Deflower Me If You Can (Novel) - Extra 12
𑣲 Deflower Me If You Can – Extra 12
Como se tivesse se lembrado de algo de repente, Bliss exclamou com os olhos brilhando. Quando Ariel hesitou diante da mudança repentina de assunto, ele se levantou de um salto, todo animado, e foi até a escrivaninha. Depois voltou para o lugar trazendo um dos vários convites que havia escrito com todo o capricho.
— Aqui, o convite. Fui eu mesmo que escrevi!
— Você?
Quando ela pegou o convite, admirada, a caligrafia exuberante logo saltou aos olhos. A frase, escrita com uma letra tão elegante e caprichada que parecia ter sido impressa por uma máquina, dizia o seguinte:
Você está convidado para o tão maravilioso 🎉 casamento de Bliss, repleto de felicidade e amor.
Ariel, que observava o convite em silêncio, fez uma pausa antes de abrir a boca.
— Foi você que pensou nessa frase, Bee?
— Claro. Não está incrível?
Era um convite que tinha tudo a ver com Bliss. Até o erro em “maravilioso”. Ariel pensou em apontar o erro, mas desistiu e, em vez disso, abriu um sorriso.
— Sim, ficou ótimo. Muito bonito.
— Hehehe.
Bliss exibia as bochechas coradas de orgulho. E não parou por aí. Ao ser elogiado pela tia Al, uma jornalista renomada, primeira colocada em credibilidade, ele acabou ficando todo empolgado.
— Tem mais, vou mostrar todos!
Sem nem esperar a resposta de Ariel, Bliss correu até a escrivaninha e voltou com um maço de convites que havia escrito com todo o capricho até então. Depois falou com a voz cheia de animação:
— Pode levar o que a senhora mais gostar.
— Obrigada.
Ariel sorriu e conferiu um dos convites que estavam à sua frente.
Você♡ está convidado♡ para o tão maravilioso♡ casamento♡ de Bliss♡, repleto de felicidade♡ e amor♡ e romanse♡ e fantazia♡ e sonhos♡.
Além dos corações colados em cada palavra, até no convite que tinha ficado bem difícil de ler por usar “e” no lugar das vírgulas lá estava o “maravilioso”, sem falta. E, de brinde, mais dois erros. Esforçando-se para se concentrar na caligrafia exuberante, Ariel perguntou:
— Felicidade, amor, romance, fantasia, sonhos, maravilhoso… Não são palavras demais?
Quando ela perguntou no tom mais gentil possível, Bliss respondeu com toda a segurança:
— Eu fiquei pensando no que tirar e acabei colocando tudo. É que são todas palavras boas demais. Quanto mais coisa boa, melhor, né?
Ao ver o rosto dele sorrindo de orelha a orelha, Ariel não disse mais nada e pegou o convite seguinte.
Espetacolar! Magnífigo! Impossível fechar a boca! Que surpreendente! É o dia em que Bliss se casa! Iupiii!
E mais um convite.
Uma emoção enorme, as lágrimas embaçam a vista. Venha testemunhar o casal do século prometendodo a eternidade! Repleto de lágrimas e risos!
E mais outro convite.
A Cinderela conheceu o príncipe e ficou felis? Concordo totalmente. Concordo pra cacete. A Cinderela Cassian conheceu o príncipe Bliss e vivel feliz para sempre.
Àquela altura, Ariel largou o convite que segurava. Nem precisava olhar o resto para saber como seriam. Até o único convite sem nenhum erro de ortografia tinha uma frase em péssimo estado.
Impossível ser mais sexy! Aguarde um momento quente como nunca mais haverá! Só deles, vigoroso e ardente…
Sem coragem de ler o resto, ela desviou os olhos às pressas e logo encontrou o olhar de Bliss. Diante dele, cheio de expectativa, Ariel se apressou em recompor a expressão e abriu um largo sorriso.
— Você se esforçou muito, Bee. Estão todos lindos. Fica difícil escolher.
Com o elogio protocolar, Bliss perguntou todo radiante:
— Não é? Quer que eu dê dois para a senhora?
— Não, não precisa. Seria um problema se acabassem faltando.
Ariel, que na adolescência foi campeã de boxe amador e é casada com um homem que brilhou como MVP do hóquei no gelo profissional, defendeu o ataque com uma velocidade fora de série. Mas, antes mesmo que ela pudesse respirar aliviada, Bliss soltou mais um soco na direção dela.
— É só eu escrever mais!
Ah, de jeito nenhum. Aquilo precisava ser impedido a qualquer custo.
— Não posso ficar com dois só para mim. Quero ceder a oportunidade para as outras pessoas também. Ser atencioso é uma coisa boa.
Será que acabei com isso?, pensou ela, mas Bliss era um garoto que não conhecia a palavra desistir.
— Tudo bem, já estou planejando entregar para todos os convidados um convite escrito por mim mesmo. Mesmo que a tia Al fique com um a mais, ninguém vai saber. Se estiver difícil escolher, quer que eu escolha para a senhora? Deixa eu ver, este aqui parece o mais incrível, o que acha?
Ao olhar o convite em que estava escrito “Vim! Fiz! E o que mais era mesmo? Enfin, é um casamento 🌷 Um evento foda pra caramba 🎇”, Ariel se deu conta. De que diante de seus olhos espreitava um horror ainda maior do que simplesmente receber dois convites daqueles.
Preciso impedir que essa coisa assustadora se espalhe pelo mundo.
Ariel pôs a cabeça para funcionar às pressas, sentindo-se como uma salvadora que livraria o mundo da destruição. Numa situação ainda mais tensa do que quando entrevistava empresários excêntricos ou políticos malucos, num intervalo de tempo que foi quase um piscar de olhos, ela teve a ideia genial de um jeito de bloquear o ataque que viria de novo.
— Bee, mandar para todo mundo convites escritos por você é uma ideia muito fofa, mas acho melhor pensar de novo.
— Hã? Por quê?
Para Bliss, que tinha levado um susto, Ariel continuou com calma:
— Casamento, você ainda não sabe porque nunca se casou, é um evento muito, muito grande.
— Claro que eu sei! Já vi muito nos dramas.
— Vão vir mais de mil convidados.
Ao ouvir isso, o rosto de Bliss perdeu toda a cor, e o queixo dele caiu. Ótimo, funcionou. Ariel fingiu uma expressão de quem estava em apuros e assentiu.
— Pois é, então você teria que escrever mais de mil convites. O noivo não é um conde e o único herdeiro de uma família ducal? E o Ashley, então? Vai aparecer gente de todo tipo, e, somando os convidados das duas famílias, podem ser milhares de pessoas. Vai escrever tudo isso? Será que dá? Seu pulso vai ficar todo inchado. Talvez você nem consiga terminar até a manhã do casamento. Aí seria um problema, não é?
— M-mas…
Era um evento grande, grande, grandíssimo, que só acontece uma vez na vida. Sem conseguir abrir mão da ideia, Bliss murmurou:
— Então, se eu escrever só o quanto der…
Antes mesmo que ele terminasse de falar, Ariel balançou a cabeça. E, para Bliss, que tinha se calado, desconcertado, ela continuou como quem aconselha:
— Se uns recebem e outros não, também é injusto. Não acha? Quem não liga para o seu convite talvez até ache um incômodo, mas quem queria um vai ficar muito chateado. Então, que tal dividir só entre pessoas muito próximas, como a família, por exemplo, como lembrança? Você tem muitos irmãos, então dando um para cada já são seis.
Por coincidência, Bliss tinha escrito exatamente sete convites. Ariel juntou os convites e os empurrou para a frente dele.
— Isso já basta. Preparar o casamento já vai te deixar ocupado, e querer escrever todos os convites com a própria mão é exagero. Entendeu? Em vez disso, é só receber os convidados com todo o carinho.
— …Tá.
Felizmente, Bliss aceitou a argumentação calma sem resistir. Dava pena vê-lo com uma expressão meio cabisbaixa, mas era um milhão de vezes melhor do que virar alvo de fofoca. De qualquer forma, Bliss logo esqueceria.
Como era de esperar, ele logo levantou a cabeça de supetão e falou com a voz de novo animada:
— Vou dar um para a tia Al também. A tia Al é da minha família!
— Obrigada, Bee. Então vou ficar com o que você me deu primeiro.
Depois de escolher o que estava em melhor estado, evitando o convite que não tivera coragem de ler até o fim, Ariel soltou por dentro um suspiro de alívio. Com isso, a “Grande Tragédia dos Convites de Casamento” estava evitada.
Ashley Miller, você vai ter que me agradecer pelo resto da vida.
Quando ela pensou naquele rosto irritante, ouviu-se uma batida na porta, que se abriu em seguida.
— Desculpem, demorei, né?
Quem entrou sorrindo, empurrando um carrinho com chá e petiscos, foi Koi. Ele foi direto até a mesa, colocou uma xícara diante de cada um e, enquanto servia o chá, disse:
— Tinha um chá que eu queria muito fazer para você quando viesse, mas não achava as folhas de jeito nenhum. Tinham trocado de lugar com outro chá, então demorei um tempão procurando.
Para Koi, que sorria sem graça, Ariel respondeu com um sorriso:
— Não tem problema, eu estava conversando com o Bee sobre o casamento.
— Eu dei para a tia Al um convite que eu mesmo escrevi.
Quando Bliss se apressou em acrescentar, Koi disse “É mesmo?” com um sorriso satisfeito e se sentou ao lado dele. Mas o sorriso foi sumindo aos poucos enquanto ele lia o convite que Bliss lhe estendia todo orgulhoso. Vendo o semblante de Koi piorar cada vez mais, Ariel tomou o chá sem dizer nada. Depois, respondeu com calma ao olhar que se voltava para ela como quem pede uma explicação:
— Ele disse que queria mandar convites escritos por ele mesmo para todos os convidados.
Encarando o rosto dele, que tinha ficado branco feito papel, Ariel continuou:
— Falei para ele escrever só para a família, porque o pulso dele podia acabar quebrando. Como eu sou praticamente da família, ganhei um como exceção.
Quando ela sorriu e disse “Não é?”, Bliss assentiu na mesma hora.
⊹₊˚ x ˚₊⊹
𖹭 Continua….
𖹭 Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Othello