Introducing My Manager (Novel) - ⋆⋅☆⋅⋆ Capítulo 05
Jihyun disse aquilo de forma divertida e assoprou a franja para o lado. Como uma improvisação, ele até piscou — algo diferente de quando atuava com Kwak Eunho. Aquilo parecia muito mais o Minhyuk, e a franja se desmanchando também era digna de se ver.
Como o cabelo pode ser bom levando tanta luz assim? Os fios finos e de pigmento claro pareciam bem macios até de longe. Ele não os tocara muitas vezes, mas dava para saber só de ver os stylists arrumando.
— Você só sabe falar…
A cena das falas dos dois terminou com Sua fazendo cara de desagrado. Agora, se dessem um beijo leve e viesse a frase “eu te amo”, tudo se encerraria.
No instante em que seus olhares se cruzaram no ar, o sorriso desapareceu do rosto dos dois.
— …….
— …….
Era uma cena como um quadro. Vistos de frente, eram um casal perfeito até para Eunho. Sua não tinha traços exuberantes, mas seus olhos redondos e dóceis combinavam bem com Jihyun.
— Combinam bem.
Provavelmente, quando o drama fosse ao ar, os espectadores pensariam o mesmo. Diriam que não sabem qual mulher vai levar Jihyun, e que, se for namorar, tomara que seja alguém que combine tão bem quanto Sua. Diferente de quando o shippavam com ele em “Jikwak” e coisas assim, ali a reação seria sincera.
Jihyun namorando uma mulher, hein. Já imaginara aquilo algumas vezes, mas na verdade nunca conseguira desenhar uma cena concreta. Jihyun não tinha folga emocional para se relacionar com outras pessoas e nunca demonstrara interesse pelo sexo oposto. Só que como a relação deles mudaria depois disso, só isso lhe vinha concretamente.
Quando a situação se estabilizasse, ele encontraria alguém. Provavelmente uma mulher, e nesse caso a atitude cega dirigida a Eunho desapareceria. Como empresário teria de continuar grudado nele, mas certamente não haveria mais os pedidos para dormir na casa dele.
Ele tinha confiança em fingir que não se importava. Se preciso, estava preparado até para levá-lo ao encontro ou acompanhá-lo para que não houvesse escândalo. Ser empresário era isso; até largar o emprego um dia, ele pretendia servi-lo da melhor forma.
“ Mas agora não vai ser preciso.”
Ele vai largar tudo assim que o “AME” terminar. Difícil que, antes disso, Jihyun arrume alguém. E o fato de isso o tranquilizar tanto mostrava que todas aquelas resoluções eram uma espécie de bravata.
— ……Ah.
Eunho voltou a si de repente. Exatamente no instante em que um som escapou da boca de Jihyun. Ele parou o movimento antes de os lábios se tocarem, franziu o cenho e endireitou a postura.
— Desculpa. Vou repetir.
— ……?
Assustado, Eunho piscou. Sem perceber, franziu o cenho, mas Jihyun acrescentou com naturalidade, como se não fosse nada:
— Perdi o tempo.
Não era estranho. Todo mundo comete erros desse tipo, e pela estrutura da cena nem precisava refazer as falas. Só que o envolvido era Jihyun e ele quase nunca errava.
“Que estranho…”
Enquanto Eunho estranhava, Jihyun, ao longe, virou-se para onde ele estava. Pareceu que os olhares se cruzaram, mas ele não sabia se ele olhara exatamente para Eunho ou para o membro da equipe ao lado. Claro, aquilo também durou um instante, e logo a voz retumbante do PD cortou seus pensamentos.
— Vamos, de novo, stand by…
Da primeira vez, tudo bem, pode acontecer. Jihyun também é humano e pode errar uma vez. Dizer que ele quase nunca erra não significava que ele acertava tudo de primeira em qualquer situação.
Mas a segunda vez.
— …….
— Corta!
De repente, Jihyun parou. Sua, que estava de olhos fechados, também olhou ao redor com cautela. Dessa vez também os lábios não se tocaram, e o PD, que interrompeu, agitou a mão como se não fosse nada.
— Jihyun, relaxa um pouco a expressão e vamos de novo!
Jihyun, que estava de cenho franzido, relaxou o rosto com esforço. Pelo visto ele tinha franzido a testa sem perceber. De fato, o clima do set não estava ruim, e só Eunho os observava com os olhos estreitados.
— …….
Será que ele está doente?
Uma vez tudo bem, mas duas era estranho. O cara que resolvia até as cenas de ação difíceis de primeira, que motivo teria para não conseguir controlar a expressão? E, além disso, olhar para ele assim que o “corta” saía. Antes ele ficou em dúvida, mas dessa vez ele realmente olhou na direção dele.
— Vamos de novo!
No clima silencioso, a atuação começou mais uma vez. Os olhares se cruzando, os olhos se fechando aos poucos, os rostos se aproximando. Na verdade eles nem chegaram tão perto, mas dessa vez também da boca do PD saiu uma voz firme.
— ……Corta!
—Ah, desculpa!
A causa do terceiro corte não foi Jihyun. Talvez pela concentração quebrada pelos dois cortes anteriores, Sua acabou franzindo o cenho junto. Vendo Sua constrangida e sem jeito, o PD aliviou o clima com uma brincadeira.
— Ah… não vai dar. Vocês dois não vão conseguir se beijar hoje, hein?
Riu-se entre a equipe. Sua e até Jihyun soltaram uma risada acompanhando. Eunho soube de imediato que o riso de Jihyun era atuação.
— Vamos fazer uma pausa!
Achando que daquele jeito não daria, o PD interrompeu a gravação por um momento. Chame de superstição, mas quando acontece um corte bobo, situações parecidas se repetem em sequência. Os stylists que aguardavam por perto correram, e Eunho também foi até Jihyun a passos rápidos.
— Jihyun.
Eunho, sem hesitar, agachou diante dele e olhou para cima. Foi porque ele estava sentado no sofá com a cabeça baixa; foi uma atitude que saiu sem querer, de preocupação. Felizmente, Jihyun ergueu a cabeça de imediato assim que Eunho se aproximou.
— Você não está doente, né?
— …….
Diante da pergunta carinhosa, Sua olhou de relance para eles. Eunho, com o olhar fixo em Jihyun, examinou seu rosto com atenção. Dos olhos levemente franzidos aos lábios fechados. A cor do rosto não estava ruim, e a careta também não era um prenúncio de pânico ou da mania de limpeza.
— Se não estiver bem, me fala.
Aparentemente estava tudo certo, mas se algo o incomodasse, ele pretendia ajustar a agenda sob sua responsabilidade. A agenda já estava apertada, mas no mundo não existe nada absolutamente impossível. Jihyun até chegou a ser internado, então ajustes desse nível ele podia resolver como empresário.
— …Não tô doente.
Jihyun abriu a boca bem devagar, com um atraso. O olhar dirigido a Eunho pareceu tremer, e ele cobriu a boca com as costas da mão e virou o rosto.
— Foi só um erro.
— É?
Mesmo ouvindo aquilo, Eunho examinou de novo sua cor. Ele nem conseguia manter contato visual, o que era suspeito. Bom, se ele mesmo dizia, não havia mais o que falar.
— Se não está doente, tudo bem.
Então Eunho apenas disse aquilo e se levantou. Jihyun, que olhava para o outro lado, ergueu o olhar acompanhando-o. Achando que talvez ele estivesse nervoso, coisa rara, Eunho falou de propósito com tom indiferente:
— Que raridade você errar. Você é bom nisso.
Não era o primeiro dia atuando, e nem era uma cena difícil. Não havia razão alguma para ele, que fazia tão bem nos ensaios, falhar na hora real.
Mas, sabe-se lá como ele interpretou aquilo, Jihyun segurou a gola de Eunho e disse:
— …Eu também não tenho costume.
— O quê?
Era um tom meio indignado. E o olhar fixo em Eunho também. Achando que tinha ouvido errado, ele se inclinou, e Jihyun o puxou e aproximou os lábios de sua orelha.
— Não tenho costume de esfregar os lábios.
Era um som baixo, audível só para Eunho. A respiração acariciante já era desconcertante, mas o conteúdo era ainda mais.
— …Não.
Quem disse alguma coisa? Ninguém melhor que Eunho sabia que ele odiava gravar cenas de beijo.
— O que isso tem a ver agora…
Naquele instante uma lembrança atravessou sua cabeça. Aquele dia na casa dele, quando ensaiaram o roteiro, e ele, depois de socá-lo sem piedade, disse:
“Você pode ter costume de esfregar os lábios por profissão, mas…”
“ …….”
“ Eu não.”
Será que ele estava falando daquilo? A essa altura, que importância isso tinha? Não havia motivo para ele se importar com aquilo agora.
— …Do que você está falando?
Não me faz entender errado.
Que ele tivesse consciência daquele acidente não era problema. Eunho também lembrava de vez em quando e, ainda que num sentido diferente, ele também devia se incomodar. Fosse por desconforto, fosse por culpa. Nem mesmo Jihyun conseguiria simplesmente descartar aquilo.
Só que era um pouco estranho que o que o incomodasse fosse a fala e não o ato. Metade do que ele disse naquele dia foi impulso, e a outra metade, complexo de inferioridade infantil. Ou seja, não havia a menor necessidade de se preocupar ou se justificar.
— Aqui é um set. Age como profissional.
— …….
Diante do tom forçadamente sereno, Jihyun cerrou os lábios. Ainda tinha muita coisa no rosto que queria dizer, mas infelizmente Eunho não tinha mais nada a oferecer. Achando que qualquer palavra a mais viria carregada de sentimento pessoal, apenas deu as costas fingindo indiferença.
— Vamos começar a gravação!
O entorno agitado se organizou num instante, e o mesmo silêncio de antes tomou o set. Eunho ficou de pé num canto, ao longe, observando Jihyun. Talvez a frase sobre agir como profissional tenha funcionado; Jihyun não olhou mais para aquele lado.
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A gravação terminou assim que recomeçou. O próprio Eunho não viu a cena, porque teve de se ausentar por causa de uma ligação do diretor Byun. Quando voltou, a gravação tinha acabado e Jihyun se despedia de Sua depois de se levantar do sofá.
A rubrica “voltam a se beijar e se beijam” foi substituída, conforme a direção no set, por um abraço leve. Foi porque o PD julgou que o clima entre os dois era puro demais e que uma cena de contato mais intenso poderia mudar o fluxo geral.
Talvez por isso, Jihyun não apresentou reações anormais depois da gravação. Só lavou as mãos com certa obsessão e bebeu água de uma vez, franzindo os olhos duas vezes. Tudo o que Eunho fez foi lhe entregar o creme para as mãos e a tampa da garrafa.
À tarde os atores principais chegaram um a um: Ichan, que fazia o promotor júnior, e Boyeong, no papel da detetive. Por último, Taesu, no papel do criminoso. Boyeong e Sua cumprimentaram Jihyun assim que o viram, mas Taesu desviou o olhar, fingindo abertamente não vê-lo.
Achando aquilo estranho, Eunho perguntou a Jihyun assim que todas as gravações terminaram:
— O que você fez com o Park Taesu?
— O quê?
Jihyun, que entrava no camarim, olhou para ele. Com um olhar de quem achava aquilo absurdo. Com medo de que ele entendesse errado de novo, Eunho fechou a porta do camarim e apontou com o queixo para fora.
— Aquele cara não te cumprimenta.
Da última vez ele deixou passar como impressão, mas o comportamento de hoje não dava. Park Taesu não tinha status para ficar distribuindo cumprimentos, mas ignorar Jihyun não fazia o menor sentido. Ele se perguntou se tinham brigado na sua ausência, mas Jihyun respondeu com desdém, como se não fosse nada:
— O Kwak Eunho virou um velho ranzinza. Agora quer impor hierarquia por causa de cumprimento.
O rosto sorridente era despreocupado. Pelo visto ele também sabia que Taesu fingira não vê-lo. Só que não se importava e não dava bola.
— Esse homem faz isso todo dia, não é novidade.
Era verdade. Um tipo como Park Taesu sentia um complexo profundo em relação a Jihyun e acabava por ignorá-lo. Ainda assim, ficar desconfortável de repente era estranho, mas como Jihyun dizia que não era nada, era esquisito insistir.
— Bom… É, faz sentido. Vou dar partida no carro, desce com calma.
No fim Eunho abandonou o assunto e saiu primeiro do camarim. De início ele perguntou por curiosidade, e o comportamento de Park Taesu não importava. Ator é ator, basta atuar bem. Era só essa a sua impressão.
Mas no instante em que saiu do camarim e fechou a porta, alguém o chamou de longe.
— Empresário.
Quem se aproximava chamando com entusiasmo era Boyeong, que já tinha trocado de roupa. Atrás dela estava Sua, com cara de constrangimento. Sua puxou a roupa de Boyeong dizendo que não era nada, mas Boyeong riu sem se importar.
— O sunbaenim terminou as gravações de hoje, né?
— Sim, estávamos de saída.
Eunho ajeitou o boné e assentiu. Não sabia qual era o assunto, mas imaginava. Provavelmente um convite para beber ou coisa assim.
— A gente terminou as gravações e vai tomar uma cerveja, então queria perguntar se vocês não querem ir junto.
Como esperado, Boyeong fez uma proposta pouco diferente da previsão de Eunho. Aliás, ela e Sua eram amigas desde o começo da carreira, não? Amigas na ficção e amigas na vida real, era o que a equipe comentava.
— Ainda não jantaram, né?
— ……Hm.
Eunho engoliu em seco por um instante e olhou para a porta do camarim. Normalmente recusaria sem hesitar, mas conhecendo o sujeito que ultimamente ia a todo tipo de reunião, não podia. Como não sabia que resposta aquele temperamento volúvel daria, era melhor deixar margem.
— O Jihyun não está muito bem hoje. Vou perguntar e te avisar.
Dizendo assim, se recusassem depois não seria falta de educação. Pensando isso, Eunho virou-se para o camarim. Mas antes disso Boyeong o chamou de novo.
— Empresário, só um instante!
Eunho parou e olhou para trás. Talvez fosse impressão, mas Sua, atrás dela, parecia constrangida. Boyeong, segurando firme o braço de Sua, piscou e disse:
— É que a gente gostaria que o senhor fosse também…
— Como?
Foi repentino, e claro que Eunho perguntou de novo com atraso. Não conseguiu captar direito o que “gostaria que fosse também” significava exatamente.
Mas a frase seguinte só podia ser interpretada de um jeito.
— O senhor gosta de cerveja?
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O bar que escolheram tinha divisórias em cada mesa, num formato reservado. Não era exatamente uma sala fechada, então quem sentasse do lado do corredor inevitavelmente ficava com o rosto exposto. Ainda bem que não havia muita gente lá dentro.
Jihyun sentou no canto mais ao fundo, e à sua esquerda ficaram Eunho e Ichan, lado a lado. Originalmente Eunho ia sentar do lado do corredor, mas Ichan agitou as mãos dizendo para ele sentar ao lado do sunbaenim. Certamente ele achava constrangedor sentar ao lado de Jihyun.
Do outro lado sentaram Sua, Boyeong e Taesu, e Taesu, que ficou no lugar do corredor, parecia bem incomodado. Dava para perceber pelo jeito como virava o rosto quando alguém passava e pela forma como reparava nos olhares alheios.
Não era incompreensível. Mesmo com pouco reconhecimento, ator é ator, e é natural se importar com o olhar dos outros. Eunho também, preocupado com a exposição do rosto de Jihyun, colocou nele o próprio boné.
— Enfim, naquela época o diretor…
Então… Por que eu estou aqui?
— Nossa, sério? Que absurdo.
— Pois é. Ichan, você também toma cuidado.
Entre pessoas que riam alto, Eunho bebia refrigerante num copo de chope de 300ml sem dizer nada. Jihyun, à sua direita, também estava encostado na parede sem dizer uma palavra. O boné puxado escondia seu rosto, mas pelo que se via, sua expressão dizia que aquela mesa era um tédio dos infernos.
— O senhor gosta de cerveja?
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Faby&Othello