Introducing My Manager (Novel) - ⋆⋅☆⋅⋆ Capítulo 06
Quando Boyeong perguntou, Eunho não conseguiu dizer nada e ficou avaliando a situação. Era claro que ela o convidava, mas não havia motivo algum para isso. Ele nem tinha atuado com eles, e no meio ainda tinha se ausentado.
— Não, eu…
Quando ele tentava recusar de forma desajeitada, Jihyun saiu do camarim na hora certa. Ao ver os três reunidos, franziu o cenho e perguntou a Eunho:
— O que vocês estão fazendo aí?
Quem respondeu foi Boyeong. Com desenvoltura, ela perguntou a Jihyun se ele não queria jantar e beber com eles. Ele achou que ele diria que não, claro, mas assim que ouviu “gostaríamos que o empresário fosse junto”, ele respondeu de bom grado:
— Vamos, deve ser divertido.
Não sabia o que seria divertido, mas notou que aquele olhar se dirigiu por um instante a Sua. Sua olhava para Jihyun com o rosto surpreso, assim que ele consentiu. E quando seu olhar cruzou com o de Eunho, ela sorriu sem jeito e desviou os olhos.
De todo modo, aquela mesa acabou incluindo não só Ichan, mas até Taesu. Foi porque, quando Boyeong perguntou a Ichan se ele iria, Taesu interveio na hora certa perguntando aonde iam. Boyeong, com cara azeda, não teve como não contar a ele sobre a saída.
E assim os protagonistas de “Testemunha” se reuniram num mesmo lugar. Mais precisamente, os protagonistas, o criminoso e um empresário que nem aparece no drama. Era uma combinação estranhíssima, mas como as quatro pessoas, exceto Jihyun e Eunho, tinham boa desenvoltura social, funcionou.
— Fiquei surpresa de o clima no set ser tão bom.
— Que nada, foi bom porque a Sua trabalha bem.
Uma coisa que ficou clara foi que Taesu demonstrava enorme interesse por Sua. Ao contrário, Boyeong parecia detestá-lo, e por isso sentara ostensivamente entre Sua e Taesu. Para Eunho, sentado do outro lado, era como assistir a uma novela.
— Ah… Senhor empresário.
Quando o assunto começou a mudar, Sua, sentada na diagonal, tomou coragem. Eunho e até Jihyun, que estava quieto, olharam naquela direção. Sua piscou constrangida e perguntou:
— O senhor não gosta de bebida? Desde o começo só tomou refrigerante…
Assim que chegaram ao bar, Eunho tinha pedido refrigerante para si e para Jihyun. Jihyun ainda não tinha se recuperado do pulso (e havia também a questão de tomar sonífero à noite), e ele tinha outro motivo.
— Não, é que eu preciso dirigir depois.
Se precisava levar Jihyun em casa quando a noite acabasse, não podia beber tranquilo. Havia a opção de chamar um motorista, mas deixar outra pessoa dirigir o carro de Jihyun não era uma boa escolha. E ele nem gostava tanto de bebida, então não sentia falta.
— Ah… então talvez a gente devesse ter ido a um restaurante.
Ainda assim Sua falou com um tom bastante pesaroso. Os olhos dóceis pareciam ao mesmo tempo arrependidos e desapontados. Ele ia dizer que estava tudo bem, mas Jihyun, encostado na parede, falou antes:
— Bebe se quiser.
Jihyun continuava com o rosto sem emoção e balançou a cabeça. O olhar baixo se dirigiu ao refrigerante que Eunho bebia.
— Eu dirijo.
Já que ele não podia beber, ele mesmo dirigiria, Jihyun disse coisas bondosas, o que não era do seu feitio. Achando aquilo raro, o que saiu da boca de Eunho foi:
— Você tirou a habilitação e dirigiu quantas vezes?
Era metade brincadeira, mas a outra metade era verdade. Mesmo tendo habilitação (e dirigindo muito bem, aliás), Jihyun raramente pegava no volante. Como Jihyun franziu o cenho, achando aquilo absurdo, Eunho soltou uma risada baixa.
— Deixa. Que empresário faz o ator dirigir?
Ficar sem beber não era difícil, e ele não queria fazer Jihyun dirigir. Ele já devia estar exausto, e ele, sendo empresário, não queria pegar carona à toa.
— Vocês dois se dão muito bem mesmo.
Vendo os dois, Sua murmurou com inveja. Ele não achava que tivessem demonstrado nada tão amistoso; provavelmente era por causa do “AME”.
Eunho não respondeu, e só Jihyun ficou olhando fixamente para Sua.
— Ai, tô ficando bêbada…
Quando a mesa já estava embalada, Boyeong encostou a cabeça no ombro de Sua. Sua também apertava as bochechas vermelhas com as costas das mãos. Boyeong olhou para cima e disse, brincando:
— A Sua tá bebendo bem hoje. Não tá na hora do seu sorvete?
— É, verdade.
— Sorvete? A Sua gosta de sorvete?
Quem se interessou pela conversa das duas foi Taesu. Quando Eunho olhou naquela direção sem pensar, Sua checou a reação dele e girou os olhos.
— Eu? Ah, não gosto tanto assim… Mas quando bebo dá vontade.
— Nossa, o líder do nosso grupo é assim também.
Ichan, também com o rosto corado pelo álcool, concordou animado. Disse que o líder deles também come picolé todo dia e ainda perguntou qual sorvete ela gostava. Em algumas horas de bebedeira os dois já tinham deixado a formalidade de lado com incrível desenvoltura.
— Então quer que eu vá comprar sorvete?
Taesu não perdeu a chance e perguntou com cara simpática. Claramente queria agradar Sua, mas como estava muito bêbado, infelizmente saiu meio meloso. O problema de verdade foi que a flecha se voltou de repente para Eunho.
— O senhor empresário podia ir buscar.
— Como?
Eunho, que assistia calado, demorou a perguntar. Ele agia como se fosse comprar e agora dizia aquilo. Taesu piscou com cara de embaraço.
— Pra gente ir é meio… O senhor entende, né?
O que ele insinuava era óbvio. Devia ser algo como “somos atores, é melhor que você, o empresário, vá”. Eunho apenas deixou passar, mas quem se assustou foi Sua.
— Não, não. Eu estou bem. Não precisa.
Sua agitou as mãos, extremamente sem graça. Como estava sentada no fundo, não conseguia nem levantar, e dava para ver que estava aflita. Qualquer um veria que ela estava constrangida, mas Taesu não se importou nem um pouco.
— Tudo bem, Sua. Eu também tô com vontade faz tempo. Ah, empresário, eu te dou o dinheiro.
— Sunbae, mesmo assim isso é meio…
Quando até Boyeong interveio para impedir, a expressão de Taesu ficou estranha. Vendo o rosto sorridente rachar, Eunho estalou a língua e se levantou. Continuar sentado naquele clima era ruim, e como ele mesmo dizia, era muito melhor ele ir rapidinho do que mandar os “senhores atores” com rostos conhecidos.
— Tudo bem. Vou aproveitar para tomar um ar.
— Ah…
Para Sua, que estava constrangida, ele apenas cruzou o olhar de leve, como quem diz que estava tudo certo. Ela devia estar mesmo bêbada, porque as bochechas de Sua coraram na mesma hora.
Ela disse que gostava de chocolate, então era só comprar isso. Pensando nisso, no instante em que ele se virou, Jihyun, que bebia refrigerante, bateu o copo na mesa com força.
— …
— …
A mesa barulhenta ficou em silêncio absoluto. Eunho, que estava meio de pé, Sua, que ainda tinha a cara constrangida, e todos os que iam acrescentar algo, todos olharam surpresos para Jihyun.
Sob o olhar de todos, Jihyun falou devagar, com aquela voz suave característica:
— Ah, por que está mandando o empresário dos outros fazer recado?
E então Jihyun segurou o antebraço de Eunho e o puxou de volta ao lugar. O tom era gentilíssimo, mas Eunho sabia que aquilo era só hábito. Não xingar era o mínimo de sociabilidade, uma vez que a boca fechada se abrisse, significava que a paciência já tinha chegado ao fundo do poço.
— Ele não é capacho de vocês, não é mesmo, senhor Park Taesu?
— …Ei.
Eunho tentou contê-lo com voz baixíssima. Pretendia impedir de algum jeito antes que o clima piorasse. Taesu também estava perplexo e forçou um sorriso ao abrir a boca:
— Bom… Acho que o sunbae entendeu mal alguma coisa.
