Desire Me If You Can (Novel) - . ₊ Capítulo 39
Capítulo 39
Faz cerca de uma hora, chegou o chamado de um gato preso em uma árvore, incapaz de descer. Dane, que costumava bocejar e checar os equipamentos com uma expressão de tédio, subiu no veículo imediatamente, algo muito incomum. Grayson, sem entender direito o porquê, seguiu-o sem pensar duas vezes. Foi um ato quase instintivo e, antes que se desse conta, já estavam a caminho.
Ninguém comentou sobre a presença de Grayson na saída. Era evidente que preferiam não se meter nos assuntos dele, e para ele estava ótimo. Naquele momento, apenas uma coisa ocupava a sua mente: aquele homem, Dane Striker, sentado com os braços cruzados, balançando uma perna, inquieto. Era raro vê-lo tão alterado, claramente preocupado com o gato. Dane Striker, que sempre parecia entediado ou incomodado até nos maiores incêndios, só mudava de atitude com os animais. Já tinha resgatado esquilos, devolvido pássaros caídos aos seus ninhos e, cada vez que fazia isso, seus olhos brilhavam com uma intensidade que, assim que a tarefa terminava, se apagava como se nunca tivesse existido. Grayson já estava se acostumando com isso.
O que ele não conseguia acostumar era com a sua própria mudança de atitude. Desde aquele dia, cada movimento de Dane lhe parecia inquietante. Não entendia a si mesmo. E, acima de tudo, a situação atual não o agradava. Não era momento para perder tempo ali. Tinha que ir embora, como sempre fazia. A vida era curta demais para ficar preso em um lugar, procurando por um amor que talvez nem existisse. Mas, apesar disso, já estava ali há quase um mês. Sem conseguir explicar a si mesmo o porquê, continuava se apresentando pontualmente a cada chamado. Ou, mais precisamente, continuava seguindo Dane. “Espera, eu estou seguindo aquele cara? Eu?”
Ao franzir o cenho diante de sua recém-descoberta revelação, o veículo chegou ao local. Como era de se esperar, Dane foi o primeiro a descer. Vestiu rapidamente a jaqueta de aproximação e dirigiu-se à árvore onde o gato estava preso. Enquanto seus companheiros preparavam a escada, uma mulher, provavelmente a dona do gato, e alguns vizinhos moviam-se inquietos a certa distância, observando com ansiedade.
— Não vai funcionar, não podemos apoiar a escada aqui — disse DeAndre após várias tentativas, recuando com frustração.
Ezra pegou o rádio imediatamente.
— Vamos chamar o caminhão com escada mecânica. Esperemos até lá.
Enquanto isso, os bombeiros que tinham vindo dar apoio perambulavam pela área, conversando com os moradores. Embora distraídos, não paravam de olhar para cima, certificando-se de que o gato estava bem. Paralelamente, um grupo de mulheres se reuniu por perto, murmurando emocionadas ao ver Dane, que conversava casualmente com os companheiros.
— É ele, não é? Aquele…
Outra mulher assentiu, com a voz cheia de expectativa.
— O do calendário.
Um coro de suspiros abafados e gritinhos estourou entre elas. Algumas pulavam no lugar, outras tampavam a boca ou agitavam os punhos no ar, todas reagindo com entusiasmo. Pegaram os telefones para tirar fotos, incapazes de se conter.
— Nunca vi um homem tão lindo na minha vida.
— E esse corpo? Com um encontro eu já me contentava.
— Ele tem dois metros? É enorme!
— Meu Deus, é como se o homem dos meus sonhos tivesse ganhado vida. Acho que vou chorar.
— O Cherry é um anjo. Depois de todos os petiscos que dei para ele, este é o presente dele para mim.
— Sempre soube que esse dia chegaria. O Cherry é um gato agradecido.
Era impossível que os bombeiros não escutassem as exclamações. Ezra lançou um olhar na direção delas e depois cutucou Dane de leve com o cotovelo.
— Acho que continuam falando de você. Não vai fazer um aceno?
Dane, sem dizer uma palavra, sorriu e ergueu brevemente a mão em um cumprimento casual. No mesmo instante, os gritos das mulheres triplicaram. Para os outros, aquilo era algo comum, e continuaram com as brincadeiras, passando o tempo falando sobre beisebol com um menino curioso que tinha colado para olhar.
Quando finalmente o caminhão com a escada mecânica chegou, Dane subiu sem hesitar, subindo com habilidade enquanto os outros o observavam lá de baixo.
— Isso, bom garoto.
Com uma ternura que ninguém nunca tinha visto nele antes, Dane falou com a voz suave, como se temesse assustar o gato. Aproximou-se com uma lentidão deliberada, cada movimento calculado com precisão. Enquanto avançava com cuidado, todos prenderam a respiração, observando atentamente. Com seus braços longos estendidos lentamente, Dane alcançou o gato e, em um movimento rápido mas firme, agarrou-o pela nuca. Levantou-o com destreza e o aninhou em seus braços, enquanto os espectadores, que vinham segurando o fôlego, explodiram em aplausos e vivas.
— Ele conseguiu!
— Obrigada, que alívio!
— Finalmente posso respirar em paz! Ele devia estar tão assustado!
Com o alívio palpável no ar, as pessoas começaram a sorrir e a conversar animadamente. Dane desceu pela escada com o gato nos braços e o entregou à dona, uma mulher com lágrimas nos olhos que não parava de agradecer. Os espectadores, comovidos, levavam as mãos ao peito, com suspiros de admiração escapando dos lábios. Logo, os burburinhos e comentários começaram a rolar na multidão.
— Ei, você acha que eu posso ir lá dar um oi?
— Para quem? Não me diga que vai perguntar se ele é o modelo do calendário?
— Não, você não pode ser tão direta! Tem que ser menos óbvia!
— O… gostosão do ano?
— Isso é pior!
Enquanto elas discutiam, uma mulher que tinha desaparecido por um momento reatou o grupo trazendo vários calendários nas mãos. Eram os calendários dos bombeiros, com Dane na capa. Com timidez, mas cheia de determinação, aproximou-se dele e estendeu uma caneta junto com os calendários.
— Er… er… Você poderia assinar isto aqui, por favor?
A mulher, normalmente quieta e reservada, mostrou uma coragem que deixou as outras de queixo caído. Mas não parou por aí. Quando ela pegou o telefone e pediu uma foto, Dane não apenas aceitou, como chamou um companheiro para tirar a foto deles juntos. Foi um gesto que deixou todos atônitos.
Claro, ninguém deixaria passar uma oportunidade daquelas.
— Espera, eu também quero!
— Aqui, eu compro todos os anos! Olha só!
— Eu cheguei primeiro!
— Não, eu fui a primeira!
Num piscar de olhos, todo mundo tinha ido e voltado de suas casas, cada um com o mesmo calendário em mãos. Alguns, no entusiasmo, tinham arrancado apenas as capas, agitando várias folhas soltas como se fossem bandeiras. O tempo gasto assinando autógrafos e tirando fotos com todo mundo superou de longe o tempo que levou para resgatar o gato. “Sério, isso é ridículo.”
Grayson, de braços cruzados e cenho franzido, observava a cena com incredulidade. Ver como agiam de maneira tão mecânica, como se aquilo fosse rotina, parecia-lhe tão absurdo que ele nem conseguia rir. “O que diabos esses caras estão fazendo?”
Bem quando estalou a língua, incomodado, um som distante e fraco pareceu se infiltrar em meio ao burburinho. Era como uma voz, quase inaudível, que se confundia com o alvoroço das pessoas, quase como um eco da sua imaginação.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby, Othello&Belladonna