Ex Sponsor (Novel) - ↫─Capítulo 118
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Graças a Doheon , que ficou grudado ao seu lado sem se afastar um instante sequer, como Cheongyeon havia pedido, a refeição terminou sem contratempos.
Talvez por causa da atitude de Doheon , estranhamente diferente de antes, o pessoal da família não conseguiu, como de costume, excluir Cheongyeon por completo da conversa ou ignorá-lo às claras.
Foi a primeira vez que Cheongyeon comeu sentado à vontade em meio à família JT. Claro, não tanto quanto quando estava sozinho, mas ao menos não houve o de antes, de ficar inquieto e medindo reações sem saber o que ouviria.
— Vovó. A sua habilidade com bordado parece ter melhorado bastante, não? Isso é o caule de uma flor?
Enquanto se levantavam para enfim voltar depois do fim da refeição, Moon Heejin falou apontando o bordado da vovó pendurado na sala de jantar.
Cheongyeon teve o pensamento tolo de que, no fundo, o olho das pessoas era todo parecido. Lembrou-se de que, tempos atrás, ele também, ao ver pela primeira vez o bordado que Moon Heejin apontava, tinha perguntado se era um caule. E também de que o clima ficou pesado por um breve instante porque a vovó respondeu que eram pétalas.
— Aquilo ali são pétalas.
— Que isso, Cheongyeon. Como é que isso pode ser pétala? Dá para ver de cara que é caule.
— São pétalas mesmo.
Diante da resposta da vovó, a boca de Moon Heejin, ligeiramente aberta para conter uma risada seca, se fechou com força.
— Era… mesmo?
— É tão estranho assim? Eu achava que tinha feito bem, do meu jeito. Para o talento de uma velha, isso já é bem razoável.
A vovó inclinou a cabeça e ficou examinando o bordado que ela mesma fizera.
— A arte é sempre entendida por poucos. Aos meus olhos parecem pétalas!
Cheongyeon riu com desenvoltura e ficou do lado da vovó. Como se aquilo a incomodasse, os olhos de Moon Heejin se estreitaram e, ao mesmo tempo, se contraíram de leve.
Que raposa. A vovó cutucou discretamente as costas de Cheongyeon e deu um risinho.
— Não, como é que isso pode parecer pétala? Eu não entendo.
— Se o Cheongyeon diz que é pétala, então é pétala.
Quando até Doheon se meteu para reforçar, Moon Heejin levou a mão à testa com uma expressão de quem já estava por aqui.
— Esses dois me deixam louca, sério…
— Amor. Pétala ou caule, qual é a importância disso para você ficar tão exaltada? A vovó vai se cansar.
Sem conseguir mais assistir àquilo, Park Jonguk se aproximou para mediar. Em seguida, Moon Taejin, que estava de pé ao lado apenas observando, também cortou a conversa, como quem dizia que já bastava.
— Isso, Heejin. A vovó também tem que descansar agora. Vovó. Então nós já vamos indo. Vamos visitá-la mais uma vez antes de a senhora embarcar.
— Isso. O Taejin e a Heejin e família, voltem com cuidado. O advogado provavelmente vai entrar em contato mais uma vez. Obrigada por virem e fazerem companhia a esta velha.
— Que isso. Também foi bom para nós vê-la depois de tanto tempo. E a comida estava ótima. Cuide-se, vovó.
— Vamos voltar cedo. Até mais.
Depois de a esposa de Moon Taejin e Park Jonguk se despedirem, um após o outro, os quatro saíram em bloco, como um aglomerado.
Pareciam se retirar depressa para discutirem entre si o que tinha acontecido naquele dia.
Já Doheon não tinha o menor interesse se os parentes iam ou não. Ficou até o fim, apenas observando em silêncio Cheongyeon e a vovó conversarem.
— O Doheon e ele também têm que ir. Deu trabalho vir até aqui.
— Temos, sim. Mas, aquilo… Quando exatamente a senhora volta para os Estados Unidos?
Quando o ambiente enfim ficou em silêncio, Cheongyeon se aproximou da vovó e perguntou o que estava a fim de saber.
— Acho que eu vou assim que os documentos ficarem prontos. Dizem que a máquina de reabilitação só existe naquele país.
— Aah. Então é claro que a senhora tem que ir logo.
— O que foi. Tem alguma coisa a dizer para esta velha? Por que está choramingando feito um cachorrinho apertado?
Diante do tom pouco natural de Cheongyeon, a vovó perguntou rindo.
— Vovó. É que. Eu, na verdade…
— Hã?
Talvez porque ele ainda não tivesse tomado uma decisão. Sua cabeça estava confusa.
Não seria o caso de revelar, nem que fosse agora, o fato do divórcio? Se não dissesse ali, seria o mesmo que mentir à vovó até o fim.
Mas e se, por causa do choque, a saúde da vovó piorasse? Além disso, dizer aquilo por impulso, sem nem discutir com Doheon , seria mesmo o correto?
Cheongyeon hesitou, espiando Doheon , que já tinha saído em direção à entrada. Se ele confessasse ali, por mais baixo que falasse, Doheon , que estava a pouca distância, também ouviria. Também tinha medo por não saber que reação ele teria.
— Que história é essa que você quer contar, para hesitar tanto? E por que o rosto está tão pálido?
— A-ah, não é nada. Nada.
Logo, tendo chegado à conclusão de que não podia falar sem pensar, Cheongyeon desviou o olhar da vovó e balançou a cabeça.
— Desculpe por agir estranho de repente. Talvez por vê-la depois de tanto tempo, sem querer o meu coração ficou um pouco…
— Se for por causa do que a Heejin disse, não leve muito a sério.
Talvez a vovó tivesse julgado que ele estava com o coração perturbado por causa do documento que recebera naquele dia, porque tomou suas mãos dizendo para não se preocupar.
Diante do toque daquela mão quente e cheia de rugas, seu peito se comoveu. Também na primeira vez em que ele se casara com Doheon e comparecera a um encontro de família, a vovó tinha dirigido palavras afetuosas como aquelas ao Cheongyeon de vinte e três anos, que não sabia o que fazer.
Como se estivesse traindo a gentileza e o afeto que ela lhe concedera, sentiu peso na consciência. Mas até Moon Taejin e Moon Heejin, tão calculistas e egoístas, mantiveram até o fim o segredo do divórcio, preocupados com o choque que a vovó levaria. E Doheon parecia pensar de forma semelhante.
Nessas circunstâncias, ele, que agora não tinha relação com aquela família, falar por conta própria era, como se esperava, uma presunção.
— E você não tem por que se desculpar. Se é por causa dos bens, aquilo era seu desde o início. Só o fato de ter vivido três anos junto com aquele moleque indiferente já é extraordinário.
A vovó ergueu a bengala em que se apoiava e apontou para Doheon .
— Não é isso. Eu é que tenho que ser grato ao Doheon . Ele se casou com um ômega recessivo sem nada, como eu.
Quando Cheongyeon riu com amargura, a vovó ficou por um instante fitando aquela imagem em silêncio.
— Foi bom de ver, hoje, você sentado ao lado do Doheon .
— Para mim também foi bom poder conversar com vocês.
— Já está tarde, vá indo. Eu também fiquei acordada por muito tempo e agora o corpo está cansado.
— …Está bem.
Cheongyeon teve que sair da casa da vovó sem, no fim, conseguir dizer o que estava entalado.
Talvez tivesse passado bastante tempo, porque lá fora o sol já tinha se posto por completo. Olhando a lua crescente que pairava no céu escuro, Cheongyeon se dirigiu devagar ao estacionamento.
Talvez por estar com o coração inquieto, o envelope de documentos que segurava lhe parecia pesado.
“Só o fato de ter vivido três anos junto com aquele moleque indiferente já é extraordinário.”
Bem no momento em que ele pisava na escada de pedra, o que a vovó dissera pouco antes lhe rondou os ouvidos de repente.
— …
Pensando bem, era uma nuance estranha. Por que a vovó tinha dito “ter vivido”, no passado?
Será que a vovó já não sabia do divórcio com Doheon ?
— Esqueceu alguma coisa lá dentro?
Num instante, Doheon já tinha aberto a porta do carona e olhava para Cheongyeon. Como ele não entrava no carro e ficava parado no mesmo lugar por um bom tempo, ele parecia achar que ele tinha esquecido algo na casa.
— Não.
Despertando dos pensamentos, Cheongyeon balançou a cabeça. E logo empurrou para longe aquele “será que”, e entrou no carro.
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— Obrigado por hoje, diretor.
Quando o carro parou no estacionamento do apartamento, Cheongyeon abriu a boca.
— Pelo quê?
— Por tudo, isso e aquilo. Por não me deixar sozinho e ainda por me tratar bem…
Graças a ele, ainda viu a Moon Heejin sem conseguir controlar a expressão de tanta irritação. Foi um dia empolgante e divertido. Antes, era algo que ele nem poderia imaginar.
Ficou uma pontinha de pena, um “por que eu não fiz isso antes?”, mas, por outro lado, também lhe pareceu natural. Afinal, na época ele era jovem demais, e Doheon , que seria o seu único escudo, estava sempre ocupado e indiferente.
— Aquilo era o que eu tinha prometido.
— É verdade. Ainda assim, obrigado por cumprir a promessa.
Por um instante correu uma corrente constrangedora dentro do carro.
Cheongyeon baixou o olhar por um momento para a própria mão pousada sobre o joelho. A aliança de casamento com Doheon , no anelar, continuava brilhando reluzente. Igual a quando ele o pediu em casamento pela primeira vez.
O que tinha desbotado era apenas a relação dos dois. E era hora de enfim devolver a aliança. Cheongyeon a tirou e a estendeu a Doheon .
Doheon a fitou por alguns segundos e logo a recolheu.
— …Então, eu vou.
No instante em que Cheongyeon se levantou e abriu a porta, Doheon segurou seu braço.
— Você disse para não te deixar sozinho hoje.
Surpreso, Cheongyeon ficou paralisado no estado em que ia abrir a porta, sem entender o que era aquilo.
— Hã?
— Foi você que disse.
— …
— Ainda faltam três horas para “hoje” acabar.
Só então Cheongyeon percebeu que Doheon o segurava pedindo que ele não fosse.
Diante daquela voz grave que ressoava em seus ouvidos, algum lugar dentro do seu peito, de algum jeito, coçou.
Cheongyeon virou o olhar e conferiu as horas. Como ele dizia, ainda faltavam três horas para “hoje” passar.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna