Introducing My Manager (Novel) - ⋆⋅☆⋅⋆ Capítulo 03
Nos dias seguintes, Jihyun ficou quietinho no quarto do hospital, como o diretor Byun pediu. Não era que quisesse se comportar bem; era que, ao fechar os olhos, ele mergulhava continuamente num sono profundo. Como se quisesse dormir num quarto de hospital todo o sono da vida, o horário mudava a cada vez que abria os olhos.
Só saía da cama para medir a pressão e comer. Às vezes se lavava com a ajuda do diretor Byun, mas mesmo nos momentos de consciência sua cabeça continuava enevoada. Devia ser efeito dos remédios e das injeções, mas para Jihyun, que sofria de insônia, era até uma sorte.
— ……Sem você eu não consigo respirar.
Mas o problema começou quando seu inconsciente passou a procurar Kwak Eunho. Ao fechar os olhos surgia aquele rosto conhecido, e aquela voz seca de sempre rondava seus ouvidos. Jihyun. Ouvindo repetidamente aquele chamado, a certa altura já não distinguia sonho e realidade.
— ……Podem desligar a câmera, por favor.
O Eunho diante dele o observava com o boné puxado para baixo. Enquanto examinava seu rosto com olhar preocupado, tirou o próprio boné e o colocou na cabeça de Jihyun. Depois tapou seus ouvidos com as duas mãos e falou com aquela voz serena de sempre:
— Jihyun, olha pra mim.
Ele mandou dizer três coisas que via. O teto, o tubo do soro e, por último, o braço com a agulha espetada. E quando fechou os olhos, os olhos pretos e a expressão que ficara séria.
— E o que você ouve?
E o que ele ouvia era…….
— ……A sua voz e a sua respiração…….
A resposta não saiu da boca de Jihyun. Talvez fosse a resposta que ele um dia sussurrou como um sopro enquanto o segurava. Antes que seus lábios se mexessem, Kwak Eunho fez de novo a pergunta familiar.
— E o que você sente?
— …….
A cabeça embriagada de sono voltou aos poucos à realidade. Não havia sinal algum do pulso que ele segurava, e o que tocava sua palma era apenas o lençol áspero. Piscando, piscando, quando abriu os olhos, em vez da resposta que subira até a garganta saiu uma voz vazia.
— Nada…….
Não ouvia som algum, não sentia calor algum. De nada adiantava rir do vazio; agora não existia sequer um peito onde desabar. O quarto onde ficou sozinho era tão silencioso a ponto de ser árido, e ele chegou a pensar que talvez fosse este o sonho.
Era anormal, ele percebeu sozinho. Não que alguma vez tivesse sido normal, mas mesmo considerando que era um doente mental, aquilo era estranho demais. A sensação de crise que jamais sentira nem quando os pais morreram era mais grave do que quando Kwak Eunho sumiu, por volta dos seus vinte anos.
Queria pelo menos estar ocupado sem parar, mas um paciente cuja prioridade é o repouso não tem nada para fazer. Ainda por cima, como ele mandou que ninguém viesse, o único que aparecia era o diretor Byun. Bom, se todo mundo tivesse invadido o quarto, aí sim teria sido enlouquecedor.
Algumas semanas até tirarem o soro e o gesso. Os dias de Jihyun se repetiam iguais. Conforme as feridas saravam, o tempo acordado aumentou, mas isso não fazia os pensamentos sobre Eunho sumirem. Sempre que fechava os olhos para tentar dormir, uma voz grave ressoava em seus ouvidos.
— Jihyun.
Foi por isso que ele colocou o boné como que enfeitiçado e saiu do quarto. Já que o osso tinha colado, e a alta estava próxima. Porque, se continuasse deitado, não era o corpo, mas a cabeça que iria se estragar. Porque, se piorasse mais que aquilo, poderia perder até o pretexto para segurar Eunho.
Com o último resquício de consciência colocou uma tala e disse ao segurança na entrada que ia ver o diretor. Como não era novidade na vida de um ator, despistar os repórteres que rondavam o hospital não foi tão difícil.
— O senhor não é aquele ator que aparece na TV?
— Falam muito que eu pareço com o Shin Ichan.
Respondeu à fala do taxista com o tom sem interesse de sempre. Talvez por não ter reconhecido Jihyun de boné, o motorista tagarelou coisas sem valor, dizendo que a filha dele gostava de um tal Sunshine, ou coisa assim. Devia estar falando do “Sunset”, o grupo de Shin Ichan, mas não havia necessidade de dar bandeira.
— Minha filha gosta do líder de lá…
Deixando as falas do motorista passarem, Jihyun olhou distraidamente pela janela do carro. Era uma ação sem sentido, mas acabou lembrando de Kwak Eunho ao ver cada pessoa que passava. Aquela pessoa porque tinha cabelo preto, ou porque usava boné, ou porque era alta, ou porque vestia roupa parecida. Motivos ridículos surgiam infinitamente e ele ficava soterrado ali, sem conseguir escapar.
— O quê? Hyun, como você chegou aqui?
Foi por isso. No instante em que abriu a porta da sala do diretor e entrou, achou que o sujeito diante dos seus olhos era uma alucinação. Mesmo olhando fixamente para o rosto dele, pensou aquilo com uma expressão sem emoção.
— …
Ah, agora eu enlouqueci mesmo.
Sob as sobrancelhas escuras, os olhos retos o fitavam. Os olhos tão pretos que não se distinguia a pupila tinham um realismo como se fossem de verdade. Era o sujeito com quem ele se encontrava em sonho todos os dias, sem exceção. Agora estava vendo até acordado.
— Perguntei como você chegou aqui.
Se o diretor Byun não tivesse dito aquilo, Jihyun provavelmente teria ficado parado ali o dia inteiro. Talvez até murmurasse, sem perceber, o nome que não poderia chamar. Se tivesse feito isso, dessa vez teria sido internado por outro motivo.
— Como assim, como cheguei? De táxi.
Desviando o olhar com esforço, respondeu ao diretor Byun com voz desinteressada. Ignorou a alucinação quase real e sentou o corpo cansado no sofá. Torcendo para que o suspiro fraco que soltou não carregasse saudade, conteve à força a vontade de olhar mais uma vez.
— Ficar no hospital dá uma agonia insuportável…
A atuação que fizera a vida inteira ajudava nessas horas. Fingir que não estava perturbado, fingir que não vira nada, forjar uma expressão neutra — nada disso era difícil. Esconder um estado de instabilidade e atuar de normal não era nada de mais para Jihyun.
— Ei, moleque, mesmo que vocês tenham brigado…
Mas a reação do diretor Byun era estranha. Ele estalou a língua, murmurou algo baixinho e olhou ao redor de forma pouco natural. Jihyun, se perguntando o que estava acontecendo, baixou o olhar e franziu o cenho ao encontrar uma folha de papel sobre a mesa.
— …?
Era uma carta de demissão. Com o nome de Kwak Eunho escrito, provavelmente a carta que ele entregou ao largar o cargo de empresário. E ao lado dela, duas xícaras de café.
Por que diabos isso estava ali? Pensando assim, Jihyun virou de repente a cabeça e olhou para a porta.
— …….
— …….
Os olhares se cruzaram. No rosto que o encarava surgiu constrangimento, e os lábios bem-feitos se mexeram quase imperceptivelmente. No instante em que o sujeito que ele achava ser alucinação soltou uma risada perplexa, da boca de Jihyun também saiu uma voz trêmula.
— Kwak Eunho?
Era o Kwak Eunho de verdade. O Kwak Eunho que ele vira em sonho, que encontrara apenas em alucinação. O hábito de esfregar a nuca, o jeito de resmungar baixinho e desviar o olhar — era o mesmo Kwak Eunho que ele conhecia.
— ……Hm.
Como se tivesse levado um golpe na nuca? Ou como se tivessem jogado água gelada nele?
Por um bom tempo não conseguia pensar em nada. Assim que soube que ele era real e não uma alucinação, sua cabeça se esvaziou por completo. Foi como se o tempo tivesse parado, e por um instante como se a respiração tivesse cessado.
— Então eu vou indo.
Mas no momento em que o olhar dele se desviou, Jihyun se levantou desesperadamente e foi até ele. Segurou o antebraço dele com força e o puxou para si com toda a força que tinha. Se não estivesse com o braço direito engessado, talvez tivesse feito força com a mão machucada.
— …….
— …….
Uma vez já tinha acontecido algo assim. Diante do telão ofuscante, quando finalmente segurou a alucinação que via em sonho todas as noites. Naquele dia em que ele não conseguia soltar a mão com medo de que tudo desaparecesse como uma miragem.
— O que foi.
— …….
Sem saber o que dizer, apenas mexeu os lábios sem rumo. Como sentia que, se ficasse parado, ele daria as costas e sairia, forçou a voz que não saía.
— …Aonde você vai?
Sabia que era uma pergunta idiota. De início dissera qualquer coisa e nem esperava resposta. Enquanto soltava o braço dele porque ele disse que doía, já estava pensando com que palavras o seguraria em seguida.
— Jihyun.
Quando ele chamou seu nome, os pelos se arrepiaram como um choque. O nome que ouvia depois de muito tempo não soou estranho apesar do intervalo. Só que sua garganta se apertou mais, e tocou seu coração mais do que ele imaginara.
— Eu…….
Quem diria que um nome ouvido incontáveis vezes doeria tanto. O tratamento que antes só o incomodava agora chegava ao ponto de desagradá-lo se não fosse pronunciado.
— Eu me machuquei.
Não era que quisesse bancar o frágil. É só que, se ele fosse seu empresário, já saberia disso há muito tempo. Não tinha ficado nem um pouco magoado por ele não ter feito visita, mas se ele entendesse errado que fora de propósito, se sentiria injustiçado.
— Se está bem, tudo certo. Eu fiquei preocupado, que bom.
A palavra “preocupado” deixou um gosto doce em sua boca. Não imaginava que ver aquele olhar calmo examinando o gesso seria tão bem-vindo. Mesmo sabendo que era um desejo mesquinho, surgiu até a ganância de que ele se preocupasse um pouco mais.
Foram pouco mais de dois meses, mas Kwak Eunho estava diferente em vários aspectos. Por exemplo, os traços do rosto ficaram mais angulosos, ele nunca olhava para trás enquanto andava e voltou a fumar, coisa que não fazia mais.
Quando ele se perguntou por que voltou a fumar, algo tão ruim para a saúde, a resposta foi esta:
— Parece que eu não sou tão duro quanto você pensa.
Quem não sabe que Kwak Eunho é de coração mole. Chamá-lo de duro não passava de uma piada de passagem. Claro, ele sabia que no momento decisivo ele conseguia ser implacável.
Pois é, por isso mesmo ele achou que ele recusaria facilmente a proposta de participação fixa no “AME”.
— Eu disse que ia fazer.
— …….
Às vezes ele sentia isso. Que Kwak Eunho era uma existência muito diferente da sua. Como não eram a mesma pessoa, era natural, mas ele não conseguia prever seu padrão de comportamento de jeito nenhum. Achava que sabia tudo sobre ele, mas em certos momentos sentia que tudo o que sabia era trivial demais.
— Eu não estou voltando de vez, não.
Claro que não. Antes do desapontamento, veio o alívio. Se criasse expectativas à toa, acabaria esperando coisas demais dele. Nesse caso era mais confortável esperar com um prazo definido.
— E tem uma condição também.
Jihyun imaginava que tipo de condição ele imporia. Comportamentos que ele, como empresário, insistiu até cansar para que ele não fizesse; erros que ele remoeu várias vezes na ausência dele; tudo o que ele calculou vagamente ao repassar aquele começo irreversível.
Mas da boca de Eunho saiu, de novo, algo inesperado. O conselho calmo, típico daquele sujeito mole, de que ele fizesse tratamento. Ele nunca se movia como ele previa. O que ele pediu no fim era, novamente, algo em benefício dele.
— …Eu sei que não devia depender de você nem pra isso.
Na verdade queria não saber. Tinha uma vontade enorme de mandar tudo isso aos infernos e continuar dependendo dele como até então. Segurá-lo dizendo para não ir, agarrá-lo dizendo que não conseguia dormir, e assim, apoiado naquele toque de um instante, conseguir a duras penas respirar, seria bom.
Mas ele não tinha dito antes? Que ninguém melhor que Jihyun sabia qual seria o fim daquela compaixão. Então não podia mais chutar com o próprio pé a chance que finalmente lhe fora dada de novo.
Depois de ter o boné tomado por ele, passaram-se mais alguns dias. O tempo corria sem que ele soubesse quando ele voltaria. A gravação do drama era logo, mas ainda faltava bastante para a gravação do “AME”. Kwak Eunho provavelmente voltaria por essa época, então não havia motivo para esperar por alguém que não viria.
— …….
Mas então por que o tempo que passava vagamente era tão detestável? Por que ele lembrava dele nas noites em que não conseguia dormir, mesmo depois de receber alta e voltar para casa? Foram muitos os dias em que passou a noite com o celular na mão, se perguntando se por acaso ele não entraria em contato.
Não passou mais o tempo deitado no sofá como antes. A razão de ficar na sala era que a sala era o primeiro lugar que se via quando Eunho entrava. Agora era uma casa em que só o diretor Byun entrava, então não havia necessidade de esperar ansiosamente num lugar desconfortável.
Depois de passar a noite tentando dormir sem sucesso, franziu o cenho ao ouvir alguém abrir a porta do quarto. Foi porque o irritou o fato de que a manhã tinha chegado sem que ele dormisse um minuto sequer. Estava engolindo um suspiro, prevendo algo como “Hyun, até quando você vai dormir?”, quando:
— Jihyun.
Não era uma voz alta, mas ele se assustou como se o coração tivesse despencado. Era um chamado totalmente inesperado, de uma pessoa que ele nem ousara desejar. A figura de pé no quarto escuro parecia mais um sonho do que as noites em que não dormia.
Mesmo enquanto lavava o rosto ele não conseguia acreditar que ele tinha vindo, e demorou um bom tempo até descer ao primeiro andar. Sentia que, ao entrar na cozinha, não haveria ninguém, e teve medo de que tudo aquilo fosse uma alucinação criada por ele.
— Senta, você não comeu nada, né?
— …….
É sonho? Ou eu enlouqueci de vez? Ou é uma realidade que aconteceu como um milagre?
Não havia grande motivo para ele chamá-lo de “querido”. Se fosse sonho, ele responderia “o quê?”, e se ele estivesse louco, ele reagiria de forma mais gentil. Como naquela época em que não tinham brigado, quando ele ainda não tinha largado o cargo de empresário.
— Por que eu sou seu querido?
Mas Eunho, contrariando a previsão de Jihyun, respondeu com voz firme. Ah, então isso é realidade mesmo. Junto com essa constatação veio uma sensação de vazio.
— …Ah, e eu pensando aqui…
Que tinha enlouquecido de vez.
Bom, não era ruim. Se aquilo tudo não era sonho, não precisaria suportar o vazio que subiria até a garganta no momento em que acordasse. Se não era uma ilusão que se desfaria, de todo modo tinha escapado do pior cenário.
Conversaram como se nada tivesse acontecido e ele comeu tudo o que ele preparou. Levou alguns sermões, mas felizmente ele não levantou a voz nem se irritou. Ainda assim, mesmo assim, toda a situação era desconfortável.
Se lhe perguntassem se Kwak Eunho o incomodava, ele responderia que não. Já teve vezes em que ficou receoso, mas nunca teve vontade de se afastar; já achou difícil, mas nunca desconfortável. Então aquilo era um constrangimento com a situação, não com a existência dele.
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Faby&Othello