os lábios. Ele já imaginava o que Jihyun queria dizer.
— …Pois é. Mas então por que ela publicou?
Só então o diretor Byun inclinou a cabeça com estranheza. Sim, era exatamente isso que incomodava Eunho desde o começo. Como Jihyun disse, não havia benefício algum, então por que Lee Sua fez aquela escolha?
— A não ser que ela esteja tentando ajudar abertamente…
A hipótese que surgiu num instante certamente passou pela cabeça de todos ali. Por isso o diretor Byun também hesitou e disse:
— Será que ela não é sua fã, Hyun?
— Melhor que ela fosse minha fã.
Não era uma situação engraçada, mas Jihyun soltou uma risada fina. Mesmo sem ter feito nada de errado, Eunho baixou a cabeça sem querer e coçou a nuca. Era um hábito inconsciente de quando ficava constrangido, e Jihyun, que o observava fixamente, estalou a língua.
— Entre em contato com a equipe da Lee Sua. Peça um encontro.
— O quê? Vai encontrar a Lee Sua?
Se ele perguntou se ela era fã dele, o diretor Byun também sabia quem era o maior beneficiado pela situação. Ainda assim reagiu com desagrado à fala repentina de Jihyun. Ele devia querer passar por tudo aquilo do modo mais silencioso possível, mas infelizmente Jihyun não pretendia atender a esse desejo.
— Não dá pra ficar devendo.
Tocando o tablet de novo, Jihyun baixou os olhos. Ele dizia “devendo”, mas não dava para saber se num sentido positivo ou negativo.
Então Jihyun abriu a boca com um rosto de algum modo perturbado:
— Preciso agradecer.
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O encontro com Sua se concretizou bem mais rápido do que o previsto. Como ambos os lados estavam em recolhimento, ninguém tinha motivo para arrastar. A data foi marcada no dia seguinte e o local foi o prédio da agência de Sua. Seria bom oferecer ao menos uma refeição, mas, com aquelas profissões, era preciso considerar os olhares alheios.
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Faby&Othello