Ex Sponsor (Novel) - ↫─Capítulo 120
120
Depois de mordiscar o lábio inferior com os dentes por um instante, Cheongyeon a custo continuou.
— Se eu não fizesse isso. Você acha que aquele pessoal metido da sua família me chamaria para os encontros e trocaria uma palavra que fosse comigo?
— E foi por isso que você engoliu aquele tipo de coisa.
Doheon perguntou de volta como se entendesse ainda menos. E Cheongyeon já esperava, até certo ponto, aquela reação. Afinal, mesmo para ele, o seu antigo eu tinha sido tolo. Aos olhos de Doheon devia parecer patético também.
Mas, naquela época, ele realmente não tinha outra saída. Sem saber por onde começar a explicar aquilo, Cheongyeon mexia os lábios sem parar.
— Você sabe o que é a sensação de ser jogado de repente num mundo completamente diferente? A gente se casou, mas você ficava todo dia fora de casa, e os encontros cheios de gente de boa formação e boa família continuavam marcados.
Com um sentimento de desistência, Cheongyeon começou a vomitar as emoções que sentira durante o casamento com Doheon .
— Eu não sabia nem o rosto nem o nome, e o traço deles era todo dominante… Para conseguir de algum jeito me misturar entre pessoas que eram todas hostis a mim, eu precisava aceitar ao menos a ajuda da Moon Heejin e do Park Jonguk. Eu achava que, mesmo ouvindo aquele tipo de coisa, não tinha jeito.
Doheon continuava segurando o volante, sem se mexer um milímetro sequer.
— Já basta? Ficou satisfeito por ter descoberto?
— Por que você não me contou?
Alguns segundos depois, ele o interpelou com o corpo completamente virado para o banco do carona, onde Cheongyeon estava sentado.
— O quê?
— Quando a Moon Heejin, ou quem quer que fosse, disse aquele tipo de besteira para você. Por que você não me disse na hora?
— …Eu disse tudo. Você teve amnésia?
Cheongyeon gritou, com uma expressão que passava do absurdo ao estarrecimento.
— Mas quem não engoliu aquilo foi você, Moon Doheon . Eu já tinha dito que aquela foto não significava nada. Que o Park Jonguk tinha tirado e mandado de propósito. E ainda… eu também disse que, quando você sumia dizendo que ia fazer aquele seu negócio maravilhoso, ninguém conversava comigo. Eu… eu disse tudo…
“É uma foto que chegou para mim. Explique.”
“Sabendo que era um grupo de alfas, você tinha que ficar no meio deles? Não venha dizer que não sabia o que essa gente ia pensar de você.”
A voz gélida de Doheon daquela época continuava cravada em seus ouvidos com nitidez.
— Eu aguentei firme com o pensamento de ao menos não te prejudicar… Mas quem disse que eu é que estava errado foi você!
Enquanto falava, a emoção transbordou e no fim as lágrimas irromperam. Cheongyeon nunca gostara de si mesmo por se exaltar tão facilmente. E esse seu defeito ficava ainda mais evidente ao lado de Doheon , racional e sereno.
— De qualquer forma, você nem prestava atenção no que eu dizia. É por isso que agora você está me cobrando.
Num instante, os ombros de Cheongyeon tremiam. Emoções difíceis de suportar o invadiam e ele se sentia sufocado. Cerrou o punho com força para conter o choro, mas foi inútil.
— Eu queria tanto estar ao seu lado que implorei de forma humilhante àquele jeito para a sua família. Ainda que, aos seus olhos… eu fosse insuficiente e insignificante, eu dei o meu melhor durante três anos. Até mesmo quando você estava nos Estados Unidos.
Por isso mesmo Cheongyeon sabia muito bem. Que o lugar ao lado de Doheon era algo que alguém como ele não devia ter cobiçado. Era um fato que, ao longo de três anos, ele compreendera na própria pele com uma urgência maior que a de qualquer um.
— É por isso que eu odeio tanto que você fique rondando ao meu redor pedindo para eu voltar. Eu quero, nem que seja agora, viver bem sozinho, e por que você fica cutucando? Justamente quando eu pedia para você me ouvir, você não me ouvia.
Mesmo tentando erguer a cabeça para ver o rosto de Doheon, a visão estava tão embaçada e borrada que ele não conseguia ver nada. Até a silhueta dele estava indistinta.
Cheongyeon respirou fundo devagar, tentando ao menos ajeitar a respiração ofegante. Mas nem respirar era fácil. Diante de Doheon, nada era fácil.
Provavelmente, mesmo num momento em que ele estava assim, todo destruído, ele estaria como sempre com a coluna ereta. Só de pensar naquela postura impecável característica e naquele rosto sem emoção, com que ele o fitaria friamente, aquela situação ficava ainda mais amarga.
Eu odeio tanto você. Você sempre me faz sentir miserável.
Engolindo por fim as últimas palavras garganta abaixo, Cheongyeon enxugou as lágrimas de qualquer jeito com o dorso da mão. E, sem dar tempo de Doheon reagir, abriu a porta às pressas e saiu do carro.
Como estava ocupado despejando só o que ele tinha a dizer, feito uma metralhadora, não viu nem ouviu nada — nem que expressão Doheon fez, nem o que ele quis dizer.
Mas achou que tanto fazia. Ainda que Doheon tivesse descoberto o seu lado sórdido, era só um passado que ficou para trás. Agora eram destroços gastos e consumidos, dos quais ele mesmo abrira mão.
Cheongyeon, que subiu ao apartamento como quem foge, assim que trancou a porta se deitou na cama, quase desabando.
— Snif… hup.
Seu corpo lhe parecia tão pesado que ele não conseguia se mexer. Era como se alguém tivesse amarrado pesos aos seus membros e o puxasse para baixo para que não se levantasse.
As palavras de Moon Heejin rondavam sua cabeça sem parar. Por mais que tentasse afastá-las, ao menos naquele dia não era fácil. As falas que tinham arranhado o seu antigo eu e o seu próprio comportamento imaturo também se emaranhavam desordenadamente e cutucavam seus nervos com insistência.
Se ele pudesse esquecer tudo, seria bom. Mesmo vivendo enterrando aquilo, fingindo não se lembrar, se alguém remexe, ressuscita bem vívido, como quem quer aparecer.
Cheongyeon puxou o edredom até acima da cabeça e fechou os olhos para, nem que fosse à força, ignorar a emoção melancólica.
🎬 ∙ ∙ ∙ 🎥 ∙ ∙ ∙ 🎭
No dia seguinte.
—Empresário Park Yongjun: [Ator! Passamos naquela audição de outro dia.!!]
—Empresário Park Yongjun: [Disseram que a produtora vai entrar em contato com o senhor logo]
—Empresário Park Yongjun: [Parabéns*^^*]
—Empresário Park Yongjun: [A chefe Kwon Hyena também ficou super feliz dizendo que é um papel incrível.!!!]
—Empresário Park Yongjun: [(emoticon básico de felicidade)]
Desde a manhã, o empresário lhe trouxe a notícia de que ele tinha passado na audição de que participara havia pouco. Como era o papel para o qual Kwon Hyena tinha insistido que ele precisava passar, Cheongyeon se tranquilizou assim que leu a mensagem.
Mas a alegria durou pouco: naquele dia era o aniversário de morte do tio. Era também o dia em que ele precisava passar na casa onde o tio e o hyung moravam.
Cheongyeon olhou em volta ao entrar no conjunto de apartamentos. Como, depois dos vinte anos, ele tinha saído da casa da família e vivido praticamente por conta própria, agora aquele lugar lhe era estranho.
Além de fazer tempo que não vinha, como os prédios eram todos parecidos, ele levou alguns minutos para achar a entrada.
— Nossa? Aquele ali não é o Yoo Cheongyeon?
— Onde, onde.
— Na diagonal, à frente. É parecido, né?
— Até que é parecido. Ah, que nada.
— Parece que é ele… Ou não?
— Ei. A cara do Yoo Cheongyeon é um ovo descascado. Não é inchada daquele jeito.
— Aah. É verdade.
Ele já estava bastante acostumado a ouvir esse tipo de conversa ao seu redor. Cheongyeon puxou o boné um pouco mais para baixo e entrou no prédio fingindo não ter ouvido nada. Pela experiência, quanto mais natural ele agisse, mais gente, na maioria dos casos, deixava de se aproximar e passava direto achando que tinha se enganado.
Aliás, será que o meu rosto está tão inchado assim. Ele até tinha chorado até a madrugada, mas ser negado mesmo vendo-o pessoalmente…
Cheongyeon, que levou um choque e tanto, subiu de elevador pelo prédio, desanimado. Ao chegar diante da porta e tocar a campainha, o tio logo a abriu.
— Entre logo. Quanto tempo.
— O Cheongyeon chegou?
— Pai, hyung. Vocês estão bem?
Quando entrou na sala, o hyung, sentado no sofá, cumprimentou Cheongyeon virando apenas a cabeça.
No aniversário de morte do tio não faziam um ritual separado, mas, como sempre tinham se reunido em família para comer, a mesa já estava posta com sopa e arroz.
Cheongyeon se sentou olhando a casa em volta, sem jeito.
— Você disse que se mudou faz pouco, está limpo, hein?
— Mesmo tendo mudado, é dentro do mesmo conjunto, então dá no mesmo.
— Não tem nada que eu possa ajudar?
— Ajudar o quê. Deixa. Não preparei nada em especial, só coloquei na mesa os acompanhamentos da casa. Tudo bem?
O tio, sorrindo, colocou num prato a fruta que tinha acabado de descascar e a estendeu ao hyung. Já não o magoava que ele passasse por ele com naturalidade e desse fruta só ao hyung, mesmo com uma pessoa que tinha acabado de chegar ali, bem à vista.
— Ainda assim, este bloco terminou a obra da fachada e é mais espaçoso.
— É verdade. E ainda tem a reforma.
— Pois é…
Cheongyeon respondeu por educação, olhando os cantos da casa. Não era um nível de “ter reforma”: todos os móveis e utensílios estavam diferentes do que ele se lembrava. A maioria dos móveis também tinha sido trocada, e o piso da sala e o papel de parede estavam todos novos.
Ainda que ele frequentasse aquela faculdade de medicina extraordinária, aquele dinheiro não tinha saído do bolso do hyung, que era um universitário. E era ainda mais improvável que o tio tivesse ganhado uma grana daquelas por conta própria.
Mesmo sem precisar ouvir a resposta, ele ficou envergonhado ao pensar no quanto eles tinham recebido de tudo quanto é coisa de Doheon sem que ele soubesse.
Cheongyeon esfregou o rosto com as mãos secas e conferiu o celular. Depois de se separar de Doheon daquele jeito na véspera, nem ele nem Moon Heejin tinham entrado em contato.
Depois de ele subir para o apartamento, será que Doheon foi direto até Moon Heejin? Se foi, o que teria dito? Só de pensar no rancor que Moon Heejin passaria a nutrir por ele por causa disso já dava cansaço. Ele se arrependeu com um compasso de atraso de não ter terminado a conversa com Doheon até o fim antes de se separarem.
Como na hora ele ficou exaltado demais e só despejou o que ele tinha a dizer, ele não ouviu absolutamente nada do que Doheon disse no meio.
— Haa.
Não há uma única coisa que saia como ele quer.
— Você vem em casa depois de tanto tempo e já vem com suspiro?
O hyung se aproximou de Cheongyeon mastigando uma maçã com estardalhaço. Cheongyeon deixou de lado os pensamentos dispersos e decidiu, por ora, se concentrar na realidade.
— Pai, hyung. Venham aqui e sentem-se.
— Aliás, Cheongyeon… você é ator, por que o seu rosto está inchado desse jeito? Efeito colateral de cirurgia plástica?
— Não, pare!
Quando ele se irritou, só então o tio e o hyung, que estavam agitados, se concentraram em Cheongyeon.
— Vocês dois falem a verdade. Quanto vocês receberam do Moon Doheon até agora?
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna