Introducing My Manager (Novel) - ⋆⋅☆⋅⋆ Capítulo 18
E então Jihyun soltou o pulso de Eunho e começou a andar. Diante daquelas costas que avançavam a passos largos, Eunho voltou a si e se mexeu depressa.
— Ei!
Abrindo caminho entre as pessoas, ele foi exatamente na direção do autor imobilizado pelos seguranças. Houve gritos em volta, mas ele parecia não ouvir nada. Agarrando de imediato a gola do sujeito, Jihyun ergueu o punho como se fosse desferir um golpe a qualquer momento.
— Jihyun!
Ele parou. Eunho não perdeu aquele instante e segurou o braço de Jihyun com a mão que não estava suja de ovo. Tanto o autor, com a gola presa, quanto os seguranças que o seguravam ficaram sem reação, olhando para os dois.
— Não pode.
— …
— Não faz nada.
Se ele batesse ali, dessa vez realmente não teria como remediar. Por mais que ele tivesse levado um ovo, um ator usar os punhos era outra história. Já havia tantos olhos sobre eles, para que aumentar o problema?
— Se fizer isso, você se complica de verdade.
— …
Diante da frase dita baixinho, o punho de Jihyun tremeu. O olhar que fuzilava o autor pareceu vacilar. Então Jihyun fechou os olhos devagar e soltou um suspiro contido.
— …Ha.
A mão que segurava a gola perdeu a força. Quando o autor recuou cambaleando, os seguranças o agarraram depressa e abriram distância.
— Porra, sério…
Ele torceu para que o que ele mastigou não tivesse chegado aos curiosos. Claro, foi baixo o bastante para que só Eunho, ao lado, ouvisse. Depois de recuperar o fôlego por um tempo, Jihyun soltou a mão de Eunho com um tapa e ordenou ao segurança:
— Chamem a polícia e entreguem ele.
Foi só isso. Dessa vez Jihyun segurou Eunho e caminhou em direção ao estacionamento. Era a mão suja de ovo, mas Eunho não conseguiu retirá-la dele.
🎬 ∙ ∙ ∙ 🎥 ∙ ∙ ∙ 🎭∙ ∙ ∙ 🎬 ∙ ∙ ∙ 🎥 ∙ ∙ ∙ 🎭
🎬 ∙ ∙ ∙ 🎥 ∙ ∙ ∙ 🎭
Depois daquela confusão, a gravação de “Testemunha” também não seguiu tranquila. O autor foi entregue à polícia, mas Jihyun, furioso, não conseguia se concentrar na atuação. Esquecia falas, olhava para Eunho no meio da cena, e uma única cena levava um tempo enorme.
Ainda bem que, depois de uma breve pausa, ele terminou todas as gravações com uma concentração impressionante. Foi porque, quando ele disse a Eunho, já lavado, que fosse ao hospital, Eunho soltou:
— Como eu vou ao hospital se você está aqui?
Jihyun, que franziu o cenho como se fosse dizer algo, ficou um bom tempo cabisbaixo, pensando. Se ele mandasse ir sozinho, ele diria que não era preciso, mas, inesperadamente, Jihyun se concentrou obedientemente na gravação.
— Enfim, o mundo está cheio de loucos.
E agora eles estavam na sala do diretor, depois de ir ao hospital. O autor fora levado à delegacia, e o diretor Byun dissera ter movido os pauzinhos para que Eunho não precisasse comparecer.
— O empresário Kwak ficou com hematoma nesse rosto bonito. O que disseram no hospital?
— Que não há nada de grave.
Levar um ovo cru não poderia causar nada sério. Ficou um hematoma, mas com o tempo curaria. Pois é, não havia necessidade alguma de ir ao pronto-socorro àquela hora.
— Então por que aquele desgraçado fez isso.
Jihyun, que fizera aquela coisa desnecessária dirigindo pessoalmente, foi direto ao ponto com o diretor Byun. O diretor Byun juntou os papéis que deixara sobre a mesa e os estendeu aos dois.
— Ah, motivos sem pé nem cabeça.
Nos papéis que ele estendeu havia os dados pessoais do autor. Era um homem de pouco mais de vinte anos, estudante de uma universidade de certo renome.
— Segundo ele, ficou com inveja porque uma pessoa que nem é artista apareceu na TV e ficou famosa. Ele escreveu um monte de ofensas contra o empresário Kwak numa comunidade estranha. Ah, e tem posts defendendo o Park Taesu também.
Ao virar a página, havia impressões dos posts que ele publicara na comunidade. 「Ator ou empresário, os dois são iguais……」 — havia mais de cinco textos começando assim.
— Pelo visto ele já era um anti seu, Hyun. Tem registro de inscrição no fã-clube anti do Jihyun.
— …Ainda existe esse tipo de fórum?
— Pois é, existe. Eu também me surpreendi, Eunho.
O diretor Byun estalou a língua e fez cara de desprezo. Como Jihyun era ator, eles já tinham visto todo tipo de gente cheia de complexo, mas esse tipo de pessoa era incompreensível por mais que se visse.
— Porra, então que descontasse em mim, por que fez isso com o Kwak Eunho?
— O empresário devia parecer o alvo mais fácil. No fim é uma pessoa comum e devia parecer alguém numa posição parecida com a dele.
Enfim, são loucos, repetiu o diretor Byun mais uma vez. Como Eunho apenas folheava os papéis calado, ele olhou com pena o ferimento ao lado do olho dele. Os olhos rasgados sem dobra palpebral estavam levemente inchados e roxos.
— E aí, vai processar? Se for, a empresa ajuda.
A NB Entertainment tinha um departamento jurídico, e Eunho, como funcionário, obviamente podia recorrer a eles. Como já haviam tratado de muitos processos ligados a Jihyun, nessa área o diretor Byun era especialista.
— Não, é que…
Mas Eunho não respondeu de imediato e arrastou o final da frase. Não seria um incômodo se virasse barulho? Foi o que pensou. Havia também a sensação de que já viu de tudo na vida, mas, comparado às surras que levara em empregos, aquilo não era nada.
— Não precisa…
— Tem que processar.
Uma voz firme cortou a fala de Eunho. Era Jihyun, sentado ao lado com o rosto furioso. Depois da gravação, no hospital ouvindo o médico e ao chegar à sala do diretor, Jihyun continuava naquele estado.
— Tem que fazer um exemplo pra não repetirem.
A voz era suave, mas a expressão não. Eunho não podia ignorar que aquilo vinha da experiência.
E, diante de Eunho, que ainda não respondia, Jihyun perguntou torcendo a boca:
— Não me diga que você vai deixar passar?
Era um tom de “não pode ser”. Se ele respondesse que sim, parecia que a qualquer momento choveriam palavras duras.
— …Hm.
Eunho primeiro murmurou brevemente e olhou de novo os papéis. Ele também era humano, se não tivesse ficado bravo seria estranho. Ele até explodiu se perguntando que sujeito era aquele, mas, passada a raiva, o sentimento restante era apenas constrangimento.
— Se eu processar, o caso só cresce. Faz pouco tempo que o caso do Park Taesu terminou, não posso dar pauta pra imprensa de novo.
— Porra, que…
Ele achou que era um motivo razoável, mas Jihyun abriu a boca com irritação. Ele esperava uma ironia como daquela vez, mas, inesperadamente, ele engoliu a frase e cerrou a boca.
Depois de um longo silêncio, Jihyun fechou os olhos com força e os abriu com um suspiro profundo.
— …E se não fosse ovo, e sim uma pedra?
O olhar baixo se dirigiu a Eunho. Mais precisamente, olhou seus olhos e depois passou ao hematoma ao lado.
— E se tivesse acertado o olho em vez da têmpora?
— …
Por um instante ele ficou sem palavras. Porque era uma dúvida calma e coerente, o que não era do feitio dele. Mas Eunho tinha poucas respostas a dar.
— Não aconteceu, então tudo bem.
— Você falaria assim se fosse eu quem levasse?
— Ei, você fala…
Eunho, que ia responder com irritação, calou-se. Se Jihyun estava calmo, ele não podia ser o primeiro a se irritar. Depois de substituir Jihyun na situação por um instante, Eunho falou com voz mais séria que antes:
— Se fosse você, teria que processar.
Jihyun mexeu os lábios. Ia dizer “e por quê”, estava claro. Mas Eunho acrescentou antes:
— Você é artista.
— …
— E eu sou só o seu empresário.
Se artista é figura pública, empresário é apenas uma pessoa comum. Proteger quem é exposto na mídia era função do empresário, e não lhe causar prejuízo também. Além disso, se a vítima fosse Jihyun, Eunho não teria confiança de reagir com calma como naquele dia.
— Isso e aquilo são coisas diferentes.
— Ah… É?
Jihyun soltou uma risada seca e ergueu o canto da boca. Era claramente um escárnio, mas o alvo não era Eunho. Era, se muito, um ceticismo com a situação em si.
— Essa merda de empresário…
Mastigando aquilo baixinho, Jihyun se levantou de repente. Eunho não teve tempo de detê-lo nem de dizer nada. Andando nervoso, Jihyun abriu a porta e saiu sem sequer olhar para trás.
— …
Pam! Com a porta fechada com violência, o silêncio pairou na sala. Eunho franziu o cenho e encarou a porta por onde ele saíra. Devo segui-lo? Enquanto hesitava, veio um pigarro do outro lado.
— Ahem.
— …
Assustado, Eunho voltou a si e olhou para o diretor Byun. Enquanto conversava com Jihyun, ele esquecera completamente a existência do diretor Byun.
— Eunho, eu entendo o que você sente, mas…
Felizmente o diretor Byun não os repreendeu por terem conversado deixando-o de fora. Apenas começou hesitante e girou os olhos devagar. Então, dos lábios que se abriram, saiu uma voz séria, o que não era do seu feitio:
— Eu também queria que você processasse.
