Desire Me If You Can (Novel) - . ₊ Capítulo 149
Capítulo 149
— Dane.
Ela abraçou o filho que correu em sua direção com o rosto iluminado. A mãe franziu o cenho por um momento ao ver a face suja do garoto, coberta de terra, mas logo falou com indiferença:
— Você se divertiu? Está com fome? Vamos entrar e comer.
Ela subiu as escadas com uma sacola de papel contendo uma pequena quantidade de vegetais em uma das mãos e a mão do filho na outra. Dane acenou para o amigo que ficara para trás e entrou no apartamento.
Uma sopa rala com pedaços de vegetais flutuando e um pedaço de pão era a refeição que eles costumavam comer. A mãe de Dane não tinha um emprego fixo, então sua renda não era nada boa e, por causa disso, ela lutava para pagar as contas dividindo cada centavo. Felizmente, o filho não era uma pessoa exigente.
— Aqui, coma rápido.
A mãe, que havia fervido a sopa e a colocado na mesa junto com o pão, sentou-se na cadeira oposta. Dane partiu o pão, mergulhou-o na sopa, levou-o à boca e sorriu abertamente. Vendo a postura admirável do filho, a mãe sorriu gentilmente e acariciou a cabeça dele.
— Eu te amo, Dane.
— Eu também. Eu te amo, mamãe.
Eles sorriram um para o outro através daquela mesa pequena, velha e cheia de marcas.
— Ela era uma boa pessoa, a minha mãe — Dane continuou em um tom quase sem nenhuma emoção. — Mesmo sendo pobre, ela fez o melhor que pôde para me criar. Dizia que me amava com frequência e me enchia de beijos. Quando saía para trabalhar, me abraçava tão forte que eu sentia que ia sufocar. Eu esperava por ela o dia todo, mas estava tudo bem. Quando ela voltava, eu ficava mais feliz do que o tempo que havia esperado. Ainda penso que ela não era uma mãe perfeita, mas era uma mãe decente.
Um sorriso amargo espalhou-se pelo rosto de Dane.
— Se ao menos ela não bebesse.
— Aaaaaaagh!
A mãe gritava e arremessava as coisas para fora da mesa. Dane encolheu-se em um canto e caiu no choro diante da cena dela batendo a própria cabeça contra a parede e berrando.
— M-mamãe, mamãe……
Não importava o quanto ele chamasse, ela não retornava ao seu eu gentil de costume. Em vez disso, ela encarava Dane com os olhos injetados de sangue e começava a esmurrá-lo descontroladamente.
— É…… é por sua causa! Por sua causa!
— Mamãe, mamãe……
— Se não fosse por você, se você…… se você não tivesse nascido……!
Baques e mais baques ecoavam alto. Dane cobria a cabeça e tentava se encolher o máximo possível para evitar os golpes, mas não era o suficiente para conter a enxurrada de espancamentos. A surra continuava a noite inteira, até que ela ficasse completamente bêbada e caísse estirada no chão, adormecida. A essa altura, Dane costumava estar exausto de tanto apanhar e já havia perdido a consciência.
Conforme o amanhecer despontava timidamente, Dane, que recobrava os sentidos primeiro, arrastava seu corpo pesado, inchado e coberto de hematomas. Piscando os olhos que mal conseguia abrir direito, ele se direcionava até a cama. Puxava o lençol velho, cobria o corpo da mãe, enfiava-se nos braços dela e só então seu corpo inteiro começava a latejar de dor. Mas Dane fechava os olhos e pressionava desesperadamente seu corpo contra o dela. Ele se forçava a dormir, esperando que a mãe acordasse. Porque, quando acordasse, ela voltaria a ser aquela que costumava amar Dane.
— Dane……!
Como esperado, ao abrir os olhos, ela primeiro checava a criança em seus braços e caía no choro.
— Me desculpa, me desculpa, Dane…… me desculpa.
A mãe, que pedia desculpas repetidamente e o sufocava com beijos, olhava para o rosto de Dane e dizia:
— Você sabe o quanto eu te amo, não sabe?
Sim, Dane assentia. Ele queria chorar porque doía, mas segurava o choro desesperadamente. Porque ele ficava tão feliz naquele momento em que a mãe o abraçava e dizia que o amava. E com a costela doendo a cada respiração, ele a segurava com a mão e se despedia da mãe que saía para trabalhar. Ele não conseguiria ir para a rua por um tempo. Dane não pensava muito a respeito disso porque já era algo familiar. Ele só tinha que tomar o remédio que a mãe lhe dava e pegar no sono. Após engolir o remédio com água como de costume, Dane deitava-se na cama e fechava os olhos. A rotina diária que havia se repetido tantas vezes continuava mais uma vez.
Grayson encarava Dane, pálido. Ele não conseguia acreditar no que acabara de ouvir. Checou novamente o rosto inexpressivo de Dane. Não havia nenhum sinal de piada ou mentira.
— ……Você era espancado?
Ele mal conseguiu proferir essas palavras. Grayson, que não conseguia continuar falando com a mão na testa, mal emitia som algum, apenas movendo os lábios.
— A sua mãe…… ela te batia? Uma criança que não tinha nem 10 anos……?
— Não fique tão surpreso. Isso era uma coisa comum de onde eu vivia — Dane respondeu com indiferença.
Grayson ficou mais uma vez atônito com a reação que contrastava tanto com a sua própria. Então era aquilo. O passado veio à tona em sua mente atordoada. Era por isso que Dane havia perguntado tantas vezes……
Se Ashley Miller batia nele.
— Hum, até quando…… por quanto tempo……
Grayson gaguejou, agindo de forma totalmente diferente de si mesmo. *Quero matá-la.* Grayson sentiu um desejo mais forte do que nunca. Ele mal conseguia resistir ao impulso de encontrar a mulher que bateu e machucou Dane agora mesmo e esganá-la.
Feromônios hostis emanavam de todo o seu corpo. Mas era um ato sem sentido. Dane continuava falando no pretérito. Isso significava que, provavelmente, ela já estava……
Grayson, que havia pensado até ali, relaxou o punho firmemente cerrado em desespero. O aroma espesso de feromônios que pairava ao seu redor também se dissipou em um instante.
Dane olhou para ele com um sentimento desconhecido e respondeu:
— Até a quarta série, mais ou menos? Eu era muito maior do que os garotos da minha idade e cresci rápido — Dane soltou uma risadinha como se recordasse o passado. — Significa que a hora de se rebelar havia chegado.
— Para com isso de uma vez! — Dane gritou, com as veias saltando em seu pescoço.
Ele já estava farto daquilo. Mais uma vez, sua mãe estava bêbada e causando um tumulto. Antes mesmo que os hematomas da última vez tivessem desaparecido, Dane foi agarrado pelos cabelos e levou um tapa na bochecha.
— Porra, pirralho louco, bastardo imundo! Você nasceu…… por sua causa…… se não fosse por você!
— Para com isso de uma vez!
Dane gritou até a voz ficar rouca e empurrou a mãe com todas as suas forças. Talvez por estar bêbada, ela cambaleou para trás. Seu rosto, ruborizado pelo álcool, congelou em choque. Mesmo estando bêbada e fora de si, ela parecia bastante chocada com o fato de o filho, que fora tão dócil até então, tê-la empurrado. Dane olhou para aquele rosto estupefato e gritou novamente:
— Você vai fazer isso e depois vai acordar amanhã de manhã e me dizer que me ama! Para com isso, está difícil demais para mim agora! — em seguida, lágrimas misturaram-se à sua voz. — Eu não posso…… a gente não pode viver como as outras famílias? Você não pode me amar como os outros pais? Eu quero ser normal, como as outras crianças.
Os corpos de muitas crianças que ele conhecia na escola estavam intactos, sem qualquer sinal de espancamento. Apenas Dane tinha hematomas vermelhos e roxos por todo o corpo todos os dias, sem falta. Até o pai de um amigo que já havia estado na prisão não batia no filho, então por que eu?
Por que só eu?
— Mãe, por favor, me ama……
Como as outras crianças.
Foi quando ele disse aquilo como se estivesse implorando.
— Heh, heh heh, heh heh heh heh.
A mãe balançou os ombros e riu. Dane piscou em confusão diante da reação repentina. Ela deu risadinhas e murmurou:
— Amooor? Você quer que eu te ame? Você? — em seguida, ela franziu o cenho e perguntou: — Por queee? Por que eu deveria?
Dane moveu os lábios, gaguejando diante da pronúncia pesadamente arrastada dela:
— Porque você é a minha mãe……
— O quê?
Então ela caiu em uma gargalhada alta. *Ahahaha, ahahahaha, aahahahahahaha.* O riso agudo parecia que ia rasgar seus ouvidos. Dane contorceu o rosto e cobriu uma das orelhas, e a mãe, que estava curvada de tanto rir, mal conseguiu parar e perguntou:
— Por que eu deveria?
Estranhamente, pela primeira vez, a mente dela, que estivera tão embriagada até então, pareceu clarear. Sua pronúncia também estava nítida. Enquanto o desorientado Dane piscava, a mãe sorriu de lado e perguntou:
— Não é uma coisa engraçada de se dizer? Que os pais têm que amar os filhos também é um preconceito, não é?
*Kihikihiki, kihikihikihik.* Ela balançou os ombros novamente e riu. Ela estava zombando de Dane. Dane, que apertava suas mãos trêmulas com força, perguntou entre respirações arfantes:
— Então…… por que você me deu à luz?
Sua visão embaçou. Ele perguntou com a voz embargada.
— Você nasceu porque quis.
Dane não conseguiu dizer mais nada. A mãe bebeu de novo, gritou, quebrou coisas e depois caiu no chão e pegou no sono. Dane apenas olhou silenciosamente para ela de cima, roncando enquanto dormia. Ele não trouxe um lençol como de costume, nem se enfiou nos braços dela.
“Você nasceu porque quis.”
As palavras dela continuavam ecoando em seus ouvidos. De repente, pareceu que a cena à sua frente ficou toda branca, e então sua visão clareou. Mas isso foi apenas por um momento, e logo seus olhos embaçaram de novo.
Gota a gota, as lágrimas que fluíam caíam no chão. Ele ergueu o braço e esfregou os olhos, mas o choro não parava e continuava a escorrer. Um soluço escapou por entre seus dentes cerrados. Ele permaneceu ali de pé e chorou daquele jeito por um longo tempo.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello