Desire Me If You Can (Novel) - . ₊ Capítulo 16
Capítulo 16
Grayson continuava sorrindo, mas os funcionários que o olhavam sentiam um suor frio escorrendo por suas costas.
— Não, sério, nós não sabemos…
— O que você quer que a gente diga? Como vamos lembrar quem fez o quê no meio daquele caos?
— Exato, quando o trabalho termina, acaba ali. Não ficamos analisando quem fez certo ou errado. Se alguém cometeu um erro, buscamos como evitar que aconteça de novo, sem culpar ninguém.
Todos soltaram discursos razoáveis, mas Grayson não estava minimamente interessado. Sua atenção estava voltada apenas para uma coisa: quem era aquele — ômega dominante — que o havia deixado inconsciente borrifando-o com feromônios.
— Então, esta é a equipe toda?
Grayson apontou com o dedo, insistindo em sua pergunta, e Wilkins, com cara de tédio, respondeu:
— Sim.
— Ah, falta o Dane.
As palavras de alguém fizeram todos voltarem o olhar para ele. Enquanto os companheiros o fuzilavam com o olhar, Grayson murmurou:
— Dane?
Ao mencionar o nome, arqueou levemente uma sobrancelha. Outro membro da equipe, rindo entre dentes, respondeu:
— Sim, o cara que quase quebrou sua cabeça com um extintor.
Risos contidos explodiram aqui e ali. Grayson também riu, mas seu olhar continuava gélido.
— Ele apenas tentou, mas não acertou.
— Ah, que pena. Ele poderia ter conseguido.
O homem que soltou o comentário com um tom de falsa lamentação recebeu um sorriso direto de Grayson, que acrescentou:
— Eu também acho.
Não era preciso perguntar o que aquela frase implicava. No meio do ambiente que congelou de novo, Grayson terminou sua cerveja e deu uma olhada no grupo.
— Com licença um momento.
Enquanto Grayson se afastava em direção ao banheiro, todos o seguiram com o olhar, absortos por um instante.
— Por que esse cara está procurando o Dane?
Ezra foi o primeiro a falar, e os outros, como se estivessem esperando, lançaram-se com perguntas.
— Ezra, o que aconteceu naquele momento? Nós te apoiamos, mas precisamos saber.
— Hoje não foi a primeira vez que ele viu o Dane? Ele não estava fora de si naquele momento? Não teria havido oportunidade de conversar.
— Que diabos aconteceu para esse cara vir até aqui com os dentes cerrados? Diga-nos, precisamos saber para poder reagir!
— Esperem, esperem um momento.
Sobrecarregado pelas perguntas, Ezra levantou as mãos, tentando acalmar a todos. Sob o olhar expectante de seus companheiros, sua expressão tornou-se desconfortável.
— Eu também não sei bem. Cheguei ao local com vocês.
— Eu não estava lá dentro. Explique com mais detalhes.
Wilkins estava dirigindo as operações do lado de fora naquele momento. Se soubesse que as coisas terminariam assim, teria entrado pessoalmente. Embora tivesse ouvido os relatórios após o incidente, os detalhes sobre quem resgatou quem geralmente não tinham importância. Agora, porém, sentia que não tinha ideia do que estava acontecendo em sua própria equipe.
— Er… bem, segui o Dane lá para dentro, e lá estava esse cara e outras duas vítimas. Vocês sabem, aqueles gêmeos loucos… Os dois já estavam fora de si, mas esse cara parecia estar bem. De repente, os outros dois começaram a se alvoroçar, e foi um caos…
— E então?
Wilkins, incapaz de conter sua impaciência, o pressionou. Ezra, com o rosto contorcido, apontou na direção em que Grayson havia desaparecido.
— De repente, esse cara desmaiou.
— O quê? Por quê?
— De repente?
Diante da declaração inesperada, todos reagiram da mesma maneira. Ezra também se sentiu desconfortável e balançou a cabeça.
— Não sei, não tenho ideia de por que aconteceu. Eu não vi, mas acho que foi o Dane que fez.
— O Dane? Como?
Alguém demonstrou curiosidade, e outra voz, como se tivesse lembrado de algo, continuou:
— Ah, agora que você mencionou, não diziam que o Dane esteve no exército?
— Sim, ele foi até enviado para o Oriente Médio.
Com isso, todos tiveram a mesma ideia: sem dúvida, ele havia usado alguma técnica especial que aprendeu no exército.
— Você não viu no YouTube como golpeiam o pescoço para deixar alguém inconsciente?
Um deles fez um gesto com a mão, imitando um golpe, e outro compartilhou seu conhecimento:
— Dizem que se você apertar bem aqui, também pode deixar a pessoa inconsciente.
— E deve haver mais técnicas, não? Ele recebeu treinamento especial, afinal de contas.
Os presentes assentiram alternadamente, formando um consenso.
— Enfim, quando esse cara desmaiou, os outros dois também se acalmaram um pouco… Nós os tiramos separadamente, e o Dane e eu o jogamos pela janela.
— …Você acha que o método para deixá-lo inconsciente causou algum dano cerebral?
— Não, vendo a personalidade dele, provavelmente só está furioso por ter sido golpeado.
— Sim, isso explicaria por que o Miller está procurando o Dane.
— Então ele está procurando a pessoa que o golpeou. Esse “agradecimento”, na verdade, significa vingança, não é?
Alguém disse isso, e Ezra interveio:
— Por isso tentei esconder. Depois do que aconteceu hoje, se ele descobrir que foi o Dane quem o deixou inconsciente, com certeza vai tentar matá-lo de verdade.
Enquanto todos assentiam, um deles objetou:
— Mesmo para um Miller, seria difícil sair impune de um assassinato.
— Se é um Miller, ele tem mil formas de conseguir o que quer sem precisar de força física.
A objeção logo desapareceu. No final, todos concordaram em uma coisa: aconteça o que acontecer, jamais revelariam que a pessoa que Grayson buscava era o Dane. Juraram pela lealdade ao companheiro, mesmo à custa de suas próprias vidas.
* “Que idiotas.”
Grayson cruzou o salão com expressão rígida, dirigindo-se a um banheiro afastado. Era evidente que estavam escondendo algo. Deveria pegá-los um por um e quebrar seus dedos? As ideias eram muitas, mas não havia garantia de que confessariam a verdade. Inúmeros estudos demonstravam que a tortura não era eficaz para obter confissões. A menos que fosse por hobby ou prazer, não valia o esforço. Para Grayson, o mais importante era a verdade. Se não ajudasse a obtê-la, não queria perder tempo com bobagens. No final, só restava esperar.
Não era como se não tivesse antecipado essa situação. Por acaso não era essa a razão pela qual havia se tornado bombeiro? Se observasse de perto, cedo ou tarde descobriria algo. Ao pensar nisso, apesar da hora avançada, não sentia cansaço. Finalmente, poderia encontrar seu destino. Só essa ideia bastava para que sua irritação desaparecesse, enchendo seu corpo de energia.
Embora sempre fracassasse, repetidas vezes ele se deixava levar pela expectativa. Esses momentos em que imaginava alguém se aproximando eram os mais felizes de sua vida. Talvez não conseguisse dormir bem até encontrar aquele — ele — do destino. Mesmo assim, não se sentiria cansado. Grayson estava diante do momento mais importante de sua vida.
Justo agora.
Ao abrir a porta assobiando, algo captou sua atenção. Uma mulher apoiada contra a parede, inclinada e gemendo, e atrás dela, um homem movendo os quadris e… Peito.
Grayson ficou imóvel, sem piscar, cravando o olhar nos grandes e firmes peitos do homem. A cada movimento, aqueles peitos se tensionavam e depois relaxavam, em um ciclo hipnótico. Grayson perdeu a noção do tempo, observando como os músculos se contraíam e relaxavam.
O corpo do homem era como uma escultura bem esculpida. Tinha abdominais definidos e seu pênis grosso aparecia sob eles para logo desaparecer. Os dois estavam conectados, e o homem segurava a mulher com uma mão no peito dela e a outra na cintura, empurrando para dentro.
Grayson percebeu vagamente que havia confundido o depósito do local com o banheiro. Embora tenham sido apenas alguns segundos, demorou a lembrar que estava observando duas pessoas fazendo sexo, ou mais precisamente, o homem investindo contra a mulher com total entrega. De repente, o homem virou a cabeça. Seu rosto, levemente avermelhado pelo sexo, entrou no campo de visão de Grayson. Seu cabelo ruivo e olhos azuis gravaram-se em sua retina. Seu cenho bem formado franziu-se com irritação.
Ah.
As memórias pararam ali.
Continua…
⌀ ⌀ ⌀
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby, Othello&Belladonna