Introducing My Manager (Novel) - ⋆⋅☆⋅⋆ Capítulo 17
Diante da frase dita com fingida serenidade, Jihyun estreitou os olhos. O canto da boca ainda tinha algo como um sorriso de escárnio. Encostado no banco, Jihyun olhou de novo pela janela e murmurou como que para si:
— Você a defende bastante. Desde quando são tão próximos.
Dessa vez não foi muito diferente do normal. Resmungar e ainda assim falar com suavidade, desviar o olhar e ainda assim espiar de canto.
— …E como você recusou?
Os olhares se cruzaram pelo retrovisor. Eunho olhou logo para a frente, mas sabia que o olhar dele continuava fixo em seu rosto.
— Você recebeu uma declaração, então recusou de algum jeito.
— …
Então ele não ouviu até o fim. Só então Eunho teve certeza e soltou um suspiro de alívio em segredo. Pelo que ele dizia, ele devia ter ouvido só até a parte da declaração de Sua. Nesse caso, não havia por que se desconcertar ou se justificar.
— Recusar o quê. Ela nem pediu pra namorar.
Como era uma declaração que desde o começo não pedia nada, Eunho não precisava recusar sentimento algum. Sua devia ter dito aquilo já com a intenção de encerrar. Provavelmente em pouco tempo ela desistiria por completo dele.
— Só agradeci por ela ter publicado a matéria.
Pensando agora, era curioso. Já se passaram anos e gentilezas que ele fez sem pensar que virariam sentimentos. Se as pessoas se apaixonam por esse tipo de motivo, então Jihyun é que deveria ter se apaixonado por ele primeiro.
— …Ela não vai entrar em contato?
— Você entraria?
Bom, também não havia como. Ele nem trocou número com Sua, e o único elo era Jihyun, o ator. Se os dois não gravassem uma produção juntos, Eunho não teria como encontrá-la nem por acaso.
— Ainda bem que ela não me odeia.
Talvez ela achasse desconfortável e nunca mais quisesse cruzar com ele. Momentos antes, o próprio Eunho sentiu-se sobre agulhas pensando que Jihyun tinha percebido seus sentimentos. Mesmo não sendo uma recusa ruim, uma vez revelado o sentimento não dá para voltar ao que era.
— …Quando se gosta de alguém, não é bom só de ver a pessoa?
Jihyun abriu a boca com atraso, num tom arrastado. A frase soou tão doce que quase parecia uma fala de novela.
Quando Eunho olhou de relance para o retrovisor, ele perguntou, encarando-o:
— Então por que passa a não querer ver?
Era um tom de quem realmente não entendia. Nos olhos castanho-claros havia um pouco de estranhamento e uma insatisfação inexplicável. Eunho desviou o olhar e respondeu com calma:
— Só é bom se a pessoa também gostar de você. De que adianta gostar sozinho?
O período em que basta ver a pessoa costuma acabar logo depois de perceber o sentimento. E se, junto com a percepção, é preciso desistir, aí nem isso existe. O sentimento puro a que se poderia chamar de amor de juventude era, na verdade, algo bem difícil.
— Se for assim, é muito melhor não ver.
Aquilo saiu meio autodepreciativo. Sinceramente, nem o próprio Eunho tinha confiança de viver sem ver Jihyun. A não ser que ficasse a vida inteira escondendo o sentimento e permanecendo amigo.
— Pelo jeito que fala, deve ser experiência própria.
Diante da voz vinda de trás, Eunho apertou o volante. Não era uma voz alta, mas ele vinha parando a cada frase.
Esse cara está afiado hoje. Enquanto pensava isso, veio uma pergunta:
— Você tem coragem de viver sem ver esse desgraçado?
— …
Se tivesse, não estaria aqui com esse desgraçado. Se tivesse essa coragem, não teria voltado como empresário. Não, talvez o tratasse profissionalmente, sem sentimento algum.
— …Você nem sabe quem é e já chama de desgraçado.
— É porque não sei que chamo assim.
Ele sabe que acabou de virar “esse desgraçado”? Jihyun respondeu com a maior cara de pau. Encostando a cabeça no banco, acrescentou devagar:
— Você disse que quando se gosta se quer ver. Como aguentar isso?
Era uma pergunta ingênua como a de uma criança de quatro anos. Parecia com quando ele perguntou por que se passa a não querer ver. Normalmente ele nem se interessava por romance. Não iam gravar um romance agora, então ele perguntou o que deu nele hoje.
Ainda assim, Eunho respondeu com voz misturada a um suspiro:
— Quando se gosta há muito tempo, deixa de ser nada demais.
— …
Jihyun estreitou os olhos. Como se não gostasse do Eunho que dizia aquilo. Não sabia onde ele tinha se ofendido, mas a resposta que Eunho podia dar era só uma.
— A gente também se acostuma com a vontade de ver.
Ele ainda não passou por isso, mas achava que seria assim. No início seria doloroso e vazio, mas no fim o ser humano se adapta até ao vazio. Talvez fosse difícil a ponto de parecer que ia morrer, mas ele sabia que no fim não morreria.
— …E você nunca nem namorou.
— Eu me esforço pra explicar e…
Quando ele soltou uma risada incrédula, Jihyun virou o rosto para a janela. O nariz de linha suave prendeu por um instante o olhar de Eunho. Como aquilo significava que não havia mais o que dizer, Eunho também se concentrou em dirigir.
De todo modo, o caso de Park Taesu se resolveria por completo, então dava para respirar aliviado. Não sabia se Park Taesu sairia do drama, mas as gravações de “Testemunha” logo recomeçariam. Bom, saindo ou não, tanto fazia.
— …Você deve ter passado por apuros por minha causa.
Jihyun falou quando o prédio de seu apartamento já se aproximava ao longe. Enquanto o carro andava, sabe-se lá o que ele pensara, mas sua voz estava um pouco baixa.
— Kwak Eunho, você é meu empresário… Então deve ter sido o mais prejudicado.
O mais prejudicado devia ser o diretor Byun. E, rigorosamente, o próprio Jihyun. Claro, Eunho não era exceção, então respondeu com desinteresse:
— Você aprontar não é novidade.
Ou seja, que ele não se preocupasse. Aquilo não estava nem entre as coisas difíceis. Fosse com dinheiro, fosse com tempo, se fosse um problema resolvível, não importava.
— Se sabe disso, se comporta daqui em diante.
Ele falou de leve de propósito, mas Jihyun não respondeu nada. Pelo retrovisor, ele estava, como antes, olhando distraidamente pela janela.
Por alguma razão, era um rosto profundamente pensativo.
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O tempo passou rápido e a gravação do “AME” também se aproximou de novo. Como Jihyun participava a cada três semanas, a agenda de gravação era relativamente folgada. Além disso, dessa vez a exibição foi um pouco adiada por causa do caso da cerveja.
Nesse meio-tempo, como Sua dissera, estouraram matérias relacionadas a Park Taesu. Começou a chamada “guerra de denúncias contra Park Taesu”. Não só as atrizes que ele importunou, mas também membros de equipe que sofreram abuso e um ex-empresário que dizia ter tido contrato injusto. Não houve um dia em que o nome de Park Taesu não estivesse nos posts de denúncia.
Pelo que se via, nem todos eram conhecidos de Sua. Foram apenas pessoas que ganharam coragem depois que um e outro começaram a falar. Coisas que tinham engolido como quem pisa em sujeira, e que puderam finalmente tirar do peito porque alguém abriu o caminho.
Como polêmica se cobre com polêmica, o caso da cerveja de Jihyun foi naturalmente enterrado. Entre eles havia até quem o exaltasse dizendo que ele fez justiça. Claro, ainda havia quem o criticasse, mas um post publicado certo dia calou todas essas reações.
Um post que começava com “eu trabalho naquele bar” descrevia com bastante detalhe a conversa que ocorrera naquela mesa. Especialmente o fato de Park Taesu ter mandado Eunho fazer um recado, de Jihyun ter engolido a raiva uma vez e, no fim, de todas as ofensas que saíram da boca de Park Taesu.
「Na hora eu achei que aquele tal Park era louco, do nada ele falou “não devo menosprezar doença mental na frente de uma pessoa doente” e riu, foi assustador de verdade」
Eunho, ao ler aquilo, pensou que ainda bem que Jihyun não soltou palavrões naquele dia. Os clientes estavam longe, mas por que ele se esqueceu de que os funcionários estavam mais perto que ninguém? Sabendo que cada pessoa é um par de ouvidos, ele também tinha sido negligente.
Ao menos, felizmente, ele pediu desculpas com educação aos funcionários e resolveu as coisas depois. E isso também estava no post.
「E pra quem diz que dá pena do funcionário ㅠ naquele dia o empresário limpou a cerveja junto com a gente…(pra quem for perguntar o que o ator Ji fez, sim o empresário obrigou ele a sair pra tomar um ar +o ator Ji também pediu desculpas)」
Que pessoa boa, pensou Eunho para si mesmo. Junto com a suposição vaga de que talvez fosse aquele funcionário que trouxe a cerveja no fim.
De todo modo, a equipe de “Testemunha” enfim decidiu pela saída de Park Taesu. O papel do criminoso passou a um novo ator estreante e, pouco depois, as gravações de “Testemunha” recomeçaram. Precisariam regravar as cenas do “criminoso”, mas como não eram muitas, não demoraria.
É, ele achou que tudo estava se resolvendo.
— …
— …
Um olhar vago se dirigia ao vazio. Cada vez que ele piscava, os cílios compridos se moviam como num quadro. Nos olhos cor de avelã não havia foco, e os lábios cerrados não davam sinal de se abrir.
— Ele está assim de novo.
Eunho observava Jihyun a um passo de distância. A gravação começaria logo, mas ele estava sentado numa cadeira sem nem olhar o roteiro, perdido no vazio. E ainda por cima num local de gravação externa cheio de gente.
— Silêncio, por favor!
— Não podem entrar da linha para dentro!
Mesmo com o barulho, Jihyun não reagia. Parecia mergulhado em algum pensamento, ou ter alguma preocupação. Aquele rosto cheio de inquietação não era do Minhyuk, nem do Junhyuk, nem do Jihyun de sempre.
Ele ficou estranho exatamente depois do encontro com Sua. Desde o dia em que ela publicou a matéria até agora, por alguma razão ele mantinha uma atmosfera calma e contida. As já poucas palavras diminuíram drasticamente e, à menor brecha, ele fazia cara abatida.
E, decisivamente,
— …
— …
Quando os olhares se cruzavam assim, ele desviava os olhos como um culpado.
— O que ele já fez?…
Pela experiência de Eunho, as hipóteses possíveis eram poucas. Ou ele cometeu um erro grave que não podia contar a ele e engolia sozinho. Ou frz algo pelo qual se sentia culpado, mas não tinha coragem de dizer o motivo.
Aquilo estava tão estranho que até Yeonju, a stylist, comentou que “ultimamente a atmosfera do senhor ator está diferente”. Ainda faltava para o outono chegar, mas será que ele estava melancólico? Claro, quando ela disse que por isso ele tinha ficado ainda mais bonito, Eunho apenas riu.
— Vamos começar a gravação!
Alguém da equipe gritou alto, tendo enfim organizado o entorno. Jihyun deixou o roteiro na cadeira dobrável e se levantou. A cena de hoje era o Minhyuk no corpo de Junhyuk examinando o local, então ele vestia um terno impecável e até sapatos sociais.
— Boa gravação.
— Sim.
Mesmo respondendo, Jihyun não olhou para Eunho. Apenas caminhou devagar até a câmera, com o olhar à frente. Eunho, parado no lugar e de braços cruzados, observou a nuca que se afastava aos poucos.
Quando Jihyun ficou diante da câmera, a stylist ajustou os detalhes da roupa. Depois de fixar bem a gravata no centro, girou o distintivo do tribunal, que já tinha entortado, para a posição correta. Depois de ajustar a barra da calça e os sapatos, ela ainda alisou com delicadeza um único fio de cabelo caído sobre os olhos.
— Stand by!
Ao menos ele estava atuando bem como sempre, o que era um alívio. Talvez por fazer aquilo desde criança, Jihyun se transformava em outra pessoa quando a luz da câmera acendia. Era um comportamento enraizado, um hábito, e Eunho, ao ver aquilo, lembrava de si mesmo, quando se dedicava mecanicamente aos empregos.
— Ele deve estar se esforçando de propósito.
O que será que ele fez de errado? Ou melhor, que preocupação ele tem?
Logo teriam de gravar o “AME” também, e não podia ficar assim, no vazio. Se aquela expressão distante fosse ao ar, todo tipo de especulação surgiria sobre o que estaria acontecendo com Jihyun. E aí talvez ressurgisse tudo o que já foi enterrado, perguntando se era por causa de Park Taesu.
— Ação!
— …
Ao sinal do PD, Jihyun mudou a expressão. Como se a gravata apertada o incomodasse, ele a ajustou com uma das mãos e olhou em volta. Apoiando o peso numa perna e girando os ombros, mesmo de terno ele parecia um marginal.
— Ai… Onde é que eu vou achar prova nessa merda.
O mesmo rosto,a mesma roupa, a mesma voz. E ainda assim ele parecia outra pessoa, diferente daquele que um dia leu o juramento de promotor. Como se, no corpo de Junhyuk, o promotor perfeccionista, tivesse entrado a alma de Minhyuk, que passou a vida como bandido de rua.
— Enfim, esses porcos de merda…
Deixando Jihyun, que resmungava, para trás, Eunho saiu do meio da equipe. Como ele fazia a fala coçando a garganta, seria bom levar água depois da gravação. Havia água gelada na caixa térmica preparada no set, mas era melhor dar primeiro água em temperatura ambiente.
Eunho pegou uma garrafa de água e um ventilador portátil no carro, estacionado no estacionamento público próximo. Normalmente ele teria pegado antes de a gravação começar, mas de tanto se preocupar com Jihyun aturdido, ele também acabou esquecendo.
Não posso perder a cabeça também… Enquanto pensava isso e entrava no set, ouviu uma voz alta de algum lugar.
— Empresário do Jihyun!
— …?
Foi um gesto reflexo. Eunho virou a cabeça na direção da voz sem pensar. Mas naquele instante algo voou rápido e bateu com força ao lado do seu olho.
Kyaaa! Alguém gritou. Junto com a dor surda, um líquido pegajoso escorreu pelo olho e pela bochecha. Cambaleando, Eunho baixou a cabeça e pressionou a lateral do olho com a mão que segurava a água.
— Que diabo…
— Peguem aquele cara!
Assim que alguém gritou, os seguranças que estavam de plantão avançaram sobre o autor. O homem, que tentou fugir empurrando as pessoas, foi imobilizado em pouco tempo por vários brutamontes, então Eunho entreabriu os olhos e olhou o líquido na palma da mão.
— …Ovo?
O cheiro familiar era mesmo o de ovo cru. O líquido amarelo e transparente escorria até o chão junto com pedaços de casca quebrada. Que diabo estava acontecendo? Enquanto piscava pensando nisso, alguém agarrou seu pulso.
— …Ah.
Craque, uma casca de ovo se partiu sob um sapato. O sapato de couro caro e reluzente era de alguém que Eunho conhecia bem. Antes mesmo que Eunho erguesse a cabeça, o outro arrancou seu boné com um gesto brusco.
— …
— …
Sabe-se lá quando ele se aproximou, Jihyun o encarava com olhos sombrios. Numa mão o boné de Eunho, na outra o pulso dele. Sem sequer piscar, ele fitava o rosto que virou uma bagunça.
O cara que devia estar diante da câmera, por que estava ali? Com aquele tumulto a gravação devia ter parado, mas ele não podia sair do set.
— …Ei, solta.
Ele tentou puxar o pulso preso, mas Jihyun não o soltou. Apenas tremeu levemente os cantos da boca e endureceu a expressão. Depois de ficar assim por um tempo, Jihyun murmurou com voz feroz:
— Aquele desgraçado…
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Faby&Othello