Desire Me If You Can (Novel) - . ₊ Capítulo 36
Capítulo 36
Ezra colocou a máscara de oxigênio enquanto gritava:
— Vou mostrar para vocês a nossa lealdade. Um bombeiro nunca abandona os seus companheiros. Entramos juntos e saímos juntos. Nem que isso custe a nossa vida!
— Há quanto tempo o Dane está lá dentro?
— Já faz uns dez minutos que perdemos o contato. Temos que nos apressar — respondeu Wilkins, enquanto observava os outros se apressarem para preparar o equipamento.
Grayson os observava com uma mistura de desprezo e tédio. “Logo ele sai por conta própria”, pensou. “Quanto alguém conseguiria aguentar no meio daquelas chamas? Em vez de fazer tanto barulho, deveriam esperar. Ele vai sair quando for a hora”. O motivo de tanto escândalo era óbvio. Só queriam criticá-lo, ou talvez ostentar sua suposta e grandiosa camaradagem.
— Vamos entrar! — gritou Ezra, e todos assentiram com a solenidade.
Estavam decididos a tirar o Dane de lá, custasse o que custasse. Com essa firme determinação, prepararam-se para entrar. Mas bem naquele momento, um estrondo ensurdecedor, como um trovão, sacudiu o lugar. Algo havia explodido, e metade da casa desabou. Os bombeiros, prestes a entrar, ficaram paralisados, com os olhos arregalados de incredulidade. As chamas brotaram entre os escombros caídos, e, junto com elas, os gritos desesperados dos bombeiros ergueram-se ao céu.
*
Enquanto isso, Dane, abandonado à própria sorte, movia-se com leveza em busca do sótão. Felizmente, encontrou rapidamente o dispositivo de que o homem havia falado. O botão no chão provavelmente estava ali para que um cachorro pudesse pressioná-lo com facilidade.
Ao contrário da preocupação de que o incêndio tivesse danificado o mecanismo, ao pressionar o botão, uma escada dobrável desdobrou-se como se estivesse esperando por aquilo. Ao subir, notou que também havia um botão em cima. Talvez o dono tivesse treinado o cachorro para subir e depois pressioná-lo, garantindo assim a sua segurança.
No entanto, nesta situação, esse pensamento revelou-se errado. Em caso de incêndio, é preferível ficar embaixo. As chances de morrer por inalação de fumaça são maiores do que as de morrer queimado.
Embora o projeto mostrasse certa consideração, com um ventilador de tamanho considerável instalado em uma parede, ele havia parado de funcionar. O ventilador teria girado com força, mas sem eletricidade devido ao incêndio, era inútil. Como resultado, o sótão já estava envolto em uma densa camada de fumaça.
Dane primeiro pressionou o botão para recolher a escada e depois inspecionou o interior. O cachorro devia estar escondido em algum canto. Ironicamente, o lugar estava cheio de tralhas, o que dificultaria encontrar um cachorro grande, mesmo que estivesse escondido.
— Charles! Charles, você está aqui?! — gritou Dane, procurando pelo cachorro. — Charles, vim te resgatar! Sai daí! Charles!
Os barulhos do prédio desabando continuavam. Não aguentaria muito mais tempo. E se o cachorro não estivesse ali? Talvez não tivesse outra escolha senão desistir. …Talvez pudesse checar a cozinha mais uma vez.
Enquanto percorria mentalmente o interior da casa que havia visto ao entrar, planejando rapidamente seu próximo passo caso as coisas dessem errado, ouviu algo.
— Charles!
Finalmente, Dane descobriu o grande cachorro deitado atrás do enorme baú e correu em direção a ele imediatamente. Rapidamente levantou Charles em seus braços, mas o cachorro permanecia mole, sem fazer o menor movimento. Ao checar a pulsação com urgência, notou que, felizmente, seu coração ainda batia, embora fracamente. Sem hesitar, Dane tirou a própria máscara e a colocou no cachorro. Era óbvio que não ficaria certa nele, mas pelo menos forneceria um pouco de oxigênio fresco, o que poderia ajudar.
— Cof, cof.
De imediato, Dane inalou a fumaça e começou a tossir com força. Seu corpo estremecia enquanto tossia repetidamente, abraçando o cachorro com firmeza. Tinha que sair dali logo. A qualquer momento, as escadas poderiam desabar por completo. Desta vez, ao contrário, tentou visualizar mentalmente uma rota de fuga enquanto pisava em um botão.
Boom!
Um estrondo ensurdecedor sacudiu a casa. Por um momento, Dane quase soltou o cachorro que carregava nos braços. Em vez disso, rolou pelo chão com o animal, abraçando-o com força, e levantou-se rapidamente para avaliar a situação. Não tinha certeza do que havia acontecido exatamente, mas uma coisa era clara: muito em breve, a casa desabaria por completo. As escadas provavelmente já estavam destruídas. Não era momento de apostar com base em possibilidades. Dane olhou ao redor com urgência. Só restava uma opção. Ao ver o ventilador parado, agiu imediatamente. Não havia tempo para hesitar ou calcular. Com cuidado, deixou o cachorro perto, puxou o machado que carregava nas costas e segurou-o com as duas mãos. Sem vacilar, começou a golpear o ventilador com força.
* Entre os escombros da mansão que desabava com estrondo, uma imensa coluna de fumaça preta subia em direção ao céu. Os bombeiros, que se preparavam para entrar, paralisaram, empalidecendo, e depois começaram a gritar desesperados.
— Dane, Dane!
— Não pode ser! O Dane não pode estar ali!
— Charles! Charles!
— Onde fica o sótão? De que lado fica?
— Me diz de que lado fica o sótão, rápido!
— Não, Charles! Ohhh… Charles!
— Responde, porra!
— Vamos entrar, ainda dá tempo! A gente consegue!
— Não, se explodir de novo, tudo vai acabar!
— Dane… Dane!
No meio do caos, os gritos de desespero e dor misturavam-se em um lamento doloroso. Bem naquele momento, alguém gritou:
— Esperem, olhem lá!
Todos os olhares voltaram-se instantaneamente para onde a voz apontava, e uma exclamação de assombro coletivo estourou no ar.
O enorme ventilador que sobressaía no teto começou a se quebrar pouco a pouco, até que uma de suas pás voou longe. Por um momento, viu-se um machado, que logo desapareceu, seguido por uma barra de ferro que removeu parte do ventilador restante. Todos observavam com o coração na mão, prendendo a respiração, esperando, rezando. Finalmente, a última peça cedeu e, através do duto agora aberto, alguém colocou o corpo para fora.
Um homem alto e esguio, de cabelos ruivos e brilhantes, surgiu diante da vista de todos. No instante em que Dane Striker apareceu, uma ovação estourou entre os presentes.
— É o Dane, o Dane está ali!
O grito emocionado desencadeou uma onda de vivas que ecoaram por toda parte.
— Dane, Dane Striker!
— Dane, era óbvio que seria o Dane! Eu sabia que esse cara ia sair ileso!
— Ei, alguém traz uma escada! Rápido!
— Conectem ela no teto! Depressa!
— Apressem-se! O que vocês estão fazendo? Deixem comigo, saiam da frente!
No meio do alvoroço e do movimento frenético dos bombeiros, Grayson permanecia quieto, observando Dane em silêncio. Embora não fizesse nada, ninguém parecia prestar atenção nele.
Enquanto isso, Dane tentava sair pelo duto de ventilação destroçado. Seu rosto, enfurecido pela fuligem e pela poeira, estava sem máscara, e ele tossia intermitentemente por ter inalado fumaça. Apesar de tudo, sua determinação era inabalável, e sua luta para sair para o telhado era comovente.
Logo, Grayson entendeu o que havia acontecido com a máscara. Ela estava colocada no grande cachorro que Dane abraçava, embora estivesse grande demais nele. Grayson franziu levemente o cenho.
“A esse ponto? Por quê?”
Apesar dos violentos ataques de tosse, Dane manteve-se firme, deixando a máscara com o cachorro enquanto esperava que os seus companheiros trouxessem a escada. Grayson não desviou o olhar dele, observando-o em silêncio.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby, Othello&Belladonna