Deflower Me If You Can (Novel) - Capítulo 177
Capítulo 177
“Atrevendo-se a me propor um negócio…”
Um brilho gélido e levemente assassino passou por seus olhos. Quando Cassian ainda era bem jovem, Ashley já tinha visto nele o germe de um político. Porém, jamais imaginou que ele ousaria usar esse talento contra o próprio Ashley.
— A parte do Reino Unido fica sob minha responsabilidade.
A ideia dele não era ruim. Era um pretexto forte o bastante para convencer os congressistas, além de soar bastante plausível como desculpa para os eleitores. No entanto, o simples fato de um garoto sem experiência vir pessoalmente lhe fazer uma proposta dessas não lhe agradava nem um pouco.
— E o que eu ganho com essa negociação?
À pergunta de Ashley, ele respondeu sem hesitar, como se já estivesse esperando por aquilo:
— Todos os meios de comunicação vão aclamar a sua decisão, e os imbecis vão aceitar que o senhor fez o bastante. Quanto à minoria radical, pode simplesmente ignorá-la.
Ele com certeza já previa esse tipo de questionamento e tinha preparado uma resposta adequada. Mas Ashley não se deu por satisfeito.
— Que mais?
Com os olhos semicerrados, Ashley insistiu:
— É só isso? Não me diga que veio até aqui achando que eu não daria conta de resolver um projetinho de lei desses e precisaria da ajuda de um piolho como você?
Mais uma vez, a resposta dele fluiu com extrema naturalidade:
— Claro que não. Eu já esperava que o senhor Miller tivesse uma alternativa. Só quero dar uma pequena ajuda para que consiga alcançar seus objetivos com mais facilidade.
— E não seria para provar o seu valor nesta oportunidade?
Diante da pergunta de Ashley, em vez de responder, ele apenas exibiu um sorriso descontraído. Longe de demonstrar qualquer constrangimento por ter sido pego no pulo, continuou com tom sereno:
— Eu vou me tornar o Primeiro-Ministro do Reino Unido.
Pela primeira vez, Cassian revelou suas verdadeiras intenções. Sua ambição não terminava no mero cargo de Senador. Ele desejava um poder avassalador — não um título herdado pelo berço ou por fortuna, mas uma autoridade conquistada com as próprias mãos.
E a resposta já estava traçada.
— Se eu colocar o Reino Unido nas minhas mãos, prometo me tornar o seu aliado mais poderoso.
Que pirralho petulante.
A imagem de Cassian afirmando aquilo cheio de si ressuscitava vividamente diante de seus olhos. Naquela época, o desgraçado já tinha ido para a cama com Bliss, deixado seu caçula grávido e até passado pela mutação. No fim das contas, Cassian saiu ganhando em todas as frentes nessa história. Marcou presença ao conduzir as negociações com o Senado americano e conquistou uma posição política incontestável. E, de quebra, ainda levou o Bliss.
“Pensar que ele me passaria para trás desse jeito…”
Era tão absurdo que nem dava para sentir raiva. No entanto, o dilema interno do Papa não tinha a menor importância para Bliss. Isso porque, naquele momento, ele acabara de se deparar com um problema infinitamente mais grave.
— A Terra não é plana?!
Com a reação de Bliss, que se levantou num pulo dando um grito em choque, Ashley voltou à realidade. Ao olhar para a cara empalidecida do caçula totalmente traumatizado, ele remoeu mais uma vez aquele questionamento que o perseguia de tempos em tempos.
“Como é que eu e o Koi fomos gerar essa criança?”
O sonho de Koi era ser astronauta e ele continuava estudando o universo até hoje. Embora não trabalhasse sozinho, já tinha publicado diversos artigos e recebia bastante atenção no meio acadêmico. Sem contar o próprio Ashley, claro. Como o filho caçula desses dois podia ter saído o Bliss? Havia momentos em que a sensação de desamparo era simplesmente inevitável.
Mas durava pouco. “Pelo menos um assim não faz mal”, Ashley sempre pensava. Afinal, ele herdara toda a fofura de Koi, então estava de bom tamanho.
Enquanto isso, vendo todo mundo olhando para ele com a mesmíssima cara, Bliss acenou as mãos em pânico:
— N-Não, é brincadeira! Lógico que é brincadeira! Haha! A Terra ser plana, que tipo de idiota diria um absurdo desses, né? Nossa, eu sou demais mesmo!
Dizendo coisas sem nexo para se esquivar, Bliss sentou-se rápido e mudou de assunto no mesmo instante:
— Enfim! Quer dizer então que o Papa e o Cassian combinaram tudo isso juntos, né? Quer dizer que os dois não estão brigados de verdade?
— Foi só um teatro político — respondeu Nathaniel, cínico. — Um faz o papel de bonzinho e o outro de vilão. Eles fingem que estão se batendo e, no momento certo, fazem as pazes e chegam a um acordo. É um truque super batido.
— Ah, entendiii…
Só então Bliss suspirou aliviado, tirando um peso do peito. Quer dizer que agora realmente não havia mais nenhum obstáculo entre mim e o Cassian!
— Que bom! Bom trabalho, Nel! Você foi incrível!
Nathaniel deu uma olhada de canto de olho para o irmão caçula que lhe dava tapinhas no braço em tom de encorajamento, e voltou a virar o rosto para Ashley.
— O senhor tem mais alguma instrução?
Diante daquela pergunta que parecia mais de um funcionário do que de um filho, Ashley apenas abanou a cabeça de leve.
— Não, já é o suficiente. Você já vai?
— Sim, tenho um jantar agendado.
Consultando o relógio no pulso, Nathaniel levantou-se sem hesitar.
— Vou indo na frente. Depois marco um horário com o senhor, tenho uma pessoa para lhe apresentar nessa ocasião.
— Há.
Ao ouvir aquilo, Grayson, que continuava de pé atrás do balcão do bar, soltou um estalo de deboche:
— Tinha que ser. Aposto que você também encontrou alguém para dedicar a sua vida, imagino.
Nathaniel franziu o cenho e olhou para Ashley, como quem pergunta o que há de errado com aquele idiota. Mas Ashley desconversou, indicando para não dar atenção:
— Vou pedir para o secretário organizar a agenda e entrar em contato. É aquele promotor? Daquele caso da última vez?
— Eu já o conheci — interveio Koi, algo raro de acontecer.
Vendo o rosto do companheiro radiante de empolgação, Ashley deu um leve sorriso e disse:
— Tudo bem, depois você me conta os detalhes.
Ajeitando o terno e abotoando a jaqueta, Nathaniel olhou alternadamente para Ashley e Koi e despediu-se:
— Então eu já vou indo. Tenham um ótimo jantar.
— Nathaniel, eu te acompanho até a porta!
Koi levantou-se num pulo e o seguiu, enquanto Ashley se erguia devagar logo atrás. Como se aquilo fosse um sinal, Stacey e Larien também se levantaram.
— Se cuida, Bliss.
— Tchau, Stacey! Tchau, Larien! Muito obrigado mesmo! Stacey, você também!
Trocando despedidas e até abraços, Bliss acenou para as irmãs que já iam saindo. E assim, restaram apenas Bliss e Grayson a sós na sala.
“Acho que vou para alguma festa.”
Pensando que gastar um pouco de feromônio faria seu humor melhorar, Grayson já se preparava para dar o fora dali também, quando…
— Grayson! Grayson!
De repente, Bliss o chamou em um tom de voz abafado. Quando Grayson, prestes a cruzar a saída da sala, parou e olhou para trás, Bliss gesticulou em pânico:
— Vem cá, preciso falar com você! Rápido, rápido!
“O que é agora?”
Grayson estava com o humor tão miserável que não tinha o menor pingo de paciência para aguentar as bobagens daquele otário. Porém, o afobado Bliss correu até ele e agarrou seu braço, tirando qualquer chance de fuga.
— O que foi agora?
Ao perguntar deixando explícito seu ranço, Bliss olhou ao redor rapidamente e perguntou em voz baixa:
— Se a Terra não é plana, que formato ela tem?
— Ahhh…
“Pensar que um imbecil desses encontrou o par dele antes de mim…”
Sentindo um golpe profundo na própria autoestimada, Grayson esbravejou sem dó:
— Ela é redonda, seu burro! Você tá perguntando isso sério mesmo?
Apesar do xingamento no meio, Bliss nem ligou. O que importava era a resposta.
— A Terra era redonda?! Sério mesmo?! Desde quando?
“Esse jumento…”
Grayson ficou desacreditado com a burrice, mas Bliss estava falando super a sério. Ele já estava de mau humor, e agora essa praguinha de pinscher vinha se colar nele fazendo perguntas cretinas. Com a raiva borbulhando por dentro, sentiu uma vontade irresistível de dar um troco daquela carinha ingênua que o encarava.
— Sei lá… Acho que desde quando os Estados Unidos surgiram? Uns 200 anos atrás?
Fingindo puxar pela memória ao falar, os olhos de Bliss arregalaram-se de imediato:
— Já faz 200 anos?!
Enquanto o caçula admirava-se com um “Que demais!”, Grayson continuou inventando historinha:
— É, foi o presidente Washington que fez ela assim. Conhece o primeiro presidente? O maior feito do Washington foi esse: deixar a Terra redonda. Por isso que a gente vive em cima de uma Terra redonda hoje em dia.
— Ahhh, entendi…!
Só então Bliss soltou um muxoxo de iluminação. Depois de tripudiar bastante do irmão, seu humor deu uma leve melhorada. Grayson abriu aquele sorriso mecânico de praxe e afagou a cabeça de Bliss:
— Entendeu agora? Então eu já vou…
— Por que ele fez isso?
— O quê?
Quando Grayson ia dar no pé, Bliss o segurou de novo. Ao olhar para baixo franzindo a testa, viu o caçula encarando-o cheio de dúvidas:
— Por que ele fez a Terra ficar redonda? Não era melhor plana? O que tem de bom em ser redonda?
Grayson encarou Bliss em silêncio. Explicar gravidade ou queda livre para esse aí seria perda de tempo, ele jamais entenderia.
— Sei lá, até aí eu já não sei. Mas se ele deixou redonda, é porque devia ser melhor, né?
— Ah, entendiii…
Por sorte, Bliss pareceu convencido. Grayson preparou-se para fugir rapidamente antes que surgisse outra pergunta espinhosa.
— Bom, Bliss, parabéns pelo casamento. A gente se vê no Reino Unido da próxima vez, né? Se cuida, fica bem e me liga se precisar de alguma coisa. Fui, tchau.
— Tchau, Grayson! Obrigado por me ensinar!
Acenando também para o irmão, Bliss soltou um longo suspiro. De repente, a casa pareceu ter mergulhado num silêncio profundo. Com a saída de Grayson, todos haviam ido embora.
“…Que solidão.”
No exato momento em que um vazio repentino o atingiu, como se adivinhasse seu sentimento, o celular começou a tocar. Ao conferir às pressas quem estava ligando, o rosto de Bliss iluminou-se na mesma hora num sorriso radiante.
— Cassiaaaan!
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby, Othello&Belladonna