Desire Me If You Can (Novel) - . ₊ Capítulo 18
Capítulo 18
Pelo menos havia uma coisa que ele conseguira confirmar: a pessoa que procurava era uma mulher. Embora não se lembrasse de mais nada, tinha certeza de uma coisa: antes de desmaiar, vira um par de seios impressionantes. Infelizmente, não conseguia recordar nem a forma nem o tamanho.
O problema era como encontrá-la. As ômegas dominantes podiam ocultar completamente seus feromônios, passando facilmente por betas. Mas se ela liberasse seus feromônios e revelasse sua verdadeira natureza, Grayson sofreria outro choque e cairia inconsciente novamente. Seria o mesmo resultado repetidas vezes.
Com um suspiro profundo, passou as mãos com frustração pelo cabelo, bagunçando-o completamente. Tentara manter a calma, mas depois de deixá-la escapar duas vezes, já não podia se dar ao luxo de ser paciente. Tinha que encontrá-la. E rápido. Mas havia algo ainda mais importante.
O que deveria fazer para não perdê-la de novo?
Não lhe ocorria nenhuma resposta. Frustrado, franziu o cenho, mas então algo cruzou sua mente.
Claro, aquele cara poderia…!
Grayson acelerou o carro imediatamente. O superesportivo cruzou a escuridão, devorando a estrada vazia.
* — Darling.
Toc, toc, toc.
Assim que entrou em casa, o gato saiu para recebê-lo, como se estivesse à sua espera. Dane o levantou sem hesitar, acariciando suavemente seu corpo enquanto lhe dava um beijo no nariz. O gato, em resposta, esfregou o rosto contra o peito de Dane, como se estivesse prestes a ronronar, e então encostou seu pequeno e frio nariz nele.
— Espere, já vou colocar água para você.
Darling, como se entendesse cada palavra, balançou a cauda e miou brevemente. Deixando o gato, que subira naturalmente em seu ombro, Dane começou sua rotina após chegar em casa. Trocou a areia do gato, colocou água fresca e lhe deu um petisco. Satisfeito, o gato começou a se lamber desajeitadamente. Dane deu uns tapinhas suaves no traseiro dele e dirigiu-se ao banheiro. Agora era o seu momento.
— Ahhh.
Depois de tomar banho, sentou-se no sofá com uma cerveja. Como se estivesse esperando por ele, Darling se aproximou. O gato, resgatado de um incêndio, tinha um olho cego e era surdo de um ouvido. Mesmo assim, sempre encontrava Dane onde quer que estivesse e se aninhava ao lado dele.
Desta vez não foi diferente. O gato esfregou-se em suas pernas e miou até que Dane, com familiaridade, o levantou e o colocou sobre os joelhos. Enquanto acariciava lentamente o gato, que se acomodou confortavelmente, Dane mergulhou em um descanso relaxante. De repente, lembrou-se do incidente absurdo de algumas horas atrás.
Aquele cara está me procurando?
Será que ele percebeu que desmaiou pelo choque de feromônios? Até agora, ninguém havia descoberto.
As coisas estavam se complicando. Se soubesse, não teria usado seus feromônios hoje. Dane soltou um gemido frustrado.
— Maldito idiota, por que ficou olhando?
Embora tenha praguejado em voz alta, nada mudava. As probabilidades de Miller se lembrar dele ao acordar eram de cinquenta por cento. E se o descobrisse… Dane estalou a língua com fastio. Se isso acontecesse, sempre poderia se mudar para outro estado. Tinha muitos lugares para onde ir e estava pronto para partir a qualquer momento. Só precisava de uma mala, uma caixa de transporte para Darling e seu carro velho. Com isso, podia ir para qualquer lugar.
— Melhor irmos dormir, Darling.
Levantou o gato, que estava sobre suas coxas, e pôs-se de pé. Darling, como se estivesse esperando, esfregou a cabeça contra o rosto de Dane. Ele subiu as escadas de dois em dois degraus e foi para o quarto. Como sempre, Darling acomodou-se ao seu lado na cama, e ambos caíram em um sono profundo em pouco tempo.
* Keith Night Pittman não estava de bom humor. Qualquer um reagiria da mesma forma se, no meio de um sono profundo, um intruso invadisse a tranquilidade de sua mansão e não tivesse outra escolha senão recebê-lo em vez de expulsá-lo. Com uma densa aura de feromônios desagradáveis emanando de seu corpo, Keith franziu o cenho enquanto observava o homem sentado à sua frente na sala de estar.
— Grayson Miller, você tem ideia de que horas são?
— Duas da manhã.
Grayson respondeu sem se abalar. As sobrancelhas de Keith ergueram-se bruscamente, mas logo ele suspirou, fechou os olhos e massageou a testa.
— Então, o que te traz aqui a esta hora? Eu estava dormindo.
Neste ponto, o normal seria Grayson soltar alguma bobagem com um sorriso falso, como falar do bom tempo ou dizer que de repente pensou em Keith. Mas hoje era diferente. Seu rosto, frio e sério, era prova disso. O fato de Grayson, sempre com um sorriso fingido, mostrar sua verdadeira expressão não era um bom sinal.
— Tenho uma pergunta.
— Diga. E depois vá embora.
As últimas palavras saíram como um rosnado. Keith parecia estar rangendo os dentes, mas Grayson não lhe deu atenção e perguntou:
— Você sabe como detectar um ômega dominante?
— O quê?
As rugas na testa de Keith se aprofundaram. Grayson, sentindo o olhar de Keith que parecia questionar por que ele estava dizendo asneiras no meio da noite, passou a mão pelo cabelo com impaciência.
— Não tenho mais ninguém a quem perguntar. Então me diga, você sabe?
O que Keith e Grayson tinham em comum era que ambos haviam sido criados por pessoas com as mesmas características: ômegas dominantes. Mas a única pessoa que poderia responder à pergunta de Grayson era Angel, o ômega dominante que trouxera Keith ao mundo. Ao contrário de Koi, Angel desaparecia constantemente, e os alfas dominantes, incluindo o pai de Keith, sempre o encontravam e o traziam de volta. Até agora, para Grayson, tudo isso não passava de um espetáculo interessante. Afinal, era algo que acontecia com os outros. Mas desta vez era diferente. Agora que ele estava nessa posição, a ansiedade era indescritível.
Olhando para Grayson, Keith, com o cenho ainda franzido, respondeu:
— Não, não há como.
O rosto de Grayson perdeu toda a cor. Keith, que acabara de esmagar impiedosamente sua única esperança, olhou para ele com sarcasmo. Embora nunca tivesse sido de temperamento doce, agora que estava de mau humor, suas palavras foram ainda mais diretas.
— Por que você não usa o cérebro? Se existisse uma maneira, você acha que meus pais teriam passado por tanto sofrimento?
Era uma afirmação tão certeira que não havia espaço para réplicas. Ao perceber que sua única ideia era inútil, Grayson sentiu pela primeira vez uma sensação de desesperança. Fechou os olhos, inclinou a cabeça para trás e deixou escapar um suspiro abafado. Keith, observando-o, fez uma pausa antes de acrescentar:
— Você também sabe. Quando um ômega dominante se excita durante o sexo, aparecem manchas sobre a pélvis dele.
Ao ouvir o tom pausado de Keith, Grayson olhou-o fixamente. Por que não pensara nisso antes?
Não, mesmo que tivesse visto, não se lembraria. Tudo o que restava em sua mente era a lembrança de quão incrivelmente fascinantes eram aqueles seios. Grayson engoliu com dificuldade outro suspiro que ameaçava escapar.
— Não há como induzir um ciclo de cio em um ômega dominante?
Afinal, Keith era a única pessoa de quem ele poderia obter informações. Diante da pergunta de Grayson, Keith soltou uma risadinha debochada e respondeu:
— Você precisaria de cinco alfas dominantes. Acha que consegue?
Grayson franziu o cenho e guardou silêncio, mas Keith deu de ombros com indiferença.
— Agora você entende por que Angel tem cinco alfas dominantes.
— Uff.
Desta vez, Grayson não pôde conter o suspiro. Massageou a testa, como se estivesse com dor de cabeça, e murmurou para si mesmo:
— Não resta outra opção. Terei que descobrir fazendo sexo.
— Não é uma má ideia.
Keith concordou. Afinal, deitar-se com qualquer um era algo que Grayson fizera a vida toda. Poderia suprimir seus feromônios e encontrar seu par, o que seria unir o útil ao agradável.
— Você me foi de grande ajuda, obrigado.
Grayson levantou-se de seu assento e despediu-se, mas Keith franziu o cenho e resmungou:
— Não volte a aparecer assim sem avisar. Você é um incômodo inacreditável.
Embora dissesse isso, Keith sabia muito bem que, se Grayson precisasse de mais alguma coisa, voltaria a aparecer da mesma maneira. E, como era de se esperar, Grayson não prometeu nada; em vez disso, semicerrou os olhos, esboçou um sorriso peculiar e olhou-o fixamente. Enquanto observava pela janela o carro de Grayson se afastar da mansão, Keith pensou: “Talvez eu devesse me mudar para o leste”.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby, Othello&Belladonna