Desire Me If You Can (Novel) - . ₊ Capítulo 117
Capítulo 117
Diante do grito violento, os bombeiros se olharam, com os olhos oscilando de um lado para o outro em pura confusão. Eles precisavam conter Dane imediatamente, mas a natureza repentina da situação os deixou atordoados e incapazes de agir com agilidade. Enquanto isso, Dane avançou contra o homem, despejando xingamentos.
— Eu vou te matar, seu filho da puta! Aquela criança pequena, seu merda!
— Da, Dane!
— O que vocês estão fazendo aí parados? Segurem ele, rápido!
— Dane, para com isso!
Os bombeiros, caindo em si tardiamente, correram em direção a ele com urgência. Mas Dane os sacudiu violentamente e continuou a espancar o homem. Logo, o sujeito estava coberto de sangue e estirado no chão. Mas Dane não parava, continuando a golpeá-lo repetidas vezes.
— S-Salva, me salva, por favor, me salva…
O homem implorava, cuspindo sangue, mas aquilo só alimentou ainda mais a fúria de Dane.
— Você quer viver? Você matou o seu filho e quer viver? Seu lixo! Você deveria morrer!
— Daaane!
Seus colegas, horrorizados com a cena dele segurando o homem pelo colarinho com uma das mãos e desferindo socos repetidos no rosto dele com o outro punho, tentaram contê-lo novamente.
Com cinco deles avançando em cima dele de uma vez, Dane não conseguiu se desvencilhar dessa vez. Eles prenderam os braços sob as axilas dele por trás e o puxaram à força para longe, enquanto Dane debatia o corpo e chutava o homem com as pernas. Os colegas mal conseguiram separá-lo do indivíduo, sendo atingidos pelos punhos e pés de Dane no processo. Dane continuava a gritar para os paramédicos que socorriam o homem inconsciente às pressas.
— Deixem ele, eu vou matar esse desgraçado! Eu vou matar ele!
— Dane, eu já mandei parar!
— Se acalma, chega disso agora.
— Você já bateu o bastante, ele vai morrer de verdade. Para com isso!
Apesar dos apelos repetidos de seus colegas, Dane não se acalmava facilmente. Ele continuava a respirar pesadamente, com os olhos injetados de sangue enquanto encarava o homem, deixando seus colegas desorientados e olhando uns para os outros.
Dane estava sentado na beira da estrada com uma garrafa de água vazia na mão, de cabeça baixa. A equipe da perícia já havia chegado e estava procurando por evidências dentro da casa queimada. O homem ensanguentado havia sido levado para o hospital, e ele ouviu dizer que a polícia seria acionada para colher o depoimento do sujeito. Logo, Dane também teria que ir à delegacia para prestar depoimento. Afinal, ele havia arrebentado alguém baseado em pura especulação.
— Nem é certeza…
Alguém murmurou, e outro cara respondeu:
— Não havia nenhuma evidência de que o homem fez alguma coisa.
— Ele saiu daquela casa, então deve ter sido aquele desgraçado.
— Mesmo assim…
Diante do falatório, Grayson olhou de relance para trás. Os colegas que cochichavam recuaram diante do rosto frio do homem, que parecia tão inexpressivo quanto uma máscara, e logo se dispersaram um a um como se nada tivesse acontecido. Depois que todos sumiram, Ezra, que ainda estava ali parado com uma expressão preocupada, suspirou e deu um tapinha nas costas de Grayson.
— Está todo mundo preocupado. Se ele processar, o Dane vai se ferrar, e pode até sofrer uma punição disciplinar dos superiores…
Diante daquelas palavras, Grayson sorriu de leve. Era um sorriso forçado, mas Ezra pensou que ele compreendia o que estava dizendo. Até ouvir as próximas palavras.
— Obrigado por me avisar, Ezra. Eu quase amarrei uma mangueira no pescoço daqueles pirralhos malucos e os pendurei em uma árvore.
O tom era leve, mas o conteúdo era macabro. Ezra piscou surpreso e olhou para ele de baixo. Percebendo que ele não estava brincando nem um pouco, Ezra ficou desconcertado e sem fala, mas Grayson voltou o olhar para Dane e perguntou:
— Ele faz isso com frequência?
O sujeito da frase foi omitido, mas Ezra entendeu imediatamente e respondeu: — Não.
— Ele nunca ficou tão transtornado antes. Ele fica sensível quando animais ou crianças se machucam, mas ao ponto de tentar matar alguém assim…
Ele balançou a cabeça, e Grayson olhou de relance para ele.
— Você sabe o que aconteceu com o Dane?
Ele estava perguntando por que ele reagia daquela forma. Mas Ezra apenas exibiu uma expressão intrigada.
— O Dane quase não fala de si mesmo. Eu nem sabia que ele tinha uma gatinha até alguns meses depois que começamos a trabalhar juntos.
Tsk, Grayson estalou a língua na boca. “Só tem gente inútil por toda parte.” Não vendo mais valor naquela conversa, ele deixou Ezra para trás e moveu os pés. Grayson caminhou até onde Dane estava sentado sozinho no chão.
Ah.
De repente, Grayson se lembrou. “É o oposto daquele dia”, ele pensou.
No dia em que ele resgatou a gatinha feia de Dane e saiu, era ele quem estava sentado no chão exausto, e Dane era quem estava de pé olhando para baixo, mas desta vez as posições estavam invertidas.
Uma sombra caiu sobre Dane, que olhava fixamente para o chão. Dane ergueu a cabeça lentamente, e os olhos de Grayson encontraram os dele. Por um momento, eles apenas se encararam em silêncio. O primeiro a falar foi Grayson.
— Lindo, por que a sua cara está assim?
Dane encarou o rosto dele sem dizer uma palavra. Ter as palavras que ele mesmo havia dito devolvidas a ele dessa forma, como ele deveria explicar esse sentimento?
— Haa…
Com um suspiro, Dane jogou o cabelo para trás e resmungou com uma voz apática:
— Não é para você falar desse jeito, seu idiota…
Ele não saberia o que dizer, já que não tinha vivenciado esse tipo de situação antes. Esse homem precisa calcular e juntar as peças das palavras que viriam naturalmente para uma pessoa normal. Sendo assim, se não há dados gravados, ele não tem outra escolha senão copiar as palavras que já ouviu ou as ações que os outros tomaram. Dane ficou boquiaberto com o olhar vago dele e disse com um sorriso sarcástico:
— É para você perguntar se eu estou bem nessas situações.
— Você está bem?
Grayson perguntou imediatamente. Dane olhou para ele em silêncio e assentiu.
— É, eu estou bem.
Foi só isso. Ele ficou em silêncio novamente. Grayson ainda estava ali parado observando-o, mas não se sentia bem. Ele estava esperando pelas próximas palavras, mas Dane não parecia demonstrar a menor intenção de abrir a boca. Eventualmente, o próprio Grayson falou primeiro.
— O que aconteceu? Por que você fez aquilo de repente?
Diante da pergunta genuína, Dane olhou para o horizonte e respondeu com uma voz sem emoção:
— Só fiz.
A resposta que veio foi curta demais. Grayson franziu o cenho. Ele de repente se deu conta de que sabia muito pouco sobre ele. Cada uma das pessoas com quem ele havia saído até hoje contava a Grayson cada detalhe de suas vidas. Trabalho, família e tudo mais sobre si mesmas. Até as coisas mais triviais.
Mas Dane nunca tinha dito nada disso. A cidade onde nasceu, sua família, se tinha alergias, nem mesmo de que cor gostava, Grayson não sabia. Dane nunca tinha falado, nem uma única vez. Nem antes de começarem a namorar, nem depois, absolutamente nada.
Grayson moveu o pomo de adão e engoliu em seco. Aquilo era o mesmo que uma prova de que Dane não estava abrindo o coração para ele de forma alguma, mesmo eles estando namorando. Se fosse assim, qual era a diferença entre Grayson e os outros bombeiros? Claro, isso era algo que jamais deveria acontecer. Grayson queria ser uma pessoa especial para Dane. Ser tratado da mesma forma que aqueles caras? Não brinque comigo.
— O que aconteceu?
Dane não reagiu à pergunta de Grayson. Para Dane, que continuava olhando para o horizonte na mesma postura, Grayson perguntou novamente com uma voz ríspida:
— O que aconteceu para você ficar tão furioso? Algo ruim aconteceu, não foi? Certo?
Conforme ele o pressionava repetidamente, Dane, que estava sentado imóvel há um tempo, ergueu a cabeça devagar. Seu rosto voltado para Grayson já mostrava claramente um sentimento de rejeição.
— Você não precisa saber.
Naquele momento, Grayson sentiu algo explodir dentro de si. Ele apressadamente despejou tudo, sem ter tempo para controlar ou analisar.
— Por quê? Eu estou namorando você. Eu não deveria saber? Sobre você, que tipo de pessoa você é! Me fala, eu preciso saber. Eu tenho o direito!
Sua voz aumentou gradualmente, chegando perto de um grito no final. O rosto de Dane endureceu aos poucos enquanto ele o olhava daquele jeito. Uma tensão fria caiu instantaneamente entre os dois.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello