Desire Me If You Can (Novel) - . ₊ Capítulo 148
Capítulo 148
Grayson apenas conseguia encarar Dane, com seu rosto sorridente congelado no lugar. O ambiente ao redor tornou-se tão silencioso como se a própria morte tivesse chegado.
…O que é isso?
Grayson pensou, com a mente em branco. A sensação era a de que alguém o havia golpeado com força na cabeça usando um objeto contundente. Do contrário, não haveria como se sentir tão atordoado.
Sim, era isso. Ele mal conseguia recordar. “Alguém deve ter me batido na cabeça. É por isso que estou ouvindo esse absurdo. É uma alucinação. Por que o Dane diria algo assim para mim? Ainda nos restam cinco dias, e eu disse ao Dane que o amava, e o Dane também…”
Ele deveria gostar de mim.
Seu corpo inteiro esfriou como se tivesse sido banhado com água gelada. As pontas de seus dedos formigaram, e ele rapidamente cerrou e abriu os punhos de forma repetida.
— Ah, desculpe — Grayson apressou-se em erguer os cantos dos lábios e disse: — Acho que há algo de errado com a minha cabeça. Será que meus feromônios acumularam? Meus níveis de feromônios são mais altos do que a média, então preciso liberá-los com frequência. Ah, por acaso o papai te disse que a minha cabeça é estranha? Isso é confidencial, mas tudo bem já que você é meu amante. Se você negligenciar os feromônios, vai acabar como o papai…
— Grayson — Dane o interrompeu com uma voz cortante. Diante de Grayson, que havia congelado novamente, Dane lentamente baixou a mão que cobria seu rosto e ergueu a cabeça. Ele olhava para Grayson com uma expressão totalmente desolada. — Você não ouviu errado, ouviu exatamente o que eu disse. …Vamos parar por aqui.
Será que seu coração havia parado de vez? Grayson não conseguia sequer respirar enquanto encarava Dane. Por quê? Por que Dane estava dizendo isso?
O que deu errado?
— Eu te amo.
— Eu sei.
Ele confessou seus verdadeiros sentimentos mais uma vez com a voz trêmula, mas a resposta de Dane veio com extrema facilidade. Seus lábios estavam arqueados como se sorrisse, mas suas sobrancelhas estavam franzidas. Dane disse como se recitasse algo, com um sorriso doloroso e amargo:
— Você provavelmente está certo. Eu é que sou o errado da história.
Grayson ainda não conseguia compreender. Ele estava apenas olhando fixamente quando, tardiamente, se deu conta:
— Ah, já entendi — Grayson piscou os olhos e continuou apressadamente: — É porque… porque eu não faço o seu tipo, não é? Hein? É, eu sou grande demais, apenas estupidamente grande. Então, que tal isso? Eu deveria cortar as minhas pernas? Se eu as cortar até aqui, posso me tornar menor também. Que tal? Isso funcionaria? Hein?
— Grayson.
— Ou será que o meu tronco é grande demais? Que tal cortar os meus braços até aqui? Funcionaria, se eu cortasse meus braços e pernas até aqui, eu não teria nem a metade do seu tamanho. Tudo bem se for assim? Se eu ficar menor do que você, eu, eu…
Quanto mais falava, mais Grayson afundava no desespero. Por mais que tentasse, nada mudaria. Não importava o que fizesse, mesmo que chorasse e implorasse, ele não conseguiria reter Dane.
Porque este homem não me ama.
— Se eu fosse… — Grayson abriu a boca, deparando-se com a expressão vazia de Dane, que apenas o observava. — Se eu fosse tão pequeno e adorável quanto o Yeonwoo, se esse fosse o caso…
— Não, Grayson. A culpa não é sua. Não é sua culpa.
Dane balançou a cabeça com firmeza. Mesmo olhando para o rosto confuso de Grayson, ele achava difícil encontrar as palavras para explicar. Até agora, ele nunca havia dado explicações a ninguém. Ele simplesmente apresentava uma conclusão simples, fosse boa ou ruim, e apenas dava as costas e ia embora, e tudo estaria acabado. Ele só tivera relacionamentos baratos e levianos que lhe permitiam agir assim.
Para que nunca precisasse encarar o coração de alguém com tamanha sinceridade.
Mas já era tarde demais. Grayson Miller é um homem que possui tanto e, ainda assim, estima uma lata barata de comida de cachorro de forma tão preciosa. Teria sido melhor se não soubesse, mas, infelizmente, Dane havia descoberto.
Por isso, agora ele tem que colocar um fim nisso. Nesse relacionamento sem esperança.
— Eu sou um caso perdido, desde o início — ele murmurou de forma autodepreciativa. — Você é diferente de mim. Eu não consigo.
Dane repetiu as mesmas palavras várias vezes. Para Grayson, que ainda não compreendia, ele confessou com um suspiro:
— Eu sou alguém que não consegue amar ninguém.
Dane então ergueu o olhar, que estivera vagando em algum ponto perto de seus pés, e encarou Grayson. Ele ainda sorria, mas parecia um tanto artificial. Provavelmente por causa de suas sobrancelhas e olhos contorcidos. Grayson conteve seu coração impaciente e esperou pelas próximas palavras. Dane, que estivera segurando e massageando a boca e o queixo com uma das mãos, suspirou:
— Eu não sei, não sei o que é o amor, ou se ele sequer existe dentro de mim.
Ele baixou o olhar novamente. Ainda com a mão no queixo, murmurou:
— O que eu sinto por você não é amor. Está mais para piedade.
Mesmo assim, não importava. Não importava quais fossem os sentimentos de Dane por ele. Grayson queria dizer que só precisava que ele ficasse ao seu lado, que aquilo era tudo o que queria, mas ele suportou em silêncio. Não havia como Dane não conhecer o coração de Grayson. O que ele estava tentando dizer não era tudo. O que afinal de contas ele queria dizer?
Algo que me convença…
Justo quando pensou que não existia tal coisa, Dane finalmente abriu a boca. Com grande dificuldade, como se desenterrasse à força algo sepultado nas profundezas do abismo e o arrastasse para fora, disse em voz baixa:
— A minha mãe era uma ômega.
Diante da confissão inesperada, Grayson ficou momentaneamente atônito. O silêncio desabou entre os dois novamente. E, nos olhos vazios de Dane, ele regressou ao passado.
— Dane, por que você não tem um pai?
Ele percebeu isso por volta dos três anos de idade. O apartamento onde morava sozinho com sua mãe ficava em uma favela onde todas as vidraças estavam quebradas e o som de tiros podia ser ouvido dia e noite.
Ele não se lembrava do nome do garoto com quem costumava brincar, mas lembrava-se de passar o tempo com ele para espantar o tédio quando sua mãe saía para trabalhar.
O garoto, que era dois anos mais velho que Dane, também morava sozinho com a mãe. No entanto, ele com certeza tinha um pai, muito embora estivesse na cadeia por tráfico de drogas. Ele já havia se gabado uma vez de ter ido visitar o pai junto com a mãe.
De qualquer forma, diante da pergunta inocente daquela outra criança, Dane teve dúvidas pela primeira vez. Pensando bem, por que eu não tenho um pai? O amigo disse com os olhos brilhando:
— O seu pai deve ter ido para a cadeia também.
— A mesma cadeia que o seu pai?
À pergunta de Dane, ele assentiu. Em seguida, apontou para uma das casas com o dedo:
— O hyung daquela casa vende armas. Quando eu crescer, vou ganhar dinheiro e comprar uma arma.
— Uma arma? Para quê?
— Eu tenho que tirar o meu pai da cadeia. Vamos fazer isso juntos!
— Tudo bem! Nós vamos salvar o meu pai também, não é?
— Claro. Aqui!
O amigo estendeu uma mão suja, misturada com terra e saliva. Dane prontamente segurou a mão dele. A mão de Dane não estava diferente. Eles apertaram as mãos um do outro como adultos e selaram uma resolução, voltando então ao primeiro assunto:
— Mas você sabe como atirar com uma arma?
Quando Dane perguntou, o amigo piscou e respondeu:
— Tem um buraquinho para colocar o dedo. Você coloca o dedo ali e faz assim, desse jeito.
A criança fez o gesto de puxar o gatilho com o dedo. Dane o observou com uma expressão fascinada.
— Incrível. Eu também, eu também. Quero comprar uma arma também!
— Seu bobo, você tem que juntar dinheiro primeiro.
Diante da bronca do amigo, Dane chupou o dedo com uma expressão de arrependimento e perguntou:
— Você tem algum?
— Eu tenho.
— Onde? Onde?
— Eu pego depois — o amigo inclinou a cabeça com arrogância e disse: — Você ganha dinheiro quando crescer. Olha só, o tio Bill logo ali só fica sentado bebendo todo dia, mas sempre tem um monte de dinheiro no bolso. Moedas desse tanto…
— Uau…
Dane piscou em admiração diante da expressão do amigo. Com aquele dinheiro, ele poderia comprar dez doces na doceria da esquina. Como o maior número que Dane conhecia na época era 10, ele pensava assim com total certeza.
— Então eu posso comprar uma arma quando crescer, certo?
Quando Dane perguntou, o amigo assentiu confiantemente:
— Claro, vamos assaltar a cadeia juntos!
— Combinado, que ótimo! — Dane gritou animado. Os dois imediatamente fizeram o formato de armas com os dedos e começaram a atirar um no outro.
— Bang, bang.
— Bang, bang, bang!
Eles estavam praticando arduamente quando, de repente, o amigo disse “oh” e abaixou a mão. Dane, que virou a cabeça, gritou com o rosto inteiramente iluminado:
— Mamãe!
Continua…
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello