Ex Sponsor (Novel) - ↫─Capítulo 121
Capitulo 121
— Receber o quê. Foram eles que mandaram alguém primeiro e perguntaram se a gente não precisava de nada.
— Isso. A pessoa fez questão de vir até aqui, você não pode nem falar?
Quando o tio rebateu, indignado, o hyung logo emendou.
No fim das contas, isso não é receber? Cheongyeon olhou para os dois com um olhar de quem não acreditava. Mas eles não pareciam entender qual era o problema.
Sim, bem. Se fosse um homem obtuso como Doheon , talvez ele sentisse certo grau de responsabilidade em sustentar a família do cônjuge.
Cheongyeon se esforçou para tentar entender a situação de Doheon e da sua família.
Mas ainda restavam alguns pontos que o incomodavam. Deixando o casamento de lado, ele se perguntava por que cargas d’água tinham recebido custo de vida e mensalidade mesmo depois do divórcio, e com que frequência tinham recebido esse tempo todo sem ele saber.
— Não me diga que este apartamento também?
Cheongyeon perguntou olhando o interior do apartamento, que o incomodara desde o instante em que entrou.
— A gente também tem vergonha na cara, então não pediu para comprar, entrou de aluguel. Isso pode, né? O genro é nada menos que diretor da JT Eletrônicos.
— Isso. Sem saber direito, não venha criticar tanto.
No fim, o apartamento também tinha sido recebido. Como tanto o tio quanto o hyung eram pessoas distantes de qualquer atividade econômica, eles deviam ter exigido tudo de Doheon — a reforma, os móveis, até o carro.
De onde exatamente vem essa vergonha na cara? No fim, vocês estavam vivendo com o dinheiro que receberam do Moon Doheon .
— Pai… Você podia ao menos ter me falado.
— Por que falar cada coisinha dessas. Não foi nada de mais que a gente recebeu, e não é você que dá.
Então esse tempo todo só eu não sabia. Cheongyeon murmurou, abatido.
Vendo como as coisas se davam na casa, ele entendeu por que Doheon agira com tanta arrogância. Afinal, ninguém, naquela situação, imaginaria que o Yoo Cheongyeon conseguisse se livrar do Moon Doheon. Era como se toda a família, ele inclusive, não conseguisse de forma alguma se tornar independente de Doheon .
Ele saíra dizendo tantas grandezas, e aos olhos de Doheon, como esse seu comportamento teria parecido.
Ainda por cima, na véspera, ele tinha feito aquele escândalo dentro do carro e chegara a se debater dizendo que não suportava nem vê-lo. Pensando de novo, era tão vergonhoso que ele não conseguia erguer a cabeça.
— Aliás, Cheongyeon. Mesmo curioso esse tempo todo, eu não perguntei e esperei, achando que um dia você me contaria.
— …
— Por que exatamente você se divorciou? Eu ainda não entendo.
O tio se inclinou na direção de Cheongyeon e perguntou sério. Cheongyeon hesitou sobre o que responder.
Embora tivesse uma resposta preparada de antemão para esse tipo de pergunta, na hora, sentado diante do tio, seus lábios não se abriam com facilidade.
— Fale alguma coisa, Cheongyeon. E a atuação, como foi que você começou? No começo, quando um amigo me ligou dizendo que você estava aparecendo na TV, o susto que eu levei.
— …Convivendo, a gente foi vendo que não combinava. Você sabe. Que eu e ele somos diferentes demais, desde o ambiente em que crescemos.
— Diferença de personalidade existe em qualquer casal. Você vai se divorciar por causa disso? Esse tanto todo mundo aguenta e leva a vida. A não ser que fossem eles que te expulsassem primeiro.
Eu sabia que ia por esse caminho. Cheongyeon engoliu um suspiro, pegou o copo sobre a mesa e bebeu água.
— Haa. Se era para se divorciar, você podia ao menos ter aguentado até o seu hyung se formar e abrir o consultório particular… Que coisa mais frustrante.
No fim, era aquilo que ele queria dizer. Cheongyeon, com o coração pesado, desviou o olhar para outro lugar.
— O que se pode fazer. Não é de hoje que esse aí é desleixado. Pai, você ainda não conhece o Yoo Cheongyeon?
— Ainda assim. O seu hyung, que se esforça e se vira com tanto empenho apesar da situação apertada, aos seus olhos não é nem digno de pena…
— Isso é o que importa agora? E você não vê que eu me esforço?
Diante daquele bendito hyung pra cá, hyung pra lá, Cheongyeon, sem conseguir mais ouvir, cortou a fala com aspereza.
Talvez surpreso porque Cheongyeon, que em casa costumava ser calado, tinha levantado a voz, os olhos do tio se arregalaram.
— É só um jeito de dizer, por que você fica bravo assim de repente. E logo você que veio em casa depois de tanto tempo.
— …
— Como você e o Moon Doheon se viram algumas vezes desde que você era criança, eu achava que vocês estavam se dando bem mesmo depois de casados. Dizer de repente que se divorciaram, na condição de pai, também dá para ficar curioso.
— Quem? Eu e o Moon Doheon ?
Como quem ouvia aquilo pela primeira vez, Cheongyeon perguntou de volta às pressas.
— …Você não sabia?
O tio, pelo contrário, inclinou a cabeça como se estranhasse.
— É a primeira vez que eu ouço isso.
— Como vocês dois chegaram a se casar, eu achava que era óbvio que você soubesse.
— Eu conheci o Moon Doheon quando era criança?
Cheongyeon vasculhou rapidamente as memórias antigas, mas não havia nada que lhe viesse à mente. Além disso, morando juntos, Doheon nunca dera nenhum sinal.
— Agora que penso, pode ser que você não se lembre, Cheongyeon. Foi no primário, e umas duas vezes, só por um instante, por causa do trabalho do seu tio.
O tio, que se surpreendera dizendo que era inesperado, logo deu de ombros sem dar muita importância, como quem admitia que aquilo era possível.
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Por mais que fosse quando ele era criança, pensar que ele tinha se encontrado com Doheon . Ele não se lembrava e não havia nenhuma prova concreta, como fotos, então ele custava a acreditar.
Bem. Considerando apenas a circunstância de que o tio era guarda-costas de Doheon , não era impossível que ele e Doheon tivessem se cruzado. Agora, um guarda-costas só o acompanhava em grandes eventos ou agendas no exterior, mas, quando Doheon era estudante, ele devia ir à escola todos os dias sob escolta.
Ou havia a possibilidade de ser uma mentira distorcida conforme convinha ao tio. De qualquer forma, a conclusão do tio era “foi porque se conheciam desde criança que ele estendeu a mão ao Moon Doheon sem cerimônia”.
De um jeito ou de outro, a sensação era estranha. Se aquilo fosse verdade, será que Doheon se lembrava dele? Foi por isso que ele se casou com um ômega recessivo tão fora do seu nível como ele? Ou será que…
— Cheongyeon! O rosto está sombrio demais. Vamos sorrir mais aberto!
— Oppa, o seu rosto está muito sombrio…
Diante do grito do diretor da sessão, a atriz-mirim que estava aninhada no colo de Cheongyeon murmurou desanimada logo em seguida. Só então Cheongyeon afastou os pensamentos dispersos que prendiam sua atenção.
Ah, é verdade, eu estava numa sessão de fotos.
Percebendo tardiamente a realidade, Cheongyeon fitou a iluminação que brilhava intensa e abriu um sorriso.
— Isso, muito melhor. A partir daqui, vamos sorrir um pouco mais radiante.
Conforme o pedido do diretor, Cheongyeon franziu os cantos dos olhos e abriu um sorriso radiante. A atriz-mirim também, como quem estava acostumada com aquilo, olhou para a câmera e sorriu.
— Mais! Ingênuo, como uma criança.
— Hét…! Assim?
— Isso, ótimo. É isso!
O diretor apertava o obturador com entusiasmo e gritava a ponto de fazer o estúdio vir abaixo. Então, tendo feito o sinal para pararem um instante, ele trocou a lente.
Nesse meio-tempo, os membros da equipe que aguardavam bem ali perto se aproximaram depressa e ajeitaram o cabelo de Cheongyeon e da atriz-mirim.
Quando o diretor, que terminara a preparação da sessão, ergueu a câmera de novo, aqueles que se moviam atarefados sumiram num instante, e na cena restaram apenas Cheongyeon e a atriz-mirim.
— Cheongyeon, você sabia? Que fechar o olho esquerdo e cutucar a bochecha direita não dá.
Ah, eu também tenho experiência de ídolo, será que eu não sei nem isso.
— Isso não dá?
Mesmo resmungando por dentro, Cheongyeon, com a disposição de fingir que caía na dele, deu uma piscadela e cutucou a bochecha.
— Eu consigo.
— A Hayul não consegue?
A atriz-mirim Hayul, de cabelo em duas marias-chiquinhas e com o braço bem enrolado no pescoço de Cheongyeon, cutucava a própria bochecha resmungando.
Entre risadas satisfeitas que estouravam aqui e ali, o som do obturador soava com diligência.
— Uu… Por que eu não consigo?
— Ai, os dois são fofos demais.
Ao contrário de Hayul, aborrecida por não conseguir como queria, o diretor, talvez porque tivesse saído a foto que ele queria, estava tão animado que não sabia o que fazer.
— Hayul. Olha para o oppa. Primeiro dá uma piscadela assim.
— Assim?
— E depois cutuca a bochecha assim.
— Assim? Oppa, eu consegui?
— Sim, conseguiu! Uau, a Hayul é ótima.
Também dessa vez ela falhou porque fechou os dois olhos, mas Cheongyeon a elogiou com uma voz exagerada, como se ela tivesse feito algo extraordinário.
Então, ao redor, choveram palmas para Hayul, parabenizando-a pelo sucesso.
— A Hayul é demais!
— É incrível de verdade. Isso nem os oppas e as unnies conseguem.
— Uau, sério? Sério?
Ah, a Kwon Hyena com certeza disse para não fazer esse tipo de coisa.
Cheongyeon se lembrou tardiamente da insistência dela de que seu sorriso era generoso demais e de que ele preservasse a imagem de ator. E já conseguia ver, nítida, a cena dela assim que conferisse aquele editorial: levantar-se de um salto e lhe soltar um sermão cuspindo por cima dele.
Mas, como a reação no set era calorosa demais, não havia espaço algum para se lembrar de coisas como imagem de ator. E ele também tinha que acompanhar a atriz-mirim.
— Agora, que tal olharem um para o outro e sorrirem? Como um oppa e uma irmãzinha, como se fosse fofo a ponto de enlouquecer! Amando de morrer! É um mano-mano nacional. Kkuak!
Além disso, com o diretor fazendo um pedido desses, como resistir sem fazer.
No fim, Cheongyeon, tendo apagado da cabeça a insistência de Kwon Hyena, sorriu radiante olhando para a atriz-mirim.
Terminada a sessão, quando ele ia entrar no camarim, o clima do corredor estava diferente do habitual.
Diante da porta havia dois homenzarrões de terno que pareciam guarda-costas, e no corredor, sempre barulhento, não havia ninguém circulando.
— …
Cheongyeon olhou em volta revirando os olhos. A sessão tinha terminado e não havia um único membro da equipe correndo para arrumar os objetos de cena. E não era um editorial qualquer, era nada menos que a sessão de uma revista de moda famosa.
Não me diga que o Moon Doheon veio até aqui?
A única pessoa, entre as que Cheongyeon conhecia, capaz de esfriar de forma tão gélida um estúdio complicado e agitado, era Doheon .
— Entre, por favor.
Quando Cheongyeon se aproximou do camarim, um dos guarda-costas, que estava parado diante da porta sem se mexer feito uma estátua, abriu a porta.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna