Ex Sponsor (Novel) - ↫─Capítulo 108
108
Assim que a porta do quarto de hotel se fechou, o corpo enorme de Doheon se lançou sobre Cheongyeon.
— Ah, hup! Espera… hmm.
Ele beijava desvairadamente cada trecho de pele que encontrava — lábios, queixo, nuca, clavícula —, como se estivesse carimbando.
Com uma preliminar apressada, iniciada sem nem tempo de acender a luz, Cheongyeon não conseguia se equilibrar e balançava de um lado para o outro, empurrado por ele.
Embora o interior estivesse escuro e não se enxergasse nada à frente, Doheon encurralava Cheongyeon na direção da cama enquanto abria com destreza os botões de sua roupa.
— Haa.
Cheongyeon estremecia por reflexo toda vez que o corpo de Doheon se aproximava de forma brusca, como se o esmagasse. Por causa da indigestão que vinha desde o restaurante, o processo de respirar estava mais pesado e lento do que o habitual.
Mesmo tentando controlar a respiração, era tomado por uma opressão sufocante, como se algo entupisse o fundo do seu peito. Somados a isso os feromônios de alfa de Doheon , veio a tontura.
— Não acenda a luz.
Cheongyeon deteve Doheon, que naturalmente ia apertar o interruptor. Tinha medo de que, se o ambiente ficasse iluminado, sua expressão em ruínas se revelasse por completo.
Segurando de propósito as duas mãos de Doheon e colocando-as em sua própria cintura, Cheongyeon sussurrou com a voz instável:
— Faz logo.
— Huh.
Doheon soltou um gemido baixo, enterrou o rosto na nuca de Cheongyeon e a mordiscou com os dentes. Toda vez que ele inalava fundo, até os pulmões, aquele feromônio de aroma tênue, uma sensação arrepiante corria por sua espinha.
— Não é criança.
Diante do feromônio ainda verde de Cheongyeon, que escapava de forma inadequada àquela situação, Doheon o repreendeu. Ainda por cima, o feromônio era tão tênue que só dava para senti-lo de bem perto.
— Ou não. Ainda é criança?
Diante do tom provocador, os ombros de Cheongyeon se encolheram.
Dominantes como Doheon não devem saber, mas ômegas recessivos são facilmente afetados pelos feromônios dos outros. Se reconhecem o outro como alguém que os incomoda ou os assusta, até o feromônio dele passa a ser sentido como algo repulsivo, e fica difícil até de ficar perto.
Quando se é sacudido pelos feromônios alheios desse jeito, repete-se a situação em que nem os próprios se consegue controlar direito. Como agora.
— Ngh.
Bem em frente à cama, Doheon empurrou Cheongyeon e o derrubou. Ao mesmo tempo em que seu corpo tombava para trás, o colchão macio e elástico o envolveu.
Subindo depressa por cima de Cheongyeon, Doheon colou os corpos. Quando o rosto e a respiração dele chegaram bem diante de seu nariz, Cheongyeon virou a cabeça e escapou do beijo.
— Hmpf. Não que…
Mesmo sabendo que aquilo significava recusa, Doheon procurava insistentemente os lábios de Cheongyeon, tentando entrelaçar a língua. Por mais que ele virasse o rosto de um lado para o outro, empurrando-o, ele não se importava.
Diante da recusa contínua, Doheon ficou teimoso, segurou o queixo de Cheongyeon e o imobilizou.
— Hng.
Só que a pele que segurava estava úmida. Ao perceber tardiamente a umidade que molhava a ponta dos seus dedos, Doheon afrouxou a mão que agarrava para beijá-lo à força.
Ele foi tateando devagar o contorno do rosto de Cheongyeon, encoberto pela escuridão. Mas logo a mão de Doheon parou. Porque o rosto dele estava completamente encharcado.
— Yoo Cheongyeon.
Cheongyeon chorava abafando o som.
— Faz sem acender a luz.
Quando Doheon tentou acender o abajur da cama, Cheongyeon o impediu de novo.
Aquela voz chorosa se cravou como uma agulha nos ouvidos de Doheon . Como a escuridão bloqueava a visão, ele tinha que deduzir o estado de Cheongyeon apenas pela respiração irregular, pelos movimentos inquietos e pelo feromônio excepcionalmente rígido em relação ao normal.
— Olhe para mim.
Doheon agarrou o queixo de Cheongyeon, que tinha virado o rosto para o lado, e falou.
— N-não. Dá pra fazer sem olhar, não dá?
Diante da exigência obstinada de Doheon , que fazia questão de encará-lo, Cheongyeon resistiu dizendo que não queria e acabou fechando os olhos.
— …
— …
Naquele estado, passaram-se alguns segundos e não veio resposta alguma. Não se ouvia som nenhum.
Cheongyeon abriu com cuidado os olhos, que mantinha bem fechados, endireitou a cabeça e olhou para Doheon . Apenas o formato do rosto de Doheon , bem acima dele, tremeluzia levemente na escuridão.
Cheongyeon mordeu o lábio inferior e engoliu uma golfada de ar. Mesmo mal enxergando, teve de algum modo a certeza de que seus olhos estavam nos dele.
Pouco depois, a mão enrijecida de Doheon tateou devagar a bochecha molhada de Cheongyeon. Ao contrário de antes, o toque era cuidadoso, e dessa vez Cheongyeon não virou o rosto nem o afastou.
Apenas a luz turva da cidade, que entrava pela janela, iluminava o quarto de hotel.
Como a visão estava bloqueada, com os nervos à flor da pele, era como se ambos se escavassem e fossem escavados de forma ainda mais crua.
Como só conseguiam perceber a presença do outro pela respiração que se dispersava no ar e pelos tremores mínimos, uma sensibilidade extrema e uma tensão envolviam os dois.
Cheongyeon sentiu o calafrio vindo do enjoo e baixou o olhar. A vibração cócega dos cílios molhados, que tremiam sem parar, tocou a ponta dos dedos de Doheon .
— Por que está chorando?
Ele perguntou enquanto enxugava as lágrimas de Cheongyeon que escorriam pela têmpora.
Cheongyeon fechou a boca. Mesmo sabendo que chorar não resolvia nada, as lágrimas não paravam. Ele queria fazê-lo saber o quanto seu interior estava arrasado, e ao mesmo tempo não queria.
Moon Doheon nunca vai conhecer um sentimento desses a vida toda. O horror de saber que, seja qual for o meu estado, aquilo só termina quando eu for sacudido conforme a vontade do outro até cair exausto, e mesmo assim não ter escolha senão me deixar prender de bom grado.
Coisas como a desgraça de estar amarrado à força a um elo de relação que se quer cortar. Uma pessoa egoísta como ele nunca vai saber, a vida inteira.
— Eu te odeio.
— Você me odeia?
Doheon perguntou de volta, como se tivesse pura curiosidade. Como se apagasse as linhas por onde as lágrimas escorreram, a mão enorme de Doheon acariciou o rosto de Cheongyeon.
— Eu detesto você.
Cheongyeon murmurou de forma indistinta, com a voz completamente embargada pelo choro.
— Estou de saco cheio.
Então Doheon, ainda montado sobre o corpo de Cheongyeon, tomou suas mãos às pressas.
— O quê. O que exatamente te dá tanto saco cheio?
— …Me solta. Está pesado.
Cheongyeon se remexeu, dizendo que a posição em que estava prensado era desconfortável.
— Fala. Ser sincero também é uma condição do contrato.
Mencionando a cláusula do contrato sobre não mentir, Doheon o pressionou.
Ainda assim, afrouxou a força da mão que mantinha os dedos entrelaçados com firmeza, como se não fosse ceder nem um milímetro. Ao mesmo tempo, o peso do corpo que recaía sobre Cheongyeon ficou bem mais leve.
Mas não estava frouxo a ponto de permitir que ele escapasse. A sensação de estar preso continuava.
— Se você falar, eu solto.
Doheon acrescentou, como quem estava com a paciência gasta.
Cheongyeon fechou os olhos e respirou fundo para acalmar o embrulho que insistia em revirar seu estômago. Os feromônios ameaçadores de Doheon e sua respiração quente eram sentidos de forma tão crua que veio o enjoo.
— …Eu odeio que você só diga coisas que ferem o meu orgulho.
Só depois de um bom tempo Cheongyeon abriu a boca, com cuidado.
— E que você tente me manipular como bem entende. E odeio que você me dê coisas chamando de presente, sem que eu nunca tenha pedido…
Enquanto falava, ficando ainda mais magoado, Cheongyeon fungou e engoliu o choro.
— Que você me faça propostas que eu não posso recusar, que tente me engravidar à força e as chantagens. Odeio tudo. É tudo horrível e arrepiante.
— …
— Todo o tempo que eu passo com você é um suplício e não tem nada de divertido. Agora eu nem sei mais o que eu vi em você para ter te amado.
Cheongyeon vomitou as palavras a duras penas, como se as arrancasse à força da garganta.
— …Pois é. Deve ser horrível.
Depois de um breve silêncio, Doheon falou em voz baixa.
— Mas o que é que eu faço, Cheongyeon. Mesmo com você chorando desse jeito, que me dá tanta pena, eu continuo não achando que devo te soltar.
Doheon apertou as mãos entrelaçadas. Diante da pressão que recaía sobre cada articulação dos dedos, Cheongyeon franziu a testa.
— Ngh.
Os olhos negros de Doheon , já acostumados à escuridão, encararam fixamente o rosto branco de Cheongyeon se contorcer de um jeito comovente, quase pungente.
— Só que eu deveria te segurar ainda mais forte.
— Desgraçado.
— A única coisa que me vem à cabeça é que eu deveria te levar de volta pra minha casa.
Além dos dedos entrelaçados, a parte inferior do corpo dele passou a esmagar e apertar o corpo de Cheongyeon com mais força. Diante do peso insuportável, sua cabeça, já tonta, latejou.
— Urgh, seu louco.
— Mesmo sabendo, com certeza, que você vai odiar…
Toda vez que ouço da sua boca que você não quer, é difícil controlar o que eu sinto. Doheon murmurou de forma quase inaudível.
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Seu corpo estava revigorado de um jeito quase agourento. Normalmente, em dias assim, o momento de acordar transbordava vitalidade, mas a sensação de leveza não durava muito.
Por que estou me sentindo tão bem?
Porque essa dúvida costumava vir logo em seguida. E, quando ele começava a vasculhar a memória para responder a essa dúvida, chegava a uma resposta desagradável.
“Urgh… ugh!”
Cheongyeon se lembrou de si mesmo na noite anterior, deitado na cama, vomitando de uma vez.
Por sorte, ele só teve ânsia sobre a privada depois de se levantar da cama, empurrar Doheon e correr até o banheiro, mas parte do vômito que refluiu acabou sujando a roupa dele, que veio atrás.
Como a comida do jantar tinha ficado entalada e o encontro com Doheon tinha sido desconfortável do início ao fim, depois de botar tudo para fora ele acabou desabando ali mesmo no chão. Chegava perto de um quadro de exaustão.
Sua última lembrança era ter escovado os dentes a duras penas, trocado só de roupa e apagado como se tivesse desmaiado.
— …
E, ainda por cima, ele tinha dormido feito uma pedra até aquela hora.
Com todos os nervos afiados em alerta, Cheongyeon abriu os olhos aos poucos. O sol forte da manhã já se enfiava por entre as cortinas e iluminava o interior do quarto de hotel.
Como se a situação já não estivesse complicada por vários motivos, justo agora ele tinha vomitado na frente de Doheon . Sentia-se incomodado, como se a dívida que tinha com ele tivesse aumentado ainda mais.
Ao mesmo tempo, veio uma mágoa sem sentido. Por mais que nada desse certo, não era possível dar tão errado assim.
Além disso, veio na frente a preocupação súbita de que Doheon entendesse mal e achasse que ele tinha fingido estar doente.
— Acordou?
Naquele instante, a voz de Doheon soou de fora da cama.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna