Ex Sponsor (Novel) - ↫─Capítulo 119
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Cheongyeon virou o olhar e conferiu as horas. Como ele dizia, ainda faltavam três horas para “hoje” passar.
Cheongyeon sabia exatamente qual era a intenção daquelas palavras.
Veio-lhe o pensamento: então era isso que ia acontecer mesmo. Embora tivesse previsto vagamente, quando Doheon de fato o segurou, a sensação foi estranha.
Mas quem primeiro tinha pedido que ele ficasse ao seu lado tinha sido ele, então também era algo que ele mesmo criara.
— Hum, então…
O que eu respondo. Devo sugerir algo do tipo “vamos tomar um chá em casa”? É constrangedor dizer abertamente para ele subir e dormir lá.
Como Doheon percorria seu rosto com um olhar penetrante, abrir a boca era um peso e tanto.
Enquanto Cheongyeon escolhia as palavras com cautela, o celular começou a tocar.
— Ah, hum. Um instante.
Assustado com a vibração que sentiu no bolso da calça, Cheongyeon tirou o celular depressa.
E, para escapar imediatamente do clima constrangedor, atendeu sem nem conferir direito quem ligava.
— Alô?
—Querido. Chegou bem em casa?
— Ah.
A voz de Moon Heejin se espalhando com nitidez pelo alto-falante.
A expressão de Cheongyeon se contorceu de imediato. Por um instante, quase escapou um “porra”.
—Escuta. Por mais que eu pense, o que aconteceu hoje não faz sentido. Você também não acha, Cheongyeon?
Como o interior do carro estava muito silencioso, mesmo sem levar o celular ao ouvido, a voz de Moon Heejin ressoava excepcionalmente alta.
Ao menos naquele momento, Cheongyeon não estava com vontade de ouvir aquele sermão desagradável dela. E ainda mais numa situação em que Doheon estava ao seu lado.
— Se for aquele assunto de novo, eu vou desligar.
No instante em que ia apertar o botão de encerrar para desligar a ligação, Doheon, ao seu lado, o deteve.
—Quem te deu permissão para desligar? Você entra nesta família sem nada e vai levar aquela participação inteirinha, isso faz sentido?
Sem saber de nada, Moon Heejin despejava palavras cruas a ponto de serem desagradáveis. Como sempre fizera com Cheongyeon.
—Sinceramente, não são dois ou três trocados. Eu não falei porque tenho reputação a zelar e não queria bate-boca, e a vovó estava lá… Mas é preciso saber o seu lugar. Hein?
— …
— …
Cheongyeon mordeu o lábio inferior e fitou Doheon .
O rosto dele, que agarrava sua mão para impedir que encerrasse a ligação, não sofria alteração alguma. Ele apenas se concentrava na voz de Moon Heejin com aquela expressão indiferente característica.
“Desligue logo.”
Cheongyeon lhe disse com o movimento dos lábios, mas Doheon não piscou um olho.
—O Doheon , de qualquer forma, é um menino que só conhece o trabalho dele, então trocar um ômega como você é rápido. Já que estamos nessa, eu pretendo apresentar a ele um ômega dominante decente, que a família já tinha em mente, então abandone as esperanças vãs.
— …
—Ficar com a cabeça virada por um instante também é coisa de uma estação. Você é quem melhor conhece o Doheon , não é?
Cheongyeon mais uma vez tentou se livrar de Doheon, colocando força no braço. Mas também dessa vez não conseguiu tirar a mão, presa com firmeza por ele.
—Você sempre soube muito bem qual era o seu lugar esse tempo todo, querido. Então, só porque ele está sendo bonzinho, não vamos ficar interpretando demais.
— E se eu interpretar demais, o que a senhora vai fazer?
Indignado, Cheongyeon rebateu sem conseguir conter o impulso de raiva.
Moon Heejin riu, como se aquela reação fosse divertida.
—Sei lá…? Que tal eu te ligar de novo a outros alfas? Já que estamos nessa, será que eu preciso fazer com que o Doheon perca de vez o pouco de afeto que ainda restava?
— Aquilo não era verdade.
Cheongyeon rebateu com a voz trêmula de raiva. Esquecendo até que Doheon estava bem ao seu lado, ele reagiu sem perceber à provocação de Moon Heejin.
Porque, assim que ouviu “ligar a outros alfas”, seu estômago começou a se revirar. Ela devia estar se referindo à foto que tiraram no começo do casamento, num evento a que ele fora com Doheon, em que ele aparecia sorrindo cercado de alfas.
Aquela foto, que o casal Moon Heejin e Park Jonguk tinha tirado e enviado de propósito, foi o estopim da primeira grande briga de Cheongyeon com Doheon .
Mesmo sabendo que Doheon detestava ao extremo que ele convivesse com outros alfas, Cheongyeon não tinha outra saída. Afinal, as outras pessoas o tratavam de propósito como se ele não existisse, alegando que sua origem e seu traço não estavam à altura.
Doheon tinha desaparecido, deixando Cheongyeon para trás, dizendo que ia falar de negócios, e, naquela situação, o único lugar em que Cheongyeon podia ficar sentado conversando, ao menos como gente e não como um boneco, era aquele grupo de alfas.
O momento em que Doheon, ao conferir a foto, o encarou com olhos cheios de desprezo continuava vívido. Foi um episódio que ficou como uma grande ferida em Cheongyeon, a ponto de doer o peito só de lembrar.
—Nossa, querido. Ser verdade é o que importa? Você já passou por isso.
Como quem tinha ouvido algo divertido, Moon Heejin riu ainda mais alto do que antes. Era alto a ponto de doer os ouvidos, e sua testa se franziu sozinha.
—Ouvi dizer que naquele dia o Doheon ficou muito bravo. Você aguentaria de novo?
Diante da provocação dela, a respiração de Cheongyeon foi ficando cada vez mais pesada. Como se uma lembrança que ele não queria recordar tivesse sido escavada à força, suas pálpebras tremiam a cada vez que ele fechava e abria os olhos.
Na verdade, mesmo sabendo que, a essa altura, tanto fazia a reação que Doheon tivesse, bastava tocar naquele assunto para seu corpo enrijecer por reflexo.
—Não estou dizendo para tirar a mão totalmente do que recebeu. Eu te dou umas migalhas, então pegue aquilo e vamos encerrar isso de forma limpa. É preciso saber se contentar. A herança da vovó é excessiva demais para você, Cheongyeon.
Cheongyeon queria desligar o telefone de uma vez. Dessa vez, sim, ele tentou de todo jeito apertar o botão de encerrar, ainda que Doheon o impedisse, mas ele simplesmente tomou o celular que Cheongyeon segurava.
—Você não quer largar também o trabalho de ator, que finalmente está engrenando, quer?
“Me devolve!”
Cheongyeon segurou o braço dele e o repreendeu baixinho.
—Da última vez você veio implorar, Cheongyeon. Pedir ajuda para não se divorciar do Doheon. Mesmo que dessa vez você venha implorar ajuda para continuar como ator, eu não vou ceder como naquela época.
— Ah.
Por fim, até a história que Cheongyeon não queria remexer escorreu da boca de Moon Heejin.
Quando a relação com Doheon se estremeceu por causa daquela maldita foto, Cheongyeon sofria de ansiedade todos os dias. Tremendo de medo de que Park Jonguk, que às vezes cruzava com Doheon a negócios, deixasse escapar alguma coisa estranha para ele, ele acabou indo até Moon Heejin e Park Jonguk e implorando sem pensar. Que ao menos não o deixassem se divorciar de Doheon .
Pensando agora, era uma ideia jovem e simplória demais. Mas, na época, não parecia haver outro jeito além daquele. Não havia ninguém do seu lado na família e até o marido desconfiava dele, então ele acreditou que Moon Heejin ou Park Jonguk fossem pessoas com mais influência sobre Doheon do que ele.
Era algo que ele não queria de jeito nenhum que Doheon soubesse, e ele não imaginava que chegaria aos ouvidos dele daquele jeito.
—Por que será que o Doheon se importa tanto com um menino que nem consegue engravidar.
— Moon Heejin.
—Naquela hora, de verdade… Hã? Alô?
— Me devolve isso!
—Quem está do seu lado?
O interior do carro ficou barulhento com a voz de Cheongyeon, cheio de indignação, e a de Moon Heejin, perturbada.
— Você vem falando essas besteiras para o Yoo Cheongyeon desse jeito esse tempo todo? Quantas vezes. Com que frequência?
— Desligue logo. É o meu telefone!
—…O quê. O Doheon está do seu lado? Por que você não avisou antes?
— Não precisa saber, e você fala comigo depois, quando nos encontrarmos.
Quando Cheongyeon, choramingando, continuou se inclinando na direção de Doheon e estendendo o braço para tomar o celular, Doheon encerrou a ligação às pressas.
Doheon endireitou o corpo de Cheongyeon, que perdia o equilíbrio e caía na sua direção, e depois lhe devolveu o celular.
— …
— …
Então o interior tumultuado do carro recuperou num instante o silêncio.
— Desde quando.
Doheon perguntou com uma voz serena. Em comparação com Cheongyeon, cujo coração batia com violência a ponto de parecer que ia explodir, pela vergonha de ter tido sua ferida exposta, Doheon estava apenas calmo, como antes da ligação de Moon Heejin.
— O quê?
Desviando o olhar, Cheongyeon guardou o celular no bolso. Ele queria mesmo era subir logo para o apartamento. Do contrário, parecia que ia irromper num choro deselegante ali mesmo.
— Desde quando a Moon Heejin vem tagarelando isso para você.
Dessa vez, a voz de Doheon ficou um tom mais baixa. A julgar pelas frases que se interrompiam no meio, parecia que ele mal mantinha a compostura.
Cheongyeon torcia para que Doheon fingisse não saber, por favor. Afinal, mesmo sem ele cavar daquele jeito, já era miserável o bastante.
— Por que você tem curiosidade disso?
— Porque é um fato que eu não sabia. A Moon Heejin ficou te ameaçando esse tempo todo com essas baboseiras ridículas?
— …
— Fale.
— Por que você está com raiva de mim?
— Estou perguntando se você implorou à Moon Heejin.
Doheon o pressionava para que explicasse algo que ele queria esquecer por completo. Era uma atitude autoritária, como se ele não fosse deixá-lo ir até ouvir a resposta que queria.
E justamente na época em que ele precisava de ajuda ele não tinha nem interesse.
— Não quero falar.
— Se você não falar, eu vou agora mesmo até a Moon Heejin e ouço dela.
— Está de brincadeira? É tudo coisa do passado, deixe para lá! Faça de conta que não ouviu.
Assim que Cheongyeon terminou de falar, Doheon deu a partida no carro. Com medo de que ele realmente fosse até a casa de Moon Heejin daquele jeito, Cheongyeon segurou o braço dele, que empunhava o volante.
— Por que você vai lá? Ficou louco?
— Porque, se você não me contar, não me resta senão ouvir da Moon Heejin.
— D-desde que a gente se casou, sempre foi assim.
Bem quando Doheon ia pisar no acelerador, Cheongyeon abriu a boca às pressas.
— Desde que a gente se casou, sem parar?
Doheon perguntou virando apenas a cabeça para Cheongyeon.
Como ele agarrava o volante com força, o sangue não circulava e o dorso da sua mão empalidecera. Sobre ele, as veias saltavam nítidas, a ponto de a superfície ficar irregular.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna