Desire Me If You Can (Novel) - . ₊ Capítulo 209
Capítulo 209
— Eu te amo.
Com o peito transbordando, Grayson não teve escolha senão confessar. Dane, que estava justamente levando à boca o último pedaço do bife, parou e acabou rindo, incrédulo.
— Isso é coisa que se diga de repente, no meio do jantar?
— E daí? Posso dizer quando quiser. Eu te amo.
Grayson repetiu a confissão de propósito. Dane balançou a cabeça como quem diz “esse cara não tem jeito” e mastigou e engoliu de uma vez o resto da carne.
* * *
— Eu te amo.
De repente, Grayson murmurou. Só depois percebeu que tinha dito a mesma coisa que daquela vez. Dane, que dirigia, lançou-lhe um olhar de relance e deu um sorrisinho, como sempre.
— Eu sei, idiota.
E foi só isso. Daquela vez também tinha sido assim. Ele não recebeu de volta um “eu te amo”, mas tudo bem. Grayson achava que só o fato de Dane ir com ele à Disneylândia por causa dele já bastava.
Estamos indo cobrir as lembranças ruins com lembranças boas.
Era a primeira vez que ele ia à Disneylândia desde aquela vez. Só de lembrar da última vez já doía. E ainda doía agora.
Mas, a partir de agora, seria diferente. Afinal, Dane ia criar um monte de lembranças felizes para Grayson.
— Peeeeeitos!
Grayson cantou o refrão o mais alto que pôde e deu um tapa na própria coxa com uma das mãos e, com a outra, no peito de Dane. Dessa vez, Dane também deixou passar. Pensando que aquela seria a última vez que faria vista grossa.
Na verdade, dias antes, ele tinha comprado um brinquedo novo. Claro que pretendia usá-lo em Grayson. Depois de se divertir à vontade na Disneylândia, a noite seria a hora dos adultos. Pensando em deixar Grayson, todo animado, pelado, amarrado, e dar umas palmadas na bunda dele, Dane deixou mais uma vez aquela mão atrevida estapear seu peito, plaft, plaft.
* * *
— Uaaau!
— Lindo, lindo!
— Donald, aqui! Donald!
Toda vez que um personagem passava, as pessoas gritavam de alegria. Grayson estava no meio delas. Não importava se a pessoa estava com fantasia de pelúcia ou só maquiada: ele se aproximava de todos com entusiasmo, tirava fotos, fazia poses e se divertia. Claro que Dane ficava parado bem longe dele, olhando para outro lado, como se não o conhecesse. Só não teve como não se meter quando Grayson tentou brigar com uma criança para pegar primeiro o doce que o Ursinho Pooh estava distribuindo.
— Você quer brigar com uma criança, depois de grande?
Dane balançou a cabeça, como quem acha aquilo patético. Grande era pouco. Se medissem a altura de todo mundo que estava na Disneylândia naquele dia, aquele homem com certeza estaria entre os dez mais altos. E, mesmo assim, ele brigava com uma criança que não chegava nem ao joelho dele, só por causa de um doce.
— Mas.
Grayson falou, emburrado, como se também tivesse argumentos.
— Era o último doce. Aquela criança pegou três, e eu só um.
— Um já está bom.
— Mas não sobrou o meu.
Grayson ficou sério e arregalou os olhos. Mas, para Dane, aquilo continuava sendo apenas patético.
— Eu não como doce, então tudo bem. Da próxima vez, não briga com criança.
— Mas…
Grayson piscou, desconcertado. Mas Dane, sem dar importância, saiu andando sem pressa.
— Olha a Branca de Neve ali.
— Onde?
Grayson arregalou os olhos, como se já tivesse esquecido o que acabara de acontecer. Ao ver a direção que Dane apontava, saiu correndo de uma vez, como se nunca tivesse ficado chateado. Dane, que observava as costas dele, balançou a cabeça e acabou rindo. Dava para imaginar perfeitamente o quanto Ashley tinha lutado levando seis crianças.
Seis é demais, de qualquer jeito.
Olhando para as crianças que passavam de mãos dadas com os pais, ele pensou de repente. O pensamento que surgiu do nada, porém, não desapareceu com a mesma facilidade com que tinha aparecido e ficou ali. Dane ficou parado ali por um tempo, olhando as crianças que passavam. Seres pequenos, frágeis e adoráveis.
Frágeis…
— Dane?
Ao ouvir seu nome de repente, Dane voltou a si. Quando virou a cabeça, Grayson vinha na direção dele, a alguns passos de distância. Trazia um cachorro-quente em cada mão.
— Toma, come.
— Ah, bom, tá.
Quando Dane pegou o cachorro-quente meio no embalo, Grayson lhe estendeu também um refrigerante. Os dois começaram a andar segurando um cachorro-quente numa mão e um refrigerante na outra. O parque de diversões era imenso, parecia não ter fim. Enquanto caminhavam ao longo de um grande lago, os rostos das pessoas que passavam pareciam cheios de felicidade. Comprar dois ingressos caros tinha custado uma boa grana, mas valeu a pena. Porque…
— Dane, olha aquilo!
Grayson gritou e apontou para cima. Uma escultura que representava um brinquedo olhava para eles lá do alto. No fim, Dane acabou sendo arrastado por Grayson e não teve escolha senão entrar na fila.
Eu não sou muito fã de brinquedo, mas…
Não tinha jeito. Não tinha decidido que, naquele dia, faria tudo o que Grayson quisesse? Dane tomou coragem e aguentou a fila longa a duras penas, esperando a vez deles. E, depois de esperar mais de duas horas, finalmente chegou a vez deles.
— Ai, é você! Aquele bombeiro?
A funcionária que organizava a fila de repente reconheceu Dane e ergueu a voz. Em seguida, como era de se esperar, veio a sessão de fotos. Quando ela mandou um beijo com a mão, Dane hesitou. Antigamente, ele teria sorrido e fingido pegar o beijo, mas agora hesitou. Acima de tudo, Grayson estava ao lado dele. É melhor só ficar quieto…
Mas não precisou pensar muito. Grayson ergueu a mão na mesma hora e agarrou, diante dos olhos de Dane, o coração invisível que flutuava no ar. E então, com um sorriso largo, fingiu esmagar o coração dentro do punho enorme, apertando com força, e abriu a palma. Se aquele coração existisse de verdade, com certeza teria virado pó e caído no chão. Não só Dane, mas também a funcionária arregalou os olhos e olhou para Grayson. Como se perguntassem o que era aquilo.
— Entra, anda.
Antes de passar mais vergonha, Dane empurrou Grayson para dentro depressa. No espaço apertado, com fileiras de assentos como num cinema, os dois foram até o fundo e se sentaram. Logo a barra de segurança desceu. As luzes ao redor se apagaram e uma tela se acendeu diante deles. Os protagonistas de uma famosa série de filmes apareceram e trocaram algumas palavras. Ele estava assistindo sem pensar em nada quando, no instante seguinte, de repente o espaço inteiro onde estavam sentados despencou de uma vez.
— Ah… aaaaaaaaaaaaah!
Naquele instante, pela primeira vez na vida, Dane acabou berrando a plenos pulmões, como se o mundo fosse acabar.
* * *
O falatório das pessoas vinha de todos os lados. Misturavam-se também as vozes de quem andava de um lado para outro procurando um bom lugar, talvez porque o desfile estivesse para começar. Dane estava largado num banco à sombra de uma árvore, com a cabeça inclinada para trás e os olhos fechados. Seu rosto, ao contrário do normal, estava pálido como cera. O estômago também não estava bem. Na verdade, assim que desceu do brinquedo, ele vomitou tudo — o cachorro-quente e o refrigerante que tinha comido logo antes de embarcar.
— Dane, Dane.
Ao ouvir seu nome, ele não teve escolha senão erguer as pálpebras. Grayson olhava para ele lá de cima, com uma expressão preocupada.
— Bebe água.
Dane pegou a garrafa de água que ele tinha trazido e, sem dizer nada, levou-a à boca e a esvaziou de uma vez. Grayson, como se já esperasse aquilo, pegou a garrafa vazia e lhe estendeu outra. Dessa vez, Dane bebeu só metade e pousou a garrafa.
Será que eu estou mesmo vivo agora?
Ele pensou, com o rosto abatido. Cada vez que o assento despencava, a alma e as entranhas de Dane pareciam dar as mãos e fugir juntas pela boca dele. Já fazia um bom tempo que ele tinha descido do brinquedo, mas ainda estava completamente zonzo.
— Ughhh.
— D-Dane.
Quando ele soltou mais um gemido sofrido, Grayson, aflito, sentou-se ao lado dele e perguntou:
— Você está bem? Vai vomitar de novo? O que eu faço, vamos à enfermaria?
Diante da enxurrada de perguntas, Dane ergueu uma das mãos para recusar.
— Estou bem, se eu descansar um pouco, passa.
Mas você já descansou bastante…
Grayson estava preocupado com ele, mas também não podia arrastá-lo à força. Sem alternativa, ficou sentado ao lado dele, aflito, quando Dane, que estava recuperando o fôlego com os olhos semicerrados, piscando de vez em quando, de repente deu uma risadinha.
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Continua
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello&Belladonna