Introducing My Manager (Novel) - ⋆⋅☆⋅⋆ Capítulo 13
Por um instante ele ficou sem palavras. Porque não entendeu de imediato o que Jihyun estava dizendo. Que ligação havia entre ele ser gay e a fala de Park Taesu? Enquanto pensava, lembrou-se do que Taesu dissera pouco antes.
“ Por que um homem normal iria gostar de outro homem? Isso não é doença mental?”
— Não…
Então, agora, ele estava dizendo que jogou a cerveja com raiva daquilo? Ignorando o insulto dirigido a ele e por causa das palavras ditas ao acaso, sem que ele soubesse quem era gay.
— Nojento é o vocabulário dele…
O que Jihyun murmurou ficou estranhamente cravado em seus ouvidos. Eunho, sem perceber, mexeu os lábios com desconcerto. Não para repreendê-lo, mas porque estava mesmo confuso.
— Você também falou isso.
Jihyun não tinha dito uma vez? Que gostar de homem não era motivo de orgulho, que não se metesse com gays de merda. A imagem dele se irritando dizendo que só de pensar dava nojo ainda era vívida, então que motivo havia agora para apontar o vocabulário de Park Taesu?
— Por que você ficou bravo com isso?
Só por causa disso? Não, “só” era pouco, era uma grosseria, mas de todo modo quem foi insultado não foi Jihyun, mas ele mesmo (e, indo mais fundo, Shin Ichan). E ainda por cima Park Taesu falara sem saber que ele era gay.
— Você nem é gay…
Então a raiva de Jihyun era, rigorosamente, uma extrapolação. Desde quando ele tinha esse senso de justiça? Não era chocante nem desagradável, mas ele simplesmente não entendia. Porque Jihyun, o amigo de longa data, tinha muito mais influência sobre ele do que um completo estranho como Park Taesu.
— É estranho você fazer isso.
— …
Assim que ouviu Eunho, Jihyun endureceu a expressão. Piscou aturdido, cerrou os lábios e baixou a cabeça. No instante em que ele ia acrescentar que não estava exatamente o culpando, Jihyun abriu a boca devagar:
— …Eu nunca achei nojento.
Foi uma voz baixa e, por isso, soou ainda mais sincera. Sem conseguir sequer encarar, Jihyun disse algo que Eunho já sabia:
— Naquela hora eu falei qualquer coisa porque explodi.
Eunho sabia. Que o que ele disse não era sincero e não passava de um desabafo. Ele apenas não entendia o motivo pelo qual Jihyun ficara bravo naquela situação.
— O problema é você ter explodido ali…
Eunho murmurou baixinho e soltou um suspiro fraco. Jihyun já tinha erguido a cabeça e o encarava. Eunho, mantendo o olhar fixo no dele, moveu os lábios com calma:
— Eu não te disse.
— …
— Que isso que você faz parece ciúme.
Não sabia quantas vezes já dissera aquilo. E nem por que aquele sujeito, que já ouvira o mesmo tantas vezes, fazia uma cara de espanto. Será que só agora percebia que sua atitude era errada? Jihyun parecia ter levado um choque novo.
— Se é por esse motivo, da próxima vez só aguenta.
Não aguentar valia para quando xingassem Jihyun. Seus próprios assuntos ele resolvia sozinho. Para começar, um jogo de palavras daquele nível nem o irritava.
— E não explode nessas situações.
Achou que estava falando de forma um pouco confusa, mas devia ter entendido a grosso modo. No dia em que Eunho largou o cargo de empresário e ontem, no escândalo. Nos dois dias ele quis que Jihyun aguentasse.
— …Acho que não vou conseguir aguentar.
Mas em vez de obedecer, Jihyun deu uma resposta indesejada. Quando Eunho o olhou com desaprovação, ele murmurou com o rosto duro:
— Agora… Acho que vou aguentar menos ainda.
Ele não pôde contestar porque aquilo não era uma resposta, mas quase um monólogo. O que deu nele agora? Enquanto ele pensava, Jihyun perguntou com olhos gravemente baixos:
— …Então o que eu faço?
— …
Isso é uma declaração de guerra? Ou um pedido de permissão? O que Eunho poderia responder a alguém que pergunta o que fazer se não conseguir aguentar?
— Só não quebra a cabeça de ninguém com copo de cerveja.
Como o clima parecia prestes a ficar estranho, Eunho respondeu meio de brincadeira. Felizmente, assim que ouviu aquilo, a expressão de Jihyun ficou sutil. Depois de ficar aturdido, ele suspirou e pegou a caneca.
— Enfim, o Kwak Eunho é mesmo…
Nos olhos baixos havia vários sentimentos. Normalmente ele conseguiria ler o que ele pensava, mas ultimamente não enxergava bem essas emoções. Só entendeu que o que ele ia dizer era algo como “é mesmo um cara estranho”.
— Então por que você não vai com a cara do Park Taesu?
Eunho perguntou, brincando com a caneca. Da última vez ele deixou passar, mas pelo clima naquela mesa era claro que alguma coisa tinha acontecido.
Dessa vez ele não pretendia negar, Jihyun, cheirando o café, respondeu sem interesse:
— Nada demais. Numa confraternização eu o provoquei e ele começou com essa palhaçada.
— Como você provocou pra ele agir assim?
Quando Eunho copiou exatamente a expressão de Jihyun, ele soltou uma risada. Os olhos bonitos se curvaram levemente com algo que ele achou engraçado.
— Ah, sei lá…
Antes de responder ele tomou um gole de café. Talvez por ser o produto que ele anunciava, até aquele gesto banal parecia cena de comercial. Ator é ator mesmo. No instante em que Eunho se admirava, Jihyun falou com aquela voz suave e envolvente:
— Ele ficava me cutucando me chamando de “Jihyun”, então eu disse que alguém que gosta tanto de hierarquia devia usar o tratamento correto. Perguntei se no glorioso corpo de fuzileiros não ensinaram isso. E a cara dele fechou na hora.
Era um resumo simples, mas dava para imaginar bem a situação. Ele não sabia como Taesu o provocara, mas a cena de Jihyun devolvendo com suavidade se desenhava nitidamente.
— Naquela hora foi só irritação, mas agora pensando é engraçado. Um cara que insiste em hierarquia com o empresário…
Jihyun não era de se importar com hierarquia. Na maioria das vezes nem prestava atenção em como o chamavam. Então o quanto Park Taesu deve tê-lo irritado? Bom, pensando no que aconteceu no bar, era compreensível.
— Ontem também. Se quer agradar uma mulher, que corra com os próprios pés, por que manda você?
Falando, ele foi ficando irritado e endureceu o rosto de repente. Repreendeu Eunho perguntando por que ele foi comprar sorvete. Eunho, por sua vez, teve de pigarrear por outro motivo assim que ouviu a palavra “sorvete”.
— …Porque eu sou empresário.
Eunho ajeitou a garganta com esforço e manteve a expressão neutra. Se Jihyun não se importava, seria ridículo ele se desculpar.
— Com empresário todo mundo é assim.
— Todo mundo coisa nenhuma. Eu não sou.
Jihyun parecia não entender de jeito nenhum a atitude de Taesu. Na prática, recados desse tipo eram comuns. Só que Eunho, por Jihyun ser um sunbae muito acima, nunca foi tratado assim pelos outros atores.
— O tempo de casa do empresário acompanha o do ator. Como é que manda um recado desses pro meu empresário?
Era uma frase estranhamente curiosa. O que a tornava estranha era a parte “meu empresário”. Jihyun certamente falara sem pensar, mas assim que ouviu, o peito de Eunho se apertou.
Então Eunho desviou o olhar sem querer e encerrou a conversa:
— De todo modo, se for por minha causa, da próxima aguenta. Você aprontando dá mais trabalho pra remediar.
— …
Mesmo com cara de insatisfação, Jihyun não conseguiu contestar. Porque Eunho se levantou junto com a frase e virou as costas, como se não fosse mais conversar. Claro, Eunho também não ouviu um “está bem” dele.
🎬 ∙ ∙ ∙ 🎥 ∙ ∙ ∙ 🎭∙ ∙ ∙ 🎬 ∙ ∙ ∙ 🎥 ∙ ∙ ∙ 🎭
🎬 ∙ ∙ ∙ 🎥 ∙ ∙ ∙ 🎭
À tarde chegou notícia do diretor Byun. Que ele marcara com o Hot Star News e que levasse Jihyun para a entrevista. Depois de repetir umas três vezes que não deixasse ele falar besteira, o diretor Byun ainda demonstrou culpa dizendo que Eunho estava tendo muito trabalho.
O local da reunião era um café no primeiro andar do prédio da NB Entertainment. Como não haveria sessão de fotos, Eunho apenas colocou um boné em Jihyun e o levou à empresa. Foram ao mesmo lugar de manhã e de tarde, mas Jihyun seguiu Eunho sem reclamar.
— …Senhorita repórter?
Ao chegar à empresa, assim que entrou no café Eunho falou com uma pessoa que parecia ser a repórter. A mulher, sentada de forma ereta com um crachá de visitante no pescoço, virou-se ao ouvir seu nome.
— Ah, senhor empresário.
Levantando-se, a repórter abriu um sorriso. Era claramente a primeira vez que se viam, mas ela parecia conhecer Eunho. Ela estendeu a mão para um aperto e apresentou-se com educação:
— Sou a repórter Son Hana.
Ah, “uma mão”. Eunho pensou aquilo e apertou a mão estendida. Assim que ouviu o nome, lembrou-se de imediato de quem ela era. Além de o e-mail dela começar com “One_hand”, ela era quem sempre publicava com exclusividade as notícias relacionadas a Jihyun.
— Sou o empresário Kwak Eunho. Como já deve saber, este é o nosso ator, Jihyun. Contamos com você hoje.
Entre a NB Entertainment e o Hot Star News havia uma espécie de relação de conveniência. Dito assim parecia uma rota ilegal, mas era mais uma ajuda mútua. A NB dava a pauta ao Hot Star News, que publicava a matéria exclusiva primeiro, sem incluir frases negativas.
Son Hana era, entre eles, a repórter exclusiva de Jihyun. Antes era o superior dela, mas a partir daquele ano ela assumira. Como as pautas eram feitas principalmente pela empresa, era a primeira vez que Eunho a via pessoalmente.
— Sou eu quem conta com vocês. Podem se sentar aqui.
Em vez de estender a mão a Jihyun, a repórter o convidou a sentar. Não foi grosseiro, ao contrário, ele apreciou aquela consideração. Como ela sempre recebia notícias sobre Jihyun, certamente sabia que ele não gostava de contato.
— Espera um pouco. Vou pegar algo pra você beber.
Depois de sentar Jihyun no lugar de dentro, Eunho, em vez de sentar, foi até o balcão. Como a entrevista era responsabilidade da repórter e do ator, seu papel era apenas dar suporte a Jihyun. Como ele tomara café no almoço, era melhor pedir um chá. Com esse pensamento, Eunho pegou uma bebida com o funcionário e voltou à mesa.
Sobre a mesa havia material preparado por Son Hana. Normalmente eles deveriam receber o conteúdo da entrevista com antecedência, mas dessa vez não deu por falta de tempo. Ela devia ter organizado, na medida do possível, o conteúdo geral em forma de roteiro.
— Tem um pra mim também?
— Sim, dê uma olhada também, senhor empresário.
Eunho, que desde o início não pretendia sentar à mesma mesa, só sentou ao lado de Jihyun ao perceber que havia três cópias. Jihyun já folheava as páginas verificando o conteúdo. Eunho pegou uma cópia e perguntou à repórter, que tirava um caderninho:
— A matéria será revisada pela empresa antes da publicação, correto?
— Claro. Depois de escrita, se aprovarem, publico a versão final revisada.
Chamavam de entrevista, mas era jogo combinado. Aliás, a sessão de perguntas e respostas do “AME” é que era mais realidade. Uma entrevista sobre a situação e o estado de espírito de Jihyun era abertamente uma chance de se justificar.
— O comunicado oficial da empresa também sai hoje, né?
Eunho lembrou da conversa com o diretor Byun e leu as perguntas com atenção. Como esperado, o diretor Byun, que não estava no primeiro dia de negócio, montou um plano adequadamente humano e adequadamente ético. Resumindo, seria algo como “Jihyun, irritado com as ofensas de Park Taesu, cometeu um erro depois de muito aguentar”.
— E, se possível, eu gostaria de fazer uma entrevista curta com o senhor também.
— …Comigo?
— Sim, o senhor estava presente, então acho que aumentaria a credibilidade. Claro, pode recusar tranquilamente.
Dizendo que era apenas uma sugestão leve, a repórter acrescentou que ele não se sentisse pressionado. Diante disso, Jihyun, que estava calado, franziu o cenho e interveio:
— Entrevista com o empresário já é…
— Não, eu faço.
— Ei.
Diante da resposta de Eunho, Jihyun endureceu a expressão na hora. Eunho olhou de relance para Jihyun e disse à repórter:
— Se ajuda, é melhor fazer.
A não ser que fosse editada com má intenção, a matéria seria escrita inteiramente em favor de Jihyun. Como era o empresário dele daria no mesmo, mas se convencesse nem que fosse mais uma pessoa, abrir a boca não era difícil.
— Por que uma pessoa comum se mete nisso?
Mas Jihyun contestou olhando direto para Eunho. Ele que dizia para não dividir por categoria; agora falava com uma voz bastante séria. Eunho soltou uma risadinha e rebateu:
— Eu sou pessoa comum? Sou o empresário do Jihyun.
Ele conhecia o que havia por trás daquilo. Ele devia estar preocupado que sobrasse para ele. Como não sabia se expressar com palavras bonitas, soltara aquilo do jeito que veio.
— Como a senhorita disse, posso fazer a entrevista, mas eu não tenho lábia, então talvez não ajude. Corte à vontade.
— Ah… então faço a sua depois da entrevista do senhor Jihyun.
A repórter avaliou a situação por um instante e assentiu, como quem diz “tanto faz”. Certamente não imaginava que Jihyun se oporia. Jihyun suspirou, mas Eunho apenas assentiu para que ela começasse.
— A partir de agora vou gravar a conversa.
Colocando o celular sobre a mesa, a repórter apertou o botão de gravação. Depois de rabiscar algo no caderno, ela olhou alternadamente para Eunho e Jihyun. E fez a primeira pergunta com um tom leve:
— Primeiro… O senhor está a par da polêmica da cerveja que repercutiu nas redes?
A entrevista que assim começou tinha, como esperado, uma estrutura favorável às justificativas de Jihyun. Primeiro perguntou sobre a situação em geral, depois sobre como ele se sentia na hora, e em seguida sobre com que estado de espírito ele concedia a entrevista ao ver a reação do público.
— Bom, tem muita coisa que não dá pra explicar com palavras…
Jihyun respondeu à entrevista o tempo todo com tom tranquilo e sereno. Disse que estava de bom humor até irem ao bar, mas que Park Taesu, depois de beber, começou a passar dos limites. Não daria detalhes, mas acrescentou com clareza que, no fim, ele chegou a fazer comentários depreciativos sobre homossexualidade e doenças mentais.
— Me preocupei à toa.
Ator é ator mesmo. Ele estava preocupado porque ele ficara inexpressivo, mas assim que ele abriu a boca ele foi se tranquilizando. Apesar de o diretor Byun ter insistido tanto para que ele não falasse besteira, felizmente Jihyun apresentou apenas fatos, com calma.
— A atitude dele no dia a dia, bom… No set eu não conversava muito com o senhor Park Taesu. Se eu não cumprimentasse ou puxasse assunto primeiro, ele não vinha. Acho que é porque eu não faço muito sucesso entre os homens.
A fala dita com um sorriso gentil provavelmente viria com um “(risos)” no texto. E o mesmo valia para: “Ele também dizia com frequência que não dava pra conversar comigo porque eu não servi ao exército.”
— Bom… agora a última pergunta.
Depois de repassar todo o conteúdo, a repórter olhou para Jihyun com a caneta na mão. Do início ao fim ela manteve a postura profissional e não perdeu a impassibilidade. Em vez de tomar partido, apenas escutou com calma, o que ao contrário, aumentava a credibilidade.
— Por acaso o senhor se arrepende do que fez naquele momento?
Continua….
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Faby&Othello