Desire Me If You Can (Novel) - . ₊ Capítulo 51
Capítulo 51
Embora fosse uma pergunta tardia, quase fora de contexto, Dane não pôde evitar fazê-la. Joshua, que provavelmente já tinha antecipado a dúvida, respondeu sem hesitar:
— Claro que é sério. Você acha que eu te ligaria do nada para fazer uma brincadeira sem graça?
Dane, mesmo que de má vontade, teve que admitir que ele tinha razão. No entanto, seu rosto se contorceu em um gesto de desgosto.
— Você está louco?
Do outro lado da linha, Joshua soltou uma gargalhada. Sua risada fresca e contagiante poderia ter sido uma tentação irresistível para qualquer um, mas, infelizmente, não funcionou com Dane. Enquanto este continuava de cenho franzido, Joshua, ainda com riso na voz, acrescentou:
— Eu gostaria de dizer que estou em sã consciência, mas quem sabe, talvez você tenha razão.
A piada ambígua não provocou nenhuma resposta em Dane. A oferta era tentadora: livrar-se de um problema antes que ele se transformasse em algo pior. Joshua não era alguém que fazia as coisas pela metade, nem o tipo de pessoa que agia sem pensar. Não haveria perigo e, além disso, Joshua tinha prometido que Dane não sofreria nenhum dano. A recompensa também estava garantida. Era uma oferta em que não havia perdas, apenas ganhos. O problema era o alvo.
O maior obstáculo era que o objetivo fosse Grayson Miller. Embora não pudesse dizer que o conhecia bem, seu instinto lhe dizia que era melhor manter-se o mais longe possível daquele cara. Grayson era daquela classe de pessoas que, se guardasse o menor ressentimento, te perseguiria até a morte para se vingar. Não sabia por que Chase Miller queria fazer isso com o próprio irmão, mas uma coisa era clara: Grayson Miller não ficaria de braços cruzados. Ele já lhe causava dores de cabeça por si só, e agora se enredar ainda mais com isso?
— Esquece, eu não vou fazer.
— O quê? — A voz de Joshua soou desconcertada, mas Dane não se abalou.
— Não me convence. Não se preocupe, vou fingir que nunca ouvi nada disso.
Ele já tinha saldado sua dívida com Joshua por ter salvo sua vida no passado. Dane lembrou-se de como tinha sorte por isso. Se Joshua estivesse cobrando aquela dívida agora, ele não teria tido outra escolha senão aceitar. Certamente Joshua se arrependia profundamente de ter desperdiçado aquela única oportunidade de maneira tão casual antes.
— Dane, pensa mais uma vez.
— Não, obrigado. Estou fora.
Como era de se esperar, Joshua não se deu por vencido e tentou persuadi-lo de novo, mas Dane manteve-se firme.
— Que os Miller resolvam seus próprios assuntos. Não quero me envolver.
Diante da negativa categórica, Joshua guardou silêncio por um momento, como se estivesse refletindo. Sem dúvida, não tinha sido fácil para ele fazer essa proposta. Dane sabia disso. Ele tinha escolhido seu aliado com cuidado, e ser rejeitado de imediato devia ser frustrante. Mesmo assim, não havia razão para Dane se meter naquele lixo. Felizmente, o momento de hesitação não durou muito. Parecia que Joshua estava pesando suas palavras, buscando uma maneira de convencê-lo, mas no fim, resignado, soltou um breve suspiro e falou:
— Está bem. Cuide-se, Dane.
— Você também.
Após a breve troca de despedidas, Dane desligou o telefone. Perder a oportunidade do check-up de saúde da Darling deixou um gosto amargo, mas não havia outra opção. Tinha feito o certo. Envolver-se em algo assim só lhe traria problemas sem fim.
— Maltratar? A mim? Você acha que me maltrataram?
De repente, uma lembrança do passado surgiu em sua mente, junto com o rosto de Grayson Miller, que parecia genuinamente incapaz de compreender o que estava acontecendo. Dane ficou imóvel durante alguns instantes. Após uns segundos de silêncio, inclinou a cabeça para trás e deixou escapar um suspiro breve. Depois, como se nada tivesse acontecido, retomou seu caminhar habitual, com passos longos e decididos. Já passava de uma da manhã. Fazia tempo que devia estar dormindo. Guardou a cerveja que ia beber de volta na geladeira e dirigiu-se ao quarto. Darling o seguiu, rodeando suas pernas com movimentos suaves e curiosos. “Um ano passa rápido, não tem problema.”
Com esse pensamento, abraçou o gato e deitou-se na cama. O felino, aconchegado em seus braços, ronronou e se acomodou. Sentindo o calor daquela pequena companhia, Dane não demorou a pegar no sono.
* * * Sim, não era um ato necessário.
Instalado no carro a caminho de casa, Grayson refletia. Não tinha se passado tanto tempo assim para que os feromônios estivessem acumulados demais. Ele poderia passar alguns meses sem se preocupar com aquilo.
Foi então que percebeu algo: ter sexo por obrigação, quando não havia interesse nenhum, era uma espécie de tortura. Lembrou-se de Keith, que anos atrás havia dito: “Estou cansado de sexo”. Keith explicava que só o fazia porque, se os feromônios se acumulassem em excesso, poderiam enlouquecê-lo ou fritar seu cérebro. Agora, no entanto, Keith estava casado e tinha dois filhos. O curioso era que, apesar de sua vida libertina antes do matrimônio, Keith havia se transformado em um homem fiel e devotado, mantendo uma confiança inabalável em seu parceiro. No início, todos murmuravam que era apenas uma fase, que logo ele voltaria a ser o de antes. Mas um ano se passou, depois dois, e assim por diante. Com o tempo, os boatos mudaram: “Quem será essa pessoa que o tem tão hipnotizado depois de todos esses anos?”
Mas Grayson pensava diferente. Para ele, a transformação de Keith, aquele homem que antes vivia no excesso, era a prova de que Yeonwoo era o seu destino. Embora Keith sempre zombasse da ideia de destino, suas ações demonstravam o contrário. Agora, até mesmo Keith admitiria que toda a sua vida desenfreada não passara de um vago caminhar até encontrar Yeonwoo. Apesar de ter rido de Grayson por acreditar nessas coisas. Se antes ele já fazia sexo por obrigação, agora que não precisava frequentar aquelas festas de feromônios, devia se sentir muito aliviado.
Acelerou o carro, distraído. De repente, lembrou-se de que havia se tornado bombeiro justamente para encontrar o seu “destinado”, algo que tinha esquecido por completo nos últimos tempos.
— Imbecil impotente!
A voz de Frankie ecoou em sua mente. Ele franziu o cenho e olhou em direção à sua coxa. Como sempre, não havia nenhuma reação. A ideia de ter se tornado impotente era absurda. Havia apenas algumas semanas, não tinha tido problemas para estar com mulheres.
— Maldita hora.
Soltou um palavrão e golpeou o volante. Provavelmente era apenas uma fase, pensou, tentando diminuir a importância do fato. Um pequeno incidente sem relevância. Quando encontrasse a pessoa certa, deixaria para trás toda essa bobagem, assim como Keith. Tudo voltaria ao normal. Era o que pensava.
Sim, só precisava encontrá-la.
Embora, lá no fundo, uma voz pessimista sussurrasse que talvez não haveria reação até que essa pessoa aparecesse.
* * * …Isso era uma tremenda idiotice.
Grayson observava com o olhar perdido as costas de um homem que subia em uma escada para instalar uma casinha de passarinhos.
— Ei, Dane! Espera, acho que deveria ficar um pouco mais para a direita.
Ezra, que estava de pé a alguns passos de Grayson, gritou bem alto. Dane estalou a língua brevemente e moveu a casinha para a direita.
— Assim está bom?
— Mais, mais!
Ao ouvir Ezra, Dane murmurou algo entre dentes, mas seguiu as instruções e deslocou a estrutura ainda mais para a direita.
— Beleza, assim está perfeito!
Quando Ezra deu o sinal de positivo, outro companheiro aproximou-se e, coçando o queixo, murmurou:
— Não passou um pouco do ponto?
— Shh, cala a boca. Não vá fazer o Dane jogar essa casinha na sua cabeça.
Enquanto escutava distraidamente o sussurro dos companheiros, Grayson não desviava os olhos de Dane. O homem de cabelos ruivos e rosto atraente vestia uma camiseta de bombeiro e as calças do uniforme, fixando a casinha de passarinhos na árvore. Cada vez que movia os braços, a camiseta, ajustada pelos suspensórios, esticava, revelando os músculos de suas costas. Nesses momentos, Grayson segurava o fôlego sem perceber. Apesar dos ombros largos, a cintura dele era estreita, e ele usava aquelas malditas calças folgadas do uniforme que, pelo design, exigiam suspensórios para não caírem. Embora as calças, bem presas, não marcassem nenhuma forma em particular, os olhos de Grayson teimavam em desviar para o traseiro dele.
“Isso é ridículo”, Grayson murmurou para si mesmo.
O que ele estava fazendo ali parado, observando como um tonto o traseiro de um homem?
— Ei, Miller.
Ao seu lado, Ezra observava Dane quando, sem querer, lançou um olhar para Grayson… e sobressaltou-se. Seu olhar ficou cravado na coxa de Grayson. Grayson também sabia. Não precisava olhar para confirmar; podia sentir o peso com clareza. “Que porra, estou ficando excitado agora?”
— Er, acho que a minha visão está falhando… — Ezra gaguejou, tentando dizer algo mais.
“Fecha a maldita boca!” quis gritar Grayson, mas estava tão atônito que nem sequer conseguiu soltar um suspiro. Sério mesmo que estava ficando excitado pelo traseiro de um homem vestindo aquele uniforme folgado? Ontem ele nem sequer tinha reagido ao abraçar um ômega seminu, coberto de feromônios.
Será que a sua maldita “Virgínia” tinha enlouquecido?
De maneira absurda, às vezes ele se referia ao seu membro como “Virgínia”. Desgastado e velho, mas, ainda assim, atrevido e sem o menor senso de decoro.
Se os outros soubessem, o tratariam como um louco varrido, mas Grayson não se importava nem um pouco. Porque agora a sua “Virgínia” estava inflando, latejando de dor.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello