Ex Sponsor (Novel) - ↫─Capítulo 109
109
Assustando-se de repente, Cheongyeon, sem nem perceber, puxou o edredom que tinha na mão até acima da cabeça e se escondeu dentro dos lençóis.
Era uma fuga um tanto primária, mas, naquele momento, não lhe ocorria um jeito mais eficaz de evitar Doheon .
Ha. O que eu digo. Mordiscando o lábio inferior, Cheongyeon refletia com um semblante sério.
Nisso, o que acontecera na véspera, pouco antes de ele apagar, lhe voltou em detalhes.
Ele estava falando a sério sobre os motivos que faziam dele algo horrível e detestável quando, de repente, começaram as ânsias de vômito, e a partir dali ficou meio fora de si, ocupado em botar tudo para fora.
E, depois, ele empurrou Doheon, que tentava tirar sua camisa e limpar seu rosto enquanto ele jazia largado diante da privada, e fez um escândalo, com uma bravata sem cabimento, mandando que ele não se metesse.
— Haa…
Cheongyeon soltou um suspiro profundo. Justamente então, o som dos passos de Doheon começou a se aproximar cada vez mais da cama. Cheongyeon aguçou a audição ouvindo o barulho dos passos dele.
Talvez ele tivesse parado bem ao lado da cama, porque a presença dele era sentida através do edredom branco.
Bastava dizer com calma que ele conseguia se virar sozinho, mas na véspera, num momento em que odiava demais Doheon e estava tomado por uma emoção sombria e melancólica, ele parece ter empurrado sem mais nem menos, aos soluços, o homem que tentava ajudá-lo. Que vergonha.
Por sorte, graças a ter dormido depois de todo aquele escândalo, seu corpo estava leve, sem indigestão nem dor de cabeça. Talvez Doheon até lhe tivesse dado um remédio enquanto dormia.
Como estava a expressão de Doheon naquela hora? A memória era vaga e não vinha nada. Restava nítida apenas a sensação da bile subindo do fundo da garganta e do peito dolorido.
Cheongyeon remexia com desânimo a ponta do edredom que segurava. Na frente de Doheon , continuava não havendo uma coisa sequer que saísse como ele queria. A essa altura, ficava com raiva de si mesmo por ser tão tolo.
— Vai continuar deitado?
— …
Mesmo diante da pergunta de Doheon , em vez de baixar o edredom, Cheongyeon manteve o silêncio absoluto.
— Bom, tanto faz. Descanse e levante quando tiver vontade.
— …
— Lavei a sua roupa e guardei no armário, então tire de lá e vista.
Diante da notícia de que ele tinha lavado sua roupa, Cheongyeon se assustou e puxou o edredom para baixo de uma vez.
— E a sua roupa?
Porque ele se lembrou de que, na véspera, parte do vômito com certeza tinha sujado a roupa de Doheon também.
— Comprei uma nova.
— Ah.
Doheon já estava impecavelmente trocado, com um terno novo, para ir ao trabalho.
Ele achou que ele o olharia com desprezo, mas ele estava sem expressão, como sempre.
— Como você disse que não suporta nem ver nada que eu compro, a sua eu mandei para a lavanderia.
— Sim…
Sem saber o que fazer, Cheongyeon baixou a cabeça.
Foi para dizer isso que ele veio até a cama? As pupilas de Cheongyeon rolavam sem jeito, sem encontrar onde pousar o olhar.
Como Doheon não ia embora e continuava parado à sua frente, sua cabeça se complicou, pensando se haveria mais algum deslize que ele não lembrava.
— Ontem você me xingava de desgraçado e tudo. Por que hoje está tão quieto?
Diante da voz seca, Cheongyeon se retraiu, com a consciência pesada de antemão. Ficou constrangido por não saber com que intenção ele dizia aquilo.
— É que… foi você que falou coisas duras primeiro…
— O estômago ainda está ruim?
Quando Cheongyeon respondeu com a voz insistentemente sumida, Doheon o cortou, se aproximou e estendeu a mão.
Parecia querer checar se ele tinha febre, mas também dessa vez Cheongyeon virou o rosto por reflexo e se esquivou.
— …
— …
Por um breve instante pairou um silêncio constrangedor.
Cheongyeon ajeitou o próprio cabelo bagunçado, e Doheon , que ficou parado com a mão na cintura, como se estivesse sufocado, abriu rapidamente os botões do paletó que tinha fechado.
Ele só tinha movido o corpo de leve, mas dele exalou um leve cheiro de xampu.
Diante disso, com um compasso de atraso, os olhos de Cheongyeon se arregalaram.
— Ah. Vai ser agora?
Quando perguntou, sem conseguir esconder o embaraço, a testa de Doheon se franziu de leve, tentando avaliar o que aquilo significava.
— Vai ser? O quê?
— Sexo…
Cheongyeon murmurou, como se fosse óbvio. Como ele de repente abriu os botões do paletó, ele achou que estava tirando a roupa para dormir com ele.
— Não era isso? Como ontem a gente não conseguiu.
O olhar de Doheon pousou em Cheongyeon, que vestia o roupão do hotel.
— Você quer?
— E se eu disser que não?
— Então eu vou ter que ir trabalhar.
Seria brincadeira ou seria sério? Diante daquela frase enigmática, nada característica dele, era difícil saber como reagir.
— …Então vá trabalhar.
Depois de pensar um pouco, quando ele repetiu como um papagaio exatamente o que ele tinha dito, Doheon deu uma risadinha.
— Depois, quando acordar, coma alguma coisa.
— E você? Já tomou café da manhã?
— Não.
Diante da resposta concisa, Cheongyeon se lembrou de repente do que a empregada tinha dito e ficou com o coração inquieto.
Se fosse verdade que Doheon costumava tomar um café da manhã extremamente simples, então, durante três anos, não havia uma única pessoa que apreciasse aquele café da manhã luxuoso.
Junto com a dúvida sobre para quem, afinal, e para quê era aquela refeição, veio a sensação de vazio.
— Ah, é verdade. Diretor.
Ao ver Doheon colocando o relógio que tinha deixado sobre a mesa de cabeceira, Cheongyeon o deteve às pressas.
— De agora em diante, não mande mais dinheiro para o meu tio e para o meu hyung.
— Por quê?
Do ponto de vista de Cheongyeon, ele só tinha dito o que devia ser dito para consertar algo que estava errado, mas Doheon reagiu, pelo contrário, como se não entendesse.
— Ora, é óbvio… Tenho que dizer para eles se virarem. Que arrumem um bico, que trabalhem. É a mensalidade do meu hyung.
— Você é que vai ficar em apuros. Vai ficar tudo bem?
— …
Soava quase como se o motivo pelo qual ele vinha dando dinheiro todo esse tempo fosse pelo bem de Cheongyeon. Por um instante, Cheongyeon ficou sem palavras e olhou para Doheon, atônito.
Certamente, se Doheon não desse dinheiro, era evidente que eles viriam atrás dele e o encheriam. Se o privilégio que recebiam só de ficar sentados desaparecesse, com o gênio do tio e do hyung, não havia como eles ficarem quietos.
Mas, mesmo assim, ele não podia simplesmente deixar que continuassem tirando dinheiro de Doheon . Agora que ele tinha descoberto, era ainda mais algo que não podia se repetir.
— Ainda assim, não faz sentido você dar mensalidade e custo de vida para o meu tio e o meu hyung.
Só de pensar na sua família, que durante anos devia ter exigido dinheiro dele com toda a desfaçatez, seu rosto ficava vermelho de vergonha sozinho.
— Agora eles têm que se resolver sozinhos. Não, mesmo que não fosse o divórcio, o próprio fato de receberem dinheiro desde o começo já era errado. Mesmo que eles venham atrás de mim, eu acho que é uma coisa que eu tenho que aguentar.
Doheon cruzou os braços e ficou por um instante mergulhado em pensamentos.
— Se você pretende continuar como ator, é uma decisão ruim.
— …
— Que a história da família venha a público não é nada bom nem do ponto de vista de marketing. Ainda que seja algo que não aconteceu, não é preciso deixar aberta a possibilidade de um resultado negativo desses à toa.
— Então você está dizendo que vai continuar dando dinheiro, como vinha fazendo até agora?
— Algum motivo para não dar?
Doheon rebateu.
— …Isso não te irrita?
Será que, para ele, sustentar todo mês uma quantia nada pequena a estranhos que não tinham uma gota de sangue em comum não era nada de mais?
Por mais rico que alguém fosse, não havia como ficar satisfeito em sustentar gente sem-vergonha daquele jeito. Para alguém como Doheon, que avaliava tudo em termos de lucro e sob a ótica dos negócios, aquilo deveria ser ainda mais um espinho no olho.
— Sei lá. O Sr. Yoo Jungjae também morreu por minha causa e, acima de tudo, é a sua família, então nunca cheguei a pensar que não gostava.
Doheon passou a mão pela linha do queixo e inclinou a cabeça.
O Senhor Yoo Jungjae era o tio de Cheongyeon. E o tio tinha partido deste mundo três anos antes, num acidente de trânsito, enquanto fazia a escolta de Doheon nos Estados Unidos.
Só então ocorreu a Cheongyeon que talvez Doheon não tivesse ajudado sua família sem contrapartida nenhuma.
— Como eu sabia que, se você descobrisse, ficaria preocupado, como agora, julguei que não era preciso dizer.
— …
Cheongyeon sentiu gratidão e, ao mesmo tempo, por outro lado, um medo repentino. Afinal, as palavras de Doheon, por mais agradáveis que fossem de ouvir, sempre vinham acompanhadas de um preço equivalente.
Como sabia que no mundo não existe almoço grátis, aquilo não lhe parecia pura boa vontade.
Quando um pensamento lhe surgiu de repente, Cheongyeon mordeu o lábio inferior com uma expressão inquieta. E segurou com cuidado a barra do paletó de Doheon .
— Por acaso.
— O que foi?
— Você não… está querendo me fazer ficar em dívida de novo por causa da família para depois me chantagear, está?
Hesitante, Cheongyeon perguntou, medindo a reação dele. Por causa da tensão, o fim da voz saiu rachado.
— …
Doheon fez menção de dizer algo e logo fechou a boca por completo.
O rosto que fitava Cheongyeon em silêncio estava esquisito de alguma forma. Parecia irritado e, por outro lado, também parecia perturbado.
Diante da reação enigmática, Cheongyeon ficou ainda mais aflito, com medo de que o que tinha dito virasse verdade.
Restava ainda num canto da sua mente o pensamento ingênuo de que Doheon não faria uma coisa dessas, mas, na verdade, a confiança mínima que ele mantinha nele havia muito tinha se despedaçado.
Cheongyeon ainda não conseguia esquecer o choque que levara no dia em que ele usou a equipe para assustá-lo. Por isso ficava ainda mais inquieto.
— Eu, eu já mal estou aguentando só com o que está acontecendo agora. Mesmo sem envolver o meu tio e o meu hyung… você também sabe que a esta altura eu não tenho para onde fugir.
Ao contrário da véspera, em que estava exaltado e agia levado pela emoção, Cheongyeon tentou convencer Doheon no tom mais calmo possível.
Dessa vez, a expressão de Doheon se contorceu por completo.
— A família…
Ele estacou por um instante, sem conseguir falar, e então abriu a boca de novo.
— Não tenho intenção de te ameaçar usando a sua família. Como eu disse, é a sua família e há também a questão do Senhor Yu Jungjae, então eu só estava tentando ajudar.
— Ah.
Ele assentiu diante da afirmação de que não era essa a intenção, mas foi só por um instante, e Cheongyeon, sem conseguir se livrar da ansiedade, engoliu em seco.
— Ontem… você disse para eu não mentir, né.
Por causa da tensão, as pálpebras baixas de Cheongyeon tremiam de leve.
— E-eu, eu não sinto a menor gratidão toda vez que você diz que vai me ajudar. Só… tenho muito medo.
— Cheongyeon.
— Se eu me vir numa situação difícil, por favor, simplesmente não faça nada. Para que eu possa resolver sozinho. Eu acho que assim eu ficaria bem mais tranquilo.
Cheongyeon agarrou com força a gola dele e implorou com fervor.
— Eu tenho medo de que o abismo de que você falou… seja doloroso demais para mim.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna