Icing On The Cake (Novel) - Capítulo 09.5
2. Delícia de Cereja (Parte 5)
Como não tinha se afastado das redondezas da casa, chegou correndo ao condomínio em dez minutos. Sem dúvida sua condição física estava bastante enfraquecida, pois ele ficou sem fôlego só de correr aquela distância.
Ao chegar em casa e abrir a porta, se ouviram as patas de Berry. Berry correu até ele como se estivesse esperando e ao ver Yurij latiu uma vez. —Shh, Berry. —Depois de fechar a porta com cuidado e acariciar Berry, Yurij observou para além do corredor. A luz estava acesa, mas não havia sinais de vida.
—…Cherry?
Também não houve resposta ao seu chamado em voz baixa. Cheriot, que quando Yurij voltava saía correndo gritando —Wolfie!— não importava o que estivesse fazendo, não aparecia em lugar nenhum. Inquieto, olhou para Berry e perguntou.
—Berry, cadê o seu dono?
Berry, que estivera balançando a cauda freneticamente, inclinou a cabeça diante de suas palavras e, ao ouvir o chamado de «Cherry», de repente começou a correr em direção ao quarto. Seguindo Berry, que corria apressado, ele viu o quarto às escuras. Berry se enfiou pela porta entreaberta e desapareceu lá dentro.
«Parece que eles ficaram juntos e saíram.»
Embora tenha pensado que era uma sorte Berry tê-lo acompanhado em sua ausência, ao ver o quarto às escuras seu ânimo se ensombreceu. Tirou a jaqueta, deixou-a na lavanderia e abriu lentamente a porta do quarto. A luz que entrava da sala dividia obliquamente a cama e iluminava o homem que jazia sobre ela.
Yurij checou a hora. Ao olhar o despertador que tinha acabado de mudar para as 10 da noite, chamou Cheriot mais uma vez com cuidado.
—Cherry?
Como era de esperar, não houve resposta. Era compreensível que ele estivesse cansado, pois tinha corrido no parque desde o amanhecer e tinha treinado o dia todo. Lembrou que Cheriot tinha lhe dito que naquela semana ele tinha mais carga de treino que na anterior porque tinha jogo no fim de semana.
«Eu poderia ter me apressado.»
Arrependendo-se sem sentido, Yurij observou Cheriot adormecido. Seu cabelo ruivo-dourado, suavemente espalhado sobre o travesseiro branco, exibia uma cor mais apagada que o habitual na escuridão.
Cheriot, com a cabeça de lado e os olhos fechados, parecia um Eros adormecido. O olhar que tinha contemplado com atenção seus cílios longos, seu nariz perfeito e seus lábios rosados desceu. O tronco superior, como uma estátua branca, estava fora da colcha.
Como era alguém que sentia muito calor, Cheriot costumava dormir sem a parte de cima do pijama. Também costumava se livrar da colcha quase a pontapés, então a única pessoa que dormia bem coberta era Yurij. Então, Cheriot costumava abraçar Yurij, que ficava enterrado sob as cobertas.
O braço direito de Cheriot, estendido em direção ao lado vazio, segurava um travesseiro, como se talvez o estivesse abraçando em seu lugar. Berry, que o observava de baixo, saltou para a direita. O animal se deitou perto do braço direito, que parecia solitário, e enrolou o corpo em forma redonda como uma almofada.
Yurij hesitou se o acordava ou não, mas decidiu deixá-lo dormir por ora. Seria melhor isso do que acordar sem motivo uma pessoa cansada.
Depois de fechar a porta silenciosamente, Yurij se dirigiu ao banheiro de visitas. Ele queria eliminar o leve cheiro de comida ou o cheiro do cigarro que tinha fumado brevemente. Quando estava com Cheriot, queria cheirar só o aroma corporal dele.
Tirou a roupa, entrou no boxe, abriu a água morna e depois de molhar primeiro a cabeça, derramou-a sobre o corpo. Ao começar a esfregar a pele com sabonete líquido, a textura irregular de suas cicatrizes tocou as pontas de seus dedos.
Como tinha perdido gordura e músculo ao mesmo tempo, ao descer a mão pelo abdômen, agora mais tênue que antes, ele pôde apalpar uma cicatriz nova. Ao baixar a vista, lhe chamou a atenção o flanco, manchado de branco pela carne nova que tinha brotado. Por mais que olhasse, eram marcas feias, mas Cheriot, em vez de se assustar como os outros, as beijava com calor.
«…Merda, Cheriot.»
«Em que tipo de pessoa você está me transformando? Eu nunca sonhei que ao tocar as minhas cicatrizes eu sentiria falta de alguém.»
Ele sentiu falta daquela noite. A noite em que Cheriot beijou a longa cicatriz que atravessava seu flanco esquerdo. Ele não conseguia esquecer o momento em que o calor se espalhava sobre sua pele branca, insensível e sem nenhum sentimento.
Veio-lhe à mente a imagem de Cheriot pondo a língua para fora para lhe lamber o flanco como uma fera que lambe um ferimento, depois subindo gradualmente pelo abdômen até lhe chupar o peito. Ao inclinar a parte de cima do corpo, seu cabelo ruivo-dourado que balançava suavemente diante de seus olhos e seu nariz reto e proeminente que se estendia a partir do centro da testa eram lindos. Suas sobrancelhas retas, ligeiramente franzidas pela concentração, também cativavam seu olhar.
Como Cheriot tinha feito no passado, Yurij esfregou seu abdômen molhado e depois pôs a mão sobre o peito. Embora tenha percorrido o tronco com desajeito, não sentiu a mesma sensação daquela vez. Claramente uma sensação que dava arrepios e cócegas tinha se espalhado por todo o seu corpo.
Yurij, exalando um fôlego ansioso, franziu ligeiramente os olhos e girou bruscamente a torneira. Mudou a temperatura para fria e derramou água por todo o corpo, mas a sensação de ardor não desapareceu. O calor que tinha se acumulado dentro de seu corpo durante semanas enchia seu baixo-ventre. Estava tão quente que ele não conseguiria dormir se não o liberasse à força.
Sem mais remédio, estendeu a mão para baixo e, como tinha feito durante semanas, pegou seus genitais e os sacudiu. Ao esfregar o pau com sua palma áspera, ele ficou ereto naturalmente com o estímulo, mas não ficou tão duro quanto daquela vez. Apertando os lábios e baixando a cabeça, esfregou-o pela metade e depois optou por outro método.
«Da última vez eu não consegui grande coisa, mas agora pode ser diferente. Não tem que ser um estímulo tão intenso quanto aquele, mas pelo menos eu quero recriar um pouco a sensação de fazer sexo com o Cheriot.»
Apoiando-se na parede do boxe, Yurij inclinou a cabeça e apoiou a testa no antebraço. Com os olhos semicerrados, estendeu a mão direita para trás e a apoiou entre as nádegas. Com o dedo escorregadio pela espuma, explorou o vão entre as nádegas e depois empurrou lentamente o dedo médio dentro do orifício apertado.
«Ah, a sensação…»
«Talvez porque hoje eu penso mais no Cheriot que o de costume.»
Ao deslizar o dedo dentro do buraco estreito, um prazer superficial o roçou por um instante. Ao forçar a abertura do esfíncter fechado, chegou uma estranha sensação de prazer que fez a respiração de Yurij ficar áspera. Talvez ele conseguisse sentir algo.
Seu dedo, empurrado lentamente para dentro, pressionou aqui e ali as paredes internas. O interior macio só oferecia uma sensação esponjosa toda vez que Yurij pressionava com força com o dedo médio. Diferente de Cheriot, que de uma vez tinha encontrado o lugar que lhe produzia uma sensação estranha, Yurij não conseguia achá-lo. «Embora seja claramente o meu próprio corpo, parece que o Cheriot o conhece melhor.»
Sem mais remédio, Yurij abandonou a busca por aquela sensação e decidiu se concentrar na sensação de abertura que tinha acabado de experimentar. Controlando a respiração, tirou de uma vez o dedo médio e dessa vez, junto com o indicador, penetrou o buraco. Graças à espuma, os dois dedos conseguiram entrar de alguma forma. Diante da sensação definitivamente mais justa que com um só, Yurij franziu o cenho.
«Naquela época… ele chegou a meter três?» Como o pau de Cheriot era tão grande, para sentir algo remotamente parecido talvez ele precisasse meter uns três.
Apertando os lábios e prendendo a respiração, tirou os dedos e depois, sobrepondo também o anelar para lhes dar forma, empurrou-os dentro do buraco. Ah, dessa vez foi bem difícil. Ao fazer força ele conseguiu entrar, mas a essa altura o prazer, embora fraco, que ele tinha sentido desapareceu.
—Ha, uhg.
«Talvez movendo seja diferente.» Yurij, com os olhos fortemente fechados, começou a mover a mão direita se concentrando ao máximo na parte de trás. Ao penetrar lentamente para a frente e para trás o buraco com três dedos, aquela estranha sensação de antes surgiu perto da prega. Toda vez que os nós de seus dedos roçavam a entrada tensa, saíam-lhe arrepios intermitentes pela coluna.
—Haaa, ah, uh…!
Ele penetrou sua parte de trás assim durante vários minutos. Mas não conseguiu sentir um prazer que o levasse ao clímax. Ele, que exalava com rudeza um fôlego desesperado, tirou bruscamente os dedos e enxaguou o corpo sob o jato de água. Com um gesto impaciente, pegou a toalha pendurada e secou a cabeça. No instante em que abriu a porta do banheiro, viu Cheriot apoiado na entrada do quarto de visitas.
Yurij, sobressaltado, parou diante do banheiro. Cheriot, que estava recostado no batente da porta de braços cruzados, abriu a boca. —Você chegou tarde, Yurij.
Seu rosto pálido quase não tinha expressão, diferente do habitual. Yurij o olhou fixamente com olhos confusos. Com certeza ele tinha escutado o que ele fazia lá dentro mas, para alguém que ouviu algo assim, Cheriot parecia bastante calmo.
—…Desculpa por te fazer esperar. Eu esqueci de checar o telefone.
—…
Como se a resposta não lhe tivesse agradado, Cheriot apertou os lábios e ajustou os braços cruzados. Diante daquela atitude claramente brava, Yurij parou de se importar se o outro tinha escutado ou não. Inquieto, baixou as sobrancelhas grossas e pediu perdão.
—O que eu posso fazer pra te acalmar? Me diz, Cherry.
Ao se aproximar e perguntar em voz baixa, a expressão de Cheriot mudou. Ele continuava com os lábios apertados, mas dava para notar que o cavalete de seu nariz se franzia levemente. Será que ele tinha passado de bravo a magoado? Yurij, observando com cuidado sua expressão, deu mais um passo em sua direção.
—Eu não quero te ver bravo. Se você me disser o que eu fiz de errado, eu não vou fazer de novo uma coisa dessas.
—…em vez de comigo.
Cheriot enfim abriu a boca.
—Você prefere passar o tempo com o Alexei em vez de comigo?
Ele achou que ele fosse lhe recriminar por não ter visto suas mensagens, mas saiu o nome de Alexei. Com expressão perplexa, Yurij o olhou e negou com a cabeça.
—Não, Cherry. Não é assim.
—…
Embora sua expressão tenha relaxado um pouco, Cheriot continuava de braços cruzados. Impaciente, Yurij se aproximou lentamente e pôs a mão sobre o braço de Cheriot. Ao sentir o toque de Yurij, Cheriot se estremeceu e retesou o antebraço.
—É claro que estar com você é o melhor, por que você faz essa pergunta?
—…Haah. Está bem.
Diante do sussurro suave de Yurij, Cheriot baixou a cabeça. Como se ele estivesse evitando o olhar, Yurij também inclinou a parte de cima do corpo, como ele costumava fazer, para ficar em sua altura. Os olhos verdes que tinham ficado escondidos pela franja caída olharam fixamente para Yurij, e então seu rosto, até então inexpressivo, relaxou enquanto ele tomava Yurij pela cintura.
—Ah, eu ia ficar bravo de verdade quando você voltasse…! Mas então…!
Yurij, abraçado com força naqueles braços grandes, logo entendeu por que Cheriot tinha baixado a cabeça. Porque a parte de baixo de seu corpo, que tocava sua coxa, estava dura e teso. Assim que sentiu o toque do pau que pressionava com peso sua coxa, o corpo de Yurij também esquentou. «Eu achei que ele estivesse bravo, mas ele está excitado a esse ponto…»
—Você bateu uma pensando em mim? Hein? Foi assim, Wolfie?
«Então ele tinha escutado mesmo.»
—…Foi.
—Ah, merda. Eu estou enlouquecendo. Eu quero fazer agora mesmo. De verdade, eu estou enlouquecendo.
Cheriot, murmurando com uma voz que parecia ter chegado ao limite de sua paciência, abraçou Yurij até quase sufocá-lo. Yurij, abraçando-o por sua vez, umedeceu os lábios já secos e sussurrou.
—Eu não fiz pela frente, eu fiz por trás.
Ao escapar essas palavras dos lábios de Yurij preso em seu abraço, o peito de Cheriot se inflou consideravelmente. Ele, aspirando o ar com força, apertou a mão que rodeava suas costas.
—Eu penetrei o meu buraco… pensando em você… Cherry.
Ao terminar a frase, seu corpo foi erguido de uma vez. Cheriot, erguendo Yurij nos braços pela cintura, saiu direto do quarto de visitas e se dirigiu ao quarto. Perdendo o equilíbrio pela força repentina, Yurij se agarrou apressado em seus ombros e olhou em volta com expressão desconcertada.
«Ele está me carregando no colo? …A mim?»
Numa postura não só estranha como incômoda, Yurij abriu os lábios mas, antes que pudesse reclamar, chegaram ao quarto. Cheriot, depositando Yurij na cama na mesma posição em que o carregava, deu uma ordem a Berry, que os esperava com olhos inocentes.
—Berry, hoje você dorme lá fora. Você tem a sua caminha na sala.
Berry, que normalmente ignorava pela metade as ordens de Cheriot, como se tivesse notado que seu dono estava diferente, saltou da cama e saiu do quarto. Assim que Berry saiu, Cheriot fechou a porta e subiu na cama.
—Hoje eu não vou te deixar dormir. Como você mesmo provocou, não tem jeito.
Arrastando-se sobre os joelhos, pegou os tornozelos de Yurij, que jazia de barriga para cima. As palmas que sustentavam sua pele nua e úmida estavam quentes como brasas. Diante do calor intenso que sentia em seus tornozelos, Yurij se estremeceu. Porque lembrou que a temperatura corporal de Cheriot, que penetrava no seu interior, tinha sido assim tão ardente.
—…Você não disse que não faria até eu dizer que estava completamente recuperado?
—E não foi essa pessoa que sussurrou que se penetrou por trás sozinho?
Cheriot refutou com uma voz não só grave como quase quebrada. Era uma afirmação metade verdadeira e metade falsa.
—Eu não consegui. Eu não me senti particularmente bem, diferente de quando você faz.
Cheriot, soltando um gemido que engolia uma maldição, separou suas pernas. Sem sequer tempo para resistir, suas coxas se abriram e sua virilha ficou completamente exposta. Cheriot esquadrinhou descaradamente seu sexo aberto. Embora o quarto estivesse escuro e sem luz, os olhos verdes de Cheriot pareciam brilhar com intensidade. Como uma fera na escuridão.
—…O Wolfie é um lobo muito mau.
—É… Hoje eu te deixei triste.
—O senhor Alexei você viu a vida inteira, então não precisa vê-lo com frequência. Eu também queria ir ao The Nightingale com você hoje, Wolfie. Eu planejei primeiro.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna