Desire Me If You Can (Novel) - . ₊ Capítulo 150
Capítulo 150
Dane sentiu uma súbita vontade de fumar. Relembrar aquele dia sempre deixava um gosto amargo em sua boca, como sempre acontecia.
Você pode estar certo.
Dane pensou.
Mas era realmente necessário me machucar tanto assim?
Em vez de fumar, ele cobriu a boca e o queixo com uma das mãos, massageando-os lentamente. De repente, sentiu uma sensação de queimação nos cantos dos olhos.
Cada pequeno detalhe o lembrava de que ela não o amava.
Quando morava com a mãe, ele era miserável a cada instante por causa disso. Para uma criança, os pais são tudo no mundo. Quem seria capaz de entender a sensação de ser rejeitado pelo próprio mundo?
Mas ele também não conseguia esquecer a mãe. Depois de acordar de seu torpor alcoólico, ela sempre dizia que o amava e o enchia de beijos, deixando Dane confuso. A mãe que o havia machucado tanto no dia anterior agora o segurava com mais ternura do que qualquer outra pessoa no mundo, sussurrando que ele era seu único e mais precioso tesouro. Qual daquelas era a verdadeira ela?
A que fica bêbada provavelmente é a real.
Mesmo pensando assim, ele queria acreditar no contrário. Por isso, em vez de tentar confirmar os verdadeiros sentimentos de sua mãe, ele escolhia ir na onda dela, dizendo que a amava e a abraçando, muito embora seu coração estivesse emaranhado em ansiedade e desconfiança.
— Eu era apenas uma criança, então não tinha muito o que fazer. Se eu tivesse simplesmente fugido de casa, teria acabado como membro de uma organização criminosa ou virado sem-teto — ele disse com indiferença, lamentando a falta do cigarro. — Então, eu não tive escolha a não ser ficar naquela casa, constantemente me perguntando quais eram os verdadeiros sentimentos da minha mãe.
Grayson simplesmente esperava que ele continuasse sem dizer uma única palavra, mal conseguindo conter o impulso de abraçá-lo e gritar que estava ali, que o amava mais do que qualquer outra pessoa no mundo.
Conforme o seu aniversário de 13 anos se aproximava, Dane Striker arquitetava um plano bastante precoce. Era um plano para se casar com sua namorada assim que se formasse no ensino médio e se tornar independente. Ela era sua primeira namorada, com quem havia começado a namorar há alguns anos e com quem compartilhara seu primeiro beijo.
Nesse meio-tempo, ele trabalhou meio período durante as férias e juntou algum dinheiro. Era uma quantia absurdamente pequena para se sustentar sozinho, mas se economizasse até a formatura, seria um valor considerável.
Ir para o exército também não é uma má ideia…
Era o lugar perfeito para alguém na situação de Dane. O tratamento era bom e ele poderia ganhar uma quantia decente, de modo que conseguiria estabelecer um lar na moradia da base militar. Claro, a opinião de sua namorada era importante, então essa parte precisaria ser discutida.
Antes de tudo, dinheiro.
Pensando nisso, Dane direcionou-se a um restaurante de fast-food bem distante de seu bairro assim que a aula terminou. Na verdade, considerando a sua idade, era quase impossível conseguir um emprego de meio período como aquele. Mas como ele havia desistido de estudar desde cedo, tinha bastante tempo de sobra, então encontrou um lugar onde podia trabalhar depois da escola dessa forma. O gerente gostava da ética de trabalho de Dane e até disse que o contrataria como funcionário em tempo integral depois que ele se formasse. Claro, Dane apenas sorriu e agradeceu.
— Ei, Dane. Bem-vindo.
O gerente o cumprimentou alegremente e imediatamente começou a lhe passar tarefas assim que Dane apareceu com seu uniforme.
— Mova aqueles pães para cá, organize os hambúrgueres… Ah, e a lixeira lá nos fundos está cheia. Esvazie-a também…
Ele realizou rapidamente os pedidos que surgiam todos de uma vez. O gerente observava com satisfação enquanto o trabalho era concluído em um piscar de olhos. Uma funcionária franziu o cenho e o repreendeu:
— Não dê tanto trabalho para o garoto, ele não parece muito bem.
— Não parece bem? O Dane? — o gerente perguntou surpreso.
Ela continuava com a expressão séria enquanto olhava para Dane e disse:
— Olha só, o rosto dele está mais vermelho do que o normal. Acho que ele está com febre?
— Sério? Então não vai dar! Vai ser um desastre se ele espalhar um vírus!
A funcionária ficou estupefata com a cena do gerente correndo até Dane em pânico.
— Tem gente que é doente mesmo, de verdade……
Ela balançou a cabeça e, bem nessa hora, um cliente chegou. Ela abriu um sorriso profissional e rapidamente se posicionou diante do caixa:
— Bem-vindo, o que posso servir para você?
Atrás dela, o gerente procurava por Dane e logo o encontrou do lado de fora da porta dos fundos.
— Dane, Dane!
Dane, que estava esvaziando o lixo, virou-se confuso diante do chamado urgente. O gerente caminhava rapidamente em sua direção com o rosto pálido. Quando se aproximou, olhou para o rosto e o corpo de Dane e murmurou para si mesmo:
— É isso mesmo, o rosto dele está vermelho como……
— Sim?
Ele franziu o cenho, sem entender o que ele estava dizendo, quando de repente o gerente estendeu a mão. Dane, assustado, encolheu os ombros, e o gerente rapidamente tocou a testa de Dane, arregalou os olhos e recolheu a mão às pressas.
— O que…… o que é isso? Você está com febre! Está pelando de quente, você está bem?
— Febre?
Dane piscou e tentou tocar a própria testa com a mão, mas parou ao perceber que tinha acabado de mexer no lixo. O gerente então acenou com a mão e disse com o rosto contorcido:
— Já chega, vá para casa agora. Não venha trabalhar até que a sua febre baixe, entendeu?
— Sim? Mas……
Bem quando ele ia dizer que não se sentia nem um pouco doente, o gerente o cortou:
— E se você espalhar um vírus? Nós podemos ser processados! Volte agora mesmo, ande! Rápido! Mais depressa!
Por ser pressionado repetidamente, Dane não teve outra escolha a não ser deixar a loja como se estivesse sendo escorraçado. Ele olhou para trás em direção ao estabelecimento sem acreditar, mas eles fecharam a porta bem na sua cara, como se para deixar claro, então não havia outro jeito.
— O que……?
Ele tocou a testa incomodado, mas sentiu apenas uma leve quentura e não achou nada de estranho. Resmungando, ele montou em sua bicicleta e foi para casa. Uma brisa fresca roçou suas bochechas enquanto pedalava. Sentia-se um pouco letárgico.
Será que peguei um resfriado……?
Dane recordava-se vagamente. Seu corpo continuava a ficar cada vez mais pesado. Ele queria ir para casa e descansar o quanto antes.
Ele pedalou com dificuldade e, quando o bloco de apartamentos onde morava finalmente surgiu à vista, ele não pôde deixar de soltar um suspiro de alívio.
Huf.
Diferente do habitual, ele nem sequer tomou um banho e deitou-se no sofá com as roupas que estava vestindo. Por alguma razão, não queria levantar um único dedo. “Posso fazer isso depois de tirar um cochilo. Só por um instante, é……”
Seus pensamentos pararam por ali. Sem se dar conta, ele caiu em um sono profundo.
Dane acordou várias horas depois porque sentiu como se alguém estivesse esganando seu pescoço.
— Cof, cof, cof.
Ele conseguiu abrir os olhos, arfando em busca de ar. Na escuridão, conseguia ver alguém por cima dele. Dane piscou os olhos com urgência, mas não era fácil reconhecer quem era. Tudo o que conseguia enxergar no breu era uma silhueta tênue.
Mas, na verdade, ele sabia sem precisar ver. Havia apenas uma pessoa que entraria naquele apartamento barato e apertaria o pescoço de Dane enquanto ele dormia.
……Não pode ser.
Apesar de tudo, Dane negou.
Não pode ser a minha mãe.
Lágrimas brotaram em seus olhos reflexivamente. Ele queria tirar a mão que o sufocava, mas não conseguia reunir força alguma em seu corpo. Sua mão escorregou várias vezes enquanto tentava agarrar o braço da mãe.
Enquanto isso, a força do estrangulamento era descomunal. Como se estivesse depositando toda a sua energia para enforcar o filho, Dane não conseguia escapar daquele aperto tremendo.
Hic, hic, produzindo um som como se estivesse ficando sem ar, a mãe disse ao filho que se contorcia embaixo dela:
— Como…… como você pôde fazer isso comigo……
Ela estava soluçando. Lágrimas frias caíram no rosto de Dane, seguidas por uma voz violentamente trêmula:
— Como você pôde despertar como um ômega? Como até você pôde fazer isso?
Snif, snif, ela caiu no choro, produzindo uma respiração mais ruidosa do que a de Dane.
— Dane, meu bebê. É melhor você morrer.
Heeee, um som sibilante foi ouvido. A mãe inclinou-se e sussurrou no ouvido do filho, que já estava quase sem fôlego:
— Vamos morrer juntos.
Aquelas foram as últimas palavras que Dane ouviu de sua mãe.
Quando Dane, que havia perdido totalmente a consciência, abriu os olhos, o Despertar havia terminado. E a vida de sua mãe também havia chegado ao fim.
Ele estava apenas sentado no sofá onde estivera dormindo até momentos atrás, onde sua mãe o havia esganado, apenas encarando fixamente o corpo de sua mãe, que estava pendurado no batente da janela.
Continua…
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello