Desire Me If You Can (Novel) - . ₊ Capítulo 12
Capítulo 12
Com um toque de inquietude, o chefe retornou ao seu escritório. No momento em que sua figura desapareceu por completo da vista, os homens restantes voltaram seus olhares para Grayson. Seus rostos, tensos como se estivessem diante de um criminoso perigoso, observavam-no com firmeza de onde estavam parados.
Uns com os braços cruzados e outros com as mãos na cintura; independentemente da pose, suas expressões transbordavam uma insatisfação escancarada. O breve momento de fascinação que haviam sentido diante de sua beleza incomum agora se transformara em desprezo por si mesmos, alimentando ainda mais a hostilidade que havia atingido seu ápice. Em um silêncio cortante, o ar da sala tornou-se cada vez mais denso. Finalmente, como se tentasse assumir o controle da situação, um dos homens deu um passo à frente e, olhando Grayson de cima a baixo, soltou uma pergunta em voz baixa, mas carregada de sarcasmo:
— A partir de hoje você é bombeiro? Você?
Outro homem, como se estivesse apoiando o primeiro, acrescentou com um tom áspero:
— Como você chegou aqui? Todos nós passamos por testes. Você não deveria fazer o mesmo?
— Exato, testes físicos. Isso é o básico — interveio rapidamente outro, sem dar espaço para respirar.
Um após o outro, começaram a falar, sem perder a oportunidade de interromper e lançar seus comentários:
— Quando há um incêndio, temos que carregar equipamentos pesados e correr em direção ao perigo. Você acha que consegue fazer isso?
— Você chega do nada e quer ser um de nós? Nem em sonhos.
— Somos uma equipe. Se um novato como você entra e estraga a dinâmica, todos podemos morrer. Ei, você está me ouvindo?!
— Responde, maldito! Está surdo?
Os homens explodiram em gritos de frustração, mas Grayson não mostrou nenhuma reação. Com uma expressão indiferente, olhou para além deles e, de repente, se moveu. Ao verem que ele tentava ignorá-los e passar direto, explodiram de raiva e bloquearam seu caminho novamente.
— Esse maldito está nos ignorando?
— Onde pensa que vai sem permissão?
— Caia fora daqui! Este não é um lugar para alguém como você.
Os homens agitavam os punhos diante do queixo de Grayson, transbordando fúria. Ao ver-se obstruído, Grayson franziu a testa e, finalmente, soltou um suspiro profundo. Até aquele momento, os homens continuavam cheios de arrogância. “Esse cara finalmente está cedendo”, pensaram. “Com certeza! Somos os bombeiros que protegem esta zona. Acha que pode nos enfrentar?”
Diante deles, Grayson deixou cair os ombros como se estivesse completamente desanimado. Com uma voz fraca e quase inaudível, murmurou:
— Ah… Eu odeio caras feios…
Embora tenha murmurado como se falasse consigo mesmo, suas palavras foram claramente direcionadas a todos os presentes. Um silêncio gelado caiu sobre a sala. Os homens, que até então estavam gritando e fazendo barulho, ficaram paralisados, como se alguém tivesse lhes golpeado a nuca. Em um instante, Grayson pareceu perder toda a sua energia. Com uma mão tapando a boca, como se estivesse prestes a vomitar, e respirando profundamente, sua atitude acendeu uma chama de fúria no peito daqueles que o observavam.
— O que você disse? Ei, seu maldito bastardo!
— Porra, você quer morrer?! Vamos, lute agora mesmo!
— Eu vou te matar, filho da puta! Como se atreve a falar assim?
— Vem, covarde! Vem, eu vou te fazer em pedaços!
Entre insultos, alguém lançou um soco e, como se fosse um sinal, todos se lançaram sobre Grayson. Ao vê-los, Grayson franziu a testa e parou. Surpreendentemente, quando soltou um suspiro e seu rosto se encheu de desdém, os homens hesitaram por um momento. Então, ele murmurou, quase como se estivesse reclamando:
— Ah… Eu odeio tocar em gente feia…
Em um instante, a ira dos homens estourou.
— O quê? De novo esse maldito bastardo!
— Matem-no, vamos matá-lo agora mesmo!
— Não vou te deixar em paz, maldito!
O homem que estava mais perto, com as veias do pescoço saltadas, lançou um soco. Já não se tratava do orgulho de serem bombeiros. Apenas o desejo de dar uma surra naquele arrogante e lhe ensinar uma lição preenchia seus corações. Lamentavelmente para eles, Grayson esquivou-se do golpe com um simples giro do corpo. O punho do homem cortou o ar, fazendo-o cambalear e, enquanto reajustava sua postura, outro homem avançou. Desta vez foi um chute. O pé voou em direção à coxa, mas Grayson o evitou com um simples passo atrás. A mesma cena se repetiu repetidas vezes, mas os homens não desistiram. Pelo contrário, com os olhos cheios de determinação, investiram com mais ferocidade, decididos a derrubá-lo.
No entanto, Grayson começou a ficar entediado. Irritava-o perder tempo com algo tão trivial, e preocupava-o que, enquanto enfrentava esses idiotas, estivesse perdendo um tempo valioso para encontrar “ela”, a mulher do seu destino.
Foi então que, enquanto esquivava de outro soco, Grayson viu “aquilo”. Uma ferramenta de bombeiro, um pé de cabra geralmente usado para abrir portas trancadas, mas que para ele sugeriu um uso diferente.
No momento em que o punho de um dos homens atingiu seu estômago com um som surdo, Grayson agarrou a barra de ferro.
— Oh.
O homem ficou momentaneamente atordoado, incapaz de assimilar a realidade de que havia golpeado Grayson, que estivera esquivando dos golpes com destreza. Uma sombra pairou sobre ele e, ao levantar o olhar inconscientemente, viu Grayson abrir a boca, com um sorriso que iluminava seu rosto.
— Agora é legítima defesa.
Antes que pudesse reagir, uma barra de ferro cruzou o ar. O homem caiu no chão sem sequer ter tempo de gritar. Os outros homens, ao verem a cena, hesitaram por um instante, mas não havia tempo para dúvidas. Quando finalmente compreenderam que Grayson Miller se deixara golpear de propósito, já era tarde demais: a barra de ferro havia encontrado seu próximo objetivo.
O que se seguiu foi uma surra unilateral. Os homens tentaram se recompor e atacar Grayson, mas nem sequer conseguiram tocá-lo. Braços, cinturas, costas, tudo era golpeado sem controle. Felizmente, não atingiu a cabeça deles, mas os impactos em seus corpos não eram menos dolorosos. Enquanto um caía gritando, outro se lançava à frente, apenas para ser derrubado por sua vez, enquanto o primeiro se levantava cambaleante para tentar de novo. A essa altura, qualquer ideia ridícula de ensinar modos a Grayson Miller havia desaparecido. O que lhes restava era um orgulho ferido e a teimosia de não quererem cair derrotados de maneira tão patética.
Apesar do desespero deles, Grayson não arquejava nem parecia cansado. Seus movimentos com a barra de ferro eram precisos, calculados, até elegantes.
— Esse monstro — praguejou entre dentes o primeiro homem que tentara atacá-lo. — Ele poderia nos matar.
Um calafrio de terror e uma premonição sinistra o percorreram. Não, não era apenas uma possibilidade. Talvez não naquele momento, mas cedo ou tarde, aquele cara mataria todos eles. No instante em que essa ideia cruzou sua mente, a barra de ferro o atingiu. “Não aguento mais. Este é o meu fim?”, pensou o homem, fechando os olhos.
Crash!
Um som estrondoso ressoou, mas parecia vir de longe, como se não fosse o seu corpo que o emitia. O homem ficou paralisado.
Ao abrir os olhos lentamente, uma cena inesperada entrou em seu campo de visão. Alguém havia golpeado as costas de Grayson Miller com uma cadeira. Ao ver o homem de cabelos avermelhados segurando um dos pés quebrados da cadeira, ele não pôde evitar soltar um suspiro de alívio.
— Dane…!
Como se tivesse encontrado seu salvador, pronunciou seu nome. Em seu campo de visão, Grayson Miller virou-se lentamente, com o cenho franzido. Seus olhares se encontraram no ar: olhos roxos cheios de desagrado diante de olhos azuis igualmente irritados. Dane, que havia jogado fora os restos da cadeira, franziu a testa com força.
— Quem é você?
Com um estalo, Dane inflou e estourou o chiclete que mastigava, cravando seu olhar no desconhecido que acabara de causar tanto alvoroço.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby, Othello&Belladonna