Introducing My Manager (Novel) - ⋆⋅☆⋅⋆ Capítulo 10
Por que ele fica emburrado de novo?
— Próximo coisa nenhuma.
Eunho respondeu com tom desinteressado e começou a andar. Era para mudar de local, mas Jihyun o seguiu acrescentando:
— Se não são próximos, como ela sabe se você continua o mesmo?
— Ela deve ter falado por falar.
— Falar por falar é “gostei do AME”, e para por aí.
Sua habilidade de agarrar-se a cada palavra não era pouca. Nesses momentos era melhor ignorar, então Eunho apenas ficou calado em vez de reagir. Era um sinal de que ele não responderia, mas Jihyun, incansável, confirmou mais uma vez:
— Sério que não são próximos?
— Não, para começar a gente nem…
Nunca conversou, ia dizer Eunho, mas fechou a boca. No instante em que ia negar qualquer ponto de contato, uma lembrança atravessou sua cabeça. Coisas triviais demais, das quais ele nem lembrava.
— A gente trocou umas poucas palavras.
Ele corrigiu, mas a expressão de Jihyun não deu sinal de melhora.
— Umas poucas palavras?
A voz que perguntava de volta estava bem mais baixa que o normal. Em vez de contar os detalhes, Eunho apontou para o camarim.
— Não temos tempo, anda logo.
— …
Não era preciso correr, mas era verdade que não havia tempo para enrolação. Jihyun também sabia disso, passou a mão pelo cabelo com irritação e mudou de direção. Eunho, observando as costas de Jihyun, lembrou-se do que acontecera com Sua um dia.
Foi alguns anos antes, na época em que Jihyun gravava um filme.
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Gravação externa em pleno inverno era um martírio tanto para os atores quanto para a equipe. O tempo era instável e era difícil acertar o momento, o vento cortante soprava e era preciso ficar horas no mesmo lugar. Como os atores, com a boca congelada, erravam falas que normalmente não errariam, a gravação se estendeu muito além do previsto.
Eunho, que esperava ao lado com um cobertor, foi até o carro estacionado perto quando percebeu que a gravação demoraria. Era para pegar bolsas térmicas para Jihyun, já que o frio era tanto que as que ele trouxera antes acabaram. Como a gravação iria até a noite, talvez fosse melhor pegar todas as sobras.
— Ai, que frio…
Mas no caminho de volta ao set, uma atriz que batia os pés no chão chamou sua atenção. Era a atriz que fazia a amiga da protagonista, e estava prevista para contracenar com Jihyun na cena seguinte. Como a cena anterior não acabava, ela certamente esperava de pé, sem lugar para sentar.
Era comum. Como as gravações giram em torno dos protagonistas, os atores de papéis pequenos costumam esperar de plantão 24 horas. Muitas vezes esperavam em vão, mas para aparecer uma vez na tela não havia jeito. A maioria deles não tinha nem empresário, então mesmo que usassem bolsa térmica ou cobertor não havia quem guardasse.
Assim que percebeu isso, Eunho se aproximou sem hesitar. Foi um raciocínio simples: se ela ficasse com tanto frio a ponto de não conseguir dizer as falas direito, a gravação de Jihyun se estenderia mais.
— Ahn, senhorita atriz.
— Sim?
Quando ele a chamou, a mulher arregalou os olhos e se virou para Eunho. As orelhas expostas estavam completamente vermelhas de tanto frio. A boca devia estar congelada, porque o “sim” soou mais como um “hm”.
— Se não se importar, use isto.
E então Eunho estendeu a ela duas bolsas térmicas. Uma quente que estava no bolso e outra nova, ainda embalada. A segunda ele acabara de pegar no carro, a primeira ele havia aberto e sacudido para dar a Jihyun.
— Quando for gravar pode jogar fora. Ou pode me devolver.
Quando ele disse aquilo por achar que ela poderia ficar sem saber o que fazer, a atriz piscou devagar. Nos olhos claros havia certa desconfiança. Só então Eunho pensou que sua aparência talvez fosse um pouco suspeita.
— Ah, eu sou o empresário do Jihyun. Assustei você aparecendo assim, né?
Um homem enorme de boné puxado, não era de espantar que ela ficasse em guarda. Eunho levantou um pouco o boné e curvou levemente a cabeça. Diante disso, os olhos da atriz se arregalaram ainda mais.
— Você parecia com frio e eu tenho muitas bolsas térmicas. Desculpa se assustei.
— …Ah, não! Imagina.
A mulher balançou a cabeça e pegou as bolsas que Eunho estendia. No instante em que as pontas dos dedos se tocaram ela se assustou, girou os olhos e baixou a cabeça. Então respondeu com voz sumida:
— Obrigada. … Vou usar bem.
A pronúncia ainda era desajeitada, mas a projeção e a voz eram boas. Ela vai estourar em breve. Pensando isso sem querer, Eunho fez uma reverência. Ele pretendia seguir em frente, mas ela o deteve.
— Ahn, senhor empresário.
— Sim?
Quando os olhares se cruzaram de novo, não só as orelhas, mas também as bochechas estavam vermelhas. Essa pessoa consegue atuar direito? Enquanto ele pensava isso, veio uma apresentação repentina.
— Eu sou a Lee Sua.
— Ah… Eu sei.
Será que ela achou que ele não sabia o nome dela? Eunho respondeu na hora para que ela não entendesse errado. Ele conhecia todos os atores da produção, mesmo os coadjuvantes de passagem. Mas aquilo pareceu tão inesperado que Sua baixou o olhar com o rosto corado.
— Você sabe… Achei que não soubesse por eu ser coadjuvante.
Foi assim que a conversa daquele dia terminou, e depois disso ele cruzou com Sua algumas vezes. Era natural, já que ela participava do mesmo filme que Jihyun, mas por coincidência todas as vezes não havia ninguém por perto. Trocando pequenos olás, criou-se certa familiaridade, e mais tarde ela chegou a dizer, sorrindo timidamente:
— Não me chame de “senhorita atriz”, pode ser algo mais confortável. Ou pelo nome mesmo…
Acontecia às vezes. Havia pessoas que se incomodavam com o tratamento de “atriz”. Eunho não tinha motivo para recusar, e recusar seria ainda mais constrangedor. Então ele apenas disse que estava bem e depois corrigiu o tratamento para “senhorita Sua”.
Pois é, era exatamente esse o nível da relação. Não eram próximos, só se cruzaram algumas vezes numa mesma gravação por acaso. E mesmo assim quem gravava era Jihyun, e ele apenas trocavam cumprimentos. Provavelmente Sua também se lembrava dele apenas como um membro da equipe com quem trabalhou.
— …
Quando Jihyun voltou ao camarim com a maquiagem de ferimentos pronta, os stylists cuidaram do cabelo dele. Enquanto isso, Eunho o observava encostado na parede. Graças aos ferimentos falsos no rosto, aquele rosto bonito parecia bem mais delinquente que o normal.
Parece dolorido. Eunho pensou isso enquanto examinava a casquinha de sangue no lábio dele. Já reparou quando ele ficou roxo, mas como a pele dele era muito branca, os ferimentos ficaram especialmente visíveis. Talvez por isso parecessem mais lamentáveis, e por isso ele não conseguia ignorá-los.
— Nossa, a atriz Lee Sua é linda demais.
Enquanto ele observava Jihyun e mergulhava em pensamentos, Yeonju, que arrumava as roupas, murmurou. Não era para Eunho, mas para a stylist ao lado.
— Nossa, Yeonju, você também pensou isso? Fiquei chocada quando vi ao vivo.
Quando outra stylist concordou, Yeonju assentiu animada. Elas viam Jihyun todos os dias, mas ainda assim o surgimento de uma atriz nova era motivo de curiosidade.
— O rosto dela é tão pequeno…….
As vozes tagarelas não incomodavam tanto. Jihyun também não reagia, apenas mantinha os olhos fechados. Se parecesse indisposto, Eunho as mandaria calar, mas parecia que dava para deixar assim.
— Ela também parece ter boa personalidade. O oppa não acha?
Dessa vez ela falou olhando na direção dele, então Eunho engoliu em seco. Porque ele não tinha pensado sobre Sua a ponto de julgar se sua personalidade era boa. Depois de calar por um instante, Eunho assentiu com o rosto sem emoção:
— Parece ser boa.
Mesmo levando em conta que era novata na época, Sua era sem dúvida uma pessoa dedicada e gentil. Havia tantos atores exigentes, e ela se lembrava até de um simples empresário, isso já dizia tudo. Além disso, ele lembrava que sempre que ele lhe dava algo, ela retribuía com um refrigerante ou coisa parecida.
— E ela atua bem…
Isso é o que Eunho mais valorizava nela. Quem não gosta de um ator que atua bem, mas quando se tratava de contracenar com Jihyun, a habilidade de atuação era mais importante que tudo. Especialmente em cenas com contato físico, como hoje.
— Provavelmente ela nem vai errar nenhuma cena.
Seria ótimo se terminasse em uma tomada. Ele não queria ver aquele sujeito sensível vomitando depois de um beijo. Na bolsa que ele sempre carregava havia creme para as mãos e remédio para o estômago, mas era melhor nem surgir a ocasião de usá-los.
— …Como você sabe disso?
Mas de repente alguém entrou na conversa. Era Jihyun, que estava de olhos fechados o tempo todo. Ele olhou para Eunho pelo espelho e repetiu:
— Como você sabe que ela é boa pessoa e atua bem?
— Como não saberia, ela gravou um filme com você.
Achou que era uma coisa óbvia. Será que ele tinha esquecido que gravaram juntos? Ele mesmo disse que fazia tempo que não a via, então mesmo tendo esquecido deveria ter lembrado agora.
— Não são um ou dois atores que gravaram comigo… Você lembra de cada um?
— É você quem devia lembrar.
Quando ele o repreendeu sem querer, as stylists soltaram uma risada. Jihyun encarou Eunho com o rosto descarado. Os lábios não se abriram, mas Eunho sabia o que ele queria dizer. Devia ser algo do tipo: se eu atuo bem, para que também preciso ter boa memória?
Quando os outros saíram do camarim, restaram apenas Eunho e Jihyun. Como ainda faltava tempo para a gravação, normalmente ele estaria lendo o roteiro ou ensaiando com outros atores.
— …
— …
Mas naquele momento Jihyun apenas encarava o espelho. Mais precisamente, o rosto de Eunho refletido nele. Se tivesse pegado o roteiro poderia ao menos fingir que lia, era absurdo o jeito como ele mantinha a cabeça rígida.
— Se tem algo a dizer, diz.
No fim, Eunho falou primeiro. Se o deixasse quieto, ele viraria estátua. Como se esperasse que Eunho falasse, Jihyun abriu a boca sem demora:
— Quando vocês deixaram a formalidade de lado?
A pergunta que saiu do nada não tinha sujeito, mas não era difícil de entender. Esse aqui fixou numa coisa esquisita de novo. Eunho pensou isso e engoliu um suspiro em segredo. Porque conhecia o Jihyun que, quando fixava numa coisa, ficava estranhamente obsessivo.
— Não deixamos.
Ele viu claramente que eles se tratavam com formalidade. O motivo de ele expressar daquele jeito era óbvio. Ele queria perguntar desde quando eles eram tão próximos.
— Só o tratamento…
Só mudei o tratamento, e você não ouviu que ela me chama de “senhor empresário”? Eunho, que ia dizer isso, parou e franziu o cenho. E em vez de se justificar, soltou:
— Ei.
Por que eu tenho que me justificar? Assim que pensou isso, a irritação subiu. Normalmente ele deixaria passar, mas isso era quando não tinham brigado. Ao largar o cargo de empresário uma vez, ele não tinha decidido internamente mudar essa relação?
— Eu não te disse. Que isso que você faz é estranho.
Se não é ciúme, então é estranho. Confundir os outros uma ou duas vezes tudo bem, mas… Aquele sujeito não evoluía nunca.
— Se eu chamo de senhorita Sua ou de qualquer coisa, o que você tem a ver?
As palavras que saíram com certa frieza eram, em certo sentido, autodefesa. Porque as coisas que ele fazia sem pensar vinham, sem que ele percebesse, tocando seus nervos. Foi por isso que, mesmo sabendo que dizer mais que isso era exagero, ele acrescentou:
— Quem visse ia achar que você está com ciúme.
Isso valia apenas para os outros. Porque Eunho conhecia Jihyun havia tempo demais para se enganar. Ele tinha confiança de não entender errado, mas o problema era que ele achava aquilo desprezível.
— …E você?
Jihyun ficou parado um tempo e então perguntou do nada. Ele se perguntou do que ele estava falando, e ele disse com os olhos baixos:
— Você não entende errado?
— Do que você está falando.
Era uma coisa óbvia. Eunho respondeu sem a menor hesitação, com tom inexpressivo. Não sabia qual era a intenção dele, mas era uma pergunta ridícula.
— Você mesmo disse: “por que eu faria isso com você”.
“ Por que eu faria isso com você.”
As palavras dele ainda eram vívidas, então era impossível ele ter essa ilusão. Como era algo que ele não podia fazer nem que quisesse, tudo o que podia dizer a Jihyun era isto:
— Você fazer escândalo não é novidade.
— …
Quando ele repetiu exatamente o que Jihyun um dia disse, ele fechou a boca e franziu os olhos. Foi uma mudança sutil, mas o olhar dirigido a Eunho pareceu endurecer um pouco.
Curiosamente, era um rosto de quem percebeu algo tarde demais.
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Já eram sete anos trabalhando como empresário, mas ainda havia momentos em que Jihyun diante das câmeras parecia estranho. Ele sabia muitas coisas sobre ele, mas as expressões que ele fazia ali eram diferentes das de sempre.
Jihyun onde a lente alcança, ele num lugar de onde pode olhar para Jihyun. A diferença entre ator e empresário nascia exatamente daí. Aquele sujeito enfeitado da cabeça aos pés, apesar de ser seu único amigo, tinha uma distância que o fazia parecer um completo estranho.
— Certo, quando estiverem prontos…
Eunho ficou de pé ao lado da equipe, de braços cruzados, observando as gravações. No sofá do set decorado como uma casa, Jihyun e Sua estavam sentados lado a lado, como ele e Jihyun um dia estiveram. Era para gravar a “S#32” que tinham ensaiado, como não era uma cena longa, não demoraria.
— Espero que termine de primeira.
Ele estava um pouco preocupado com a cena do beijo no final. Temia que aquele sujeito, que evitava ao extremo contato com outras pessoas, tivesse alguma reação anormal. A gravação em si terminaria bem, mas seria um problema se ele passasse mal depois.
Na verdade, Jihyun normalmente evitava fazer romance. Ainda assim, avaliava quando aparecia um bom roteiro, mas se exigisse contato físico intenso, cortava da lista sem hesitar. Como seu rosto era de protagonista de melodrama, quando era inevitável não havia jeito.
— …Você não vai mesmo falar comigo?
Enquanto ele pensava, ouviu a voz familiar de Jihyun. A voz suavizada, como se fizesse manha, estava bem mais ríspida que o normal.
— Eu já disse que errei… Hm?
Era igual ao ensaio com Eunho na casa dele. A expressão boa, a atuação obviamente ótima e até a dicção e a projeção. Como o mesmo valia para a atuação de Sua em seguida, Eunho estreitou os olhos com o rosto mais tranquilo.
— Eu também não queria brigar, amor…
Talvez pelos ferimentos no rosto, ou pelo cabelo bem arrumado, aquele sujeito de vinte e nove anos parecia especialmente inocente naquele dia. Ou talvez fosse porque o modo de falar de Kwon Minhyuk era rude.
— Desculpa mesmo. Não vou mais te preocupar.
— …Sério?
— É, sério.
— Pode prometer?
— Quer fazer com o dedinho?
Os dois entrelaçaram os dedinhos amigavelmente. Eunho tinha achado aquela parte um pouco brega, mas assim que Jihyun sorriu suavemente com os olhos, seu pensamento mudou. Por mais brega que fosse a cena, se atuassem bem tudo parecia aceitável.
— Confia no oppa?
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Faby&Othello