Deflower Me If You Can (Novel) - Capítulo 176
Capítulo 176
Larien começou a pensar depressa, correndo contra o tempo.
Naturalmente, tudo o que ela acabou de dizer a Bliss era mentira. A verdadeira história era bem diferente.
Se pegassem no flagra que ela tinha ajudado Bliss a armar aquela confusão, Ashley com certeza descarregaria toda a sua fúria sobre ela — o único objetivo de Larien foi inventar aquilo para encobrir suas próprias pegadas.
Depois de seduzir uma das secretárias de Ashley e se divertir transando com ela, Larien agiu assim que obteve aquela informação preciosa. Por sorte, o chefe da segurança era justamente o tipo de Stacey, e de quebra ela ainda se livrava daquele chato que ficava pegando no seu pé. Resumindo: dois coelhos com uma cajadada só.
E quando achava que tudo já tinha acabado…
Contra todas as expectativas, apareceu um imprevisto perigoso. Exatamente aquele grandalhão imprevisível chamado Bliss, que estava ali na sua frente olhando para ela com olhos brilhantes e carinha de pipoca gigante. Enganar esse cabeça-oca era fácil, mas com o Papa a história era outra. Se Ashley ouvisse aquela conversa, descobriria a verdade num piscar de olhos. E todo o seu esforço iria por água abaixo.
Isso ela não podia permitir de jeito nenhum.
— Acho que essa não é uma boa ideia, Bliss.
— Por quê?
Quando ela falou com tom calmo, o irmão perguntou confuso, como era de se esperar. Larien o persuadiu pacientemente, sem pressa:
— De qualquer forma, a gente tentou enganar o Papa, então ele pode acabar ficando bravo. É melhor manter isso em segredo para o Papa, ele mete medo.
Fazendo a expressão mais coitada que conseguiu, Bliss caiu direitinho. “É mesmo…”, murmurou ele balançando a cabeça como se tivesse tido uma epifania, e respondeu com firmeza:
— Com certeza. Foi por minha causa, então por que eu iria abrir o bico?! Obrigado, Larien. Obrigado, te amo!
— Também te amo, Bliss.
Pronto, resolvido. Satisfeita, Larien puxou Bliss para um abraço apertado. Aquele corpo macio que cabia perfeitamente em seus dois braços logo lhe trouxe uma sensação agradável. Ela deu um sorriso disfarçado e continuou, usando um tom de voz propositalmente manhoso e carente:
— Ai, Bliss, eu fiquei com tanto medo… Será que você não pode me acalmar um pouquinho? Acho que se eu sentir o cheiro do seu feromônio, essa ansiedade toda vai passar rapidinho.
Mais uma vez, Bliss caiu como um patinho.
— Ah, claro que sim! Isso é o mínimo do mínimo! Vai, pode cheirar à vontade. Puxa fundo!
Na verdade, ele ainda não sabia controlar muito bem os feromônios. Mas graças a isso, Larien pôde se esbaldar respirando o aroma que escapava sem controle.
— Obrigada, Bliss. A gente é família mesmo.
Escolhendo a dedo as palavras para deixar Bliss feliz, ela cravou o nariz no cocão do irmão e tragou os feromônios à vontade. Sem suspeitar minimamente daquelas intenções sombrias, Bliss dava tapinhas nas costas da irmã e pensava consigo mesmo:
“No fim das contas, quem realmente se importa comigo é a minha família mesmo.”
•••
Ao retornar à sala de estar, percebeu que havia mais uma pessoa. O irmão mais velho estava sentado no lugar que Bliss havia deixado vago, conversando com o Papa.
— Nathaniel!
Quando ele correu entusiasmado, Nathaniel, que falava algo com expressão séria, virou o rosto. O irmão mais velho cruzou o olhar com a caçula, mas continuou sentado sem se mexer um centímetro sequer. Claro que isso não importava. Bastava que Bliss corresse até lá.
— Senti saudades! Quanto tempo!
Quando ele se atirou abraçando o pescoço dele e gritando, Nathaniel, que estava prestes a afagar a cabeça dele por pura inércia com um “é…”, travou no lugar. Franzindo o cenho por um breve instante, ele logo desfez a expressão como se nada tivesse acontecido e afastou com delicadeza o caçula grudento que se pendurava nele.
— Vejo que seus feromônios finalmente despontaram.
Com o tom indiferente de sempre, Bliss respondeu com confiança:
— Agora eu também sou um Ômega de verdade!
Ele nunca perdia a chance de se gabar disso toda vez que tocava no assunto. Agora ele também tinha sua própria casta. Já não era mais um “metade de nada”! Ele também era um Miller igual a todos eles. Um membro legítimo da família!
— É, que bom para você.
Respondendo com a mesma voz totalmente isenta de emoção, Nathaniel logo desviou a atenção de Bliss e voltou a encarar Ashley. Com isso, acabou virando as costas para o irmão, mas o fluxo da conversa foi tão natural que Bliss não percebeu absolutamente nada de estranho. Quando Nathaniel tentou retomar o assunto, Ashley ergueu uma das mãos pedindo um momento e abriu a boca:
— Correu tudo bem por lá?
A pergunta era direcionada a Bliss, mas o olhar estava cravado em Larien. Diante daquele olhar afiado como uma advertência, Larien sorriu como se não soubesse de nada, e Bliss não perdeu a oportunidade de responder:
— Sim, não aconteceu nada demais. Como a gente estava há muito tempo sem se ver, só quisemos conversar um pouco a sós.
Aquele sorriso radiante não trazia o menor vestígio de que estivesse escondendo algo. Na verdade, Bliss achava sinceramente que aquilo não era enganar o Papa de forma alguma. Era apenas um pequeno segredo criado entre Larien, Stacey e ele próprio.
Vendo o caçula soltar um risinho maroto provocado pela doce palavra “segredo”, Ashley retirou o olhar desconfiado. Embora não confiasse plenamente em Larien, como ela não apresentava nenhuma falha evidente, ele voltou a concentrar sua atenção nas palavras do filho mais velho. Após confirmar que o pai assentia em sua direção, Nathaniel abriu os lábios que mantinha fechados:
— …Conseguimos garantir o número necessário de parlamentares e estamos aliciando mais cinco como medida de precaução. Portanto, acredito que a proposta de revogar o acordo acabará sendo descartada sem maiores percalços.
— Ótimo, muito bem.
Ashley assentiu com expressão satisfeita. Enquanto engolia em seco escolhendo qual dos petiscos postos sobre a mesa iria comer, Bliss travou ao ouvir aquela palavra dita de repente.
“Hã? Acordo? Do que ele tá falando?”
Normalmente, Bliss nem entendia e nem se importava com as conversas difíceis que Nathaniel e Ashley trocavam. Mas aquela palavra específica fincou-se em seus ouvidos com força. Por quê? Por que será?
— Ah.
A lembrança que brotou logo em seguida o fez escapar um muxoxo sem querer. Koi olhou para ele curioso, mas no momento havia algo muito mais importante para Bliss.
“É verdade, nós éramos o Romeu e aquela outra pessoa!”
Deixando de lado por enquanto o quão incrível havia sido o discurso do homem de Bliss no parlamento, o que importava era o que ele tinha dito lá. Na verdade, Bliss não tinha entendido nem metade do que Cassian falara, mas graças ao seu incomparável amigo Gepeto, conseguira pescar o ponto principal.
No fim das contas, aquilo significava que Cassian e o Papa estavam brigados.
Logo em seguida, Bliss olhou para Ashley com o rosto apreensivo. Gepeto dissera que o Papa era o principal político que defendia a saída do acordo, não era? Mas o que Nathaniel acabara de dizer não significava que a revogação havia sido barrada?
A história não estava batendo.
Aquela linha de raciocínio não fazia o menor sentido. A Advocacia Miller era famosa por aceitar grandes julgamentos e garantir vitórias absolutas, mas sua verdadeira área principal de atuação era outra bem diferente. Eram as atividades de lobby direcionadas a figuras importantes dos meios políticos e financeiros. Até então, o escritório de advocacia vinha agindo conforme a vontade de Ashley, alcançando sempre os resultados desejados. E bem no centro disso tudo estava, naturalmente, o atual chefe do escritório, Nathaniel.
Sendo assim, Nathaniel deveria ter feito o projeto de lei avançar para ser aprovado.
O raciocínio empacou ali. Mas afinal, ele não acabara de falar em anulação? E para piorar, o Papa estava de acordo com isso. O que diabos estava acontecendo?
— P-P-Pa, Papa?
No fim, incapaz de conter a curiosidade, Bliss abriu a boca. Quando os olhares de todos convergiu para ele, sentiu um frio na barriga repentino. “E se eles rirem de mim me achando bobo?” Teve um medinho momentâneo, mas durou literalmente um segundo.
“De qualquer forma, todo mundo já me acha bobo mesmo.”
Ele já estava mais do que acostumado com os irmãos tirando sarro dele. Resolver aquela dúvida no momento era muito mais prioridade. Mantendo o olhar fixo em Ashley, Bliss continuou com cautela:
— S-Sobre aquele acordo, eu perguntei pra IA… O Papa não era a favor de sair? Só que…
Deixando a frase morrer no ar enquanto lançava uma olhada furtiva para o lado de Nathaniel, Koi olhou para Bliss com uma expressão repleta de comoção:
— Que esperto, Bliss. Chegou a estudar esse tipo de coisa.
No entanto, o resto da família não compartilhou da mesma opinião.
— Deve ter pesquisado só porque o conde Heringer apareceu na história. De qualquer forma, ele não deve ter entendido quase nada do conteúdo.
Como esperado, veio aquela reação cínica, mas isso não importava. O que importava agora era saber se o Papa e Cassian eram inimigos ou não. Observando em silêncio o rapaz que aguardava a resposta cheio de tensão, Ashley abriu os lábios devagar:
— No jogo político, às vezes também é preciso saber fazer uma boa encenação.
O significado da frase era difícil de compreender, mas aquela única palavra entrou com clareza em sua mente:
— Encenação? Quer dizer que estão enganando? Quem?
Perguntando assustado, Ashley abriu um sorriso cínico enquanto entortava os cantos da boca:
— Até os imbecis que acreditam que a terra é plana têm direito a voto, então não há muito o que fazer.
Sair daquele acordo? Essa ideia nunca passara pela cabeça dele nem por um segundo. Mas argumentos estúpidos, quando abraçados pela maioria, acabam virando uma enorme dor de cabeça. No fim das contas, um político precisa fingir que escuta o povo.
Isso, é claro, não significava que aceitaria todas aquelas besteiras sem pé nem cabeça. O segredo era apenas fingir que estava “ouvindo”. E Ashley tinha tanto o poder quanto os meios para fazer exatamente isso. Apresentar publicamente uma proposta absurda na superfície, mas guiar sorrateiramente o resultado exatamente para o destino que desejava.
Era isso o que a Advocacia Miller sabia fazer de melhor, e mais uma vez eles haviam executado a tarefa com perfeição.
Que era anular o projeto de lei de acordo com o verdadeiro objetivo inicial.
Para garantir o número necessário de parlamentares, Nathaniel agira com rapidez e o resultado fora exatamente o esperado. Embora fosse um segredo conhecido por pouquíssima gente, havia também outro aliado por trás de tudo aquilo.
Ninguém menos que o conde Heringer.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby, Othello&Belladonna