Desire Me If You Can (Novel) - . ₊ Capítulo 101
Capítulo 101
Grayson estava sentado do outro lado da mesa com o rosto cheio de descontentamento. A marca vermelha de uma mão ainda se destacava em uma de suas bochechas. Ele esfregou o local e resmungou:
— Querido, a sua mão é muito pesada.
— Eu te avisei para parar…
Dane cerrou os punhos sobre a mesa, o corpo tremendo enquanto trincava os dentes. Ele não tinha saído na varanda no dia anterior, então não sabia. Não sabia que aquele espaço era interligado com o quarto ao lado.
Qual era o sentido de trancar a porta quando a varanda ficava escancarada?
A ideia de que aquele desgraçado tinha fingido descaradamente não saber de nada — mesmo estando totalmente ciente do fato — e ainda tinha resmungado por ele ter trancado a porta no dia anterior fazia seu sangue ferver.
Grayson, que estava prestes a falar algo novamente, fechou a boca diante do olhar feroz de Dane, mas sua expressão de insatisfação não mudou. Onde aquele bastardo tinha aprendido a ser tão cínico? Dane estava estupefato, mas logo se acalmou. Aquilo era apenas uma encenação daquele idiota. Não havia necessidade de morder a isca. Mais do que tudo…
“Se eu me estressar com cada coisinha, não chego à velhice.”
Mas mesmo pensando assim, as palavras saíram involuntariamente:
— Que porra de varanda é aquela?
Grayson respondeu imediatamente ao resmungo irritado:
— Romeu e Julieta…
— Cala a boca.
Grayson calou-se num piscar de olhos sob o olhar cortante de Dane. Ele ainda parecia contrariado, mas Dane o ignorou e olhou para a mesa, empalidecendo.
Mesmo se ele tivesse sido convidado para um banquete de gala, não haveria tanta comida. Havia cinco tipos de suco de fruta — tomate, limão, kiwi, laranja e mirtilo, e até de couve —, além de iogurte e leite, que eram o básico, e dez variedades de pães, desde folhados até pão de forma. As geleias para as panquecas tinham cores diversas, e Dane nem teve coragem de contar quantos xaropes estavam ali do lado.
O bacon tinha sido preparado de várias maneiras — malpassado, aferventado e bem crocante — e o mesmo valia para os ovos. E quantos tipos de omelete havia ali? Ver vários bifes de carne alinhados de acordo com o ponto de cozimento o deixou enjoado antes mesmo de comer.
Grayson sorriu radiantemente para Dane, que apenas encarava com o rosto pálido a quantidade absurda de comida que lotava a mesa.
— É a sua primeira manhã na nossa casa, então preparei algo especial.
— Ei…
Dane sentiu uma tontura por causa de uma dor de cabeça latejante. Quem come tanta comida assim de manhã? Até então, ele comia no máximo um pedaço de torrada e tomava café, e às vezes nem isso.
Dane não pôde evitar soltar um suspiro atrás do outro. Não sabia por onde começar. Não fazia nem uma hora que tinha acordado, mas já sentia como se tivesse corrido por cinco incêndios, e o cansaço tomava conta de todo o seu corpo. Ele falou com a voz exausta:
— Só um café está bom.
— Expresso? Descafeinado? Americano? De qual grão você gosta? Do Brasil, do Quênia…
— Café.
Dane respondeu trincando os dentes. A única coisa que Dane gostava em Grayson era que ele era perspicaz. Dessa vez, ele não perdeu tempo; levantou-se rapidamente e voltou com uma xícara de café forte. Dane admirou internamente o aroma fragrante que nunca tinha sentido antes e levou a xícara aos lábios.
— Ah…
Ele sentiu a tensão de seu corpo se dissipar e seus nervos relaxarem. Não pôde deixar de pensar que aquilo sim era um café de alta qualidade. Até então, ele tinha preguiça demais para usar uma cafeteira e tomava café instantâneo, ou, no máximo, passava no drive-thru de alguma cafeteria a caminho do trabalho. Ele achava que café servia apenas para despertar e que aquela história de curtir o aroma e o sabor era pura bobagem.
— Que café é esse?
Grayson respondeu todo animado quando Dane perguntou surpreso:
— Cocô de gato…
— Chega.
O rosto de Grayson logo se encheu de insatisfação ao ser proibido de falar de novo, logo agora que finalmente tinha conseguido dizer algo. Dane olhou para o café que acabara de saborear com uma expressão distorcida, mas logo se rendeu e voltou a beber. Ele hesitou por um momento antes de levar a xícara aos lábios novamente.
Ele sempre dormia com calças de algodão velhas ou calças de moletom, e dessa vez estava sem camisa, como de costume. Dane, que estava sentado à mesa vestindo apenas a parte de baixo, tomando café e acordando o cérebro como sempre fazia em casa, franziu o cenho ao perceber de repente que Grayson o encarava fixamente.
— O que foi? Por que você não está comendo e só fica me olhando? Quer saber, deixa para lá.
Dane se arrependeu imediatamente de ter aberto a boca. Ao ver a reação de Grayson, cujos olhos brilharam por um instante antes de disfarçar, ele teve certeza de que seus pensamentos estavam certos.
“Aquele desgraçado, o que ele está querendo comer?”
Mesmo pensando aquilo, Dane sutilmente se sentou de lado e tomou seu café enquanto cobria o peito com os braços o máximo que podia. Estava tão quente que parecia que sua boca ia queimar, mas ele não se importou e virou o resto da bebida de um gole só antes de dar um pulo da cadeira. Ele estava prestes a se virar e ir para o quarto quando Grayson falou de repente:
— Ah, tem uma coisa que eu não te contei ontem.
Com um olhar de “o que é agora?”, Dane relutantemente virou o rosto para ele, e Grayson acrescentou em um tom leve:
— Tem um cachorro no jardim.
— Um cachorro?
— É.
Grayson assentiu e continuou:
— O Alex já está velho, então não é mais tão rápido quanto antes. Ele parece assustador, mas é um cara manso, então você não precisa se preocupar. O Darling vai ficar dentro de casa de qualquer forma, e o Alex fica do lado de fora.
Dane ficou parado por um momento. Grayson esperou, curioso com a atitude dele, como se ele tivesse algo a dizer, mas estivesse hesitando se devia falar ou não.
Olhando para Grayson, Dane estava em um conflito interno. Ele pensou que, se o cachorro já era velho, precisaria de muitos cuidados, então não seria bom deixá-lo no jardim, mas não tinha certeza se seria intromissão dizer aquilo. Se fosse assunto de outra pessoa, ele teria ignorado, mas como se tratava de um animal, ele não conseguia evitar o incômodo.
“Ele tem muito dinheiro, então deve estar cuidando bem dele, por que eu deveria…”
Ele não ia ficar por muito tempo mesmo, então não era uma boa ideia se envolver. Pensando por esse lado, ele tomou uma decisão e assentiu:
— Tudo bem. Tem mais alguma coisa que você esqueceu?
— Hum, não que eu me lembre agora.
Dane o encarou novamente, como se perguntasse o que aquilo significava. Grayson sorriu casualmente e respondeu:
— Quero dizer que não consigo pensar em nada neste momento. Te aviso se tiver mais alguma coisa.
— …Tá bom.
Dane parou por ali e recuou por enquanto. Já estava se aproximando da hora do seu trabalho. Ele não tinha tempo a perder, então voltou imediatamente para o quarto e começou a se arrumar. Durante a noite em que Dane dormiu, Darling pelo visto tinha feito suas necessidades e comido. Depois de acariciar o gatinho, que estava encolhido na caixa de transporte de novo, e abastecer o espaço com comida e água, ele saiu do quarto. Ele não se esqueceu de fechar todas as janelas e portas, inclusive as do quarto, antes de sair.
Após checar as portas fechadas várias vezes, ele se virou e imediatamente deu de cara com os olhos de Grayson. Dane abriu a boca, sentindo-se dar um passo para trás no automático:
— Não me diga que estava me esperando?
— E por que não estaria? Nós somos namorados, então é claro que temos que ir trabalhar juntos.
Ao ver Grayson responder como se aquilo fosse o óbvio, Dane sentiu sua visão escurecer. Isso não ia dar certo. Ele precisava bolar um plano.
Agora mesmo.
— Espera um pouco, eu preciso estabelecer algumas condições para ficar nesta casa.
Grayson, que estava prestes a se aproximar animado, parou quando Dane estendeu uma das mãos e falou. Dane declarou a ele em um tom severo:
— Nós vamos e voltamos do trabalho separados, e você não vai ficar atrás de mim por mais de 3 horas por dia. Essa é a minha condição.
Grayson olhou para ele com o rosto totalmente sem reação. O silêncio reinou entre os dois.
— Você está brincando?
Grayson foi o primeiro a quebrar o silêncio. Com o rosto sorridente de sempre, mas com aquela mesmíssima expressão que Dane sempre achava desconfortável. Claro, a resposta de Dane foi firme:
— É claro que estou falando sério, seu idiota. Eu já brinquei com você alguma vez?
Imediatamente após soltar as palavras de forma irritada, ele hesitou. Porque Grayson estava com uma expressão arrasada no rosto, como se o mundo dele tivesse desabado.
Continua…
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello