Desire Me If You Can (Novel) - . ₊ Capítulo 38
Capítulo 38
Além disso, Grayson era um parceiro bastante agradável. Sabia dizer as palavras certas no momento exato e era perceptivo o suficiente para não ferir os sentimentos dela. Embora não fosse alguém para um relacionamento sério, Naomi achava que ele era um bom amigo e manteve essa amizade. No entanto, tudo mudou um dia, destruindo qualquer ilusão que ela pudesse ter.
— Dizem que o papel principal é do Chase Miller. Você acha que eu deveria devorar ele?
Enquanto gravava o mesmo filme que Chase, o irmão de Grayson, Naomi fez essa pergunta em tom de brincadeira.
— Por favor, faça isso — tinha dito Grayson, rindo. — Ainda bem que você é uma beta — acrescentou, e logo explicou o motivo: seria um problema se deixasse alguma marca.
— Por quê?
Essa pergunta ela não deveria ter feito. Naquele momento, Naomi estava tão cheia de afeto por aquele idiota que baixou a guarda. Embora soubesse muito bem que os homens estão sempre à espreita para te trair quando você menos espera.
Grayson soltou uma gargalhada e disse:
— Há que distinguir entre alguém com quem transar e alguém com quem casar.
A sensação de frio que percorreu o seu corpo naquele momento ainda a persegue. O significado de suas palavras era claro demais: Naomi era alguém com quem ele podia transar, mas nunca alguém com quem casar. Que tipo de homem tão arrogante? Não importava se a sua confiança vinha de sua linhagem de alfa dominante ou de sua família impressionante. Naomi nunca perdoava quem feria o seu orgulho.
“Vou fazer esse maldito chorar e sofrer como nunca.”
Assim se passaram os anos, com esse rancor enraizado em seu coração. E então, Grayson começou a falar de novo sobre o seu “destino”. Era uma notícia tão emocionante quanto quando foi indicada ao Oscar, o qual acabou vencendo. Desta vez não seria diferente. Haveria algum prêmio mais doce do que ver Grayson Miller completamente destroçado? Uma onda de emoção vibrante percorreu todo o seu corpo. Ela apertou os punhos com força, tremeu de excitação e rapidamente voltou a mexer no telefone. Desta vez, era hora de descobrir em que lugar Grayson estava sondando o terreno. Ela discou o número direto e, após alguns toques, uma voz sonolenta atendeu do outro lado: sua secretária.
— Sim, sou eu. Desculpe ligar tão tarde. Preciso que você encontre alguém urgentemente. Ouvi dizer que ele virou bombeiro, mas não sei em qual quartel ele está. Poderia descobrir assim que amanhecer?
Naomi esperou em silêncio enquanto a secretária procurava papel e caneta. Quando finalmente ela indicou que estava pronta, Naomi respirou fundo e, por fim, pronunciou o nome:
— Grayson Miller.
Ela pôde sentir a secretária congelar do outro lado da linha. Naomi sorriu radiante e acrescentou:
— Sim, exato. O segundo filho dos Miller. Esse Grayson Miller.
A secretária, recuperando-se da surpresa, perguntou:
— Só precisa que eu o localize?
— Sim, eu cuido do resto — respondeu Naomi com uma reverência amigável. — Desculpe agir de forma egoísta a estas horas, sinto muito e obrigada.
— Não se preocupe, eu simplesmente vou cobrar horas extras. — disse a secretária, soltando uma piada que soava mais como verdade do que brincadeira, antes de desligar.
Naomi sorriu, pegou seu talão de cheques e preencheu um para a secretária. Quando estampou sua assinatura com um gesto decidido, seu rosto brilhava mais do que nunca, iluminado pela antecipação do que estava por vir.
*
No mesmo instante, mas em outro lugar, outro Miller falava sobre o acontecido.
— Bombeiro? O Grayson? O seu irmão Grayson Miller? Ele virou bombeiro?
Foi por volta desse momento que Joshua Bailey recebeu uma ligação de seu parceiro, Chase Miller. Devido ao trabalho, Joshua estava em outro estado, e eles costumavam manter contato constantemente para reafirmar o afeto. Mas naquele dia havia um motivo especial: notícias sobre o irmão de Chase, Grayson Miller.
Ele tinha conseguido um emprego, e nada menos que em um quartel de bombeiros. Ao ouvir Chase, Joshua não conseguia acreditar e, sem perceber, aumentou o tom de voz, repetindo a pergunta várias vezes. Do outro lado do telefone, Chase respondeu com um tom confuso e carregado de frustração:
— Sim, aquele maldito. No que ele está pensando? O cara mais egoísta do mundo escolhendo o trabalho mais altruísta… Ele só pode estar louco. Sim, com certeza a cabeça dele pifou por causa do feromônio. Com certeza é isso.
Enquanto escutava a torrente de insultos carregados de emoção, Joshua pensava em algo completamente diferente. Um bombeiro, de todas as coisas? Será isso o destino?
— Você sabe em qual quartel de bombeiros ele está?
Diante da pergunta de Joshua, Chase lembrou-se das palavras de Koi. Ao escutar a resposta, Joshua sentiu uma certeza absoluta. Isso tinha que ser um sinal.
— Chase.
Aproveitando uma pausa na conversa, chamou-o pelo nome e, com um tom significativo, baixou a voz para perguntar:
— Me ocorreu uma coisa interessante. Quer ouvir?
— O que foi?
Joshua, com a voz ainda áspera, refez a pergunta.
— Lembra do que eu te prometi há um tempo? Que, se você quisesse, eu sequestraria aquele cara.
De repente, um silêncio denso invadiu a linha. Joshua sorriu, imaginando facilmente Chase franzindo o cenho e prendendo a respiração do outro lado.
— Sim, é isso mesmo. Chegou a hora.
Joshua fez uma pausa deliberada antes de continuar:
— É hora de pagar as dívidas acumuladas.
Ouviu-se um som agudo do outro lado, como se Chase tivesse puxado o ar com força. Após um tenso silêncio que se estendeu, finalmente Chase falou:
— Então, por onde começamos?
Ao ouvir aquela voz trêmula, tingida de expectativa, Joshua esboçou um sorriso de satisfação antes de responder:
— A primeira coisa, claro, é conseguir um cúmplice.
— Um cúmplice?
— Isso mesmo.
Joshua assentiu, como se Chase pudesse vê-lo, e acrescentou:
— Eu conheço um bombeiro.
*
Os galhos da árvore, altos e estendidos, sacudiram-se brevemente. Dane Striker, que se movia lentamente pela escada, parou imediatamente para avaliar a situação. Ao confirmar que a árvore tinha recuperado a quietude, avançou de novo. Na ponta de um galho que parecia prestes a quebrar, um gato ferido, encolhido e com o pelo eriçado, encarava-o fixamente com olhos desconfiados.
— Calma, bom garoto. Vem cá.
A voz de Dane, cheia de doçura, tentava persuadir o gato que, por alguma razão, tinha subido tão alto mas não conseguia descer. Ele estalou a língua suavemente, aproximando-se do felino enquanto seus companheiros o observavam lá de baixo.
— É curioso. Um cara tão cínico como ele acaba sendo incrivelmente amável com os animais.
Alguém comentou, e outro assentiu em concordância.
— Aquele cara não bate em animais, só em pessoas.
— Não só isso. Lembra de quando ele quase foi preso por espancar aquele dono que incendiou a própria casa com o cachorro dentro?
— Ainda bem que ele só pagou uma multa. Se tivesse sido uma pessoa, ele não teria parado com só alguns socos.
— Não sei não, talvez ele tenha batido nele só por pura implicância. Com aquele cara, tudo é possível.
— Quem sabe… Mas com certeza ele não ia querer ir para a cadeia. Ele tem um gato, afinal de contas.
Enquanto seus companheiros trocavam comentários ao seu bel-prazer, Grayson, parado a certa distância, observava Dane com o cenho franzido.
“O que diabos esse bastardo está fazendo?”
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby, Othello&Belladonna