Antes ele não o chamava de “Jihyun”? No meio de tudo, o tratamento cerimonioso saltou aos ouvidos. Enquanto Jihyun franzia o cenho, Taesu se justificou ainda sorrindo:
— Não é recado, é que a gente já tem certo reconhecimento…
— Reconhecimento?
Não sabe por que o canto da boca erguido ficou tão visível. Nem por que os olhos sombreados sob o boné se apertaram com irritação. O olhar terrivelmente gelado mirou exatamente Taesu.
— Reconhecimento? Você nem têm…
Achando que ali ia sair briga de verdade, Eunho segurou com força a coxa de Jihyun por baixo da mesa. Era para que ele parasse de falar, mas como agarrou com pressa demais, a mão acabou indo fundo demais.
No instante em que sentiu algo pesado na coxa que deveria ser firme, tanto Jihyun quanto Eunho cerraram os lábios.
— …
— …
O silêncio de um instante foi percebido apenas pelos dois, Eunho e Jihyun.
Merda, por que isso está desse lado?
Eunho pensou aquilo e retirou a mão às pressas. Fechou a mão direita, onde restava o toque estranho, e se levantou de repente fingindo que nada acontecera.
— … Eu vou lá, então.
— Ah, eu vou junto!
Ichan, que só observava sem jeito, se levantou junto. Eunho, sem sequer conseguir olhar para o rosto de Jihyun, saiu da mesa com Ichan.
Dessa vez Jihyun não conseguiu segurá-lo.
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Como a estação era plenamente verão, do lado de fora do bar o ar estava abafado. Eunho, cujas orelhas já ardiam, culpou o calor inocente e ficou massageando a própria nuca. Mas então lembrou de novo do que tocara sua palma e se assustou.
— Nossa, achei que ia sair briga mesmo.
Ichan, seguindo atrás dele, soltou um suspiro. A situação no bar devia tê-lo deixado bem tenso, porque ele ainda olhava para trás com o rosto inquieto. E, no meio disso, ao sair já cobriu o rosto com máscara, bem típico de um idol.
— Se estourar um boato de briga antes de o drama estrear, e agora? E tinha tanta gente olhando…
Como ele disse, todas as pessoas ali eram olhos. Havia poucos clientes, mas havia funcionários, e mesmo os poucos clientes claramente se interessavam pela mesa deles.
— Mas aquele cara foi longe demais. Desculpa, hyung. Você ficou chateado, né?
— Não, imagina…
Não tinha ficado tão chateado, e mesmo que tivesse, não era Ichan quem devia se desculpar. Não que Park Taesu não tivesse sido grosseiro, mas trabalhando como empresário isso acontecia de vez em quando.
— Mas o senhor Park Taesu não é seu sunbae?
Eunho mudou de assunto para aliviar o clima. Achou um pouco inesperado que Ichan, tão educado na frente dos outros, chamasse Taesu de “aquele cara”. Não tinha intenção de provocá-lo, mas Ichan se assustou muito e balançou a cabeça.
— Com o sunbae-nim Jihyun eu não sou assim! Sério!
De repente veio uma justificativa. Ele devia querer provar que não era um júnior mal-educado. Antes que Eunho respondesse, Ichan murmurou com voz sumida:
— O sunbae-nim Jihyun atua muito bem, tem muita coisa admirável nele…
Então, ao contrário, o Park Taesu é “aquele cara” porque atua mal e não tem nada de admirável? Bom, já é gentileza não ter chamado de “aquele desgraçado”.
— O Jihyun tem muita coisa admirável?
— Claro. Muitíssimas!
Talvez pelo álcool, ele reagia de forma bem mais simples que o normal. Eunho já o achava uma pessoa ingênua, mas agora ele parecia ainda mais jovem.
— É que originalmente eu queria ser ator, não idol. Aprendi atuação na empresa, mas o que se aprende na prática é diferente, né. E o sunbae-nim me ajudou muito.
Dizendo que é melhor seguir o roteiro ao máximo, mas que se a fala ficar estranha pode mudar um pouco, Jihyun ensinou várias manhas a Ichan.
— Hyung, você sabia? Que “senhor promotor Kwon” é dificílimo de pronunciar?
— Senhor promotor Kwon?
— É, o papel do sunbae-nim é o Kwon Minhyuk. “Promotor Kwon” tudo bem, “senhor promotor” também, mas quando junta os dois a língua enrola.
De fato, houve algumas vezes durante as gravações em que Ichan travou a língua e cortaram. “Senhor promotor Kwon.” Eunho repetiu mentalmente e assentiu.
— Mas o sunbae-nim me ensinou isso também. Que se eu colocar o acento no lugar certo, enrola menos.
Fazia sentido. Quanto mais esforçado, mais coisas ele ensinaria. No começo devia atendê-lo por obrigação, mas quando o assunto era atuação ele não conseguia relaxar.
— Na verdade, no começo eu fiquei muito preocupado. Se o sunbae-nim me odiasse eu não teria o que dizer…
Ichan arrastou o final da frase e olhou de canto para Eunho. Quando Eunho o encarou em silêncio, ele franziu o nariz, sem graça.
— Na empresa. Eles ficam empurrando que a gente tem imagem parecida.
— Ah…
Então ele também sabia disso.
Acontecia às vezes. Quando a empresa faz marketing de polêmica, a opinião do envolvido não é levada em conta. Como era uma divulgação eficaz de qualquer jeito, por mais que a pessoa não quisesse, não podia recusar.
— Eu nem chego aos pés do sunbae-nim, mas… Acho que ele tem um coração grande.
Ele é bem mesquinho, na verdade. Não é coração grande, é falta de interesse.
— …Ele é um cara bom.
Ainda que tivesse má personalidade, ele não era mau. Ninguém o superava em temperamento difícil, mas se ele o tivesse maltratado de verdade, Eunho já teria largado tudo. Com tantos handicaps psicológicos e ainda assim seguindo firme, era impossível não valorizar essa dedicação.
— Eu acho que ele é um grande ator.
Diante da frase carregada de sinceridade, Ichan ficou olhando para Eunho. Ele parou de andar no meio do caminho. Como atravessavam uma viela deserta, quando os passos pararam tudo em volta ficou em silêncio.
— Ei, hyung.
Ichan tomou coragem e baixou um pouco o olhar. Ficou de boca fechada, parecendo escolher as palavras. Então ergueu a cabeça com um rosto decidido e abriu a boca:
— Naquele dia…
— Eu gosto de alguém.
— …Como?
Ichan perguntou de novo, desnorteado. Foi por causa da frase que Eunho soltou de repente. Com medo de que ele entendesse errado sua intenção, Eunho acrescentou sem intervalo:
— É um homem.
— …
Dessa vez Ichan arregalou os olhos como se fossem saltar. Vendo aquele olhar tremer levemente, Eunho falou com o tom mais indiferente possível:
— Então não se preocupe.
Ele sabia o que ele queria dizer. Ele rondava perto dele tentando puxar assunto por causa do segredo dele que Eunho descobrira. Ele prometera não contar a ninguém, mas mesmo assim ele devia estar ansioso.
— …Ah, hup.
O efeito não foi ruim. Ele engoliu tudo o que ia dizer e olhou ao redor. O problema é que o rapaz deu um passo à frente e se declarou de volta.
— E-eu também gosto de algu…!
Assim que aquilo saiu, Eunho tapou a boca de Ichan com uma das mãos. Não havia ninguém por perto, mas Ichan estava numa posição em que sempre precisava tomar cuidado. Esse garoto vai acabar mal. Pensando isso, Eunho advertiu baixinho:
— …Idol não pode falar essas coisas.
— …
Ichan balançou a cabeça de cima para baixo. Como bom idol, com aquele rostinho pequeno e os olhos arregalados, parecia bem novo. Daqui a uns cinco anos talvez mudasse, mas por enquanto ainda tinha um ar de quem não cresceu de todo.
— Os membros devem ficar preocupados…
— Nossa, como você sabe? Eles me ligam todo dia. Perguntando se eu não errei nada hoje.
Quando ele o soltou e murmurou aquilo, Ichan respondeu animado. Era um tipo que dava muito trabalho. Num sentido diferente de Jihyun, ele também dava preocupação.
— …Ei, hyung.
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Faby&Othello