Desire Me If You Can (Novel) - . ₊ Capítulo 35
Capítulo 35
Grayson parecia a ponto de agarrar Dane pelo pescoço, mas, claro, isso não chegou a acontecer. Naquele exato momento, com um estrondo ensurdecedor, uma parte da escada desabou. Parado precariamente sobre o que restava dos degraus, Grayson olhou para baixo e viu um vazio escuro que se estendia diante de seus olhos. Aproveitando a hesitação dele, Dane correu pelo corredor. Grayson soltou um breve xingamento e não teve outra escolha senão persegui-lo de novo.
Enquanto já tinham vistoriado quase todo o segundo andar, de repente, uma voz surgiu do walkie-talkie. Era Wilkins.
[— Dane, Dane! Você está bem? Ainda não encontrou ele?]
— Estou procurando. Estou no segundo andar.
[— Espera! O Charles deve estar no sótão!]
De repente, a voz de um homem interrompeu. Ao ver as costas de Dane pararem no lugar, Grayson o imaginou pensando: “Estamos perdidos.”
Grayson assumiu que agora sim eles desistiriam e se preparava para recuar, quando, do nada, Dane perguntou:
— Onde fica o sótão?
Que diabos…?
Grayson franziu o cenho e o encarou fixamente. Embora não pudesse ver sua expressão, já que Dane estava de costas para ele, era evidente que não tinha a menor intenção de recuar.
[— No teto do quarto principal… tem um botão que você precisa pressionar… O Charles costumava subir lá com frequência?]
[— Sim, sim, nós treinamos ele para subir imediatamente em situações de perigo. Caso entrassem ladrões ou alguém que quisesse fazer mal a ele. Não podíamos permitir que ele saísse correndo assustado e a gente o perdesse…]
O homem, com a voz entrecortada e cheia de desespero, perguntou apressadamente:
[— Vocês… vocês vão encontrar ele, não vão? O Charles ainda está vivo…]
Ele continuava falando, mas Dane cortou abruptamente a comunicação. Não ficava claro se era porque não queria mais ouvir lamentações, porque o tempo estava instável, ou por ambos os motivos. No entanto, uma coisa era certa: Grayson sabia exatamente o que Dane faria a seguir. “Isso não pode ser.”
— Ei, já chega…
— Miller.
Justo quando estava prestes a dizer que não iria mais longe, de repente, Dane o chamou pelo nome. Pela primeira vez, após ter corrido todo esse tempo sem olhar para trás, ele se voltou para Grayson e falou:
— Você, cai fora. Não tem necessidade de você ficar aqui. Só serve para estorvar.
Obviamente, essa já era a intenção dele. Tinha feito mais do que o suficiente ao chegar até ali, e Grayson sentia que já tinha cumprido sua parte. Mas ver o outro dizendo isso primeiro não caiu nada bem. Claro, era provável que se devesse àquele tom de voz dele, sempre desagradável e imutável.
— E você?
Ele estava prestes a perguntar se ele realmente pretendia se lançar de novo no fogo para salvar um cachorro que com certeza já estava morto, mas não teve a oportunidade. Dane desapareceu em um instante em meio à fumaça, sem sequer dar uma resposta. Deixado para trás, Grayson piscou, incrédulo, até que um estalo estrondoso o tirou de seus pensamentos. Outra parte da casa tinha desabado. Já era impossível seguir Dane. Não que ele tivesse a intenção de fazer isso, claro. Ficar em uma situação tão perigosa era um ato de suicídio. Até um novato como Grayson sabia disso, e não tinha como Dane ignorar.
— Com certeza ele vai desistir e sair logo.
Com essa ideia em mente, Grayson recuou imediatamente. Os humanos, por natureza, temem a morte e a dor da mesma forma. Rodeado pelas chamas que surgiam por todos os lados, Grayson não pensou duas vezes. Sem hesitar, correu em direção à saída.
*
Wilkins permanecia no mesmo lugar, observando com ansiedade a casa que ardia em chamas. Tinha se passado um bom tempo desde que Dane entrara, e ele não tinha a menor ideia de como andavam as coisas lá dentro. Dane tinha desligado o rádio, e ele não sabia o que ele estaria pensando.
— Charles, Charles…
O homem não parava de chorar, repetindo o nome do cachorro. Embora Wilkins também estivesse preocupado, não podia chamá-lo à atenção. Limitou-se a dar uns tapinhas no ombro dele em silêncio, até que, de repente, uma figura humana se vislumbrou entre as chamas.
— Dane?
Assim que Wilkins pronunciou o nome dele, o homem também sobressaltou-se e olhou na mesma direção. Ambos esperavam fervorosamente que fosse o seu ente querido saindo das chamas, mas o homem que tirou a máscara não era quem esperavam.
— Miller!
— E o Charles?
Quase em uníssono, ambos gritaram. Grayson tirou o capacete, passou a mão pelo cabelo e respondeu:
— Aquele idiota entrou para procurar o cachorro.
— O quê?
Wilkins gritou, consternado. Imediatamente, o homem reagiu com uma enxurrada de palavras:
— Então o Charles… ainda não encontraram ele? Onde vocês se separaram? Ele ouviu tudo o que eu disse? Eu disse para ele que o Charles provavelmente estaria escondido no sótão, mas o rádio cortou…
— Chega! Acalme-se!
Wilkins não conseguiu se conter e gritou com ele. O homem, que até então vinha chorando e se queixando, parou por um momento, arregalando os olhos. Wilkins o ignorou e voltou-se para Grayson, perguntando com urgência:
— O Dane entrou? Para procurar o cachorro?
Com a voz cheia de incredulidade, Wilkins o mediu de cima a baixo antes de cravar o olhar nele.
— E por que você saiu sozinho? Eu te disse claramente que vocês deviam permanecer juntos! Como você pôde deixar o seu companheiro e sair sozinho? Ah? As suas pernas falharam por acaso?
Ele parecia genuinamente incapaz de compreender. Em uma situação como aquela, não podia existir um bombeiro que abandonasse o seu companheiro e escapasse sozinho. Diante de Wilkins, que esperava uma resposta, Grayson sorriu com a mesma expressão de antes e respondeu:
— Me disseram para sair porque eu só servia para estorvar. Sabe como é, eu não consigo negar os pedidos dos outros.
— O que…? — Wilkins reagiu com uma pausa, visivelmente desconcertado. Seu rosto, pálido e com os olhos arregalados enquanto olhava para Grayson, refletia uma mistura de confusão, consternação, desprezo e outras emoções negativas.
— O que está acontecendo? Você está dizendo que o Dane está lá dentro sozinho? — Ezra, que tinha escutado atrasado, gritou alarmado.
A essa altura, bombeiros de outros quartéis tinham chegado como reforço e alguns, ao verem que o incêndio em sua área estava sob controle, começaram a se reunir em frente à casa. Wilkins, com a raiva brotando tardiamente, apertou os punhos com força e cravou o olhar em Grayson. Então, estourou:
— E você tem coragem de dizer isso?! Mesmo que o Dane tivesse te pedido, você deveria ter ficado lá, ou pelo menos ter nos avisado pelo rádio! Você abandonou um companheiro no meio das chamas e foi embora? E você ainda se chama de bombeiro?! Como você se atreve a vir aqui fingindo ser um, seu maldito desgraçado!
Ele estava furioso, como se tivesse enlouquecido. E não era o único. Ezra e os outros companheiros também gritavam, reprochando Grayson.
— Você é um canalha, não é nem humano! Mesmo que não fosse bombeiro, você não pode deixar um companheiro sozinho nesse perigo e cair fora!
— Desde o começo foi uma loucura alguém como você querer ser bombeiro! Some daqui, seu lixo!
— A gente sabia que você não servia para isso! Nunca deveríamos ter te aceitado! Eu me opus desde o começo! Todo mundo sabia que você não era apto!
Apesar da torrente de gritos, Grayson continuava sorrindo. Sua expressão, imutável como uma máscara, parecia inclusive debochar dos outros. Diante daquele rosto, os bombeiros, cada vez mais furiosos, continuavam vociferando. Então, Grayson deu de ombros e perguntou:
— Eu entendo que a camaradagem de vocês é impressionante, mas se estão tão preocupados, em vez de se reunirem aqui para me xingar, não deveriam entrar e tirar aquele garoto de lá?
— Não precisa nem dizer, seu maldito desgraçado!
Continua…
⌀ ⌀ ⌀
—
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby, Othello&Belladonna