Desire Me If You Can (Novel) - . ₊ Capítulo 19
Capítulo 19
Parte 2: O ornitorrinco apareceu « The platypus appeared»
1
O dia estava tão radiante como sempre. Literalmente, o céu estava limpo, sem uma única nuvem. Um azul profundo e vibrante preenchia completamente o horizonte. Ao confirmar isso, Dane preparou-se cedo para ir ao trabalho.
“Hoje, aquele cara também vai trabalhar, não é?”
Enquanto se certificava no espelho de que se barbeara corretamente, Dane lembrou-se. Caso algo desse errado, ele simplesmente o nocautearia e fugiria. “Sinto muito pela equipe, mas não há outra opção. Primeiro, tenho que salvar a minha pele”. Até agora, nunca o haviam descoberto. Ele usara seus feromônios para deixar inconscientes os alfas dominantes, e eles, geralmente, não se lembravam do ocorrido. Depois, Dane simplesmente desaparecia de imediato.
Mas, com aquele cara, ele já os usara duas vezes.
De repente, lembrou-se desse fato e admitiu-o com indiferença. “É compreensível que aquele bastardo queira matá-lo”.
Preparando-se para qualquer eventualidade, Dane pegou uma mala e começou a arrumar as coisas. Queria estar pronto para pegar o essencial e fugir a qualquer momento.
— Estou indo, Darling.
Depois de dar um beijo em seu gato, saiu de casa e dirigiu-se ao trabalho em seu carro, que já tinha mais de dez anos. Enquanto dirigia, não pôde evitar sentir um pouco de nostalgia por deixar a Califórnia.
* Dane estacionou o carro no lugar designado e dirigiu-se à estação de bombeiros, mas parou ao ver um grupo de companheiros olhando fixamente para alguém com rostos cheios de ira. Seguindo os seus olhares, viu Grayson Miller apoiado no caminhão de bombeiros, conversando com alguém.
— O que está acontecendo ali? — perguntou Dane em voz baixa ao aproximar-se dos seus companheiros.
Um deles, com os dentes cerrados, respondeu:
— Exatamente o que você está vendo. Aquele bastardo está se atrevendo a paquerar a Valentina.
Valentina era a funcionária mais popular da estação. Era bonita e de bom caráter, por isso muitos dos companheiros secretamente sentiam algo por ela. Alguns até se encorajaram a convidá-la para sair, apenas para serem rejeitados com delicadeza. Com o tempo, tornara-se uma regra não escrita esperar que Valentina escolhesse alguém, mantendo, na aparência, uma boa relação entre colegas. Embora alguns continuassem a insinuar-se discretamente, tentando chamar a sua atenção.
Mas agora, aquele descarado atrevia-se a aproximar-se dela. Todos observavam a cena com olhos ardendo de ciúme e raiva. «Rejeite-o, Valentina! Faça-o com a mesma firmeza e crueldade com que nos rejeitou!» imploravam mentalmente.
No entanto, os seus desejos fervorosos não chegaram a ela. Num instante, metade dos que observavam desmoronou ao ver Valentina sorrindo e acariciando o braço de Grayson.
— Estamos perdidos, completamente perdidos!
— Não, esperem! A Valentina é gentil. Provavelmente só está suavizando o golpe antes de rejeitá-lo. Com certeza é isso!
— Em mim ela nem sequer tocou um dedo quando me rejeitou.
— Desista, se ela está tocando o braço dele, já era!
— Calem-se! Vocês desistem só porque ela tocou o braço dele? Que fracos!
Ao ver aqueles caras, completamente exaltados e discutindo por algo que nem sequer lhes dizia respeito, Dane deixou escapar um suspiro involuntário. Balançou a cabeça e dirigiu-se ao vestiário, enquanto atrás dele explodiam exclamações de assombro, gemidos e gritos curtos. Não precisava ver o que acontecia; o som dizia tudo.
— Ele tocou nela, tocou na coxa dela!
— Esperem, aquele cara é enorme! Olhem, a mão dele mal chega nessa altura. Acalmem-se!
— Ele está acariciando-a, estamos perdidos!
— Não, não é possível! A minha Valentina não cairia por um cara como esse!
— Sua Valentina? Pare de dizer bobagens!
Deixando para trás o alvoroço, Dane entrou no edifício. Não lhe importava muito o que acontecesse, mas ao ver as manobras de Grayson Miller, estava claro que este não tinha nenhum interesse nele. «Definitivamente ele não se lembra», pensou Dane, descartando qualquer preocupação. Abriu o seu armário com calma. A mala que preparara naquela manhã já não era necessária. Viajar com um gato cego e surdo não seria fácil, por isso era um grande alívio não ter de o fazer. Ou talvez todos estivessem enganados. Talvez a desculpa de procurar quem o havia nocauteado fosse apenas isso, uma desculpa, e houvesse outra razão por trás de tudo. Enfim, não era problema dele.
Ao sair com passo leve, os funcionários continuavam no mesmo lugar. Ao olhar em volta, Valentina e Grayson Miller já não estavam lá.
— Eles saíram juntos — murmurou alguém, atordoado.
— Acabou… Valentina caindo por alguém como Grayson Miller…
— Viram a expressão dela? Nunca a tinha visto sorrir assim… Nunca sorriu assim para ninguém.
— Não, todos, recuperem a sanidade! Eles só saíram juntos, não é? Talvez simplesmente estivessem indo na mesma direção! — tentou alguém, agarrando-se a um último fio de esperança, mas a única coisa que recebeu foram olhares frios e céticos.
— Você é o menos racional de todos.
— Olhe para a realidade! A mesma direção? Por favor!
— Não, talvez ele tenha razão! Estamos sendo pessimistas demais! Não é possível?
— Sim, eu também aposto que foi uma coincidência. A Valentina não é de cair por qualquer homem assim do nada!
— Exato! Nenhum de nós conseguiu, e o Grayson Miller consegue em menos de uma hora? Isso sim é irreal!
Os seus argumentos foram ganhando força gradualmente. Dane, com os braços cruzados e apoiado na parede, observava a farsa com um olhar frio. Para ele, a situação era óbvia demais. A madona do corpo de bombeiros, aquela flor no topo do penhasco, caíra diante do rosto de Grayson Miller em menos de uma hora. Tolos.
Independentemente de quão frios se tornassem os olhos de Dane, aqueles que defendiam a postura contrária começaram a ceder, um por um, ao ouvir os argumentos que atiçavam a última centelha de esperança a que se agarravam até o fim.
— Poderia… ser possível.
Enquanto se olhavam, alguém murmurou e, como se estivessem à espera, outro retomou as palavras imediatamente.
— No fim de contas, não importa que tipo de lixo o Grayson Miller seja, todos sabemos como a Valentina é, não sabemos?
Acenos de cabeça e palavras de apoio surgiram aqui e ali.
— Sim, a Valentina não faria algo assim.
— Eu confio na Valentina!
— Eu também, eu também!
Todos se agarravam à esperança, unidos como um só punho. No entanto, algumas horas mais tarde, quando viram o rosto atordoado de Valentina, que voltava arrumando o cabelo bagunçado, a sua determinação desmoronou impiedosamente. Qualquer pessoa com dois olhos podia perceber o que acontecera durante aquelas horas perdidas. E, como se fosse um golpe final, foi a própria Valentina quem puxou Grayson e o beijou. A notícia espalhou-se pelo corpo de bombeiros como um rastro de pólvora, levada por alguns funcionários que estavam lá fora revisando os caminhões. Os que esperavam na sala de operações ficaram atônitos e, finalmente, tiveram de abandonar a última centelha de esperança que ainda sustentavam. Entre eles havia alguns que, seriamente, sentiam algo por Valentina, por isso o ambiente na sala tornou-se tão sombrio que quase parecia que o mofo começaria a crescer nas paredes.
— Afinal de contas, a Valentina sempre foi um ser demasiado distante para nós.
Um deles quebrou o silêncio e, logo, palavras de concordância ecoaram por todos os lados.
— Sim, é verdade. A Valentina nunca escolheu nenhum de nós.
— Talvez o Grayson Miller não seja um cara tão mau como pensávamos.
— No fim, é a decisão da Valentina. Como companheiros, devíamos apoiá-la.
— Claro. Afinal, somos uma equipe que arrisca a vida junta.
O ambiente, embora tenso, fluiu de maneira mais ou menos suportável. Graças ao orgulho daqueles bombeiros machões que, embora feridos no amor, não queriam cair no papel de perdedores patéticos. Doía-lhes o estômago, ardiam de raiva e Grayson parecia-lhes insuportavelmente odioso, mas o que mais podiam fazer? As coisas já tinham chegado a este ponto. Sim, como alguém disse, talvez aquele cara fosse apenas um incômodo para eles, mas talvez tratasse a Valentina como uma rainha. Agarrando-se a essa ideia, esconderam a duras penas a sua amargura, deixaram para trás os seus sentimentos não correspondidos e, à sua maneira, desejaram felicidade à outra pessoa. Assim, as coisas não pareciam tão más. Até que, algumas horas mais tarde, viram Grayson Miller abraçar a cintura de outra companheira, Liz, e desaparecer na mesma direção para onde tinha ido com Valentina.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby, Othello&Belladonna