Introducing My Manager (Novel) - ⋆⋅☆⋅⋆ Capítulo 16
Como o braço se dobra para dentro, ele acabou defendendo Jihyun. Ainda mais tendo testemunhado de frente ele jogando cerveja em Park Taesu.
Mas, vendo Eunho assim, sabe-se lá o que ela sentiu, Sua, que o observava, soltou:
— O senhor gosta do sunbae-nim, né.
— …
A boca de Eunho se fechou. Porque, ao ouvir-la, sua cabeça ficou completamente branca. Como Eunho não conseguia dizer nada, Sua acrescentou constrangida:
— É estranho eu dizer isso… Mas eu não tenho preconceito com esse tipo de coisa.
Era um tom cuidadoso, e a expressão com que ela observava a reação de Eunho também. Como quem quer deixar claro que não tinha má intenção, sua voz era calmíssima.
— As outras pessoas provavelmente não sabem. Não é que dê na vista…
Ainda assim Eunho não conseguiu reagir de forma alguma e apenas a encarou. Ele gostava de Jihyun havia anos, e Sua foi a primeira pessoa a perceber. Enquanto ele pensava o que responder, ela cruzou o olhar com o dele e sorriu.
— Deve ser porque eu gosto do senhor.
— …?
Piscando, Eunho fechou e abriu os olhos. Sua relaxou a expressão e deu de ombros.
— Simplesmente dá pra ver. Que você gosta.
— …Ah.
Ele demonstrou o desconcerto demais? Podia ter negado, mas parecia tarde demais. Quando Eunho desviou o olhar, sem jeito, Sua também baixou os olhos e disse:
— A gentileza que se mostra pra todo mundo e a gentileza que se mostra só pra mim são diferentes, né.
Ele se perguntou de que momento ela falava, e Sua completou logo. Daquela noite no bar, quando Jihyun despejou cerveja em Park Taesu.
— Comprar sorvete qualquer um pode fazer, mas escolher o sabor que a pessoa gosta, já é outra história.
— …
Então foi por um detalhe desses que deu na vista. Como era um hábito enraizado, Eunho nem imaginara. Nem quando escolheu o sorvete com Ichan ao lado, nem quando entregou o sorvete àquele sujeito emburrado, nem quando Sua ficou observando aquilo.
— …Isso não se faz também com um amigo?
Mas se é isso, dá pra fazer por ser próximo, não? Mesmo que ele não gostasse dele, Eunho certamente teria separado o sorvete de Jihyun.
— Hmm… É verdade. A Boyeong também sabe tudo o que eu gosto.
Sua não negou o que Eunho disse. Apenas assentiu e piscou. Como não conseguiu explicar mais, devia ser algo visível apenas aos olhos dela.
— De todo modo, as outras pessoas realmente não vão perceber. O senhor esconde muito bem as expressões…
Dizendo que ele daria um bom ator, Sua brincou com naturalidade. Era algo que Jihyun às vezes dizia de brincadeira. Que Kwak Eunho, sabendo controlar as expressões, seria ótimo ator, claro, acrescentando que haveria polêmica sobre atuação.
— Então não se preocupe.
— …Sim, eu não estou preocupado.
Ele se surpreendeu um pouco, mas não levou um choque enorme. Não ficou de mau humor e sabia que Sua não o via de forma estranha. Foi um assunto repentino, mas menos desconfortável do que ele imaginava.
— E sei que a senhorita não vai contar a ninguém.
Como se concordasse, Sua abriu um leve sorriso. Por um tempo pairou silêncio entre os dois. Cada um precisava de um tempo para organizar os pensamentos.
Depois de um longo silêncio, Sua perguntou com um tom ainda mais cauteloso:
— Vocês estão namorando?
— Não.
Com medo de que ela entendesse errado, Eunho respondeu sem hesitar. Dessa vez não precisou se desconcertar nem hesitar.
— Eu gosto sozinho.
— …
Sua arregalou os olhos e o encarou. A resposta de Eunho parecia inesperada para ela, mas para Eunho a reação dela é que era mais inesperada.
— Ele não gosta de homens.
Ele também não gostava de mulheres, mas por ora respondeu assim. Se ele fosse se relacionar com alguém, seria mais provável que fosse uma mulher. Mesmo sem preconceito, ele devia sentir ao menos alguma repulsa por gostar de outro homem.
— Hmm…
Mas mesmo depois da resposta de Eunho, Sua murmurou e girou os olhos. Parecia ter algo a dizer, mas levou um bom tempo até abrir os lábios.
— Eu também não gostei do senhor por ser homem.
Era uma frase de algum modo significativa. Quando Eunho franziu os olhos, Sua se inclinou para frente e perguntou:
— Como foi que o senhor começou a gostar dele?
Era uma expressão de estudante de colegial. Como quem pede ao professor que conte a história do primeiro amor, uma pergunta leve nesse nível. Aquilo pareceu tão puro que Eunho, em vez de se esquivar, abriu a boca devagar:
— Ah…
Como responder? Era uma pergunta banalíssima, mas ao abrir a boca não lhe veio uma resposta adequada. Ele já pensara sozinho às vezes, mas contar a alguém era a primeira vez também para Eunho.
— Ele é o amigo que me ajudou numa fase difícil.
As palavras que saíram devagar vieram, sem querer, com um leve riso. Porque os dias tremendamente difíceis daquela época agora pareciam coisa de outra vida. Passado o tempo, nada aquilo era grande coisa, mas até considerar aquilo “nada” teria sido impossível sem Jihyun.
— Eu também recebi muita coisa dele.
Mesmo depois de a avó falecer, Jihyun lhe dera incontáveis coisas. O colchão da casa, um boné pouco usado, a carteira que sempre levava e o moletom que às vezes vestia. Quase todos os objetos de valor foram comprados por Jihyun. Às vezes por ser aniversário, às vezes sem motivo algum, levou anos só para conseguir impedir a enxurrada de presentes sem contexto.
Bom, e não se limitava ao material. Na fase mais difícil, Eunho recebeu um consolo que não se converte em dinheiro. Assim como Sua dizia que uma frase de Eunho lhe dera força, muitas vezes a própria existência de Jihyun foi um consolo para ele.
— O começo foi assim… Mas o motivo eu não sei.
Mas isso é passado. Já se passou tempo demais. Então por que ele ainda gostava dele?
Dizem que não há motivo para gostar de alguém, sempre que via Jihyun ele concordava com aquilo. Mais precisamente, os inúmeros motivos não explicavam direito o sentimento.
Porque o rosto é bonito, porque atua bem, porque fica incrível trabalhando e às vezes até admirável. Porque, apesar da personalidade ruim, tem educação em coisas inesperadas, porque é inesperadamente bom e tímido, porque às vezes é honesto demais e frágil demais.
Tudo o que ele mastigara não passava de justificativas que ele mesmo criara. Não era que gostasse de Jihyun por causa dessas partes, era que ele gostava da pessoa chamada Jihyun e por isso passou a gostar dessas partes.
— Eu também tenho curiosidade. Às vezes eu não sei por que gosto dele.
A última frase soou bastante autodepreciativa até para ele. Quem diria que o sentimento que ele achava que sumiria com o tempo duraria tanto. Não estava ardendo com paixão, mas o sentimento que corria calmo não dava sinal de acabar.
— …
Ele não achou que tinha respondido de forma tão séria, mas Sua ficou muito tempo sem dizer nada. Naqueles olhos redondos havia sentimentos complexos.
Então, com o rosto se contraindo aos poucos, Sua cobriu o rosto com as duas mãos.
— Ah… Que sorte a dele.
Ela baixou a cabeça e soltou um longo suspiro. Dizendo que o sunbae-nim era muito abençoado, que ele já atuava bem e ainda tinha isso. Ela falava rindo, como brincadeira, mas dava para sentir a voz ficando embargada.
— Que inveja, sério…
— …
Como seria bom se ele pudesse dizer algo melhor. Infelizmente ele não tinha talento para isso. Nas poucas declarações que recebera na escola ele recusava com frases parecidas e sem sentimento. “Desculpa, eu preciso estudar” e as amigas que se declararam iam embora deixando um pedido de desculpas.
Mas dessa vez ele não conseguiu nem dizer “desculpa”. Teve o pressentimento de que um pedido de desculpas desnecessário deixaria Sua ainda mais triste. Para alguém que organizava o próprio coração com calma, tudo o que Eunho podia devolver era o silêncio.
— Não vou… Entrar em contato.
Felizmente, Sua não demorou muito para conter as emoções. Quando tirou as mãos do rosto, no rosto claro não havia sinal de tristeza. Os olhos estavam levemente úmidos, mas isso também foi encoberto por um sorriso leve.
— Nos vemos no set na próxima.
Significava que o contato pessoal terminava ali e que a partir de então se encontrariam em ambientes profissionais. Como o sentido ficou claro, Eunho, em vez de perguntar, respondeu com calma:
— Nessa hora você já será protagonista, senhorita Sua.
A atriz que esperava sem ter nem uma bolsa térmica agora se tornara uma protagonista de verdade. Da próxima vez, talvez fosse par de Jihyun ou colega de elenco. Claro, levaria alguns anos até as agendas coincidirem.
— Vou torcer de longe.
Diante das palavras de Eunho, Sua sorriu com o rosto realmente leve. Ela devia ter entendido todo o significado ali contido. Que ele torcia pelos sentimentos que ela deixaria para trás naquele dia, pela questão com Park Taesu e por sua carreira dali em diante.
A conversa com ela terminou ali.
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Jihyun estava sentado na sala ao lado com o empresário de Sua. O empresário deveria ter conduzido Jihyun, que ficou sem lugar, e sobre a mesa havia uma xícara de café intocada. A imagem de Jihyun de braços cruzados e do empresário se contorcendo diante dele dizia tudo sobre o clima daquela sala.
— Desculpa, você esperou muito.
Eunho disse aquilo e cumprimentou com os olhos o empresário de aparência amistosa. Como quem finalmente respira, o empresário soltou um suspiro discreto de alívio. Dizem que o empresário se parece com o artista, aquele homem também parecia dócil e gentil como Sua.
— Vamos. A conversa acabou.
— …
Jihyun olhou de relance para Eunho e se levantou. Não perguntou onde Sua estava, nem ironizou perguntando o que ele estava fazendo por tanto tempo. Vendo-o caminhar em silêncio, Eunho franziu os olhos e o observou.
“ Por que ele está assim?”
Já estava estranho antes, mas como ele estava se comportando, a sensação de estranheza só crescia. Normalmente ele o encararia com o rosto emburrado. Ceder o lugar de bom grado não era do feitio de Jihyun, e esperar com calma até a conversa acabar também não.
— Não está com fome?
— Não, não estou.
Mas à pergunta natural veio uma resposta natural. Como a voz era tranquila demais, até Eunho deixou passar por um instante achando que era impressão sua.
— …
— …
Mas mesmo no carro, indo juntos para casa, Jihyun manteve uma atitude sutilmente estranha. Ele apenas ficava calado, olhando indefinidamente pela janela. Era completamente diferente de sempre, quando fazia uma das três coisas: ler o roteiro, olhar para Eunho ou dormir.
Que raridade ele ficar quieto. Ele achou que ele iria interrogá-lo sobre o que tinha conversado com Lee Sua.
Depois de estranhar, veio a preocupação de que ele estivesse doente. Era a preocupação de sempre quando Jihyun tinha comportamentos anormais. Seria complicado se ele estivesse de novo fingindo que estava tudo bem por medo.
— Se estiver enjoado, abre a janela.
Então Eunho falou observando Jihyun pelo retrovisor. A cor do rosto parece boa… Ele pensou isso com os olhos estreitados.
Mas a resposta que veio não tinha nada a ver com o que ele disse:
— Eu ouvi a conversa com a Lee Sua.
Diante daquilo, os olhos de Eunho estremeceram. Jihyun, ainda olhando pela janela, acrescentou baixinho:
— Aquela sala não tem isolamento acústico.
Ciiii! O carro parou bruscamente. Foi porque Eunho, assustado, pisou no freio sem querer. Felizmente não houve acidente, mas de algum lugar veio uma buzina estridente.
— …O que foi isso?
Jihyun agarrou a alça de apoio por reflexo e falou, atordoado. Eunho voltou a si e segurou o volante com firmeza.
— Ah… Desculpa.
Eunho ligou o pisca-alerta com calma. Ainda bem que havia poucos carros, quase aconteceu um acidente sério. Enquanto voltava a andar e olhava pelo retrovisor, felizmente Jihyun também parecia ileso.
— Você não bateu em nada, né?
— Não, e você?
Jihyun, de cenho franzido, o examinou de cima a baixo. Como Eunho sempre dirigiu com segurança desde que tirou a habilitação, a freada repentina lhe pareceu estranha. Depois de confirmar que Eunho também estava bem, veio uma pergunta trivial:
— Apareceu alguma coisa na frente?
— …
A voz era tão serena que quem se desconcertou foi Eunho. Ele soltou uma bomba dessas numa pessoa que dirigia e parecia não achar que a razão do susto tinha sido ele.
— Não…
Será que ele ouviu errado? Mas ele disse clara e nitidamente “eu ouvi a conversa com a Lee Sua”. Como seria bom se pudesse fingir que não ouviu desta vez, porém, era impossível.
— Você ouviu minha conversa com a senhorita Lee Sua?
Então Eunho perguntou, fingindo o máximo de indiferença. Só não conseguiu evitar que certa pressa transparecesse. Como quem diz “isso importa agora?”, Jihyun franziu o cenho ao ouvir. Ainda assim, respondeu direito:
— Sim, estando na frente da porta, dava pra ouvir.
— …É?
A não ser que estivesse com a orelha colada na porta, não deveria dar. Ele respondeu devagar, mas seu coração começou a acelerar. As outras conversas tudo bem, mas o último assunto Jihyun jamais poderia ter ouvido. O que saiu da boca de Sua, e que ele não conseguia negar, sobre seus sentimentos.
“O senhor gosta do sunbae-nim, né.”
— …
O que ele deveria dizer? Ele gostava dele havia tanto tempo, mas nunca imaginara aquela situação. Para começar, ele não pretendia se declarar e tinha certeza de que Jihyun jamais perceberia, nem em uma vida inteira.
— O quê, foi por causa disso que você pisou no freio?
O que Jihyun dizia mal chegava a seus ouvidos. Deveria dizer que ele ouviu errado, que não era esse o sentido, ou simplesmente admitir? Em qualquer hipótese, não havia justificativa adequada.
— …Você ouviu até onde?
Quando perguntou de novo, veio um olhar de estranheza. Só então Eunho pigarreou e ajeitou a expressão. Felizmente, Jihyun respondeu com um tom sem interesse:
— Não ouvi quase nada.
— …
Então esse “quase nada” ia até onde? Quem diria que uma resposta tão simples o deixaria tão ansioso. Como Eunho o encarava sem dizer nada, Jihyun, por alguma razão, abriu a boca com cara de quem foi pego:
— Ouvi um pouco e fui pra sala do lado…
Mas a frase apressada não foi concluída. Porque Jihyun, ao dizer aquilo, franziu o cenho e cerrou os lábios. E então o canto da boca se ergueu como um deboche.
— …Mas, pensando bem, você está estranho.
Diante da voz baixa, os olhos de Eunho estremeceram. Seu coração ainda batia irregularmente. Jihyun deu uma risada de escárnio ostensiva.
— O quê, você falou alguma coisa que eu não podia ouvir?
— …
Será que ele estava sondando? Para isso, parecia mais uma birra. Aliás, ao contrário de Eunho, todo desconcertado, ele estava calmo desde antes.
Eunho, em vez de responder de imediato, organizou os pensamentos. Ele se assustou antes da hora, mas numa hora dessas era preciso ainda mais calma.
— Tudo é coisa que você não devia ouvir. Ela pediu pra conversar a sós justamente porque não queria que ninguém ouvisse.
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Faby&Othello