Era um clima bem diferente de quando ele perguntou se ele ia processar. Se aquilo fora uma pergunta de diretor, dessa vez era uma fala de adulto.
— Empresário não é uma profissão em que se deva aguentar esse tipo de coisa.
Não sabia por que aquela frase banal ficou tão marcada. Eunho baixou os olhos e cerrou o punho com força. Engolindo algo que subia até a garganta, Eunho abriu a boca com dificuldade:
— …Sim, vou pensar.
🎬 ∙ ∙ ∙ 🎥 ∙ ∙ ∙ 🎭∙ ∙ ∙ 🎬 ∙ ∙ ∙ 🎥 ∙ ∙ ∙ 🎭
🎬 ∙ ∙ ∙ 🎥 ∙ ∙ ∙ 🎭
Já fazia sete anos trabalhando como empresário, mas ele nunca pensou que o trabalho em si fosse difícil. Para começar, combinava com ele e Jihyun ao menos ouvia o que ele dizia. E, acima de tudo, comparado ao que ele fazia até então, a carga de trabalho era muito menor.
Lan house, loja de conveniência, às vezes restaurante e salão de sinuca, e depois de adulto até construção civil. Depois de incontáveis bicos, Eunho gostava bastante da profissão de empresário. Primeiro, não precisava se preocupar com dinheiro, não corria o risco de levar um tapa na cara de alguém e não surgiam situações perigosas a ponto de se machucar gravemente.
Houve um tempo, sim, em que ele não conseguia nem expressar as injustiças que sofria. Quando o tal patrão fazia escândalo e ele, mais do que ter apanhado, tinha medo de que o salário atrasasse. Quando machucou a perna carregando cimento e, mais que a dor, sentiu a angústia de não poder trabalhar no dia seguinte.
Chame de hábito de aguentar. Eunho tinha confiança de suportar qualquer coisa com indiferença. Não porque estivesse realmente bem, mas porque pagavam e ele aguentava de algum jeito. E, comparado àquela época, o que ele enfrentava como empresário não era nada.
— …
— …
Jihyun, que saiu da sala do diretor como se estivesse bravo, esperava Eunho, inesperadamente quieto, no banco de trás do carro. Eunho voltou ao carro depois de terminar a conversa com o diretor Byun e levou Jihyun até a frente do apartamento. Jihyun não lhe dirigiu palavra alguma.
— Sobe. Amanhã eu venho te buscar.
Eunho estacionou na garagem, desligou o motor e falou com Jihyun. A agenda do dia já tinha terminado e não havia motivo para subir junto. Como parecia que ele não o seguraria, ele pensava simplesmente em ir para casa.
— Eu vou pensar no processo, então…
Eunho falou com cautela para Jihyun, que continuava imóvel. Só então Jihyun o encarou pelo retrovisor. Se virasse a cabeça poderia olhá-lo diretamente, mas por alguma razão ele não teve coragem.
— Então melhora esse humor. Quem levou o ovo fui eu, por que você fica bravo?
— Você é mesmo…
Era meio brincadeira, mas parece que aquilo o irritou ainda mais. Jihyun franziu bastante o cenho e mexeu os lábios. Mas a frase não continuou, e só depois de um bom tempo uma voz baixa disse, com gravidade:
— Você aguenta porque é empresário.
— …O quê?
Eunho perguntou de volta porque não sabia se aquilo era pergunta ou constatação. A voz suave, sem altos e baixos, era igual à de sempre e ao mesmo tempo sutilmente diferente.
— Você aguenta porque é empresário. Com medo de atrapalhar o trabalho.
Ah, então era constatação, não pergunta. Quando Eunho piscou calado, Jihyun continuou devagar, sem parar:
— E porque eu sou quem te paga.
Quem te paga é o diretor, não eu. Mesmo pensando isso, Eunho não abriu a boca. Não era tão sem noção a ponto de dizer aquilo naquela situação.
Mas Jihyun, que parara um instante, sorriu de leve e disse:
— Eunho.
Uma tensão inexplicável o invadiu. Porque um chamado comum soou estranhamente doce. Você chamando assim é muito esquisito. A voz envolvente à toa propôs com suavidade:
— Larga o cargo de empresário.
— …
Que história era essa de repente? Ele levou um tempo para entender a situação, como se tivesse levado um golpe na nuca. Enquanto Eunho o encarava aturdido, o olhar no espelho ficou pesado. No instante em que viu os olhos castanhos-claros, seu coração pareceu despencar.
— Eu…
— …
— Gosto de você.
Diante da declaração que saiu de repente, Eunho não conseguiu dizer nada. Apenas congelou por um instante, sem conseguir nem respirar. Jihyun continuou devagar, sem tirar os olhos dele:
— Por isso não quero te colocar em apuros.
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Faby&Othello