Deflower Me If You Can (Novel) - Extra 11
𑣲 Deflower Me If You Can – Extra 11
O olhar frio revelava sem filtro algum que ele estava extremamente incomodado, mas Steward não fez questão de apontar isso e deu continuidade ao assunto.
— Não há necessidade de fazer um exame à parte em Bliss? O senhor Niles estava preocupado, dizendo que o ciclo de cio de Bliss veio tarde demais.
Quando o nome de Koi foi mencionado, a reação de Ashley mudou sutilmente.
— Não disseram que não havia nada de anormal no check-up regular?
A voz continuava baixa, mas carregava um leve desagrado pelo simples motivo de que o amado havia sido mencionado pela boca de outra pessoa. Como já era uma reação familiar, vivida muitas vezes, Steward não se importou e continuou falando.
— Sim, é apenas uma questão de constituição. Dizem que o senhor Niles também teve uma manifestação muito tardia, e, no caso dos ômegas extremos, a época da manifestação varia de um para outro, então com o ciclo de cio deve acontecer o mesmo.
— Se não há problema, então está bem.
Ashley encerrou o assunto de forma sucinta e, ainda com uma expressão contrariada, olhou para os documentos largados sobre a mesa.
— Por enquanto, não há o que fazer senão observar.
Mesmo vendo que ele estava claramente insatisfeito, Steward respondeu com a mesma desenvoltura de sempre.
— Provavelmente vai ficar tudo bem. Ter por perto a pessoa que causou a mutação ajuda a estabilizar os feromônios.
Não era exatamente a resposta que Ashley queria ouvir. Ele encarou os documentos com um olhar desconfiado e, por fim, sem dizer nada, levou à boca o chá que já tinha esfriado.
Tudo bem, a vida é longa.
Havia tempo de sobra para observar se aquele sujeito sem-vergonha merecia ser o companheiro do seu precioso Bliss. Ainda mais sendo um alfa extremo, que vive muito além da expectativa de vida média.
· · ·
— Seja bem-vindo, senhor conde. Faremos o possível para que tenha um voo confortável.
Cassian assentiu brevemente para o piloto e os comissários, que o cumprimentaram com toda a cortesia, e se sentou. O piloto entrou imediatamente na cabine de comando, e os comissários se dispersaram para cumprir suas tarefas. Um deles lhe ofereceu bebidas e petiscos, e Cassian verificou a lista de chás antes de escolher um. Pouco depois, ao inalar o aroma do chá que se espalhava e engolir o líquido quente, sentiu que só então a tensão do corpo se desfazia.
Agora deve bastar.
O motivo de ter levado Bliss à casa da família no leste e depois vindo sozinho até o oeste era que o centro dali tinha a reputação de ser o melhor do mundo em pesquisa de traços. Um exame de traço a essa altura era um procedimento desnecessário e sem sentido, mas, se era uma formalidade que precisava cumprir para ter Bliss, aceitaria de bom grado. No fim das contas, o resultado tinha sido bom, então o outro também não teria o que dizer.
Ao imaginar Ashley Miller, que já devia ter recebido o resultado, ele deixou escapar um riso. Por mais que fosse Ashley Miller, ele também não passava de um ser humano, não de um deus. Portanto, não podia controlar tudo.
Satisfeito, conferiu as horas, mas logo acabou soltando um suspiro. Levaria cerca de seis horas até voltar para Bliss, que estaria à sua espera.
Era tempo demais. Assim como a vida inteira em que esperara por ele.
· · ·
— Hummm, hummm.
Bliss, que escrevia um cartão com todo o capricho, parou a mão e olhou de relance para as horas. Meu Deus, parecia que pelo menos três horas já tinham se passado, mas mal haviam transcorrido quatro minutos. Será que o relógio estava quebrado?
Tentou voltar a atenção para o cartão, mas foi impossível. No fim, sem conseguir se conter, levantou-se de um salto e, gemendo de esforço, arrastou até a parede a cadeira em que estivera sentado até então, bem pesada e talvez até mais velha que ele próprio. Subiu na cadeira, retirou o relógio com todo o cuidado e o examinou de um lado para o outro, com a testa toda franzida. No instante em que observava, desconfiado, o ponteiro dos segundos que se movia com regularidade…
— Ora, Bee. O que está fazendo?
— Ah, aaah!
De repente, ouviu a voz de alguém atrás de si. Assustado, Bliss acabou gritando e se debatendo. Por pouco não deixou cair o valioso relógio, mas, a muito custo, conseguiu superar a crise.
Haa, haa.
Depois de recuperar o equilíbrio com dificuldade e respirar aliviado, Bliss olhou para trás e arregalou os olhos. Uma pessoa que ele jamais esperaria estava ali de pé, olhando para ele.
— Tia Al!
Para Bliss, que com um sorriso radiante se preparava para pular, ela ordenou com um sorriso:
— O relógio primeiro.
— Ah.
Só então Bliss devolveu com cuidado ao lugar o relógio que segurava. Em seguida, desceu da cadeira devagarinho e, só depois de os pés tocarem o chão, endireitou o corpo e voltou a abrir um sorriso radiante.
— Tia Aaaaal!
— Bee, seu fofinho.
A mulher recebeu de braços abertos Bliss, que veio correndo aos gritos e se jogou num abraço, e, esfregando as costas dele com familiaridade, cumprimentou-o com alegria.
— Como você está? Quanto tempo! Parece estar com saúde.
— A senhora também, tia Al!
Bliss riu baixinho e olhou para ela com o rosto corado. Ariel Gulliver. Colega de colégio do Papa e do Daddy, e a melhor amiga do Daddy.
E também a ex-namorada do Papa.
Sentado de frente para Ariel, com a mesa entre os dois, Bliss exibia um sorriso satisfeito. De um lado, a ex-namorada de um casal que fazia sucesso no colégio e depois terminou; do outro, o melhor amigo dessa mesma ex-namorada. Que relação mais descolada e cheia de dopamina! Poderia até virar um dos temas de novela dramalhona de que Bliss tanto gostava, mas isso só valia para quem estava de fora. Se fosse a história do próprio Bliss…
Na mesma hora, o rosto de Eina surgiu em sua mente, e os dois olhos azuis se estreitaram com força. De jeito nenhum! Acha que eu vou aguentar ver uma coisa dessas? Vou trancar o Cassian agora mesmo…
— Fiquei surpresa quando ouvi de repente que você ia se casar.
A voz de Ariel trouxe Bliss de volta à realidade. Quando ele se concentrou às pressas na visita à sua frente, Ariel pousou a xícara de chá e continuou:
— E ainda por cima com um bebê a caminho, como foi que isso aconteceu? Até ouvi o Koi contar mais ou menos, mas não entendi nada…
Ela soltou uma risada incrédula. Era uma reação tão natural que Bliss ficou envergonhado, mas, em vez de se acanhar, estufou o peito com confiança.
— Foi assim que aconteceu. Quando duas pessoas se amam, ter um filho e se casar é a consequência natural.
Ariel, ainda sorrindo, corrigiu com delicadeza:
— A maioria se casa e depois tem filhos.
— Ah.
Percebendo o erro, Bliss ficou vermelho como um pimentão. Ao ver aquilo, Ariel riu alto e acenou com a mão.
— Não, há muitos casos como o seu. O Koi também foi assim. Só me preocupa você ser novo demais.
Ao concluir a frase, Ariel soltou um suspiro naturalmente. Assim como os outros irmãos, ela acompanhava Bliss desde que ele nascera, então era inevitável que se sentisse dividida. De qualquer forma, era um alívio saber que a outra pessoa era boa, mas…
Ariel e Ashley, algo raro entre os dois, estavam de pleno acordo apenas nesse assunto: Cassian Strickland era um sem-vergonha como nenhum outro no mundo, que engravidou um garoto muito mais novo e se casou com ele. E, tendo diante dos olhos o pequeno e inocente garoto que caíra nas garras daquele cafajeste, ela sentia o sangue ferver.
Mas Bliss estava simplesmente radiante. Se ele está feliz, então está tudo bem, pensou Ariel, e mudou de assunto:
— E então, o que você estava fazendo agora há pouco?
Ela já tinha ouvido de Koi onde “aquele” sem-vergonha estava no momento. Que Ashley também tinha ido ao oeste para ouvir o resultado e que, portanto, Bliss estava ali sozinho esperando pelo sem-vergonha.
Mas o que diabos ele estava fazendo em cima da cadeira?
Bliss é imprevisível, então devia estar fazendo algo inimaginável de novo, pensou Ariel ao lançar a pergunta curiosa, e ele respondeu com toda a franqueza:
— É que o tempo parecia não passar nunca, então achei que o relógio podia estar quebrado… Eu só queria verificar.
Ah, então era isso. Ariel logo entendeu. O tempo longe da pessoa amada sempre parece infinitamente longo, e com Bliss não devia ser diferente. Mesmo assim, ter a ideia de tirar o relógio da parede para verificar… Bliss era mesmo Bliss.
E Ashley Miller, que fizera questão de separar os dois usando o exame como desculpa, era sem dúvida um sujeito de personalidade desequilibrada. Ela própria também ficara furiosa, achando aquele sem-vergonha um tremendo insolente, mas nem por isso chegaria a pensar em separar os dois daquele jeito.
— Disseram que ele já está quase voltando. Não fique tão chateado.
Quando ela o consolou com carinho, acariciando o braço de Bliss, ele também abriu um sorriso sem jeito. Pouco depois de se formar um clima acolhedor…
— Ah, é verdade! A senhora vai ao meu casamento, né, tia Al?
Bliss soltou a bomba com toda a inocência.
⊹₊˚ x ˚₊⊹
𖹭 Continua….
𖹭 Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Othello