Desire Me If You Can (Novel) - . ₊ Capítulo 208
Capítulo 208
— O Grayson quer pedir desculpas de verdade. Quem não aceita encontrá-lo é o Chase.
Diante das palavras de Dane, Joshua retrucou friamente:
— Esse é o ponto de vista de quem errou. Aceitar ou não é uma decisão que cabe a nós.
— Tá, você tem razão.
No fim, Dane acabou erguendo as mãos em rendição.
— O que dar de presente, eu mesmo vou pensar. Só me dá um conselho, por favor.
Era a primeira vez que ele implorava algo a outra pessoa daquele jeito. Dane não se prendia a nada nem se apegava a coisa alguma. Por isso, nunca tinha motivo para pedir favores ou se agarrar a alguém. Mas, naquele momento, não havia outro jeito.
Joshua também sabia disso, então, ao ouvir aquelas palavras, ficou desconcertado por um instante. Tudo isso só por causa de um presente? O Dane Striker?
Se não estivesse vivendo aquilo pessoalmente, teria achado que era mentira. Mas, na verdade, mesmo ouvindo com os próprios ouvidos, não conseguia acreditar. Será que a pessoa com quem estou falando ao telefone agora é mesmo o Dane Striker? Joshua chegou até a pensar se aquilo não seria algum golpe.
— …Um conselho?
Joshua perguntou de novo, como se quisesse confirmar. Dane respondeu “é” como se só estivesse esperando por aquilo. Aquilo também era difícil de acreditar. Na verdade, quando Dane mencionou namoro pela primeira vez, Joshua já tinha percebido, mas descartou a ideia pensando “não pode ser”. Era do Dane Striker que se tratava. Um homem que até transava, mas que jamais poderia ser namorado de alguém. Para Joshua, que o conhecia havia mais de dez anos, não havia como pensar de outro jeito.
E agora ele estava namorando? E ainda por cima com o Grayson Miller?
— Isso é sério, né?
Para Joshua, que acabou perguntando mais uma vez, Dane deu a mesma resposta de novo.
— É.
Não havia mais como negar. Eles tinham repetido a mesma pergunta e a mesma resposta várias vezes, e Dane nem tinha se irritado. A imagem de Grayson berrando enquanto cavava a terra com as próprias mãos para salvá-lo voltou nítida diante dos seus olhos.
…Que dor de cabeça.
Sentindo uma enxaqueca chegar, Joshua pressionou a têmpora com uma das mãos. De repente, tudo ficou cansativo demais. Pensando que precisava desligar logo, ele soltou uma solução de uma vez:
— Relembra as coisas que aconteceram entre vocês dois.
— O quê?
Diante das palavras de Joshua, Dane perguntou de volta, intrigado. Era natural que não entendesse com facilidade. Afinal, ele era o que chamam de “zero à esquerda no amor”, alguém que precisava perguntar que presente dar à pessoa com quem estava namorando. Joshua acrescentou, com calma:
— Tenta lembrar das coisas que aconteceram entre você e aquele desgraçado. Deve ter alguma lembrança especial, não? Então prepara um presente que faça essa lembrança reviver. É só fazer isso.
E então Joshua desligou sem nem se despedir. Dane ficou olhando para o celular silencioso e, de testa franzida, começou a vasculhar as lembranças. O que Joshua disse até fazia bastante sentido. Relembrar as recordações. É, não é uma má ideia. Ele apoiou a nuca no encosto do sofá, inclinou a cabeça para trás e fechou os olhos. Como um paciente diante de um hipnotizador, foi refazendo devagar o caminho das lembranças. Desde o primeiro encontro, tudo o que tinha acontecido depois, uma coisa de cada vez…
Peitos, peitos.
Dane franziu a testa e balançou a cabeça. De novo. Como foi mesmo que a gente se conheceu…?
Vênus, Vênus.
A testa de Dane se franziu ainda mais. Dessa vez, ele balançou a cabeça com ainda mais força. De novo, de novo! Desde o começo!
Virginia, Virginia.
— Mas que droga!
No fim, Dane acabou gritando e se levantou de um salto. Recordação especial é o caramba, não tem como existir uma coisa dessas! Que recordação eu posso ter com aquele pervertido desgraçado…
…Ah.
Dane, que bufava com a raiva que lhe subia, parou ao ser atravessado de repente por uma lembrança. Num instante, todas as outras lembranças desapareceram, e uma única imagem preencheu sua mente. O céu que brilhava ofuscante, o rosto de Grayson olhando para ele, as palavras que ele tinha dito — tudo vívido.
…É, é isso.
Só então Dane sentiu na pele o que Joshua tinha dito. E também o que ele próprio precisava fazer.
Extra 6
O céu sempre era ensolarado, mas, naquele dia, parecia especialmente azul. Talvez fosse só impressão. Afinal, o humor de uma pessoa às vezes faz até um furacão parecer uma brisa fresca.
Aquele dia era exatamente assim. Fazia muito tempo que não havia um clima tão agradável. Sentado no banco do passageiro do carro que Dane dirigia, Grayson cantarolava e batia no próprio colo com a palma da mão, acompanhando o ritmo. Quando Dane parava no semáforo, Grayson, como se estivesse só esperando, dava tapinhas no peito dele, tap, tap, mas, bonzinho, enquanto o carro andava, usava a própria coxa no lugar da Vênus. Claro, como ele nunca deixava passar uma oportunidade, Dane simplesmente o deixava fazer aquilo sem impedir.
— Disneylândia, que demais!
Grayson gritou, todo animado. Como ele já tinha dito certa vez, aquele era o seu lugar favorito. Quando ele era bem pequeno, a família inteira tinha ido passear lá. Infelizmente, naquela época, Ashley comeu o pão que o diabo amassou tentando controlar as crianças, que andavam para onde bem entendiam. E nem valeu o esforço: Chase e os outros irmãos mais novos eram pequenos demais e não se lembravam daquele dia. Por isso, só Grayson, Nathaniel e Stacy tinham a lembrança de terem ido a um parque de diversões como aquele. E aquela foi a última vez que todos foram juntos a um parque de diversões. Porque, no meio da confusão, quase perderam Larien.
Depois disso, Ashley construiu um parque de diversões dentro de casa. Depois de instalar todos os brinquedos que as crianças queriam, ele achou que aquilo bastava. Afinal, era um jeito de as crianças se divertirem em segurança, sem preocupação com sequestros ou raptos.
Mesmo assim, as crianças que não se contentavam com aquilo precisavam, inevitavelmente, ser levadas para fora. Uma, ou duas, no máximo três era o limite de crianças que podiam sair com eles, e, por sorte, as únicas que queriam isso eram Grayson, Stacy e Larien, então Ashley conseguia, mais ou menos, atender aos pedidos das crianças. De qualquer forma, Grayson sempre se divertia naquela terra da fantasia e voltava para casa sempre com boas lembranças.
Exceto por uma única vez.
Ao se lembrar daquela vez, o humor animado voltou a murchar. Não tinha jeito. Era a primeira vez na vida que ele experimentava um desespero tão grande.
…Mas.
Grayson lançou um olhar de relance para Dane, no banco ao lado. Pelo rosto inexpressivo, dirigindo em silêncio, era difícil saber no que ele estava pensando, mas uma coisa era certa. Ele tinha decidido ir à Disneylândia só por causa de Grayson.
* * *
— O quê? Disneylândia?
Quando Dane tocou no assunto de repente, Grayson arregalou os olhos, surpreso. Era a primeira vez que os dois conversavam sobre algo assim durante o jantar. Para Grayson, que parou com as mãos no ar e esqueceu até de partir o pão, Dane, mastigando um pedaço grande de carne, disse:
— É, você não disse que gosta?
— Disse, mas…
Grayson piscava, confuso. Embora o sangue pingasse da carne malpassada, Dane levava os pedaços à boca sem se importar. Grayson observava a cena com os olhos cheios de corações. Que selvagem, que lindo.
Mesmo sentindo aquele olhar incômodo, Dane continuou falando como se nada fosse:
— Então vamos. Não tenho nada para fazer mesmo.
Ele virou o vinho em goles grandes, como se fosse cerveja, e pousou a taça.
— Tenho que fazer alguma coisa.
Aquilo era meio verdade. Dane era alguém que tinha passado a vida inteira repetindo, até gastar a língua, que seu sonho era viver na boa vida sem trabalhar. Chegou até a comprar e raspar bilhetes de loteria várias vezes, falando sério. Embora sempre tivesse dado em nada.
Agora ele tinha muito o que fazer. Para ser exato, tinha muita coisa para curtir. Havia muitos planos, como cruzeiro, esqui e afins. Claro que Grayson ia grudar nele feito chiclete. E o primeiro item daquela agenda deslumbrante era justamente a Disneylândia.
— Lembranças ruins têm que ser cobertas por lembranças boas.
Dane disse isso para Grayson, que continuava confuso. Naquele instante, o coração de Grayson começou a bater feito louco. As bochechas esquentaram e os olhos arderam. O que é isso, afinal? Para Grayson, que pôs as duas mãos sobre o coração e respirava com dificuldade, Dane disse, sem dar importância:
— Emoção.
— Hã?
Quando Grayson perguntou, piscando, Dane, que tinha bebido o vinho para ajudar a carne a descer pela garganta, olhou para ele.
— Emoção, é o que você está sentindo agora.
— Ah…
Só então Grayson soltou uma exclamação, como quem entendeu. Ao vê-lo assim, Dane apertou os olhos e deu um leve sorriso.
— E aí, como você está agora?
Ao ver o rosto que perguntava com malícia, Grayson piscou e respondeu:
— Meu coração está batendo muito forte.
Dane deu uma risada curta. Quando Grayson ficou hipnotizado com aquele som cristalino, Dane disse, todo convencido:
— É porque eu sou incrível.
Embora achasse aquilo absurdo, o coração de Grayson continuava batendo feito louco. Talvez fosse verdade. No fim, ele acabou admitindo. Seu coração batia daquele jeito porque aquele homem era Dane Striker.
. ..𓂃 ࣪ ִֶָ🔥་༘࿐ִֶָ. ..𓂃 ࣪ ִֶָ🔥་༘࿐ִֶָ. ..𓂃 ࣪ ִֶָ🔥་༘࿐
Continua
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello&Belladonna